Tipos de feridas na infância: como diferenciar
Identificar o tipo de ferida ajuda a escolher a melhor forma de limpar, controlar o sangramento e decidir se precisa de avaliação médica.
Escoriação (ralado)
- Como é: raspagem superficial da pele, comum em joelhos e cotovelos.
- Sangra? pouco; pode “arder” bastante.
- Risco principal: sujeira (areia, terra) presa na pele.
Corte superficial
- Como é: corte fino, com bordas próximas, geralmente não muito profundo.
- Sangra? pode sangrar de leve a moderado, mas costuma parar com compressão.
- Exemplos comuns: papel, borda de brinquedo, pequenos acidentes na cozinha.
Ferida profunda (laceração/ferida aberta)
- Como é: bordas afastadas, profundidade maior, pode haver “buraco” ou tecido visível.
- Sangra? pode ser intenso ou persistente.
- Exemplos comuns: vidro, metal, quedas com corte, objetos pontiagudos.
Controle de sangramento: o que fazer na prática
Na maioria dos sangramentos externos, a medida mais eficaz é pressão direta e contínua. Evite “espiar” a ferida a todo momento, pois isso reinicia o sangramento.
Passo a passo: pressão direta
- Proteja-se se possível (luvas). Se não tiver, use uma barreira limpa (gaze, pano limpo).
- Coloque uma gaze ou pano limpo diretamente sobre o local que sangra.
- Pressione firme e continuamente com a palma da mão.
- Mantenha a compressão por 10 minutos sem levantar para olhar. Use um relógio.
- Se ainda sangrar, mantenha a pressão por mais 10 minutos.
- Se o pano/gaze encharcar, não retire a primeira camada; coloque outra por cima e continue pressionando.
Elevação: quando ajuda
Se a ferida estiver em braço ou perna e não houver suspeita de fratura importante, deformidade, dor intensa ao mover ou grande inchaço, você pode elevar o membro acima do nível do coração enquanto mantém a pressão direta. A elevação é um complemento; não substitui a compressão.
Curativo compressivo (quando o sangramento diminuiu)
Após controlar o sangramento com pressão direta, você pode fazer um curativo que mantenha leve compressão:
- Coloque gaze sobre a ferida.
- Enrole com atadura/faixa sem apertar a ponto de causar dormência, formigamento, frio ou mudança de cor.
- Confira circulação: dedos devem permanecer rosados e quentes; a criança não deve reclamar de “aperto” progressivo.
Sangramento nasal (epistaxe): como agir
Sangramento nasal é comum na infância (ar seco, coçar o nariz, resfriados). A técnica correta costuma resolver.
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- Sente a criança e incline o tronco levemente para frente (não para trás).
- Aperte a parte macia do nariz (asas nasais), logo abaixo do osso, com firmeza.
- Mantenha por 10 minutos sem soltar para checar.
- Se continuar, repita por mais 10 minutos.
- Após parar, evite assoar, cutucar ou esforço físico por algumas horas.
Evite: inclinar a cabeça para trás (engole sangue), colocar algodão profundamente, “tampar” com objetos, ou pedir para assoar durante o sangramento.
Limpeza segura: reduzir risco de infecção sem agredir a pele
O objetivo é remover sujeira e reduzir germes sem machucar mais o tecido.
Passo a passo: limpeza de escoriações e cortes superficiais
- Lave as mãos (ou higienize) antes de mexer na ferida.
- Enxágue com água corrente (torneira, chuveirinho) por alguns minutos. A água corrente ajuda a expulsar partículas.
- Use sabonete suave apenas na pele ao redor da ferida. Evite esfregar dentro do corte.
- Remova sujeira visível com cuidado: se houver grãos de areia/terra, tente retirar com gaze úmida ou pinça limpa. Se estiver grudado e doloroso, não force.
- Seque ao redor com pano limpo, sem fricção sobre a área ferida.
O que evitar na limpeza
- Álcool, água oxigenada e iodo dentro da ferida: podem irritar e atrasar cicatrização. Se forem usados, que seja apenas na pele ao redor e com orientação profissional.
- Esfregar com força para “tirar tudo”: aumenta sangramento e dor.
- Jatos muito fortes diretamente em feridas profundas: podem causar mais trauma.
Cobertura e curativos: como proteger e favorecer cicatrização
Curativos protegem contra sujeira, reduzem atrito e ajudam a manter um ambiente adequado para cicatrização.
Escolhendo o curativo
- Escoriações: após limpeza, cobrir com gaze não aderente ou curativo próprio para abrasão. Em áreas de atrito (joelho), fixar bem sem apertar.
- Cortes superficiais: gaze/curativo adesivo. Se as bordas estiverem bem aproximadas, um curativo tipo “borboleta” pode ajudar a manter as bordas juntas (sem substituir avaliação quando necessário).
- Feridas com sangramento recente: gaze + compressão leve (curativo compressivo) após controle do sangramento.
Passo a passo: curativo simples
- Com a ferida limpa e sangramento controlado, coloque gaze estéril ou curativo limpo sobre a área.
- Fixe com fita/atadura, garantindo que a criança consiga movimentar a região sem dor excessiva.
- Se o curativo grudar na troca, umedecer com água para soltar sem arrancar a casquinha.
Quando procurar avaliação para pontos (sutura) ou atendimento
Algumas feridas precisam ser avaliadas para fechamento (pontos, cola cirúrgica ou fita apropriada) e para limpeza mais profunda.
Critérios práticos que sugerem necessidade de avaliação
- Bordas afastadas (a ferida “abre” e não se mantém fechada).
- Profundidade importante ou aparência de “buraco”; tecido amarelado (gordura) ou estruturas mais profundas visíveis.
- Sangramento que não cessa após 20 minutos de pressão direta bem feita.
- Ferida por mordida (animal ou humana), mesmo pequena, pelo risco de infecção.
- Muita sujeira (terra, asfalto, farpas) que não sai com irrigação suave.
- Localização de maior risco funcional/estético: rosto, lábios, pálpebras, nariz, orelhas, mãos, dedos, genitais.
- Ferida sobre articulação (joelho, cotovelo) que abre ao dobrar.
- Objeto perfurante (prego, arame) ou corte por vidro com suspeita de fragmento.
- Dor desproporcional, perda de sensibilidade, dificuldade de mexer dedos/mão/pé, ou suspeita de lesão de tendão.
Importante sobre o tempo
Feridas que precisam de fechamento costumam ter melhor resultado quando avaliadas o quanto antes. Se você suspeita que pode precisar de pontos, evite manipular excessivamente e mantenha a ferida coberta com gaze limpa.
Cuidados após o curativo
Troca e higiene
- Primeiras 24–48 horas: mantenha o curativo limpo e seco quando possível.
- Troca: troque se molhar, sujar ou descolar. Em escoriações, pode ser necessário trocar diariamente.
- Banho: água corrente é preferível; evite deixar de molho por muito tempo se a ferida estiver recente.
Proteção e conforto
- Evite atrito (roupas ásperas, brincadeiras que raspem o local) nos primeiros dias.
- Se a criança coça o curativo, reforce a fixação e mantenha unhas curtas.
O que observar: sinais de infecção
É comum haver leve vermelhidão ao redor no início, mas atenção se houver piora progressiva.
- Vermelhidão que aumenta e se espalha.
- Calor local e dor crescente.
- Inchaço importante.
- Saída de pus ou secreção com mau cheiro.
- Febre associada ou mal-estar.
- Listras vermelhas subindo pelo braço/perna a partir da ferida.
- Ferida que não melhora após alguns dias ou que volta a sangrar com facilidade.
Se houver sinais de infecção
Mantenha a área limpa, não esprema, não “fure” bolhas ou coleções e procure avaliação para orientação e possível tratamento.