Comunicação com a Equipe na Triagem: Passagem de Caso, Priorização e Escalonamento

Capítulo 17

Tempo estimado de leitura: 9 minutos

+ Exercício

Por que a comunicação na triagem muda desfechos

Na triagem, a comunicação com a equipe precisa transformar dados em ação: quem é o paciente, qual é o risco, o que mudou e o que precisa agora. A passagem de caso deve ser curta, padronizada e orientada a decisões (priorização, escalonamento e alocação de recursos). Comunicação “boa” na triagem não é detalhista: é objetiva, completa no essencial e com pedido claro.

Estrutura recomendada: SBAR (ou equivalente) aplicado à triagem

O SBAR organiza a mensagem para reduzir ruído e omissões. Em triagem, ele deve caber em 20–60 segundos quando o risco é alto.

ElementoObjetivo na triagemO que não pode faltar
S (Situação)Declarar o problema e o nível de urgênciaIdentificação + queixa principal + risco/gravidade + onde está o paciente
B (Background)Contexto mínimo relevanteInício/tempo de evolução, comorbidades-chave, alergias, uso de anticoagulante, gestação quando aplicável
A (Avaliação)O que você encontrou e por que preocupaAchados críticos, tendência (piorou/melhorou), resposta a medidas iniciais, hipóteses de risco
R (Recomendação)Pedido explícito e próximo passoO que você precisa agora, em quanto tempo, e qual plano imediato (ex.: sala, monitorização, equipe)

Checklist de qualidade da mensagem (antes de falar)

  • Uma frase de abertura com risco e pedido: “Preciso de avaliação imediata”.
  • Três dados que sustentam a gravidade (não uma lista longa).
  • Um pedido com prazo: “agora”, “em 5 minutos”, “assim que liberar”.
  • Confirmação de entendimento: “Você confirma que vem agora?”

Passo a passo prático: passagem de caso na triagem (roteiro de 60 segundos)

1) Prepare a mensagem em 10 segundos

  • Defina o nível de prioridade e o motivo (o que pode acontecer se atrasar).
  • Escolha 3 achados mais relevantes (sinais, sintomas, evolução, risco).
  • Defina o pedido (avaliar, prescrever, acionar equipe, liberar sala, iniciar protocolo).

2) Entregue o SBAR em voz clara e direta

  • Comece com quem, onde e urgência.
  • Evite justificativas longas; use frases curtas.
  • Se houver risco imediato, diga explicitamente: “alto risco de deterioração”.

3) Feche com pedido e confirmação

  • Peça ação com prazo.
  • Confirme entendimento e combine próximo contato: “Se não vier em X minutos, vou escalonar”.

4) Registre a comunicação

  • Registre hora, para quem foi comunicado, conteúdo essencial (risco/achados) e conduta acordada.
  • Se não houve resposta, registre tentativas e escalonamento.

Frases-modelo (scripts) para acionar a equipe com objetividade

Acionamento do médico (risco alto / prioridade imediata)

Modelo SBAR curto:

S: “Doutor(a), aqui é a enfermagem da triagem. Tenho um paciente na sala X com prioridade alta e preciso de avaliação imediata.”  B: “Início há 30 minutos, sem melhora; comorbidade relevante: [ex.: cardiopatia/anticoagulante].”  A: “Está com [3 achados críticos], e houve piora desde a chegada.”  R: “Preciso que venha agora para avaliar e definir conduta; posso encaminhar para sala de emergência?”

Variações úteis (pedido explícito):

  • “Preciso de prescrição de monitorização/oxigênio/acesso venoso e avaliação em até 5 minutos.”
  • “Estou preocupada(o) com deterioração rápida; você consegue vir agora ou devo acionar a equipe de resposta rápida?”
  • “O paciente não pode permanecer na sala de espera; preciso de leito/sala para observação imediata.”

Acionamento da liderança (enfermeiro responsável/coordenação) para priorização e recursos

“Preciso de apoio para priorização de fluxo: tenho um paciente de alto risco na triagem e não há sala disponível. Solicito liberação imediata de espaço e apoio de equipe para monitorização/transferência.”
  • “Tenho dois pacientes de prioridade alta simultâneos; preciso redistribuir equipe e definir qual sala será usada primeiro.”
  • “Solicito reforço na triagem/acolhimento porque a demanda está comprometendo reavaliações e escalonamentos.”

Acionamento da Equipe de Resposta Rápida (ou equivalente)

Use linguagem de gatilho: “deterioração”, “instabilidade”, “risco iminente”.

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“Acionando resposta rápida na triagem/sala X: paciente com sinais de deterioração aguda, com [achados críticos]. Preciso de avaliação e suporte imediato. Já iniciei medidas básicas e estou monitorizando.”

Se o serviço usa critério formal de acionamento, inclua: “Atende critério de resposta rápida por [critério local]”.

Como comunicar priorização (quando há múltiplos pacientes)

Priorizar é uma decisão compartilhada quando impacta fluxo e recursos. A comunicação deve explicitar risco e consequência do atraso, sem comparar pacientes de forma subjetiva.

Frases-modelo para priorização

  • “Entre os pacientes aguardando, este tem maior risco de deterioração nas próximas horas por [motivo objetivo]. Solicito que seja atendido antes dos demais.”
  • “Este paciente precisa sair da sala de espera agora; o atraso aumenta risco de descompensação. Proponho encaminhar para [local] e manter monitorização.”
  • “Tenho mudança clínica desde a triagem inicial; reclassifiquei prioridade e preciso reordenar a fila.”

Mini-roteiro para reunião rápida de priorização (30–45 segundos)

  • Quem: “Paciente A, leito/sala X.”
  • Risco: “Maior risco por [achado].”
  • Impacto: “Se atrasar, pode evoluir para [evento].”
  • Proposta: “Sugiro atendimento em até [tempo] e alocação de [recurso].”

Escalonamento: quando e como subir o nível de resposta

Escalonar é uma habilidade de segurança: quando a resposta esperada não ocorre, quando há piora, ou quando o risco excede a capacidade do local atual (triagem/sala de espera). O escalonamento deve ser progressivo e registrado.

Gatilhos práticos para escalonar (sem repetir avaliação clínica)

  • Tempo-resposta excedido: pedido de avaliação/conduta não atendido no prazo definido.
  • Mudança: piora percebida pela equipe/paciente/família ou novo achado relevante.
  • Incerteza com alto risco: quadro não explicado, mas com sinais de possível deterioração.
  • Capacidade do setor: necessidade de monitorização/recursos indisponíveis na área atual.

Passo a passo de escalonamento (modelo operacional)

  • Passo 1: Recontato com o profissional acionado, reforçando prazo e risco: “Estou recontatando porque houve [mudança] e preciso de resposta em X minutos.”
  • Passo 2: Acionar liderança para desbloquear recursos e priorizar atendimento.
  • Passo 3: Acionar equipe de resposta rápida (ou médico plantonista de retaguarda), se houver risco de deterioração ou ausência de resposta.
  • Passo 4: Documentar linha do tempo (quem, quando, o que foi dito, o que foi acordado).

Comunicar incerteza com segurança (sem “achar” e sem omitir preocupação)

Na triagem, é comum não haver diagnóstico definido. A comunicação segura não exige certeza; exige clareza sobre a preocupação, evidências observadas e necessidade imediata. Evite frases vagas (“não estou gostando”) sem dados; prefira “preocupação + motivo + pedido”.

Estrutura “Preocupação – Mudança – Necessidade”

  • O que preocupa: “Estou preocupada(o) com risco de deterioração.”
  • O que mudou: “Desde a chegada, houve [mudança objetiva ou relato consistente].”
  • O que precisa agora: “Preciso de avaliação em até X minutos e definição de local/monitorização.”

Frases-modelo para incerteza

  • “Não tenho diagnóstico fechado, mas os achados sugerem alto risco. Minha preocupação é [evento]. Preciso de avaliação agora.”
  • “O quadro é atípico, porém houve mudança rápida. Preciso que reavalie para decidir se permanece aqui ou vai para área monitorizada.”
  • “Mesmo com sinais vitais sem grande alteração, o paciente refere piora importante e apresenta [achado]. Isso muda a prioridade; preciso de conduta.”

Registro da comunicação: como documentar de forma útil e defensável

O registro deve permitir reconstruir a decisão e o fluxo. Use linguagem objetiva, sem julgamentos, e inclua o resultado do contato.

Modelo de registro (copiar e adaptar)

Data/hora: __/__/__ __:__  Situação: Paciente em triagem/sala __, prioridade __.  Achados relevantes: [3 achados]. Evolução: [piorou/manteve/melhorou] desde __:__.  Comunicação: SBAR realizado com Dr(a). __ (CRM/identificação) às __:__.  Pedido: avaliação em até __ min / encaminhar para __ / prescrição de __.  Resposta/conduta acordada: __.  Se sem resposta: nova tentativa às __:__; escalonado para __ às __:__.  Profissional que registrou: __ (COREN/identificação).

O que evitar no registro

  • Termos subjetivos sem base (“paciente dramático”, “exagerando”).
  • “Médico não quis vir” sem descrever fatos; prefira: “Sem retorno após contato às __:__; recontato às __:__; escalonado às __:__.”
  • Mensagens longas com dados irrelevantes para a decisão imediata.

Exemplos completos de SBAR em cenários de triagem

Cenário 1: piora na sala de espera após triagem inicial

S: “Dr(a)., triagem. Paciente na sala de espera, reclassificado para prioridade alta por piora. Preciso de avaliação em até 5 minutos.”  B: “Chegou há 40 minutos; queixa principal persistente; comorbidade relevante: [ex.: diabetes/anticoagulante].”  A: “Desde a triagem, houve piora do estado geral e novo achado [ex.: confusão/dispneia intensa]. Estou preocupado com deterioração.”  R: “Solicito avaliação imediata e encaminhamento para área monitorizada. Posso iniciar medidas e preparar acesso enquanto você se desloca?”

Cenário 2: necessidade de recurso (sem sala disponível)

S: “Enfermeiro(a) responsável, triagem. Tenho paciente de alto risco sem local seguro para aguardar.”  B: “Demanda elevada e salas ocupadas.”  A: “Risco de deterioração se permanecer na sala de espera; precisa de monitorização e reavaliação frequente.”  R: “Solicito liberação de sala/leito e apoio de técnico para monitorização e transporte agora.”

Cenário 3: incerteza diagnóstica, mas alto risco percebido

S: “Dr(a)., triagem. Preciso de avaliação prioritária; quadro indefinido, mas com sinais de alto risco.”  B: “Início recente; sem história clara; fatores de risco: [ex.: idade avançada/comorbidades].”  A: “Achados que preocupam: [3 achados]. Evolução: piora desde a chegada. Não consigo descartar condição grave.”  R: “Peço avaliação imediata e definição de conduta e local. Se não for possível em 5 minutos, vou acionar liderança/resposta rápida.”

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Durante a triagem, ao precisar acionar a equipe por um paciente de alto risco, qual abordagem de comunicação está mais alinhada a uma passagem de caso eficaz e orientada a decisão?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Na triagem, a comunicação deve transformar dados em ação: ser objetiva e completa no essencial. O SBAR organiza a mensagem, com pedido claro e prazo, sustentado por poucos achados críticos, e inclui confirmação de entendimento.

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