Diagnóstico de Problemas em PCs: bipes, LEDs, códigos e mensagens de POST

Capítulo 5

Tempo estimado de leitura: 10 minutos

+ Exercício

O que é POST e por que os sinais importam

POST (Power-On Self Test) é a sequência de verificações executada ao ligar o PC, antes do sistema operacional. Nessa fase, a placa-mãe/firmware (BIOS/UEFI) inicializa CPU, memória, vídeo e dispositivos essenciais. Quando algo impede o avanço, o sistema tenta comunicar o ponto de falha por sinais simples: bipes no speaker, LEDs de diagnóstico, displays de POST code (dois dígitos) e mensagens na tela. A vantagem é que esses sinais aparecem cedo, quando ainda não há vídeo, drivers ou logs do sistema operacional.

Tipos de sinal de POST e como ler cada um

1) Bipes (speaker/buzzer)

Os bipes são padrões (curtos/longos, repetição) emitidos por um speaker conectado ao header da placa-mãe ou por um buzzer integrado. Eles costumam indicar falhas críticas como RAM, vídeo, CPU ou inicialização do firmware. Atenção: o mesmo padrão pode significar coisas diferentes dependendo do fabricante do firmware/placa.

  • Pré-requisito: garantir que há speaker/buzzer funcional. Muitas placas não vêm com speaker no gabinete; pode ser necessário conectar um speaker de bancada.
  • Como registrar: anote o padrão de forma objetiva, por exemplo: 1 longo + 2 curtos, 3 curtos repetindo, bipes contínuos.

2) LEDs de diagnóstico (CPU/DRAM/VGA/BOOT)

Muitas placas-mãe têm um conjunto de LEDs rotulados (ex.: CPU, DRAM, VGA, BOOT). Eles acendem durante a inicialização e podem ficar travados no LED do estágio que falhou. Em geral, são mais fáceis de interpretar do que bipes porque já sugerem a categoria do problema.

  • Como registrar: qual LED fica aceso e se há alternância (ex.: “DRAM acende, apaga, volta e fica fixo”).
  • Armadilha comum: LED “BOOT” aceso pode indicar ausência de dispositivo de boot ou falha de detecção do SSD/HDD, mas também pode ocorrer por configuração de UEFI/CSM, ordem de boot ou drive com problema.

3) Display de POST code (Q-Code/Debug LED de 2 dígitos)

Algumas placas trazem um display de dois dígitos (hexadecimal) que mostra códigos conforme o POST avança. Se travar, o último código exibido é uma pista forte do estágio. Esses códigos são específicos do fabricante/linha e do firmware; a interpretação correta depende da tabela certa.

  • Como registrar: anote exatamente o código (ex.: 0d, A2, 55) e se ele muda rapidamente antes de travar.
  • Dica: tire uma foto do display no momento do travamento para evitar erro de transcrição.

4) Mensagens na tela

Quando há vídeo, o POST pode exibir mensagens (ex.: “No bootable device”, “CPU Fan Error”, “CMOS checksum bad”, “Overclocking failed”). Essas mensagens costumam ser mais diretas, mas ainda exigem correlação com o contexto (mudanças recentes, hardware conectado, configurações).

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  • Como registrar: copie a mensagem literalmente e, se possível, fotografe a tela.
  • Armadilha comum: “CMOS checksum bad” pode ser bateria fraca, mas também pode ocorrer após reset de CMOS, atualização de BIOS ou corrupção de NVRAM.

Como identificar o fabricante/linha correta (sem depender de memorização)

O erro mais comum ao usar bipes/códigos é consultar a tabela errada. O objetivo aqui é identificar com precisão: (1) modelo da placa-mãe, (2) fabricante/linha do firmware (BIOS/UEFI), (3) documentação aplicável (manual, página de suporte, release notes).

Passo a passo de identificação

  1. Identifique a placa-mãe (marca e modelo): procure serigrafia na placa (ex.: “B550M-…”, “Z690-…”) e etiqueta com revisão (ex.: “Rev 1.0”). Em PCs de marca (OEM), identifique o modelo do equipamento e a placa/board ID.
  2. Localize o manual oficial: use o site do fabricante da placa-mãe ou do OEM. Procure seções como “Troubleshooting”, “Q-LED”, “Debug LED”, “POST State”, “Beep Code”.
  3. Identifique o firmware/BIOS/UEFI: quando há vídeo, a tela inicial ou o setup geralmente mostra versão e fornecedor. Sem vídeo, use a etiqueta do chip BIOS (quando acessível) ou a página de suporte do modelo (ela indica o tipo de BIOS/UEFI e versões).
  4. Confirme o tipo de tabela: algumas marcas publicam tabela própria de Q-Code/Debug; outras remetem a códigos AMI/Award/Phoenix. Se o manual tiver tabela específica da placa, priorize-a.
  5. Registre a versão do BIOS/UEFI: certos códigos e mensagens mudam com atualizações. Anote a versão exibida no setup ou na tela de POST quando possível.

Estratégia de busca eficiente (para achar a tabela certa)

Use termos que reduzam ambiguidade. Exemplos de consultas:

  • "[modelo exato da placa]" Q-LED DRAM
  • "[modelo exato]" debug LED code A2
  • "[modelo exato]" POST code table
  • "[modelo exato]" beep code

Evite buscar apenas “beep code 1 long 2 short”, pois isso retorna tabelas genéricas e frequentemente incorretas para o seu caso.

Procedimento: correlacionar sintoma → código → componente provável → teste de confirmação

O objetivo é transformar o sinal do POST em hipótese testável, reduzindo tentativa e erro. Use sempre um registro (planilha ou log) para não repetir passos e para comparar resultados.

Modelo de fluxo

  1. Capturar o sintoma observável: liga? reinicia? sem vídeo? trava em logo? bipa? LED fixo? código no display?
  2. Capturar o sinal de POST com precisão: padrão de bipes, LED travado, código exato, mensagem literal.
  3. Identificar a tabela correta: manual do modelo + seção de diagnóstico. Se não houver, documentação do firmware indicado para aquele modelo.
  4. Mapear para “estágio do POST” e “componente provável”: por exemplo, DRAM init, VGA init, storage init, boot device.
  5. Definir 1–3 testes de confirmação (do menos invasivo ao mais invasivo): reencaixe, teste com peça conhecida boa, troca de slot, configuração mínima, etc.
  6. Executar testes e registrar resultado: mudou o código? mudou o LED? apareceu vídeo? o comportamento é consistente?
  7. Atualizar hipótese: se o teste não confirma, volte ao passo 4 com os novos sinais.

Tabela prática: sinal do POST → hipótese → teste de confirmação (exemplos comuns)

Sinal de POST (exemplo)Interpretação típica (depende da tabela)Componente provávelTeste de confirmação (exemplos)
LED DRAM fixoFalha na inicialização da memóriaRAM / slot / IMC da CPU / compatibilidadeTestar 1 módulo por vez; alternar slots recomendados; limpar contatos; testar módulo conhecido bom; reduzir XMP/EXPO (se houver acesso ao setup); verificar compatibilidade QVL
POST code 55 (muito comum em algumas linhas)Memória não detectadaRAM / encaixe / slotReencaixar; trocar slot; testar outro módulo; inspecionar pinos do socket (em plataformas LGA)
LED VGA fixoFalha de vídeo/PCIe initGPU / cabo / monitor / slot PCIe / iGPU desativadaTrocar cabo/porta; testar outra saída; reencaixar GPU; testar em outro slot; testar GPU conhecida boa; se houver iGPU, testar vídeo na placa-mãe
Mensagem “CPU Fan Error”RPM não detectado no header esperadoCooler/ventoinha / header CPU_FANConectar fan no CPU_FAN; verificar curva/controle; testar outra ventoinha; checar se bomba AIO está em header correto
Mensagem “No bootable device” ou LED BOOT fixoSem dispositivo de boot detectávelSSD/HDD / cabo / porta / configuração de bootVerificar detecção no setup; trocar cabo/porta SATA; reencaixar NVMe; testar outro drive; checar modo UEFI/CSM e ordem de boot
Bipes contínuosErro crítico (muitas vezes RAM/temperatura/energia)RAM / alimentação / superaquecimentoConfiguração mínima; verificar instalação do cooler; testar RAM; checar conectores de energia CPU/ATX; observar se desliga por proteção

Exemplos guiados (com registro em planilha/log)

Exemplo 1: Sem vídeo, LED DRAM fixo

Sintoma: PC liga, fans giram, sem vídeo, LED DRAM fica aceso fixo após alguns segundos.

Como usar o POST: LED DRAM sugere falha na etapa de inicialização de memória. A hipótese inicial é RAM mal encaixada, módulo defeituoso, slot com problema, ou incompatibilidade/treinamento falhando.

Testes de confirmação (ordem sugerida):

  • Testar com apenas 1 módulo no slot recomendado pelo manual (geralmente A2).
  • Alternar para outro módulo (se houver) mantendo o mesmo slot.
  • Alternar o slot (A2 → B2) com o mesmo módulo.
  • Se a plataforma for LGA, inspecionar pinos do socket (pinos tortos podem causar falha de memória).

Registro em planilha (exemplo):

Data/HoraMáquinaSintomaSinal POSTTabela/RefHipóteseTesteResultadoPróximo passo
2026-01-25 10:12PC-07Sem vídeo, liga normalLED DRAM fixoManual placa, seção Q-LEDRAM não inicializa1 módulo no slot A2Continua LED DRAMTrocar módulo
2026-01-25 10:20PC-07Sem vídeoLED DRAM fixoManual placaMódulo defeituosoTrocar por módulo conhecido bom no A2POST avança, aparece vídeoTestar módulo original em outro PC

Exemplo 2: Display de POST code trava em A2

Sintoma: PC liga, mostra logo às vezes, mas frequentemente trava; no display de POST code fica em A2.

Como usar o POST: em várias tabelas de fabricantes, A2 costuma estar relacionado a detecção/inicialização de dispositivos de armazenamento (SATA/NVMe) ou etapa de boot. A confirmação depende do manual/tabela do modelo.

Testes de confirmação (ordem sugerida):

  • Desconectar todos os dispositivos de armazenamento e deixar apenas o mínimo (ou nenhum) para ver se o código muda e se entra no setup.
  • Trocar porta/cabo SATA (se aplicável) ou reencaixar NVMe.
  • Testar com outro SSD conhecido bom.

Registro em log (formato texto):

[2026-01-25 14:03] PC-12 | Sintoma: trava no POST | POST code: A2 | Ref: tabela do manual (Debug LED) | Hipótese: storage init travando | Ação: desconectar SATA HDD 2TB | Resultado: POST completa e entra no setup | Próximo: testar HDD em dock/PC externo e verificar SMART

Exemplo 3: Bipes “1 longo + 2 curtos” e LED VGA

Sintoma: sem vídeo; ao ligar, emite 1 longo e 2 curtos; LED VGA fica aceso.

Como usar o POST: o conjunto (bipes + LED) aponta para etapa de vídeo. Mesmo que a tabela de bipes varie, a convergência de sinais aumenta a confiança na hipótese.

Testes de confirmação (ordem sugerida):

  • Trocar cabo e porta de vídeo (HDMI/DP) e testar outro monitor.
  • Reencaixar a GPU e conferir alimentação PCIe (conectores).
  • Testar com outra GPU conhecida boa ou testar a GPU suspeita em outro PC.
  • Se houver iGPU, remover a GPU dedicada e testar vídeo na saída da placa-mãe (quando suportado pela CPU).

Boas práticas específicas para trabalhar com sinais de POST

  • Use “configuração mínima” para tornar o sinal mais confiável: CPU + cooler, 1 módulo de RAM, vídeo (iGPU ou GPU), e apenas o necessário para entrar no setup. Quanto menos variáveis, mais significativo é o código/LED.
  • Não trate o código como “diagnóstico final”: ele indica estágio, não necessariamente a peça defeituosa. Ex.: falha em DRAM pode ser RAM, slot, CPU (controlador de memória) ou até contato/pinos.
  • Compare sinais: bipes + LED + código + mensagem. Quando convergem, a hipótese é forte; quando divergem, priorize a documentação do modelo e repita a observação.
  • Registre mudanças após cada ação: se o POST code muda de 55 para outro, isso é evidência de progresso e ajuda a localizar a causa.
  • Guarde as referências: no log, anote o link/arquivo do manual e a versão do BIOS/UEFI usada para interpretar a tabela.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao diagnosticar um PC que não avança no POST, qual abordagem melhor transforma um sinal (bipe, LED, código ou mensagem) em uma hipótese testável, reduzindo tentativa e erro?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

O método recomendado é tratar o sinal como pista do estágio do POST: registrar corretamente, usar a tabela específica do modelo/firmware e validar com testes progressivos (reencaixe, peça conhecida boa, troca de slot), anotando resultados e mudanças.

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