Método padrão: dose prescrita ÷ concentração disponível = volume a administrar
Quando a prescrição traz uma dose fixa (por exemplo, “administrar 75 mg”) e você tem uma apresentação com concentração conhecida (por exemplo, “25 mg/mL”), o objetivo é descobrir quantos mL aspirar para entregar exatamente a dose.
A fórmula operacional é:
Volume (mL) = Dose prescrita (mg, mcg, UI...) ÷ Concentração disponível (mg/mL, mcg/mL, UI/mL...)Montagem de unidades (o “truque” que evita erro)
Monte as unidades como uma conta de frações para conferir se o resultado sai em mL:
Volume = 75 mg ÷ (25 mg/mL) = 75 mg × (mL/25 mg) = 3 mLSe as unidades não “cancelarem” corretamente, pare e revise: você provavelmente misturou unidades (por exemplo, mg com mcg) ou usou a concentração errada.
Passo a passo prático à beira-leito (sem pular checagens matemáticas)
Identifique a dose prescrita (valor e unidade) e destaque o que será administrado (mg, mcg, UI).
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Leia a concentração disponível exatamente como está no rótulo (por exemplo, 50 mg/2 mL; 100 mg/mL; 1.000 UI/mL).
Se a concentração vier como “X mg em Y mL”, transforme em mg/mL antes de calcular (ex.: 50 mg/2 mL = 25 mg/mL).
Aplique a fórmula Dose ÷ Concentração.
Verifique plausibilidade: o volume calculado pode ser maior que o volume total da ampola? A dose calculada “cabe” na apresentação? Se não, algo está errado (ou você precisa de mais de uma ampola, ou a apresentação não é adequada).
Variações entre marcas/apresentações: como escolher a ampola correta
Um mesmo fármaco pode existir em diferentes concentrações e volumes. O cálculo é o mesmo, mas a escolha da apresentação impacta segurança e praticidade (volume aspirado, necessidade de múltiplas ampolas, risco de erro em volumes muito pequenos).
Exemplo comparativo (mesmo medicamento, apresentações diferentes)
Prescrição: administrar 75 mg.
| Apresentação disponível | Concentração | Volume para 75 mg | Observação prática |
|---|---|---|---|
| 150 mg/3 mL | 50 mg/mL | 75 ÷ 50 = 1,5 mL | Volume moderado, fácil de medir |
| 100 mg/2 mL | 50 mg/mL | 1,5 mL | Mesma concentração, rótulo diferente |
| 75 mg/1 mL | 75 mg/mL | 75 ÷ 75 = 1 mL | “Dose cheia” em 1 mL |
| 300 mg/1 mL | 300 mg/mL | 75 ÷ 300 = 0,25 mL | Volume muito pequeno: maior risco de erro |
Critérios práticos para escolher a melhor apresentação (quando houver opção)
- Evite volumes muito pequenos quando possível (ex.: 0,1–0,2 mL), pois aumentam erro de aspiração e leitura.
- Prefira concentrações que resultem em volumes “medíveis” com a seringa disponível (ex.: 1 mL ou 3 mL com graduação adequada).
- Considere o número de ampolas: se o volume calculado excede o conteúdo de uma ampola, planeje quantas serão necessárias e revalide a dose total.
- Leia o rótulo com atenção quando a apresentação muda (mg/ampola vs mg/mL). O erro comum é usar “mg por ampola” como se fosse “mg por mL”.
Doses fracionadas: como calcular e como medir
Dose fracionada é quando a prescrição pede uma parte do conteúdo total (por exemplo, 12,5 mg; 37,5 mg; 0,3 mg). O cálculo continua igual, mas a execução exige atenção ao volume resultante.
Exemplo 1: dose fracionada com volume confortável
Disponível: 50 mg/2 mL (25 mg/mL). Prescrição: 12,5 mg.
Volume = 12,5 mg ÷ 25 mg/mL = 0,5 mLVerificação: 0,5 mL é 1/4 de 2 mL; 1/4 de 50 mg = 12,5 mg. Plausível.
Exemplo 2: dose fracionada gerando volume muito pequeno
Disponível: 10 mg/mL. Prescrição: 0,3 mg.
Volume = 0,3 mg ÷ 10 mg/mL = 0,03 mL0,03 mL é um volume extremamente pequeno. Na prática, isso exige seringa com graduação adequada e, frequentemente, uma estratégia de preparo (por exemplo, diluição conforme protocolo institucional) para tornar o volume mensurável com segurança. Se não houver protocolo, a conduta segura é não improvisar e solicitar orientação/farmácia.
Volumes muito pequenos: escolha da seringa e leitura da graduação
O risco de erro aumenta quando o volume calculado se aproxima do limite de leitura da seringa. A regra prática é: quanto menor o volume, mais “fina” deve ser a seringa (menor capacidade total, melhor resolução).
- Seringa de 1 mL (tuberculina/insulina conforme disponibilidade e compatibilidade): melhor para volumes como 0,1–1,0 mL, pois tem graduação mais detalhada.
- Seringa de 3 mL: adequada para 1–3 mL, mas pode ser menos precisa para 0,1–0,2 mL dependendo da graduação.
- Seringas maiores (5–10 mL): evite para volumes pequenos; a leitura fica grosseira.
Além da seringa, confira se o volume calculado exige duas casas decimais (ex.: 0,25 mL). Se a seringa não permite leitura confiável, reavalie a apresentação do medicamento (se existe outra concentração) ou siga protocolo de preparo.
Arredondamento em mL: quando é aceitável e como justificar clinicamente
Arredondar é uma decisão clínica e operacional que depende do medicamento, da margem terapêutica e da precisão possível com o material disponível. Em geral, você deve:
- Evitar arredondar quando o fármaco tem margem estreita, quando a dose é pediátrica/neonatal, ou quando pequenas variações mudam o efeito.
- Arredondar apenas dentro de uma precisão mensurável pela seringa (por exemplo, se a seringa marca de 0,01 mL, você pode trabalhar com duas casas decimais; se marca de 0,1 mL, uma casa decimal pode ser o limite prático).
- Preferir ajustar a apresentação (ou estratégia de preparo conforme protocolo) em vez de “forçar” um arredondamento grande.
Exemplo de arredondamento com justificativa operacional
Disponível: 20 mg/mL. Prescrição: 7 mg.
Volume = 7 ÷ 20 = 0,35 mLSe você tem seringa de 1 mL com graduação de 0,01 mL, 0,35 mL é mensurável e não precisa arredondar. Se a única seringa disponível tem graduação de 0,1 mL, 0,35 mL vira um problema: arredondar para 0,3 mL (6 mg) ou 0,4 mL (8 mg) altera a dose em ~14%. Nessa situação, a decisão segura costuma ser buscar seringa apropriada ou outra apresentação, em vez de aceitar o arredondamento.
Verificação de plausibilidade: checagens rápidas que pegam erros comuns
- Checagem 1 (limite da ampola): o volume calculado é maior que o volume total disponível? Se sim, você precisará de mais de uma ampola ou errou a concentração.
- Checagem 2 (ordem de grandeza): se a concentração é alta, o volume deve ser pequeno; se a concentração é baixa, o volume deve ser maior.
- Checagem 3 (meia dose/meio volume): se você está administrando metade da dose total da ampola, o volume deve ser metade do volume total (quando a solução é homogênea).
- Checagem 4 (recalcular pelo caminho inverso): Dose entregue = Volume aspirado × Concentração. Veja se volta à dose prescrita.
Exercícios graduais (com resolução detalhada e checagem)
Exercício 1 (direto, concentração em mg/mL)
Prescrição: 40 mg. Disponível: 20 mg/mL. Quanto aspirar?
Volume = 40 mg ÷ 20 mg/mL = 2 mLChecagem: 2 mL × 20 mg/mL = 40 mg. Plausível.
Exercício 2 (rótulo em mg/volume)
Prescrição: 75 mg. Disponível: 150 mg/3 mL. Quanto aspirar?
Concentração = 150 mg ÷ 3 mL = 50 mg/mL Volume = 75 mg ÷ 50 mg/mL = 1,5 mLChecagem: 1,5 mL é metade de 3 mL; metade de 150 mg = 75 mg. Plausível.
Exercício 3 (comparar apresentações e escolher a mais segura)
Prescrição: 25 mg. Opções disponíveis: (A) 50 mg/1 mL; (B) 100 mg/10 mL. Calcule o volume em cada uma e escolha a melhor para medir.
Opção A:
Concentração = 50 mg/mL Volume = 25 ÷ 50 = 0,5 mLOpção B:
Concentração = 100 mg ÷ 10 mL = 10 mg/mL Volume = 25 ÷ 10 = 2,5 mLEscolha prática: 0,5 mL (A) é um volume pequeno, porém geralmente bem mensurável com seringa de 1 mL; 2,5 mL (B) é fácil em seringa de 3 mL. A melhor opção depende do contexto, mas ambas são mensuráveis. Se houver risco de confusão com “dose total do frasco” na opção B, reforce a leitura do rótulo e a checagem inversa.
Exercício 4 (dose fracionada)
Prescrição: 12,5 mg. Disponível: 50 mg/2 mL. Quanto aspirar?
Concentração = 50 ÷ 2 = 25 mg/mL Volume = 12,5 ÷ 25 = 0,5 mLChecagem: 0,5 mL × 25 = 12,5 mg. Plausível.
Exercício 5 (plausibilidade com volume total da ampola)
Prescrição: 120 mg. Disponível: 100 mg/2 mL. Quanto aspirar? Cabe em uma ampola?
Concentração = 100 ÷ 2 = 50 mg/mL Volume = 120 ÷ 50 = 2,4 mLChecagem: uma ampola tem 2 mL; você precisa de 2,4 mL. Logo, não cabe em uma ampola; será necessário mais de uma ampola (e recontar a dose total aspirada).
Exercício 6 (volume muito pequeno e decisão de segurança)
Prescrição: 0,2 mg. Disponível: 1 mg/mL. Quanto aspirar? O volume é confortável?
Volume = 0,2 ÷ 1 = 0,2 mLChecagem prática: 0,2 mL é pequeno, mas geralmente mensurável com seringa de 1 mL com graduação adequada. Se a unidade só tiver seringa com graduação grosseira, a precisão pode ficar comprometida; priorize seringa apropriada.
Exercício 7 (duas casas decimais e checagem inversa)
Prescrição: 7 mg. Disponível: 20 mg/mL. Quanto aspirar? Confirme a dose entregue.
Volume = 7 ÷ 20 = 0,35 mL Dose entregue = 0,35 mL × 20 mg/mL = 7 mgChecagem: bate exatamente. Avalie se a seringa disponível permite medir 0,35 mL com segurança.
Exercício 8 (erro comum: confundir mg/ampola com mg/mL)
Disponível: 100 mg/5 mL (ampola de 5 mL). Prescrição: 60 mg. Um profissional anotou “aspirar 3 mL porque 60 é 60% de 100 e 60% de 5 mL é 3 mL”. O raciocínio está correto? Mostre pelo método padrão.
Concentração = 100 ÷ 5 = 20 mg/mL Volume = 60 ÷ 20 = 3 mLSim, o resultado está correto, mas a justificativa por “percentual da ampola” só é segura quando você tem certeza de que está trabalhando com uma solução homogênea e que leu corretamente o total (100 mg em 5 mL). O método padrão com unidades é mais robusto e reduz risco de confusão quando mudam as apresentações.