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Preparatório para Agente de Trânsito do DETRAN

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Classificação de veículos, dimensões, equipamentos obrigatórios e condições de segurança

Capítulo 5

Tempo estimado de leitura: 12 minutos

+ Exercício

Conceitos essenciais para a fiscalização

Na fiscalização de trânsito, “classificação de veículos” é a forma padronizada de identificar o tipo de veículo e suas características relevantes para circulação, transporte e exigências de segurança. Para o agente, a utilidade prática é: (1) confirmar se o veículo pode circular naquela condição e via; (2) verificar se os equipamentos obrigatórios estão presentes e funcionais; (3) avaliar se dimensões, carga e lotação respeitam limites; (4) registrar evidências objetivas quando houver risco à segurança.

Categorias e espécies: o que observar na prática

A classificação mais útil na abordagem combina: espécie (o “tipo” do veículo) e categoria (a “finalidade/uso” vinculada ao registro). Na rotina, a conferência começa pelo documento (CRLV-e) e pela leitura visual do veículo.

  • Espécie (exemplos operacionais): automóvel, camioneta/caminhonete, motocicleta/motoneta/ciclomotor, ônibus/micro-ônibus, caminhão, reboque/semirreboque, utilitário, veículos de carga, veículos de passageiros.
  • Categoria (exemplos operacionais): particular, aluguel, oficial, aprendizagem, diplomático/consular (quando aplicável). A categoria influencia exigências de identificação e uso (por exemplo, veículos de aluguel/serviço podem ter requisitos adicionais conforme regulamentação local e do órgão competente).

Checklist rápido (classificação):

  • Conferir no CRLV-e: espécie, categoria, tipo, capacidade/lotação, potência/cilindrada (quando relevante), PBT/lotação e observações.
  • Conferir visualmente: presença de carroceria/baú, eixos, acoplamento (reboque/semirreboque), número de assentos, adaptação aparente (ex.: bancos extras, remoção de assentos, alteração de carroceria).
  • Comparar documento x realidade: qualquer divergência relevante deve ser registrada com descrição objetiva (o que foi visto) e, quando possível, evidência fotográfica.

Dimensões e requisitos de circulação

Dimensões: por que importam

Dimensões (altura, largura, comprimento) e massa (peso) impactam a segurança e a possibilidade de circulação em determinadas vias/estruturas (pontes, túneis, faixas estreitas), além de influenciar a estabilidade do veículo, especialmente quando carregado. Na fiscalização, o foco é identificar sinais de excesso ou incompatibilidade com a via e com a condição do veículo.

O que observar sem instrumentos complexos

  • Excesso aparente de altura: carga acima da linha da carroceria sem amarração adequada; risco de atingir fiação/viadutos; lonas “estufadas” indicando volume acima do normal.
  • Excesso aparente de largura: carga projetando para fora da carroceria; espelhos ou partes tocando faixa adjacente; risco de colisão lateral.
  • Excesso aparente de comprimento: balanço traseiro exagerado; carga “em lança” sem sinalização/amarração; reboque/semirreboque com conjunto instável.
  • Excesso de peso (indícios): pneus excessivamente deformados, suspensão “no fim de curso”, chassi muito baixo, dificuldade de arrancada, fumaça excessiva sob esforço, oscilação acentuada.

Critérios práticos de irregularidade (dimensões/carga):

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  • Carga projetada sem sinalização/amarração compatível e com risco de queda.
  • Veículo com altura/largura/comprimento aparentes incompatíveis com a via (ex.: circulação em local com restrição física evidente).
  • Indícios fortes de excesso de peso com comprometimento de estabilidade/frenagem.

Evidências usuais a registrar: fotos do perfil/lateral/traseira mostrando projeção da carga, pontos de amarração, deformação de pneus/suspensão, placa e identificação do veículo, e uma descrição objetiva (“carga projetando aproximadamente X cm além da carroceria”, quando mensurável de forma simples; se não, “projeção visível além do limite da carroceria”).

Equipamentos obrigatórios e condições de segurança

Princípio operacional

Equipamento obrigatório não é apenas “presença”: deve estar em condição de funcionamento e uso seguro. A inspeção visual deve priorizar itens que afetam diretamente: visibilidade, frenagem, estabilidade, sinalização e proteção dos ocupantes.

Checklist operacional de inspeção visual (passo a passo)

Passo 1 — Identificação e contexto

  • Confirmar placa e características básicas do veículo (tipo, espécie, categoria) no CRLV-e.
  • Observar se há indícios de adaptação/alteração (suspensão rebaixada/extrema, carroceria modificada, bancos extras, engate improvisado).

Passo 2 — Iluminação e sinalização

  • Faróis (baixo/alto), lanternas traseiras, luz de freio, luz de ré, setas, iluminação de placa.
  • Refletores traseiros (especialmente em reboques/semirreboques).
  • Condição das lentes: quebradas, opacas, com fita/filme que reduza visibilidade.

Passo 3 — Visibilidade do condutor

  • Para-brisa: trincas na área crítica, película irregular que comprometa visão, danos que distorçam.
  • Limpador e lavador: palhetas ressecadas, ausência de funcionamento em dia de chuva/condição adversa.
  • Espelhos retrovisores: presença e fixação; espelho quebrado ou ausente.

Passo 4 — Rodagem, pneus e suspensão

  • Pneus: sulcos aparentes, bolhas, cortes, lona exposta, medidas incompatíveis no mesmo eixo, pneus “carecas”.
  • Rodas: trincas, porcas faltantes, empeno visível.
  • Suspensão: veículo “sentado”, roçando pneu na carroceria, instabilidade ao deslocar.

Passo 5 — Frenagem e estabilidade

  • Indícios visuais: vazamento de fluido, mangueiras soltas, ruído metálico intenso ao frear (quando observado em deslocamento curto).
  • Em veículos pesados: atenção a sinais de falha no sistema pneumático (vazamentos audíveis, mangueiras mal conectadas).

Passo 6 — Estrutura e itens de proteção

  • Para-choques e partes cortantes expostas.
  • Portas e travas: fechamento adequado (especialmente em transporte de passageiros).
  • Cintos de segurança: presença e condição nos assentos obrigatórios; ancoragens aparentes danificadas.

Passo 7 — Equipamentos de emergência e acessórios exigidos

  • Triângulo e demais itens exigidos para a categoria (verificar presença e condição quando aplicável).
  • Extintor: quando exigido por regulamentação vigente para o tipo/categoria, verificar presença, validade e fixação (atenção: exigência pode variar conforme norma atual).
  • Capacete e itens do condutor/passageiro em motocicletas: capacete em bom estado, viseira/óculos, fixação.

Passo 8 — Vazamentos, ruído e emissão visível

  • Vazamento de combustível/óleo com risco de incêndio/derrapagem.
  • Fumaça excessiva e persistente (indício de falha mecânica relevante).
  • Escapamento solto ou com saída direcionada de forma perigosa.

Critérios de irregularidade: como classificar o risco

Para decidir providências, é útil separar em três níveis operacionais, sempre com base no risco concreto observado.

  • Nível 1 — Irregularidade documental/identificadora sem risco imediato aparente: divergências que não alteram segurança imediata (ex.: item acessório não essencial, desde que não comprometa visibilidade/estabilidade). Exige registro detalhado e encaminhamento conforme procedimento.
  • Nível 2 — Irregularidade técnica com risco moderado: equipamento obrigatório defeituoso, mas ainda com possibilidade de correção imediata no local ou liberação condicionada (ex.: lâmpada queimada com possibilidade de substituição imediata; retrovisor solto com fixação possível).
  • Nível 3 — Condição que compromete a segurança (risco alto): pneus em condição crítica, falha de iluminação essencial à noite/chuva, vazamento de combustível, carga com risco de queda, sistema de freio com indícios fortes de falha, portas sem travamento em transporte de passageiros, acoplamento de reboque inseguro. Em geral, demanda medida administrativa mais restritiva (retenção/remoção conforme enquadramento e procedimento).

Evidências usuais: o que fotografar e descrever

  • Visão geral: foto frontal, traseira e lateral com placa legível.
  • Detalhe do defeito: pneu (sulco/lona), trinca no para-brisa (com referência de posição), lâmpada apagada (foto com acionamento), vazamento (ponto e mancha no solo), engate/acoplamento, amarração da carga.
  • Contexto: via/condição (chuva, noite), restrição física (altura/ponte), presença de passageiros/carga.
  • Descrição objetiva: evitar termos genéricos (“ruim”, “perigoso”) sem suporte; preferir “pneu com lona exposta”, “ausência de luz de freio do lado direito”, “carga sem cinta/amarração visível”, “porta traseira não trava e abre com o veículo em movimento (testado com cuidado)”.

Transporte de cargas: condições de segurança e inspeção

Conceito prático

Transporte de carga seguro depende de três pilares: (1) acondicionamento (como a carga está posicionada), (2) fixação (amarração/travamento), (3) compatibilidade com o veículo (capacidade, carroceria, distribuição). O agente deve focar no risco de queda/arraste, instabilidade e obstrução de sinalização/placa.

Checklist de carga (passo a passo)

Passo 1 — Acondicionamento

  • Carga distribuída de forma uniforme, sem “torre” instável.
  • Sem projeções cortantes/soltas.
  • Sem obstruir placa e dispositivos de iluminação/sinalização.

Passo 2 — Fixação

  • Verificar cintas/catracas/correntes: integridade, pontos de ancoragem, folgas.
  • Lona/cobertura quando aplicável: bem presa, sem risco de soltar.
  • Em carrocerias abertas: verificar se há contenção lateral/traseira adequada.

Passo 3 — Compatibilidade e estabilidade

  • Indícios de excesso de peso (pneus/suspensão) e instabilidade.
  • Altura/largura/comprimento aparentes incompatíveis.
  • Reboque/semirreboque: conexões, cabos, correntes de segurança (quando aplicável), iluminação do implemento.

Irregularidades típicas (carga):

  • Carga com risco iminente de queda (amarração inexistente/insuficiente).
  • Carga arrastando no solo ou tocando pneus.
  • Obstrução de placa/lanternas.
  • Implemento sem iluminação/refletores em condição de baixa visibilidade.

Providências cabíveis quando há risco: priorizar a eliminação do risco imediato (ex.: exigir reamarração/adequação no local quando possível e seguro; quando não for possível, aplicar medida administrativa adequada para impedir circulação até regularização, conforme enquadramento). Registrar a condição encontrada e a impossibilidade de correção imediata, quando ocorrer.

Transporte de passageiros: condições de segurança e inspeção

Conceito prático

No transporte de passageiros, a segurança depende de integridade estrutural, portas e travas, lotação compatível, cintos quando exigidos, e condições de circulação que não exponham ocupantes a queda/impacto. O agente deve observar especialmente situações de superlotação e transporte em locais impróprios.

Checklist de passageiros (passo a passo)

Passo 1 — Lotação e acomodação

  • Comparar número de ocupantes com a lotação do veículo (documento e configuração real).
  • Verificar se há passageiros em compartimento de carga ou em pé em condições proibidas/inseguras.
  • Em motocicletas: número de ocupantes e uso correto de capacete.

Passo 2 — Portas, travas e saídas

  • Portas fechando e travando adequadamente.
  • Ausência de amarrações improvisadas para manter porta fechada.
  • Degraus/apoios firmes (quando aplicável).

Passo 3 — Cintos e assentos

  • Presença e condição dos cintos nos assentos obrigatórios.
  • Assentos firmes, sem fixação improvisada.

Irregularidades típicas (passageiros):

  • Excesso de passageiros além da lotação.
  • Passageiros transportados em compartimento de carga sem condições.
  • Portas sem travamento, risco de abertura durante o deslocamento.
  • Motociclista/passageiro sem capacete ou com capacete inadequado.

Evidências usuais: fotos que demonstrem lotação (sem expor indevidamente rostos quando possível), condição das portas/travas, presença/ausência de cintos, e descrição objetiva do número de ocupantes e do local onde estavam acomodados.

Quando a condição do veículo compromete a segurança: protocolo de decisão

Roteiro prático (do risco à providência)

1) Identificar o fator de risco

  • O que exatamente está comprometido? (frenagem, pneus, iluminação, carga, portas, vazamento, acoplamento)
  • Em que contexto? (noite, chuva, via rápida, transporte de passageiros, declive)

2) Verificar possibilidade de correção imediata e segura

  • Há como sanar no local sem expor pessoas a risco? (ex.: reaperto de fixação simples, substituição de lâmpada, reamarração com equipamento adequado)
  • Se não houver condição, não permitir que a tentativa de correção aumente o risco (ex.: mexer em acoplamento sem recursos adequados).

3) Adotar a medida administrativa compatível

  • Se o risco for alto e não houver correção imediata: impedir a continuidade da circulação até regularização, aplicando a medida cabível (retenção/remoção conforme enquadramento e procedimento do órgão).
  • Se houver correção imediata: acompanhar a regularização e registrar o que foi corrigido, quando aplicável.

4) Registrar com qualidade

  • Descrever o defeito de forma técnica e observável.
  • Anexar evidências (fotos/vídeos) com contexto e detalhes.
  • Registrar declarações relevantes apenas quando necessárias e de forma objetiva (ex.: condutor informa que “freio está falhando desde ontem”).

Exemplos práticos de aplicação

Exemplo 1 — Pneus em condição crítica

  • Observação: pneu dianteiro com lona exposta e bolha lateral.
  • Risco: estouro e perda de controle.
  • Evidência: foto aproximada do pneu e foto do veículo com placa.
  • Providência: impedir circulação até regularização, conforme procedimento aplicável.

Exemplo 2 — Carga com risco de queda

  • Observação: barras/volumes soltos na carroceria, sem cintas, projetando para trás.
  • Risco: queda na via e colisões.
  • Evidência: foto traseira mostrando projeção e ausência de amarração; foto lateral do acondicionamento.
  • Providência: exigir adequação/amarração segura; se não for possível no local, impedir continuidade até regularização.

Exemplo 3 — Iluminação essencial inoperante à noite

  • Observação: ausência de luz de freio e lanternas traseiras apagadas em período noturno.
  • Risco: colisão traseira por falta de sinalização.
  • Evidência: registro fotográfico/vídeo com acionamento do pedal e lanternas.
  • Providência: correção imediata se possível; caso contrário, restringir circulação até sanar.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Durante uma fiscalização, qual procedimento melhor segue o protocolo quando se identifica uma condição de risco alto e não há possibilidade de correção imediata e segura no local?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Quando há risco alto e não existe correção imediata e segura, a providência indicada é restringir a circulação até regularização, aplicando a medida cabível. O registro deve ser técnico e observável, com evidências (fotos e contexto).

Próximo capitúlo

Documentação veicular e do condutor: verificação em abordagem pelo Agente de Trânsito

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