Diagnóstico de Problemas em PCs: ferramentas e medições essenciais

Capítulo 4

Tempo estimado de leitura: 13 minutos

+ Exercício

Ferramentas mínimas e o que cada uma resolve

Para diagnosticar PCs com eficiência, você precisa de ferramentas que respondam a três perguntas: há energia correta? há sinais de vida? há estabilidade térmica e elétrica sob carga? As ferramentas abaixo cobrem essas perguntas com medições e testes repetíveis.

  • Multímetro digital: medir tensões DC básicas, continuidade e resistência (apoio para achar curto simples).
  • Testador de fonte ATX (quando aplicável): verificação rápida de trilhos e sinal PWR_OK; não substitui teste sob carga.
  • Alto-falante/buzzer de placa-mãe: leitura de bipes (POST) quando não há vídeo.
  • Pendrive bootável: inicializar ambiente de diagnóstico independente do sistema instalado.
  • Softwares de monitoramento e estresse: validar estabilidade (temperatura, clocks, tensões lidas por sensores) e reproduzir falhas.
  • Termômetro infravermelho (opcional): localizar aquecimento anormal em VRM, chipset, SSD, conectores e cabos.

Multímetro: medições essenciais com segurança

Configuração rápida do multímetro

  • Tensão DC: selecione V⎓ (DC). Se for manual, comece em 20 V para medir 12 V/5 V/3,3 V.
  • Continuidade: modo com símbolo de “bip”. Útil para detectar circuito fechado (baixa resistência).
  • Resistência: modo Ω. Útil para comparar leituras e suspeitar de curto (valores muito baixos).
  • Pontas: preta no COM, vermelha no . Evite usar a entrada de corrente (A/mA) para não queimar fusível do multímetro.

Regra prática de referência (ATX)

Em PCs ATX, as tensões mais comuns são:

LinhaCor típica do fioValor nominalFaixa aceitável (referência ATX)
+12 VAmarelo12,0 V11,40 a 12,60 V
+5 VVermelho5,0 V4,75 a 5,25 V
+3,3 VLaranja3,3 V3,135 a 3,465 V
+5VSB (standby)Roxo5,0 V4,75 a 5,25 V
PS_ON#VerdeSinal~5 V em standby; ~0 V quando acionado
GNDPreto0 VReferência

Observação: cores podem variar em fontes não padronizadas; confirme pelo conector e pinagem quando necessário.

Passo a passo: medir +5VSB (fonte em standby)

Esse teste responde se a fonte está entregando a tensão de espera necessária para a placa-mãe “acordar”.

  1. Desligue o PC pelo botão, mas mantenha o cabo de energia conectado e a chave traseira da fonte (se houver) em I.
  2. No conector ATX 24 pinos, coloque a ponta preta em qualquer fio preto (GND).
  3. Com a ponta vermelha, encoste no pino do fio roxo (+5VSB).
  4. Leia o valor: esperado ~5 V dentro da faixa da tabela.

Interpretação: se não há +5VSB, a placa-mãe pode ficar totalmente “morta” (sem LEDs, sem resposta ao botão). Se há +5VSB, mas nada liga, investigue sinal de power (PS_ON), curto, painel frontal ou placa-mãe.

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Passo a passo: medir PS_ON# (sinal de acionamento)

Esse teste ajuda a diferenciar “fonte não liga” de “placa-mãe não está pedindo para ligar”.

  1. Deixe o ATX 24 pinos conectado à placa-mãe.
  2. Com o multímetro em V⎓, ponta preta em GND (fio preto).
  3. Meça o fio verde (PS_ON#).
  4. Em standby, o PS_ON# costuma ficar próximo de 5 V.
  5. Aperte o botão de power do gabinete e observe: o PS_ON# deve cair para próximo de 0 V enquanto o sistema tenta ligar.

Interpretação:

  • PS_ON# não cai: a placa-mãe pode não estar acionando (problema no botão/painel frontal, placa-mãe, curto detectado, BIOS/EC travado). Valide o botão e o conector do painel frontal.
  • PS_ON# cai, mas a fonte não sobe tensões: suspeite de fonte defeituosa, proteção por curto, ou carga anormal.

Passo a passo: medir +12 V, +5 V e +3,3 V com o PC ligado

Ideal para confirmar se os trilhos principais estão dentro da faixa e se há queda excessiva sob carga leve.

  1. Ligue o PC e mantenha acesso ao conector ATX 24 pinos (ou use um extensor ATX para facilitar).
  2. Ponta preta em GND (preto).
  3. Meça: amarelo (+12 V), vermelho (+5 V), laranja (+3,3 V).
  4. Compare com a faixa aceitável.

Critério importante: uma leitura “boa” em idle não garante estabilidade. Se o problema ocorre em jogos ou render, repita as medições sob carga (com cuidado para não encostar em dois pinos ao mesmo tempo).

Passo a passo: checar continuidade e curto simples (com o PC desligado)

Continuidade e resistência ajudam a identificar curto “grosseiro” em cabos, conectores e trilhos. Faça sempre com o equipamento sem energia (cabo removido) e aguarde alguns segundos para descarregar capacitores.

  1. Desconecte o cabo de energia e pressione o botão de power por 10 segundos (para descarregar).
  2. Coloque o multímetro em continuidade (bip) ou resistência.
  3. Teste rápido de curto em conector PCIe/CPU: encoste uma ponta em GND (preto) e outra no pino de +12 V (amarelo) do cabo PCIe/CPU (lado da fonte/cabo).
    • Se der bip contínuo forte (ou resistência muito baixa, por exemplo < 1–2 Ω), suspeite de curto no cabo, conector, GPU/placa-mãe ou na própria fonte.
    • Se não bipar e a resistência subir (ou ficar alta), é um bom sinal, mas não prova ausência de defeito.
  4. Teste de curto em USB frontal: verifique se há continuidade entre 5 V e GND no conector USB do gabinete (curto em USB frontal é comum e pode impedir boot).

Como evitar falso positivo: placas têm capacitores que podem causar bip momentâneo e resistência subindo. O padrão típico de “capacitor carregando” é: bip curto e depois silêncio; resistência começa baixa e sobe. Curto real tende a manter resistência muito baixa e estável.

Testador de fonte ATX: quando usar e como interpretar

O testador de fonte é útil para triagem rápida, especialmente quando você quer confirmar presença de trilhos e PWR_OK sem montar o PC. Ele é mais confiável para detectar falhas “grandes” (trilho ausente, tensão fora da faixa, PWR_OK ausente), mas pode não pegar falhas sob carga.

Passo a passo: teste básico com testador

  1. Desconecte a fonte do PC.
  2. Conecte o ATX 24 pinos no testador.
  3. Conecte também CPU 4+4 e PCIe (se o testador suportar), pois algumas fontes se comportam diferente sem esses conectores.
  4. Ligue a fonte e observe o display/LEDs e o beep de alarme (varia por modelo).

Interpretação prática:

  • Trilho ausente/fora da faixa: alta suspeita de fonte defeituosa.
  • PWR_OK anormal (quando exibido): pode indicar que a fonte não estabiliza a tempo; isso pode causar liga/desliga ou ausência de POST.
  • Tudo “OK” no testador, mas falha no PC: teste não conclusivo; valide com multímetro sob carga e investigue curto/intermitência no sistema.

Alto-falante/buzzer da placa-mãe: sinais de vida sem vídeo

O buzzer permite ouvir códigos de beep do POST quando não há imagem. Ele é especialmente útil em placas sem display de diagnóstico.

Instalação e uso

  1. Localize o conector SPEAKER ou SPK no painel frontal da placa-mãe (próximo ao F_PANEL).
  2. Conecte o buzzer respeitando polaridade se indicada (muitos funcionam em qualquer sentido, mas siga o manual quando houver + e -).
  3. Ligue o PC e observe o padrão de bipes.

Como interpretar sem decorar tabelas

Os padrões variam por fabricante/BIOS, então o método mais confiável é:

  • Anotar o padrão (curtos/longos, repetição).
  • Consultar o manual da placa-mãe ou a tabela do fabricante do BIOS (AMI/Award/Phoenix).
  • Usar o beep como direção (memória, GPU, CPU), não como diagnóstico final.

Exemplo prático: se ao remover todos os módulos de RAM o sistema passa a emitir bipes de “memória ausente”, isso indica que CPU/placa-mãe ao menos iniciam o POST. Se não há bipes em nenhuma condição, suspeite de ausência de energia, curto, CPU/placa-mãe, ou buzzer mal conectado.

Pendrive bootável: separar problema de software do problema de hardware

Um pendrive bootável permite iniciar um ambiente limpo para testar memória, armazenamento e estabilidade sem depender do sistema instalado.

Boas práticas para o pendrive de diagnóstico

  • Tenha pelo menos dois pendrives (um pode falhar).
  • Use portas USB traseiras diretamente na placa-mãe para reduzir variáveis.
  • Prefira imagens conhecidas e verifique checksum quando disponível.

Passo a passo: teste de boot mínimo

  1. Conecte o pendrive.
  2. Entre no menu de boot (tecla varia por placa-mãe) e selecione o pendrive.
  3. Se não aparece no menu: teste outra porta, outro pendrive, desative/ative opções de boot (UEFI/Legacy) conforme o caso.

Interpretação: se o PC não consegue manter boot nem por pendrive, aumenta a suspeita de instabilidade de hardware (RAM, fonte, CPU, placa-mãe, superaquecimento). Se boot por pendrive funciona bem, mas o sistema instalado falha, investigue armazenamento, drivers e integridade do sistema.

Softwares de monitoramento e testes de estresse: validar estabilidade

Monitoramento e estresse servem para reproduzir sintomas (travamentos, reinícios, artefatos) e correlacionar com temperatura, clocks e tensões lidas por sensores. Leituras de software são úteis, mas não substituem multímetro para trilhos ATX.

O que monitorar (mínimo)

  • Temperaturas: CPU (package), GPU (core/hotspot), VRM (quando disponível), SSD.
  • Frequências e limites: throttling térmico/energético.
  • Tensões de sensores: Vcore, SoC, +12/+5/+3,3 reportados (use como tendência, não como valor absoluto).
  • Eventos: quedas bruscas de clock, picos de temperatura, reinício instantâneo (pode indicar proteção de fonte/VRM).

Passo a passo: protocolo simples de estresse (seguro e repetível)

  1. Abra um monitor de sensores e registre valores em idle por 3–5 minutos.
  2. Rode um teste de CPU por 10–15 minutos e observe: temperatura máxima, estabilidade de clock, se há travamento/reinício.
  3. Rode um teste de GPU por 10–15 minutos e observe: artefatos, driver reiniciando, temperatura/hotspot.
  4. Rode carga combinada (CPU+GPU) por 10 minutos para simular cenário pesado (onde fontes fracas/VRM aquecendo aparecem).
  5. Se o sintoma é intermitente, repita em 2–3 ciclos e compare.

Critérios de parada: interrompa se temperaturas atingirem patamar perigoso para o hardware, se houver cheiro de aquecimento, ou se cabos/conectores estiverem aquecendo anormalmente.

Termômetro infravermelho (opcional): achar pontos quentes rapidamente

O termômetro IR ajuda a localizar aquecimento anormal em componentes que não têm sensor exposto. Ele é especialmente útil para detectar:

  • Conector ATX/CPU/PCIe aquecendo (mau contato, oxidação, cabo subdimensionado).
  • VRM muito quente (resfriamento insuficiente, carga excessiva, falha de MOSFET).
  • SSD/Chipset superaquecendo e causando throttling ou quedas.

Passo a passo: varredura térmica rápida

  1. Com o PC em carga (teste de estresse), meça: região do VRM, conectores de energia, parte traseira da placa-mãe atrás do VRM, e a GPU próximo ao conector PCIe.
  2. Compare lados esquerdo/direito e pontos equivalentes (assimetria grande sugere problema localizado).
  3. Se encontrar ponto muito mais quente que o entorno, reduza carga e inspecione conexão, pasta térmica, airflow e integridade do componente.

Limitação: superfícies brilhantes refletem IR e podem enganar. Prefira medir em áreas foscas ou use um pequeno pedaço de fita isolante fosca como referência (sem encostar em partes críticas).

Procedimentos integrados: do “não liga” ao “liga mas falha”

Roteiro 1: sistema totalmente morto (sem LEDs, sem fans)

  1. Meça +5VSB no ATX 24 pinos. Se ausente, suspeite de fonte/cabo/tomada.
  2. Se +5VSB presente, meça PS_ON# ao pressionar power. Se não cai, o comando de ligar não está chegando/ocorrendo.
  3. Se PS_ON# cai e mesmo assim não liga, desconecte periféricos não essenciais e repita; se persistir, investigue curto simples (continuidade entre +12 e GND em cabos CPU/PCIe) e valide a fonte com testador/multímetro.

Roteiro 2: liga e desliga em seguida (ciclo curto)

  1. Meça +12/+5/+3,3 durante a tentativa de ligar (se possível). Quedas bruscas sugerem proteção da fonte ou curto.
  2. Teste com configuração mínima (apenas placa-mãe, CPU, 1 RAM, sem GPU se houver vídeo integrado).
  3. Use buzzer: presença de bipes em alguma condição indica que o POST chegou a iniciar.
  4. Se o testador de fonte acusa PWR_OK anormal, trate como forte suspeita de fonte.

Roteiro 3: liga, mas sem vídeo

  1. Instale buzzer e observe bipes.
  2. Verifique se há sinais de POST (bipes, LEDs de debug, atividade de teclado).
  3. Se houver bipes de memória, foque em RAM/slots; se houver bipes de vídeo, foque em GPU/PCIe.
  4. Se não houver bipes em nenhuma variação (com/sem RAM), valide tensões e suspeite de CPU/placa-mãe.

Roteiro 4: liga e entra no sistema, mas trava/reinicia sob carga

  1. Rode monitoramento + estresse por etapas (CPU, GPU, combinado) e anote quando falha.
  2. Se reinicia instantâneo sem tela azul, suspeite de fonte/VRM/proteção. Meça trilhos ATX sob carga (multímetro) e procure aquecimento em conectores (termômetro IR).
  3. Se trava com artefatos, foque em GPU/VRAM/temperatura.
  4. Se dá erro de memória ou fecha aplicativos, valide RAM (teste por pendrive) e estabilidade do controlador (SoC/IMC).

Critérios de confiabilidade: quando a medição é inconclusiva

Quando repetir e como validar

  • Leitura oscilando: repita com melhor contato das pontas, use ponto de GND diferente e compare.
  • Leitura “boa” no testador, ruim no PC: o testador não aplica carga real; valide com multímetro no sistema e teste sob estresse.
  • Continuidade com bip momentâneo: pode ser capacitor carregando; repita em modo resistência e observe se o valor sobe.
  • Sensor de software indicando tensão estranha: compare com multímetro nos trilhos ATX. Sensores podem ser mal calibrados.
  • Falha intermitente: execute o mesmo teste 3 vezes, em condições semelhantes (mesma tomada, mesma carga, mesma temperatura ambiente). Intermitência é dado: anote padrões.

Regras práticas para decidir “confiável” vs “suspeito”

  • Confiável: medição repetível (mesmo valor em 2–3 medições), dentro da faixa, e comportamento coerente com o sintoma.
  • Suspeito: valor no limite da faixa, varia com leve toque no cabo/conector, ou muda muito entre idle e carga.
  • Inconclusivo: ferramenta não aplica carga (testador), leitura depende de sensor, ou o teste não reproduz o sintoma. Nesse caso, mude a variável (carga, cabo, tomada, componente) e valide por comparação.

Checklist rápido de medições típicas (para registrar)

Data/Hora: ____  Ambiente (°C): ____  Tomada/Extensão: ____  Configuração: ____

Standby:
- +5VSB (roxo): ____ V
- PS_ON# (verde) em standby: ____ V

Ao pressionar power:
- PS_ON# cai para: ____ V

Ligado (idle):
- +12V: ____ V   +5V: ____ V   +3.3V: ____ V

Sob carga (CPU/GPU/comb):
- +12V: ____ V   +5V: ____ V   +3.3V: ____ V
- Temp CPU máx: ____ °C   Temp GPU máx: ____ °C
- Observações (reinício/trava/artefato/ruído): ____

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao diagnosticar um PC totalmente “morto” (sem LEDs e sem ventoinhas), qual sequência de medições ajuda a diferenciar ausência de energia de falha no comando de ligar?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

O +5VSB confirma se existe tensão de standby para a placa-mãe “acordar”. Com +5VSB presente, observar o PS_ON# ao pressionar power indica se a placa-mãe está solicitando o acionamento; se não cair, o comando de ligar pode não estar ocorrendo.

Próximo capitúlo

Diagnóstico de Problemas em PCs: bipes, LEDs, códigos e mensagens de POST

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