Controle de dor e inchaço: gelo, elevação, compressão e repouso com segurança

Capítulo 7

Tempo estimado de leitura: 8 minutos

+ Exercício

O que este protocolo faz (e o que ele não faz)

Gelo, elevação, compressão e repouso são medidas de primeiros cuidados para reduzir dor e inchaço após entorses, contusões e algumas lesões por queda. Elas ajudam a limitar o acúmulo de líquido nos tecidos e a diminuir a sensibilidade dolorosa. Essas medidas não “colocam no lugar” articulações, não corrigem fraturas e não substituem avaliação médica quando há suspeita de lesão importante.

Pense no protocolo como uma forma de ganhar controle dos sintomas com segurança enquanto você protege o membro e decide se precisa de atendimento imediato.

Gelo com segurança: como aplicar sem queimar a pele

Quando o gelo é útil

  • Nas primeiras 24–48 horas após a lesão, especialmente quando há dor e inchaço.
  • Após atividades leves inevitáveis (ex.: deslocar-se até o atendimento), para reduzir desconforto.

Quando evitar ou ter cautela

  • Pele com ferida aberta diretamente no local (não aplique gelo sobre a ferida; proteja e procure orientação).
  • Alteração de sensibilidade (dormência importante) no local: risco maior de lesão por frio.
  • Problemas de circulação conhecidos (ex.: doença vascular periférica) ou condições com sensibilidade ao frio: use apenas com orientação profissional.

Passo a passo prático do gelo

  1. Prepare uma barreira: envolva o gelo/bolsa gelada em um pano fino e seco (toalha ou fralda de pano). Nunca aplique gelo diretamente na pele.
  2. Posicione sobre a área mais dolorida/inchada, sem pressionar forte.
  3. Tempo: aplique por 10 a 20 minutos por sessão.
  4. Intervalo: aguarde pelo menos 1 a 2 horas entre as sessões (ou mais, se a pele ficar muito fria/vermelha).
  5. Monitore a pele a cada poucos minutos: a sensação deve ser de frio tolerável, não de dor intensa.

Sinais de que o gelo está excessivo (pare e ajuste)

  • Dor forte, queimação, formigamento intenso ou piora rápida do desconforto.
  • Pele muito pálida, arroxeada, com manchas, ou “dura” ao toque.
  • Dormência persistente após retirar o gelo.

Se ocorrer, retire o gelo, aqueça gradualmente com temperatura ambiente (não use calor direto forte) e não repita até orientação.

Dicas práticas

  • Se não houver bolsa de gelo, use um saco com gelo e água, ou legumes congelados (sempre com pano).
  • Evite dormir com gelo aplicado.

Elevação: como reduzir inchaço usando a gravidade

Conceito

Elevar o membro lesionado ajuda o retorno do sangue e reduz o acúmulo de líquido, diminuindo inchaço e pressão nos tecidos.

Como fazer corretamente

  • Quando possível, mantenha o membro acima do nível do coração (ex.: deitado com a perna apoiada em travesseiros).
  • Use apoios estáveis e confortáveis, evitando posições que causem dor ou “repuxem” a articulação.
  • Faça por períodos de 20 a 60 minutos, repetindo ao longo do dia conforme tolerado.

Erros comuns

  • Elevar pouco (apenas colocar o pé em um banquinho baixo): ajuda menos quando o inchaço é importante.
  • Dobrar demais a articulação (ex.: joelho muito flexionado): pode aumentar desconforto.
  • Apoiar diretamente em uma área muito dolorida: prefira apoiar por baixo do segmento (ex.: apoiar a perna pela panturrilha e tornozelo, não sobre o local inchado).

Compressão leve: quando usar e como não comprometer a circulação

Para que serve

A compressão leve pode ajudar a controlar o inchaço e dar sensação de suporte. Ela deve ser confortável e nunca causar dormência, aumento de dor ou mudança de cor.

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Quando a compressão pode ser usada

  • Entorses e contusões leves a moderadas, quando não há deformidade evidente e a dor permite toque suave.
  • Após aplicar gelo (ou entre sessões), para manter controle do edema.

Quando evitar compressão sem orientação

  • Suspeita de fratura, luxação ou deformidade importante.
  • Dor muito intensa ao mínimo toque.
  • Inchaço muito rápido e progressivo.
  • Pessoas com circulação comprometida, diabetes com neuropatia, ou pele muito frágil (idosos) — risco maior de lesão por pressão.

Passo a passo prático com faixa elástica (compressão leve)

  1. Escolha a faixa: elástica ou atadura, limpa e em bom estado.
  2. Posição: mantenha o membro em posição confortável, de preferência com leve elevação.
  3. Comece distal: inicie um pouco abaixo da área inchada (mais “na ponta” do membro) e avance em direção ao corpo, com sobreposição de cerca de metade da largura da faixa.
  4. Tensão: aplique leve tensão. Regra prática: deve ser possível colocar um dedo sob a faixa em vários pontos.
  5. Evite dobras: dobras e “cordões” da faixa criam pontos de pressão.
  6. Finalize sem apertar o último giro. Prenda com fita/fecho sem comprimir.

Sinais de compressão excessiva (solte imediatamente)

  • Aumento de dor, sensação de pressão latejante ou piora do inchaço abaixo da faixa.
  • Dormência, formigamento ou sensação de “mão/pé gelado”.
  • Dedos pálidos, arroxeados ou muito vermelhos; dificuldade de mover os dedos por desconforto.
  • Marcas profundas na pele ao retirar a faixa.

Como ajustar com segurança

  • Solte e refaça com menor tensão.
  • Se o inchaço estiver aumentando, reavalie: pode ser necessário retirar a compressão e priorizar elevação e avaliação médica.
  • Retire a compressão para dormir, a menos que um profissional tenha orientado o contrário.

Repouso e proteção do membro: reduzir carga sem “abandonar” o movimento

Repouso inteligente

Repouso significa evitar atividades que aumentem dor e inchaço, especialmente nas primeiras 24–48 horas. Não é necessariamente ficar imóvel o tempo todo, mas sim reduzir carga e proteger a área.

Como proteger no dia a dia

  • Evite apoiar peso se isso aumenta a dor (ex.: tornozelo). Use apoio (muleta/bengala) se disponível e se você souber usar com segurança.
  • Remova riscos de novas quedas: tapetes soltos, piso molhado, escadas sem apoio.
  • Use calçado firme se precisar caminhar (evite chinelos frouxos).
  • Organize itens ao alcance para reduzir deslocamentos.

Movimentos permitidos

Se não houver suspeita de lesão grave e o movimento for leve e sem piorar a dor, pequenos movimentos podem evitar rigidez. Se qualquer movimento aumentar muito a dor, pare e mantenha proteção até avaliação.

Cuidados especiais: pele sensível, crianças e idosos

Pele sensível

  • Use barreira mais espessa (pano dobrado) no gelo e reduza o tempo (ex.: 10–15 minutos).
  • Evite fitas adesivas diretamente na pele frágil; prefira fechos próprios da faixa.
  • Observe sinais de irritação: vermelhidão persistente, bolhas, dor em queimação.

Crianças

  • Tempo de gelo geralmente menor (ex.: 10 minutos), com supervisão constante.
  • Crianças podem não descrever bem dormência/queimação: monitore a pele com mais frequência.
  • Evite compressão forte: prefira leve e por períodos curtos, reavaliando frequentemente.
  • Se a criança não quer usar o membro, chora ao toque leve ou a dor é desproporcional, procure avaliação.

Idosos

  • Pele mais fina e vasos mais frágeis: maior risco de lesão por frio e por pressão. Use gelo por menos tempo e compressão mínima.
  • Maior risco de fraturas após quedas mesmo com sinais discretos: mantenha baixo limiar para avaliação médica.
  • Se houver uso de anticoagulantes, hematomas podem ser maiores: observe aumento rápido de inchaço e dor.

Como integrar o protocolo com a necessidade de avaliação médica

Procure atendimento imediato (urgência) se houver

  • Dor intensa e progressiva, ou incapacidade de usar o membro.
  • Inchaço muito rápido, deformidade, estalos com perda de função, ou ferida com exposição de tecido.
  • Frieza, palidez, arroxeamento, dormência importante ou piora desses sinais após compressão (mesmo após soltar).
  • Dor fora do esperado, sensação de pressão intensa e contínua no segmento (principalmente antebraço/perna), ou dor que não melhora com repouso e gelo.
  • Febre, vermelhidão crescente e calor local dias após a lesão (sugere complicação).

Quando marcar avaliação em curto prazo

  • Se após 24–48 horas de cuidados a dor e o inchaço não estiverem melhorando.
  • Se houver limitação funcional persistente (ex.: não consegue apoiar o pé, não consegue elevar o braço).
  • Se a pessoa tiver condições que aumentam risco (idosos, osteoporose, diabetes com neuropatia, uso de anticoagulantes).

Roteiro rápido (exemplo prático de rotina nas primeiras 24 horas)

MomentoO que fazerO que observar
Logo após a lesãoRepouso + elevação; gelo com pano por 10–20 minPele tolerando o frio; dor não piora
1–2 horas depoisRepetir gelo; considerar compressão leve se confortávelDedos com cor normal, sem dormência
Ao longo do diaElevar em blocos de 20–60 min; evitar cargaInchaço reduz com elevação; dor controlável
NoiteRetirar compressão para dormir; posição confortável com elevação leveSem formigamento/dormência; sem piora importante

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Após uma entorse recente, qual conduta combina uso seguro de gelo e compressão para reduzir dor e inchaço sem comprometer a circulação?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

O gelo deve ser aplicado com barreira e por tempo limitado, com intervalos, para evitar lesão por frio. A compressão deve ser leve e confortável; sinais como dor crescente, formigamento, frieza ou alteração de cor indicam excesso e exigem soltar e reajustar.

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