Colocação pronominal frequente na redação: próclise, ênclise e mesóclise sem exageros

Capítulo 10

Tempo estimado de leitura: 9 minutos

+ Exercício

Por que a colocação pronominal pesa na redação

Colocação pronominal é a posição do pronome oblíquo átono (me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, os, as, lhes) em relação ao verbo. Em texto formal, a escolha mais segura costuma ser: usar próclise quando houver elemento atrativo e usar ênclise quando o verbo iniciar a oração (quando cabível). A meta é soar natural e correto, evitando construções artificiais que chamam atenção mais pela forma do que pela ideia.

Mapa rápido: próclise, ênclise e mesóclise

Próclise (pronome antes do verbo)

É a colocação mais frequente e, em geral, a mais segura na redação quando existe uma palavra/estrutura que “puxa” o pronome para antes do verbo.

Modelo: elemento atrativo + pronome + verbo

Ênclise (pronome depois do verbo)

É comum quando o verbo está no início da oração e não há elemento atrativo antes dele. Em redação, use com naturalidade, sem forçar.

Modelo: verbo + pronome

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Mesóclise (pronome no meio do verbo)

Ocorre com futuro do presente e futuro do pretérito (ex.: dir-se-á, far-me-ia). Em redação, é altamente recomendável evitar por soar artificial e por aumentar o risco de erro de hifenização e flexão. Prefira reescrever com próclise, com outra construção verbal ou com locução verbal.

Próclise com “palavras atrativas”: as mais úteis na redação

Quando uma dessas palavras aparece antes do verbo, a próclise tende a ser a escolha preferencial no texto formal.

1) Negação: “não”, “nunca”, “jamais”

  • Preferencial: Não se pode ignorar o problema.
  • Preferencial: A sociedade nunca se mobiliza de forma homogênea.
  • Evite: Não pode-se ignorar o problema. (muito cobrado como inadequado em norma-padrão)

2) Advérbios e marcadores como “já”, “talvez”

  • Preferencial: O tema já se tornou recorrente no debate público.
  • Preferencial: Talvez se explique o fenômeno pela desinformação.
  • Alternativa correta (menos preferida, dependendo do contexto): O tema já tornou-se recorrente. (pode soar mais rígido; próclise costuma ser mais natural)

3) Pronomes relativos e interrogativos: “que”, “quem”, “onde”, “como”

  • Preferencial: Trata-se de um cenário que se agrava com a omissão estatal.
  • Preferencial: É preciso discutir como se financia a política pública.
  • Preferencial: A comunidade onde se vive influencia hábitos e expectativas.
  • Preferencial: Quem se beneficia dessa lógica raramente assume responsabilidades.

Ênclise sem exageros: quando o verbo inicia a oração

Se a oração começa diretamente pelo verbo e não há elemento atrativo antes dele, a ênclise é uma opção segura.

  • Correto e formal: Observa-se aumento da evasão escolar.
  • Correto e formal: Defende-se a ampliação de políticas preventivas.
  • Correto e formal: Conclui-se que a medida é insuficiente.

Atenção: se você colocar antes do verbo um elemento atrativo, a próclise passa a ser preferencial.

  • Com atrativo: Não se observa melhora consistente.
  • Com atrativo: Há fatores que se repetem em diferentes regiões.

Passo a passo prático para decidir a posição do pronome

  1. Identifique o pronome átono (me, te, se, o, a, lhe etc.) e o verbo a que ele se liga.

  2. Procure um “atrativo” antes do verbo (especialmente: não, nunca, , que, quem, onde, como, talvez). Se houver, use próclise.

  3. Se não houver atrativo e o verbo iniciar a oração, use ênclise (verbo + pronome).

  4. Se a frase estiver no futuro e você pensar em mesóclise, reescreva: use locução verbal, mude o tempo verbal ou introduza um atrativo natural (sem forçar).

  5. Revise a naturalidade: a melhor escolha é a que mantém o texto formal e fluido, sem “cara de regra decorada”.

Locuções verbais: onde colocar o pronome sem tropeçar

Locução verbal é a combinação de verbo auxiliar + verbo principal (ex.: pode fazer, deve ocorrer, vai aumentar, tem mostrado). A colocação do pronome varia, mas na redação vale priorizar padrões estáveis.

1) Com elemento atrativo antes da locução: próclise antes do auxiliar

  • Preferencial: Não se pode negligenciar a prevenção.
  • Preferencial: Medidas que se devem implementar exigem planejamento.
  • Preferencial: Talvez se vá reduzir o impacto com fiscalização.

2) Sem atrativo e com início de oração: ênclise no auxiliar (padrão seguro)

  • Seguro: Pode-se afirmar que a desigualdade persiste.
  • Seguro: Deve-se considerar o papel da escola.

3) Pronome entre auxiliar e principal ou após o principal: use com cautela

Em muitos casos, aparecem construções como pode-se fazer, pode fazer-se, pode fazê-lo. Na redação, para reduzir risco, prefira:

  • Com “se”: colocar no auxiliar (pode-se fazer) ou antes do auxiliar com atrativo (não se pode fazer).
  • Com “o/a/os/as”: muitas vezes é melhor reescrever para evitar ênclise complexa com hífen e alterações (ex.: fazê-lo, aplicá-la), a menos que você domine bem a forma.
IdeiaAlternativas corretasEscolha preferencial na redação
Generalização com cautelaPode-se concluir... / Não se pode concluir...Não se pode concluir... (próclise com negação)
Obrigação/necessidadeDeve-se investir... / Não se deve investir...Não se deve investir... (próclise com negação)

Infinitivo e gerúndio: escolhas frequentes e seguras

Infinitivo (fazer, compreender, reduzir)

Com infinitivo, a colocação pode variar. Em redação, a estratégia mais segura é: usar próclise quando houver atrativo e, quando não houver, preferir estruturas que não exijam formas raras.

  • Com atrativo: É necessário não se omitir diante da violência.
  • Com atrativo: O objetivo é como se posicionar diante de dados conflitantes.
  • Sem atrativo (ok): É necessário posicionar-se com base em evidências.
  • Alternativa igualmente correta e muitas vezes mais simples: É necessário se posicionar com base em evidências. (muito usada; tende a soar natural)

Gerúndio (fazendo, reduzindo, ampliando)

Com gerúndio, a próclise é comum quando há atrativo; sem atrativo, a ênclise pode aparecer, mas a redação costuma ficar mais limpa com próclise ou reescrita.

  • Preferencial: A medida foi implementada, já se mostrando insuficiente.
  • Preferencial: O projeto avançou, não se sustentando sem recursos.
  • Possível, mas menos comum: O projeto avançou, sustentando-se sem recursos. (pode mudar nuance; revise o sentido)

“Se” na redação: três funções que mais aparecem (e como não errar)

O pronome se é recorrente e pode cumprir funções diferentes. Identificar a função ajuda a escolher o verbo e a estrutura com segurança.

1) “Se” reflexivo (alguém faz algo a si mesmo)

O sujeito pratica a ação e a recebe.

  • Ex.: O indivíduo se expõe a riscos ao compartilhar dados pessoais.
  • Teste rápido: dá para substituir por “a si mesmo”? (expõe a si mesmo)

2) “Se” apassivador (voz passiva sintética)

O verbo é transitivo direto e o termo após o verbo funciona como “sujeito paciente” (aquilo que sofre a ação). Em redação, é muito usado para generalizações impessoais com tom formal.

  • Ex.: Divulgam-se informações falsas com rapidez. (= Informações falsas são divulgadas...)
  • Ex.: Buscam-se soluções de longo prazo. (= Soluções de longo prazo são buscadas...)
  • Ponto de atenção: o verbo tende a concordar com o termo que vem depois: divulgam-se informações (plural), divulga-se informação (singular).

3) “Se” índice de indeterminação do sujeito

Ocorre com verbos que não admitem passiva direta (muito comum com verbos transitivos indiretos e intransitivos). A ideia é “não se diz quem”.

  • Ex.: Precisa-se de políticas públicas consistentes. (não há “políticas” como sujeito; a estrutura é impessoal)
  • Ex.: Vive-se em um contexto de polarização. (impessoal)
  • Ponto de atenção: aqui o verbo fica no singular: precisa-se de, vive-se.

Situações a evitar na redação (por risco de erro ou artificialidade)

  • Mesóclise: em vez de dir-se-á, prefira dirá com reescrita: É possível dizer que... ou Dirá a análise que... (melhor ainda: A análise indica que...).
  • Ênclise forçada após palavra atrativa: evite não pode-se, que observa-se. Com atrativo, prefira não se pode, que se observa.
  • Sequências com muitos pronomes: reescreva para clareza. Ex.: em vez de pretende-se fazê-lo, considere pretende-se realizar a medida.
  • Hífen e alterações com “o/a/os/as” sem domínio: formas como aplicá-la, reduzi-lo são corretas, mas aumentam chance de erro. Alternativa segura: repetir o substantivo (aplicar a política, reduzir o problema).

Banco de frases de redação: alternativas corretas e escolha preferencial

IntençãoAlternativas corretasPreferencial (mais segura/natural)
Generalizar com impessoalidadeObserva-se aumento... / Não se observa aumento...Não se observa... (próclise com negação)
Apontar necessidadeDeve-se ampliar... / Não se deve ampliar...Deve-se ampliar... (ênclise no início) ou Não se deve... (com negação)
Introduzir explicaçãoHá fatores que se relacionam... / Há fatores que relacionam-se...Há fatores que se relacionam...
Expressar cautelaTalvez se explique... / Talvez explique-se...Talvez se explique...
Locução verbal com “se”Pode-se afirmar... / Não se pode afirmar...Não se pode afirmar... (com negação)
Infinitivo em propostaÉ necessário posicionar-se... / É necessário se posicionar...É necessário se posicionar... (fluido e frequente)
Índice de indeterminaçãoPrecisa-se de medidas... / Precisam-se de medidas...Precisa-se de medidas... (singular)
Voz passiva sintéticaDivulgam-se notícias... / Divulga-se notícias...Divulgam-se notícias... (concordância com plural)

Checklist de revisão (rápido) para não perder pontos

  • não/nunca/já/que/quem/onde/como/talvez antes do verbo? Use próclise: não se, que se, talvez se.
  • A oração começa com verbo e não há atrativo? Use ênclise: observa-se, defende-se.
  • É futuro e você pensou em mesóclise? Reescreva.
  • Com se, identifique: reflexivo, apassivador ou indeterminação; isso evita estruturas incoerentes.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Em uma redação formal, qual estratégia é mais segura para decidir entre próclise e ênclise na colocação pronominal?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Em texto formal, a decisão mais segura é observar se há elemento atrativo antes do verbo: com atrativo, a próclise é preferencial; sem atrativo e com verbo iniciando a oração, a ênclise é uma opção segura.

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