O que este protocolo faz (e o que ele não faz)
Gelo, elevação, compressão e repouso são medidas de primeiros cuidados para reduzir dor e inchaço após entorses, contusões e algumas lesões por queda. Elas ajudam a limitar o acúmulo de líquido nos tecidos e a diminuir a sensibilidade dolorosa. Essas medidas não “colocam no lugar” articulações, não corrigem fraturas e não substituem avaliação médica quando há suspeita de lesão importante.
Pense no protocolo como uma forma de ganhar controle dos sintomas com segurança enquanto você protege o membro e decide se precisa de atendimento imediato.
Gelo com segurança: como aplicar sem queimar a pele
Quando o gelo é útil
- Nas primeiras 24–48 horas após a lesão, especialmente quando há dor e inchaço.
- Após atividades leves inevitáveis (ex.: deslocar-se até o atendimento), para reduzir desconforto.
Quando evitar ou ter cautela
- Pele com ferida aberta diretamente no local (não aplique gelo sobre a ferida; proteja e procure orientação).
- Alteração de sensibilidade (dormência importante) no local: risco maior de lesão por frio.
- Problemas de circulação conhecidos (ex.: doença vascular periférica) ou condições com sensibilidade ao frio: use apenas com orientação profissional.
Passo a passo prático do gelo
- Prepare uma barreira: envolva o gelo/bolsa gelada em um pano fino e seco (toalha ou fralda de pano). Nunca aplique gelo diretamente na pele.
- Posicione sobre a área mais dolorida/inchada, sem pressionar forte.
- Tempo: aplique por 10 a 20 minutos por sessão.
- Intervalo: aguarde pelo menos 1 a 2 horas entre as sessões (ou mais, se a pele ficar muito fria/vermelha).
- Monitore a pele a cada poucos minutos: a sensação deve ser de frio tolerável, não de dor intensa.
Sinais de que o gelo está excessivo (pare e ajuste)
- Dor forte, queimação, formigamento intenso ou piora rápida do desconforto.
- Pele muito pálida, arroxeada, com manchas, ou “dura” ao toque.
- Dormência persistente após retirar o gelo.
Se ocorrer, retire o gelo, aqueça gradualmente com temperatura ambiente (não use calor direto forte) e não repita até orientação.
Dicas práticas
- Se não houver bolsa de gelo, use um saco com gelo e água, ou legumes congelados (sempre com pano).
- Evite dormir com gelo aplicado.
Elevação: como reduzir inchaço usando a gravidade
Conceito
Elevar o membro lesionado ajuda o retorno do sangue e reduz o acúmulo de líquido, diminuindo inchaço e pressão nos tecidos.
Como fazer corretamente
- Quando possível, mantenha o membro acima do nível do coração (ex.: deitado com a perna apoiada em travesseiros).
- Use apoios estáveis e confortáveis, evitando posições que causem dor ou “repuxem” a articulação.
- Faça por períodos de 20 a 60 minutos, repetindo ao longo do dia conforme tolerado.
Erros comuns
- Elevar pouco (apenas colocar o pé em um banquinho baixo): ajuda menos quando o inchaço é importante.
- Dobrar demais a articulação (ex.: joelho muito flexionado): pode aumentar desconforto.
- Apoiar diretamente em uma área muito dolorida: prefira apoiar por baixo do segmento (ex.: apoiar a perna pela panturrilha e tornozelo, não sobre o local inchado).
Compressão leve: quando usar e como não comprometer a circulação
Para que serve
A compressão leve pode ajudar a controlar o inchaço e dar sensação de suporte. Ela deve ser confortável e nunca causar dormência, aumento de dor ou mudança de cor.
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Quando a compressão pode ser usada
- Entorses e contusões leves a moderadas, quando não há deformidade evidente e a dor permite toque suave.
- Após aplicar gelo (ou entre sessões), para manter controle do edema.
Quando evitar compressão sem orientação
- Suspeita de fratura, luxação ou deformidade importante.
- Dor muito intensa ao mínimo toque.
- Inchaço muito rápido e progressivo.
- Pessoas com circulação comprometida, diabetes com neuropatia, ou pele muito frágil (idosos) — risco maior de lesão por pressão.
Passo a passo prático com faixa elástica (compressão leve)
- Escolha a faixa: elástica ou atadura, limpa e em bom estado.
- Posição: mantenha o membro em posição confortável, de preferência com leve elevação.
- Comece distal: inicie um pouco abaixo da área inchada (mais “na ponta” do membro) e avance em direção ao corpo, com sobreposição de cerca de metade da largura da faixa.
- Tensão: aplique leve tensão. Regra prática: deve ser possível colocar um dedo sob a faixa em vários pontos.
- Evite dobras: dobras e “cordões” da faixa criam pontos de pressão.
- Finalize sem apertar o último giro. Prenda com fita/fecho sem comprimir.
Sinais de compressão excessiva (solte imediatamente)
- Aumento de dor, sensação de pressão latejante ou piora do inchaço abaixo da faixa.
- Dormência, formigamento ou sensação de “mão/pé gelado”.
- Dedos pálidos, arroxeados ou muito vermelhos; dificuldade de mover os dedos por desconforto.
- Marcas profundas na pele ao retirar a faixa.
Como ajustar com segurança
- Solte e refaça com menor tensão.
- Se o inchaço estiver aumentando, reavalie: pode ser necessário retirar a compressão e priorizar elevação e avaliação médica.
- Retire a compressão para dormir, a menos que um profissional tenha orientado o contrário.
Repouso e proteção do membro: reduzir carga sem “abandonar” o movimento
Repouso inteligente
Repouso significa evitar atividades que aumentem dor e inchaço, especialmente nas primeiras 24–48 horas. Não é necessariamente ficar imóvel o tempo todo, mas sim reduzir carga e proteger a área.
Como proteger no dia a dia
- Evite apoiar peso se isso aumenta a dor (ex.: tornozelo). Use apoio (muleta/bengala) se disponível e se você souber usar com segurança.
- Remova riscos de novas quedas: tapetes soltos, piso molhado, escadas sem apoio.
- Use calçado firme se precisar caminhar (evite chinelos frouxos).
- Organize itens ao alcance para reduzir deslocamentos.
Movimentos permitidos
Se não houver suspeita de lesão grave e o movimento for leve e sem piorar a dor, pequenos movimentos podem evitar rigidez. Se qualquer movimento aumentar muito a dor, pare e mantenha proteção até avaliação.
Cuidados especiais: pele sensível, crianças e idosos
Pele sensível
- Use barreira mais espessa (pano dobrado) no gelo e reduza o tempo (ex.: 10–15 minutos).
- Evite fitas adesivas diretamente na pele frágil; prefira fechos próprios da faixa.
- Observe sinais de irritação: vermelhidão persistente, bolhas, dor em queimação.
Crianças
- Tempo de gelo geralmente menor (ex.: 10 minutos), com supervisão constante.
- Crianças podem não descrever bem dormência/queimação: monitore a pele com mais frequência.
- Evite compressão forte: prefira leve e por períodos curtos, reavaliando frequentemente.
- Se a criança não quer usar o membro, chora ao toque leve ou a dor é desproporcional, procure avaliação.
Idosos
- Pele mais fina e vasos mais frágeis: maior risco de lesão por frio e por pressão. Use gelo por menos tempo e compressão mínima.
- Maior risco de fraturas após quedas mesmo com sinais discretos: mantenha baixo limiar para avaliação médica.
- Se houver uso de anticoagulantes, hematomas podem ser maiores: observe aumento rápido de inchaço e dor.
Como integrar o protocolo com a necessidade de avaliação médica
Procure atendimento imediato (urgência) se houver
- Dor intensa e progressiva, ou incapacidade de usar o membro.
- Inchaço muito rápido, deformidade, estalos com perda de função, ou ferida com exposição de tecido.
- Frieza, palidez, arroxeamento, dormência importante ou piora desses sinais após compressão (mesmo após soltar).
- Dor fora do esperado, sensação de pressão intensa e contínua no segmento (principalmente antebraço/perna), ou dor que não melhora com repouso e gelo.
- Febre, vermelhidão crescente e calor local dias após a lesão (sugere complicação).
Quando marcar avaliação em curto prazo
- Se após 24–48 horas de cuidados a dor e o inchaço não estiverem melhorando.
- Se houver limitação funcional persistente (ex.: não consegue apoiar o pé, não consegue elevar o braço).
- Se a pessoa tiver condições que aumentam risco (idosos, osteoporose, diabetes com neuropatia, uso de anticoagulantes).
Roteiro rápido (exemplo prático de rotina nas primeiras 24 horas)
| Momento | O que fazer | O que observar |
|---|---|---|
| Logo após a lesão | Repouso + elevação; gelo com pano por 10–20 min | Pele tolerando o frio; dor não piora |
| 1–2 horas depois | Repetir gelo; considerar compressão leve se confortável | Dedos com cor normal, sem dormência |
| Ao longo do dia | Elevar em blocos de 20–60 min; evitar carga | Inchaço reduz com elevação; dor controlável |
| Noite | Retirar compressão para dormir; posição confortável com elevação leve | Sem formigamento/dormência; sem piora importante |