Objetivo do controle de qualidade na entrega
O controle de qualidade (CQ) na entrega de portões e grades é a etapa em que você confirma, com critérios objetivos, que a instalação está funcional, segura e com acabamento adequado. A ideia é reduzir retrabalho e chamadas de garantia verificando: geometria final (esquadro e alinhamentos), folgas uniformes, suavidade de movimento, ausência de ruídos anormais, fechamento seguro, acabamento e proteção anticorrosiva. Além de inspecionar, esta etapa inclui ajustes finos, registro do que foi medido/regulado e orientações de manutenção básica para o usuário.
Critérios de inspeção final (o que avaliar e como avaliar)
1) Esquadro e geometria final
- O que verificar: se a folha (ou conjunto) não está “torcida” e se mantém geometria coerente no funcionamento real (aberto, semiaberto e fechado).
- Como verificar na prática: medir diagonais do quadro visível (quando acessível) e comparar; conferir paralelismo com referências do vão (linha de referência, régua longa, nível/laser). Em portões de correr, observar se a folha mantém distância constante da guia superior ao longo do curso.
- Aceitável: diferença de diagonais pequena e sem efeito funcional (sem encostar, sem variar folga de forma perceptível). Se a geometria “puxa” a folha para encostar em um ponto, trate como não conformidade.
2) Folgas uniformes (perímetro e pontos críticos)
- O que verificar: folga lateral, superior e inferior; folga em batente/fechamento; folga entre folhas (quando houver duas folhas).
- Como verificar: usar calibrador de folga (lâminas), régua e/ou gabarito simples (ex.: espaçador rígido). Medir em pelo menos 3 pontos por lado (início, meio, fim).
- Sinais de problema: folga “fecha” em um ponto e “abre” em outro; marcas de atrito; pintura raspada; necessidade de força para vencer um ponto do curso.
3) Suavidade de movimento (abrir/fechar)
- O que verificar: esforço necessário para movimentar, progressividade do movimento e estabilidade (sem “pulos”).
- Como verificar: operar o portão em ciclos completos (mínimo 10 ciclos), em velocidade normal e lenta. Em portão de correr, testar também com leve empurrão e observar se há pontos de travamento no trilho/roldanas.
- Sinais de problema: endurecimento em um trecho, retorno por gravidade (quando não deveria), necessidade de levantar/forçar para fechar.
4) Ruídos e vibrações
- O que verificar: rangidos, estalos, atrito metálico, vibração em batidas e trepidação em portão de correr.
- Como verificar: operar em silêncio e identificar origem aproximada (dobradiças/roldanas/guia/batente/fechadura). Encostar a mão (com cuidado) em pontos de contato para sentir vibração.
- Atenção: ruído recorrente quase sempre indica atrito, desalinhamento, falta de lubrificação ou fixação frouxa — e tende a evoluir para desgaste prematuro.
5) Fechamento seguro e travamento
- O que verificar: se o portão fecha sem “rebater”, se o trinco/fechadura engata com facilidade e se o batente recebe a folha corretamente.
- Como verificar: testar fechamento com uma mão; testar com leve pressão contrária (simulando vento/empurrão) para confirmar que não destrava; verificar se a chave gira sem esforço excessivo.
- Sinais de problema: necessidade de “puxar/levantar” para trancar; lingueta raspando; batente marcando a folha; folga excessiva que permite trepidação.
6) Acabamento e segurança de uso
- O que verificar: rebarbas, cantos vivos, respingos de solda aparentes, pontos cortantes, tampas/ponteiras, alinhamento visual e uniformidade do acabamento.
- Como verificar: inspeção visual com boa iluminação e inspeção tátil (luva) em bordas e áreas de pega. Verificar se não há parafusos com ponta exposta em área de contato.
- Critério prático: qualquer ponto que possa cortar/arranhar o usuário deve ser corrigido antes da entrega.
7) Proteção anticorrosiva (pontos críticos)
- O que verificar: cobertura completa em soldas, cantos, bordas, furos, áreas de contato com alvenaria/metal e regiões onde a água pode ficar acumulada.
- Como verificar: inspeção visual procurando “falhas” (metal aparente), poros, riscos profundos e áreas sem cobertura. Conferir se drenos/saídas de água (quando existirem) não foram obstruídos por tinta/massa.
- Sinais de risco: metal exposto em solda e em bordas; “bolha” inicial; tinta muito fina em quinas.
Passo a passo prático de inspeção e ajustes (rotina de campo)
Etapa 1 — Preparação
- Separar ferramentas: trena, calibrador de folga, nível/laser (se disponível), chaves para reaperto, lubrificante adequado, pano, lanterna, marcador e formulário de registro.
- Garantir área limpa e sem obstáculos para ciclos completos de abertura/fechamento.
Etapa 2 — Inspeção dimensional e visual (portão parado)
- Medir e registrar folgas principais em pontos definidos (ex.: topo/meio/base).
- Checar alinhamento visual e pontos de possível atrito (marcas, raspagens).
- Verificar acabamento: rebarbas, quinas, ponteiras, respingos, parafusos expostos.
- Verificar proteção anticorrosiva em soldas, cantos e furos.
Etapa 3 — Teste funcional (portão em movimento)
- Realizar 10 ciclos completos, observando esforço, ruídos e pontos de travamento.
- Testar fechamento e travamento (trinco/fechadura) repetidas vezes.
- Simular condições comuns: fechar sem “jogar”, fechar lentamente, operar com uma mão.
Etapa 4 — Ajustes finos (correções típicas)
Ajustes variam conforme o sistema, mas a lógica é sempre: identificar o sintoma → localizar a causa → aplicar ajuste mínimo → retestar.
- Folga irregular / raspando em um ponto: verificar fixações e pontos de apoio; aplicar microajustes de posição (quando o sistema permitir) e reapertar; retestar ciclos.
- Ruído em articulação/rolamento: limpar ponto, lubrificar com produto adequado e confirmar se o ruído desaparece; se persistir, investigar desalinhamento ou fixação frouxa.
- Fechadura “pesada” para engatar: checar alinhamento entre lingueta e contra-testa/batente; ajustar posição do componente (quando possível) e confirmar giro suave da chave.
- Trepidação no fechamento: conferir batente/limitadores e fixações; ajustar para receber a folha sem impacto excessivo.
- Proteção anticorrosiva com falha pontual: corrigir imediatamente (retoque com preparação local compatível) antes de entregar, principalmente em soldas e bordas.
Etapa 5 — Reteste e validação
- Repetir ciclos de abertura/fechamento após cada ajuste.
- Confirmar que as medições críticas permanecem dentro do padrão definido (folgas e alinhamentos).
- Limpar o conjunto (remover poeira de obra, marcas de mão, resíduos de lubrificante).
Como documentar a entrega (registro técnico simples e defensável)
Documentar a entrega reduz disputas e facilita manutenção. O registro deve mostrar como estava no momento da entrega e quais regulagens foram aplicadas.
O que registrar (mínimo recomendado)
- Identificação: cliente, endereço, data, tipo de conjunto (abrir/correr/grade), responsável técnico/instalador.
- Medições finais: folgas (lado A/B, topo/base), prumo/nível quando aplicável, posição de batente/fechamento (referência).
- Testes funcionais: quantidade de ciclos testados, observação de ruídos (sim/não), fechamento seguro (sim/não).
- Regulagens aplicadas: o que foi ajustado (ex.: reposicionamento de batente, reaperto de fixações, lubrificação, ajuste de guia/limitador), com data.
- Condição do acabamento: retoques realizados, pontos sensíveis orientados ao cliente (ex.: evitar produtos abrasivos).
- Registro fotográfico: fotos do conjunto fechado, aberto, detalhe do fechamento (batente/fechadura) e pontos de fixação principais. Evite fotos com dados pessoais expostos.
Modelo de ficha de entrega (exemplo)
FICHA DE ENTREGA – PORTÃO/GRADE Data: ___/___/____ OS: ________ Cliente: __________________________ Endereço: ____________________________________________ Tipo: ( ) Abrir ( ) Correr ( ) Grade fixa ( ) Grade com abertura Medições finais (mm): Folga lateral lado 1: topo ___ / meio ___ / base ___ Folga lateral lado 2: topo ___ / meio ___ / base ___ Folga inferior: esquerda ___ / centro ___ / direita ___ Folga no fechamento/batente: ___ Teste funcional: Ciclos realizados: ___ Ruídos anormais: ( ) Não ( ) Sim – onde? __________ Fechamento seguro: ( ) Sim ( ) Não Trava/fechadura: ( ) Ok ( ) Ajustar Regulagens aplicadas: ___________________________________________ ___________________________________________ Orientações ao usuário entregues: ( ) Sim ( ) Não Assinaturas: Instalador: __________________ Cliente/Responsável: __________________Orientações de manutenção básica para o usuário (com periodicidade)
Entregar instruções simples evita mau uso e prolonga a vida útil. Oriente o usuário a fazer manutenção leve e a chamar assistência quando notar sintomas persistentes (travamento, ruído contínuo, folga aumentando, corrosão avançando).
1) Limpeza
- O que fazer: limpar poeira, barro e resíduos, principalmente em trilhos/áreas de deslizamento e regiões de acúmulo de água.
- Como: pano úmido e detergente neutro; enxaguar e secar quando possível.
- Evitar: produtos abrasivos, solventes agressivos e jato de alta pressão direto em rolamentos/fechaduras.
- Periodicidade: mensal em áreas externas expostas; quinzenal em locais com muita poeira/maresia.
2) Lubrificação
- Onde lubrificar: pontos de articulação/rolamento e mecanismos de fechamento conforme o tipo de ferragem.
- Como: aplicar pequena quantidade, movimentar para distribuir e remover excesso (excesso retém sujeira).
- Periodicidade: a cada 3 meses em uso comum; mensal em ambiente agressivo (maresia/poeira intensa) ou uso muito frequente.
3) Reaperto de fixações
- O que verificar: parafusos de fixação, suportes, chapas e componentes que recebem vibração/impacto.
- Como: conferir folgas “batendo” com a mão e reapertar com ferramenta adequada sem espanar roscas.
- Periodicidade: após 30 dias da instalação (assentamento inicial) e depois a cada 6 meses.
4) Inspeção de corrosão e integridade do acabamento
- O que procurar: riscos profundos, bolhas, pontos de ferrugem, descascamento em bordas e soldas.
- Como: inspeção visual; se aparecer ponto de ferrugem, limpar e retocar o quanto antes (quanto mais cedo, menor o dano).
- Periodicidade: trimestral em ambiente comum; mensal em área litorânea/industrial.
5) Sinais de alerta (quando acionar assistência)
- Portão começou a raspar após período de funcionamento normal.
- Ruído metálico persistente mesmo após limpeza/lubrificação.
- Fechadura passou a exigir força para trancar.
- Folgas aumentaram rapidamente ou há vibração excessiva.
- Corrosão avançando em soldas/bordas.
Lista de verificação de pós-instalação (para reduzir retrabalho e garantia)
| Item | Verificação | Status | Observações |
|---|---|---|---|
| Esquadro/geometria | Sem torção funcional; alinhamento coerente no curso | ( ) OK ( ) Ajustar | |
| Folgas | Uniformes e registradas (topo/meio/base) | ( ) OK ( ) Ajustar | |
| Movimento | 10 ciclos completos sem travar e sem esforço anormal | ( ) OK ( ) Ajustar | |
| Ruídos | Sem rangidos/estalos/atrito metálico recorrente | ( ) OK ( ) Ajustar | |
| Fechamento seguro | Fecha e trava com uma mão; não destrava com leve pressão | ( ) OK ( ) Ajustar | |
| Batentes/limitadores | Recebem a folha sem impacto excessivo e sem trepidação | ( ) OK ( ) Ajustar | |
| Fixações | Parafusos/ancoragens conferidos e reapertados | ( ) OK ( ) Ajustar | |
| Acabamento | Sem rebarbas/cantos vivos; ponteiras e proteções no lugar | ( ) OK ( ) Ajustar | |
| Anticorrosivo | Sem metal exposto em soldas/bordas; retoques feitos | ( ) OK ( ) Ajustar | |
| Limpeza final | Sem resíduos de obra; lubrificante sem excesso aparente | ( ) OK ( ) Ajustar | |
| Documentação | Ficha preenchida + fotos + regulagens registradas | ( ) OK ( ) Ajustar | |
| Orientação ao usuário | Manutenção e periodicidade explicadas e entregues | ( ) OK ( ) Ajustar |