Classificação do relevo na Geografia Física: montanhas, planaltos, planícies e depressões

Capítulo 4

Tempo estimado de leitura: 9 minutos

+ Exercício

O que significa “classificar o relevo”

Classificar o relevo é organizar as formas da superfície terrestre em tipos com base em critérios observáveis (como diferenças de altitude e formato do terreno) e em critérios explicativos (como o processo dominante que modela a área e o contexto geológico). Na prática, essa classificação ajuda a interpretar uma paisagem: por que um lugar é mais alto ou mais baixo, por que há encostas íngremes ou áreas planas, e onde a erosão tende a “cortar” o terreno ou onde a deposição tende a “acumular” sedimentos.

Critérios principais para classificar o relevo

1) Altitude relativa (desnível local)

Altitude relativa é a diferença de altura dentro de uma área observada (por exemplo, entre o topo e o fundo de um vale). Ela é mais útil do que a altitude absoluta (metros acima do nível do mar) para reconhecer a “força” do relevo no cotidiano.

  • Baixa altitude relativa: terreno com pequenos desníveis; sensação de “paisagem aberta” e deslocamento fácil.
  • Alta altitude relativa: grandes desníveis; encostas marcantes; presença de escarpas, serras e vales profundos.

2) Energia do relevo (rugosidade e declividade)

Energia do relevo é um jeito de descrever o quanto o terreno é “acidentado”. Um relevo com alta energia costuma ter encostas íngremes, vales encaixados e grande variação de altitude em curtas distâncias. Um relevo com baixa energia tende a ser mais suave, com declividades pequenas e superfícies amplas.

Como observar: em campo, note o esforço para subir/descender e a frequência de mudanças de inclinação; em mapas, observe curvas de nível muito próximas (alta energia) ou espaçadas (baixa energia).

3) Processos dominantes: erosão x deposição

Um critério muito usado na Geografia Física é identificar se a paisagem é mais marcada por remoção de material (erosão) ou por acúmulo de material (deposição).

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  • Domínio de erosão: superfícies recortadas, vales profundos, encostas com cortes, escarpas, topos mais estreitos.
  • Domínio de deposição: áreas planas associadas a rios, presença de várzeas, barras de areia, ilhas fluviais, deltas, terraços e leques aluviais.

4) Contexto geológico (estrutura e resistência das rochas)

O tipo de rocha e a estrutura geológica (camadas inclinadas, falhas, dobras, fraturas) influenciam fortemente o formato do relevo. Rochas mais resistentes tendem a formar cristas, serras e escarpas mais persistentes; rochas menos resistentes tendem a ser rebaixadas mais facilmente, favorecendo depressões e vales mais amplos.

Como observar: alinhamentos longos de serras (controle estrutural), escarpas retilíneas (possível controle por falhas), e diferenças bruscas de relevo em contato entre rochas distintas.

Tipos de relevo: como diferenciar na paisagem

Montanhas

Ideia-chave: grandes desníveis e alta energia do relevo, com encostas íngremes e forte compartimentação (muitos vales e cristas).

  • Características observáveis: picos e cristas, vales encaixados, escarpas, grande variação de altitude em pouco espaço, presença frequente de nascentes em áreas elevadas.
  • Processos comuns: erosão intensa em encostas e canais; movimentos de massa podem ser importantes em áreas muito íngremes.
  • Exemplos (Brasil): Serra do Mar (escarpas e serras próximas ao litoral), Serra da Mantiqueira (altitudes elevadas e vales profundos).

Planaltos

Ideia-chave: áreas relativamente elevadas em relação ao entorno, onde a erosão tende a dominar o modelado (mesmo que existam trechos planos no topo).

  • Características observáveis: superfícies altas com bordas mais íngremes (escarpas), topos aplainados ou ondulados, vales que recortam a superfície, presença de chapadas em alguns casos.
  • Processos comuns: dissecação por rios (rede de drenagem “cortando” o terreno), formação de vales e interflúvios (áreas entre rios).
  • Exemplos (Brasil): Planalto Central (superfícies elevadas e vales), chapadas do Brasil Central (bordas escarpadas e topo relativamente plano).

Planícies

Ideia-chave: áreas baixas e pouco inclinadas, onde a deposição é dominante (acúmulo de sedimentos), geralmente associadas a rios, lagos ou ao mar.

  • Características observáveis: terreno amplo e plano, rios com curvas (meandros) e margens baixas, presença de várzeas que alagam periodicamente, sedimentos finos (lama/areia) em camadas.
  • Processos comuns: deposição fluvial (várzeas, barras), deposição costeira (praias, restingas), deposição em áreas alagáveis (pântanos).
  • Exemplos (Brasil): Planície Amazônica (várzeas e áreas inundáveis), Pantanal (planície sazonalmente alagada), planícies litorâneas (faixas baixas próximas ao mar).

Depressões

Ideia-chave: áreas rebaixadas em relação ao entorno. Podem ocorrer por diferentes razões, mas na leitura geográfica escolar é comum associá-las a rebaixamento por erosão em materiais menos resistentes ou a compartimentos estruturais mais baixos.

  • Características observáveis: “corredores” ou bacias mais baixas entre áreas elevadas, transições com escarpas ou rampas, drenagens convergindo para o setor rebaixado.
  • Processos comuns: erosão diferencial (rebaixamento mais rápido onde rochas são menos resistentes), encaixe de vales e ampliação de bacias.
  • Exemplos (Brasil): Depressão Sertaneja e do São Francisco (setores rebaixados entre planaltos), Depressão Periférica Paulista (faixa rebaixada junto a áreas de planalto).

Passo a passo prático: como classificar um trecho de paisagem

Passo 1 — Delimite a área e escolha pontos de referência

  • Defina um “quadro” de observação (por exemplo, o que você vê de um mirante, ou um recorte de 5 a 10 km em um mapa).
  • Marque mentalmente (ou no mapa) os pontos mais altos e mais baixos.

Passo 2 — Estime a altitude relativa e a energia do relevo

  • Em campo: observe se há encostas longas e íngremes, se o vale é profundo, se as cristas são bem marcadas.
  • Em mapa: curvas de nível muito próximas indicam maior declividade; muitos “V” apontando para montante indicam vales encaixados.

Passo 3 — Procure sinais de erosão (dissecação) ou deposição

Use uma lista de indícios rápidos:

  • Indícios de dissecação (erosão dominante): vales encaixados (em “V” bem marcado), encostas com rupturas de declive, escarpas, topos estreitos, drenagem muito ramificada.
  • Indícios de deposição (deposição dominante): meandros bem desenvolvidos, várzeas largas, ilhas fluviais, barras de areia, leques aluviais na saída de encostas, terraços fluviais.

Passo 4 — Relacione com o contexto geológico visível (quando possível)

  • Observe se serras e vales seguem uma direção preferencial (alinhamento), sugerindo controle estrutural.
  • Note se há uma “borda” bem marcada separando uma superfície alta de uma baixa (escarpa), comum em limites entre compartimentos.

Passo 5 — Decida a classe mais provável e registre a justificativa

Em vez de apenas nomear, escreva uma frase com os critérios: “Classifico como planície porque o terreno é baixo, pouco inclinado e há várzea com meandros (deposição dominante).” ou “Classifico como planalto porque é uma superfície elevada e recortada por vales encaixados (erosão dominante).”

Atividades de leitura de paisagem (campo, bairro ou mapa)

Atividade 1 — Caça aos indícios de deposição em um rio

Objetivo: reconhecer formas típicas de planícies fluviais.

Materiais: imagem de satélite (celular/computador) ou observação de uma ponte/margem segura.

Passo a passo:

  • Localize um trecho de rio com curvas.
  • Identifique meandros (curvas amplas) e marque onde o rio parece “morder” uma margem e “acumular” na outra.
  • Procure áreas planas adjacentes ao canal (várzea). Se houver vegetação diferente ou solo mais úmido, registre como pista de inundação periódica.
  • Registre: meandro, várzea, barras/ilhas (se visíveis) e a hipótese: “ambiente deposicional”.

Atividade 2 — Caça aos indícios de dissecação em área elevada

Objetivo: reconhecer recortes erosivos típicos de planaltos e montanhas.

Materiais: mapa hipsométrico/curvas de nível (quando disponível) ou observação a partir de um ponto alto.

Passo a passo:

  • Escolha uma área com desnível perceptível (serra, borda de planalto, morros).
  • Procure vales encaixados: em mapas, aparecem como “V” nas curvas de nível; em campo, como vales estreitos e profundos.
  • Identifique escarpas ou rupturas de declive (mudança brusca de inclinação).
  • Registre a densidade de drenagem (muitos canais pequenos) como indício de dissecação.
  • Escreva uma classificação preliminar: planalto (se superfície elevada e recortada) ou montanha (se desnível muito alto e encostas muito íngremes).

Atividade 3 — Perfil topográfico simples (para comparar compartimentos)

Objetivo: visualizar altitude relativa e energia do relevo.

Passo a passo:

  • Em um mapa com curvas de nível, trace uma linha reta atravessando vale(s) e topo(s).
  • Anote as altitudes onde a linha cruza cada curva de nível.
  • Desenhe um gráfico simples (distância x altitude) para ver se o terreno é suave (planície), elevado e recortado (planalto), muito íngreme (montanha) ou rebaixado entre áreas altas (depressão).

Quadro comparativo: formas de relevo e ambientes comuns

Forma de relevoAltitude relativa / energiaProcesso dominante (tendência)Marcas observáveisAmbientes comuns
MontanhasMuito alta / altaErosão (forte recorte) e instabilidade de encostasPicos/cristas, vales encaixados, escarpas, grandes declividadesSerras, bordas elevadas, áreas de nascentes, encostas íngremes
PlanaltosMédia a alta / médiaErosão (dissecação por rios)Superfícies elevadas, bordas escarpadas em alguns trechos, vales recortando o topoChapadas e superfícies altas do interior, divisores de água
PlaníciesBaixa / baixaDeposição (acúmulo de sedimentos)Terreno plano, meandros, várzeas, barras/ilhas, áreas alagáveisVárzeas fluviais, deltas, planícies costeiras, áreas inundáveis
DepressõesVariável / geralmente médiaRebaixamento relativo (muitas vezes por erosão diferencial)Setor mais baixo entre áreas elevadas, drenagem convergente, transições por escarpas/rampasCorredores rebaixados entre planaltos, bacias interiores, faixas periféricas

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao observar uma área ampla e baixa, com terreno pouco inclinado, presença de meandros e várzeas que alagam periodicamente, qual classificação de relevo é mais adequada e por quê?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

A presença de terreno baixo e pouco inclinado, com meandros e várzeas, indica ambiente deposicional, típico de planícies, onde ocorre acúmulo de sedimentos.

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Mapas e perfis do relevo na Geografia Física: curvas de nível, hipsometria e declividade

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