Crochê para iniciantes: erros comuns, diagnóstico e correção sem perder o trabalho

Capítulo 11

Tempo estimado de leitura: 10 minutos

+ Exercício

Erros comuns: como “ler” o tecido antes de corrigir

Em crochê, a aparência do tecido costuma denunciar o tipo de erro: bordas irregulares sugerem perda/ganho de pontos; furos inesperados indicam laçadas extras ou pontos pulados; “ondas” e entortamento apontam para contagem errada ou tensão instável; pontos com “torção” aparecem como V’s desalinhados; emendas visíveis geralmente vêm de troca de fio mal posicionada ou nós/caudas mal distribuídos. A correção começa com duas perguntas: (1) o erro afeta a medida/forma? (2) ele vai ficar mais evidente nas próximas carreiras? Se a resposta for “sim” para qualquer uma, vale corrigir cedo.

Ferramentas de diagnóstico rápido

  • Contagem de pontos: compare com a contagem esperada da carreira anterior e com a receita (ou com sua anotação).
  • Leitura das colunas: observe se os “V’s” (ou as barras, dependendo do ponto) sobem em colunas retas. Coluna quebrada costuma indicar ponto pulado ou ponto extra.
  • Inspeção de borda: borda “denteada” ou inclinada é sinal clássico de aumento/diminuição involuntária.
  • Teste de alinhamento: dobre o trabalho ao meio (quando for peça reta) e veja se as laterais se encontram simetricamente.

Perda ou ganho de pontos nas bordas

Como identificar pela aparência

  • Perda de pontos: a peça vai afunilando; a borda “puxa” para dentro; a última coluna parece “sumir”.
  • Ganho de pontos: a peça abre/embaba; borda com pequenas “orelhas”; laterais ficam onduladas.

Como confirmar pela contagem

Conte os pontos da carreira atual e compare com a carreira anterior. Se a diferença for 1 ou 2 pontos, quase sempre o erro está nas extremidades (primeiro ou último ponto).

Correções possíveis (sem perder o trabalho)

  • Erro na carreira atual e você ainda está nela: desfaça apenas até a borda onde errou e refaça corretamente.
  • Você percebeu 1 carreira depois: avalie se dá para corrigir localmente (ver abaixo) ou se é melhor voltar uma carreira.

Correção localizada: quando funciona

Se faltou 1 ponto e isso não vai distorcer o desenho, você pode fazer um “ponto compensatório” em um ponto discreto (ex.: no penúltimo ponto da carreira seguinte, trabalhe 2 pontos no mesmo ponto de base para recuperar a contagem). Use isso com cautela: em tecido liso, pode marcar.

Se sobrou 1 ponto, você pode fazer uma diminuição discreta na carreira seguinte (trabalhar 2 pontos juntos) para voltar à contagem. Prefira fazer essa correção perto da borda se a borda já estiver irregular; ou mais ao centro se a borda precisa ficar reta.

Correntinha de subida confundida com ponto

O que acontece

Um erro comum é tratar a correntinha de subida como se fosse um ponto “normal” (ou o contrário). Isso altera a contagem e cria bordas inclinadas, com “degraus”.

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Sinais no tecido

  • Borda com “escadinhas” muito marcadas.
  • Um espaço maior no início/fim da carreira, como se faltasse um ponto para “fechar” a lateral.
  • Contagem que alterna: uma carreira dá certo, na outra sobra/falta 1.

Passo a passo para diagnosticar

  1. Localize o início da carreira: procure a correntinha de subida e o primeiro ponto trabalhado.
  2. Compare a altura: a correntinha costuma parecer mais “esticada” e com menos corpo que um ponto.
  3. Verifique onde você inseriu a agulha no fim: muitas pessoas deixam de trabalhar no último ponto por confundir a correntinha com ele.

Como corrigir

  • Se você ainda está na mesma carreira: volte alguns pontos, identifique o último ponto real e trabalhe nele.
  • Se já avançou: use um marcador no ponto que deve ser o “último ponto da carreira” nas próximas voltas e mantenha a regra consistente (sempre contar ou sempre não contar a correntinha, conforme a receita/decisão do seu projeto).

Furos indesejados (buracos que não fazem parte do ponto)

Causas mais comuns

  • Laçada extra (fio passado na agulha sem perceber).
  • Ponto pulado (você avançou um ponto de base sem trabalhar).
  • Inserção no lugar errado (pegou apenas uma alça quando deveria pegar as duas, ou entrou em um espaço grande).

Como identificar

  • O furo costuma aparecer como um “olho” isolado em tecido que deveria ser fechado.
  • Acima do furo, a coluna de pontos pode ficar deslocada para o lado.
  • Na contagem, laçada extra tende a aumentar pontos; ponto pulado tende a diminuir.

Correção localizada: 3 cenários

1) Laçada extra na carreira atual

  1. Pare assim que notar que há um ponto “sobrando” ou um espaço estranho.
  2. Desfaça até antes da laçada extra.
  3. Refaça os pontos conferindo a contagem.

2) Ponto pulado percebido na carreira seguinte

Se o furo for pequeno e você não quiser voltar, dá para “compensar” trabalhando 2 pontos no mesmo ponto de base em um local próximo para recuperar a contagem. Em pontos altos, isso pode ficar mais visível; em pontos baixos, costuma disfarçar melhor.

3) Inserção no lugar errado (pegou alça errada)

Se o tecido ficou com um “risco” ou uma abertura linear, normalmente a melhor correção é voltar até o ponto errado e refazer, porque correções locais podem criar textura diferente.

Tensão variando (carreiras mais apertadas ou mais frouxas)

Como aparece no tecido

  • Listras horizontais de densidade diferente (uma carreira “mais baixa” e outra “mais alta”).
  • Borda que alterna entre repuxada e solta.
  • Peça que começa reta e depois “abre” ou “fecha” sem mudança de contagem.

Diagnóstico rápido

  • Contagem está correta, mas a largura muda: é tensão.
  • Altura de carreira varia: tensão e/ou altura do ponto inconsistente.

O que corrigir sem desmanchar muito

  • Se a variação está em 1–2 carreiras recentes: vale desmanchar só essas carreiras e refazer com atenção, porque o contraste costuma ficar visível no resultado final.
  • Se a variação é pequena e distribuída: siga em frente, mas passe a fazer checagens de altura e largura a cada carreira (roteiro no fim).

Peça entortando (trabalho “puxa” para um lado)

Causas típicas

  • Perda/ganho de pontos em uma das bordas repetidamente.
  • Viradas inconsistentes (às vezes você vira para o mesmo lado, às vezes muda a forma de iniciar).
  • Pontos inseridos no lugar errado perto das bordas (especialmente no primeiro/último ponto).

Como identificar

  • As laterais não ficam paralelas.
  • As colunas de pontos “andam” na diagonal.
  • Ao dobrar ao meio, uma lateral fica maior que a outra.

Como decidir a correção

  • Entortamento começou agora: volte 1 carreira e confira bordas e contagem.
  • Entortamento vem acumulando: procure o ponto em que a contagem começou a divergir (use marcadores e contagem por blocos) e volte até lá; correções localizadas podem não alinhar as colunas.

Pontos torcidos (V’s desalinhados, textura “retorcida”)

O que costuma causar

  • Inserir a agulha “de trás para frente” de forma inconsistente.
  • Pegar apenas uma alça quando o padrão do tecido estava em duas alças (ou alternar sem querer).
  • Virar o trabalho e começar a carreira no ponto errado, deslocando a coluna.

Como reconhecer

  • Os V’s não ficam empilhados; parecem “girados”.
  • A superfície fica com pequenas diagonais ou relevos inesperados.

Correção recomendada

Como a torção altera a textura, a correção mais limpa geralmente é desmanchar até o ponto onde começou e refazer mantendo a mesma forma de inserção. Se for um detalhe pequeno em área pouco visível, você pode manter e apenas garantir que a contagem não foi afetada.

Emendas aparentes (troca de fio ou novo novelo marcando)

Como aparece

  • Um “carocinho” (nó) ou espessura extra em um ponto.
  • Uma linha de cor/torção diferente concentrada em um lugar só.
  • Caudas escapando para o lado direito do trabalho.

Como minimizar sem refazer tudo

  • Reposicionar a emenda: se você ainda está perto da troca, desmanche alguns pontos e refaça a troca em um local menos visível (ex.: na lateral, na parte de trás, ou embaixo de um ponto mais fechado).
  • Distribuir a cauda: com agulha de tapeçaria, leve a cauda por dentro de vários pontos mudando levemente de direção para travar e reduzir volume concentrado.
  • Evitar nó no “lado direito”: se o nó ficou na frente, desmanche até antes da emenda e refaça mantendo a junção no avesso.

Como escolher entre: correção local, voltar uma carreira ou desmanchar mais

SituaçãoSinalMelhor ação
Contagem errada em 1 ponto, erro recenteBorda irregular começou agoraDesmanchar só até o erro e refazer
Contagem errada percebida 1 carreira depoisDiferença de 1 pontoCorreção localizada (aumento/diminuição discreta) ou voltar 1 carreira
Furo grande em tecido fechado“Olho” evidenteVoltar até o ponto do furo e refazer
Tensão muito diferente em poucas carreirasFaixa visívelVoltar essas carreiras e refazer
Peça entortando há várias carreirasColunas em diagonalEncontrar onde a contagem desviou e voltar até lá
Ponto torcido/textura erradaRelevo/diagonal inesperadaVoltar até o início do problema

Desmanche seguro: técnicas para não perder laçadas

Desmanchar alguns pontos (retroceder poucos centímetros)

  1. Trave o trabalho: segure o ponto ativo (o último na agulha) com os dedos.
  2. Puxe o fio de trabalho com cuidado: desfaça ponto a ponto, sem puxões longos.
  3. Conte enquanto desmancha: isso ajuda a voltar exatamente até o ponto que você quer corrigir.

Voltar uma carreira inteira com controle

  1. Identifique a carreira-alvo: localize a “linha” de topo dos pontos (os V’s) que você quer manter.
  2. Desmanche até o início da carreira: vá ponto a ponto; quando chegar na virada, continue até liberar toda a carreira.
  3. Antes de refazer: confira se a borda está com a mesma quantidade de pontos da carreira anterior.

Recolocar pontos na agulha (quando o trabalho saiu da agulha)

  1. Encontre a última carreira completa: procure a fileira de V’s intacta.
  2. Insira a agulha em cada V: coloque a agulha por baixo das duas alças do V, ponto por ponto, na direção correta (da direita para a esquerda para destros; ajuste conforme seu sentido de trabalho).
  3. Conte os pontos recolocados: a contagem deve bater com a carreira anterior.
  4. Retome com o fio de trabalho: faça uma laçada e continue a partir do ponto ativo.

Dica de segurança: se você precisa parar no meio de uma correção, passe um marcador no ponto ativo (ou prenda com um clipe) para evitar que ele desmanche sozinho.

Uso de marcadores para retomar a sequência correta

Onde marcar para evitar erros repetidos

  • Primeiro ponto real da carreira: evita confundir correntinha de subida com ponto.
  • Último ponto da carreira: ajuda a não “comer” o último ponto na virada.
  • A cada 10 ou 20 pontos: facilita contagem e localização de onde a contagem desviou.
  • Em pontos de referência do padrão: por exemplo, início de repetição, canto, ou ponto central.

Passo a passo: marcação por blocos para contagem rápida

  1. Conte 10 pontos a partir da borda e coloque um marcador no 10º.
  2. Repita até o final da carreira.
  3. Na carreira seguinte, ao terminar, confira se você chegou ao último marcador no mesmo “ritmo” (sem sobrar ou faltar trecho).

Roteiro de verificação a cada carreira (checklist)

  • 1) Contagem: conte os pontos da carreira concluída (ou conte por blocos com marcadores) e compare com o esperado.
  • 2) Bordas: verifique se o primeiro e o último ponto estão “inteiros” e se a lateral não ganhou degraus novos.
  • 3) Altura: compare a altura da carreira com as anteriores (procure faixas mais apertadas/frouxas).
  • 4) Alinhamento: observe se as colunas sobem retas; se estiverem andando, pare e investigue antes de avançar.
  • 5) Superfície: procure furos isolados, pontos torcidos e emendas que ficaram no lado visível.
  • 6) Decisão imediata: se o erro foi encontrado, escolha entre (a) desmanchar poucos pontos, (b) voltar uma carreira, (c) correção localizada — e aplique antes de seguir.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao encontrar uma borda irregular e notar que a contagem de pontos difere em 1 ponto em relação à carreira anterior, qual ação é mais adequada para corrigir sem perder o trabalho?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Diferença de 1 ponto geralmente vem das extremidades. Nesses casos, pode-se compensar com um aumento/diminuição discreta na carreira seguinte ou voltar uma carreira para refazer corretamente antes que o erro se acumule.

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Crochê para iniciantes: troca de cores, emendas de fio e controle de acabamento

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