Cadeias linfonodais mediastinais: grupos, relações com vias aéreas e grandes vasos

Capítulo 9

Tempo estimado de leitura: 8 minutos

+ Exercício

Conceito e organização por compartimentos mediastinais

As cadeias linfonodais mediastinais são conjuntos de linfonodos distribuídos ao longo das vias aéreas centrais e dos grandes vasos do mediastino. Elas recebem linfa dos pulmões, brônquios, pleura e de estruturas mediastinais, e a encaminham para os troncos broncomediastinais (direito e esquerdo), que por sua vez drenam para os grandes coletores linfáticos do tórax.

Para estudar de forma prática, é útil organizar os grupos por compartimentos mediastinais e por suas relações anatômicas com: traqueia, brônquios principais, arco aórtico, veia cava superior, esôfago e ducto torácico.

Mapa mental rápido: “do pulmão para o mediastino”

  • Periferia pulmonar/pleura e parênquima profundohilares (traqueobrônquicos/hilares)
  • Hilarestraqueobrônquicos (carina e ao redor dos brônquios principais)
  • Traqueobrônquicosparatraqueais
  • Paratraqueaistroncos broncomediastinais (direito/esquerdo)

Grupos linfonodais por compartimentos mediastinais

Mediastino superior: paratraqueais e pré-vasculares

1) Linfonodos paratraqueais

  • Localização: ao longo das faces laterais da traqueia, estendendo-se superiormente em direção ao desfiladeiro torácico e inferiormente até a região da carina.
  • Relações-chave:
    • Traqueia: são os linfonodos “de escolta” da traqueia; aumentos podem estar justapostos à parede traqueal.
    • Veia cava superior (VCS): os paratraqueais direitos ficam próximos à VCS e ao arco da veia ázigos; essa proximidade explica por que massas linfonodais podem comprimir estruturas venosas.
    • Arco aórtico: os paratraqueais esquerdos se relacionam com o arco aórtico e seus ramos; a topografia é importante para entender rotas de drenagem do pulmão esquerdo.
    • Ducto torácico: no lado esquerdo, a drenagem linfática mediastinal pode se aproximar do trajeto do ducto torácico no mediastino superior, especialmente em trajetos de eferentes que convergem para o tronco broncomediastinal esquerdo.
  • Principais aferências: traqueia, brônquios principais (via grupos inferiores), pulmões (via traqueobrônquicos), pleura mediastinal e estruturas do mediastino superior.
  • Eferências: para os troncos broncomediastinais.

2) Linfonodos pré-vasculares (anteriores)

  • Localização: no mediastino superior anterior, à frente dos grandes vasos (especialmente próximos ao arco aórtico e troncos arteriais) e atrás do esterno.
  • Relações-chave:
    • Arco aórtico: situam-se anteriormente ao arco e seus ramos, podendo receber drenagem de estruturas anteriores do mediastino.
    • VCS: podem estar próximos ao trajeto da VCS no mediastino superior direito.
  • Principais aferências: pleura mediastinal anterior, timo (quando presente/tecido residual), pericárdio anterior e parede torácica anterior profunda.
  • Eferências: para paratraqueais e/ou diretamente para troncos broncomediastinais.

Mediastino médio: traqueobrônquicos (hilares), subcarinais e traqueobrônquicos superiores/inferiores

3) Linfonodos traqueobrônquicos (incluindo hilares)

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  • Ideia prática: pense neles como o “portal” linfático do pulmão: a linfa que sai do pulmão tende a passar pelo hilo e, em seguida, por linfonodos ao redor da bifurcação traqueal e dos brônquios principais.
  • Subgrupos úteis:
    • Hilares (broncopulmonares): no hilo pulmonar, junto a brônquios lobares, artérias e veias pulmonares.
    • Traqueobrônquicos ao redor dos brônquios principais: próximos ao brônquio principal direito e esquerdo, conectando hilo e carina.
  • Relações-chave:
    • Brônquios principais: os linfonodos se dispõem ao longo do eixo brônquico; clinicamente, isso explica por que processos inflamatórios/neoformações brônquicas frequentemente cursam com linfonodomegalias peribrônquicas.
    • Artérias e veias pulmonares: no hilo, os linfonodos ficam interpostos entre estruturas vasculares e brônquicas, acompanhando a bainha conjuntiva do pedículo pulmonar.
    • Traqueia e carina: a drenagem converge para a região traqueobrônquica central, especialmente próxima à bifurcação.
  • Principais aferências: pulmões (superficial e profundo), brônquios intrapulmonares, pleura visceral e parte da pleura parietal adjacente ao hilo.
  • Eferências: para subcarinais e paratraqueais, seguindo para troncos broncomediastinais.

4) Linfonodos subcarinais

  • Localização: abaixo da carina (bifurcação da traqueia), no ângulo entre os brônquios principais, em íntima relação com o mediastino médio.
  • Relações-chave:
    • Carina e brônquios principais: ficam literalmente no “V” formado pelos brônquios principais; são um ponto de convergência de drenagem profunda do pulmão.
    • Esôfago: posicionam-se anteriormente ao esôfago ou em plano próximo, o que ajuda a entender a comunicação com cadeias paraesofágicas.
  • Principais aferências: brônquios principais, lobos inferiores (frequentemente) e estruturas próximas à bifurcação traqueal.
  • Eferências: para paratraqueais (sobretudo) e para trajetos que alcançam troncos broncomediastinais.

Mediastino posterior: paraesofágicos

5) Linfonodos paraesofágicos

  • Localização: ao longo do esôfago no mediastino posterior, acompanhando seu trajeto até o hiato esofágico.
  • Relações-chave:
    • Esôfago: aderem ao plano peri-esofágico; processos do esôfago podem drenar diretamente para esses linfonodos.
    • Ducto torácico: no mediastino posterior, o ducto torácico ascende próximo ao esôfago; por isso, eferentes paraesofágicos podem se relacionar com vias linfáticas de grande calibre nessa região.
    • Traqueobrônquicos/subcarinais: há continuidade funcional: drenagens do mediastino médio podem alcançar cadeias posteriores, e vice-versa, especialmente em torno da bifurcação e do esôfago.
  • Principais aferências: esôfago, pleura mediastinal posterior, pericárdio posterior e porções posteriores de estruturas mediastinais; podem receber contribuições indiretas da drenagem pulmonar (especialmente de regiões inferiores/posteriores).
  • Eferências: para trajetos que convergem aos troncos broncomediastinais e/ou para coletores que acompanham o ducto torácico no mediastino posterior.

Drenagem linfática: pulmões, brônquios, pleura e mediastino

Drenagem do pulmão: redes superficial e profunda

Didaticamente, a drenagem pulmonar pode ser entendida em duas redes que convergem para o hilo:

  • Rede superficial (subpleural): coleta linfa da periferia do pulmão e da pleura visceral, caminhando pela superfície em direção ao hilo.
  • Rede profunda (peribrônquica/perivascular): acompanha brônquios e vasos pulmonares no interior do parênquima, drenando segmentos e lobos para linfonodos intrapulmonares e, em seguida, para o hilo.

Mapa simplificado do fluxo de drenagem pulmonar (superficial e profundo)

SUPERFICIAL (subpleural/pleura visceral) ─┐                                   ┌─> Paratraqueais ─> Tronco broncomediastinal (D/E) ─> grandes coletores torácicos/venosos
├─> Linfonodos hilares (broncopulmonares) ─> Traqueobrônquicos (ao redor dos brônquios principais) ─┤
PROFUNDA (peribrônquica/perivascular) ───┘ └─> Subcarinais (abaixo da carina) ────────────────┘

Como usar o mapa: em uma lesão periférica subpleural, espere primeiro linfonodos do hilo; em processos centrais (peribrônquicos), a progressão para traqueobrônquicos e subcarinais tende a ser mais evidente.

Drenagem de brônquios e pleura

  • Brônquios: drenam principalmente para a cadeia peribrônquica (rede profunda) → hilarestraqueobrônquicosparatraqueais.
  • Pleura visceral: acompanha a drenagem superficial do pulmão para o hilo.
  • Pleura parietal mediastinal: tende a drenar para linfonodos pré-vasculares e paratraqueais, conforme a topografia anterior/superior, e para paraesofágicos em regiões posteriores.

Drenagem de estruturas mediastinais e conexão com troncos broncomediastinais

Além do pulmão, as cadeias mediastinais recebem linfa de estruturas centrais:

  • Traqueia: principalmente para paratraqueais.
  • Região da carina e brônquios principais: para subcarinais e traqueobrônquicos.
  • Esôfago torácico: para paraesofágicos, com comunicação para cadeias superiores (paratraqueais) e vias que se aproximam do ducto torácico.
  • Pericárdio/pleura mediastinal: para pré-vasculares (anterior) e paraesofágicos (posterior), além de conexões com paratraqueais.

Os eferentes finais dessas cadeias convergem para os troncos broncomediastinais:

  • Tronco broncomediastinal direito: recebe eferentes sobretudo de cadeias do lado direito (hilo direito, traqueobrônquicos direitos, paratraqueais direitos), em estreita relação topográfica com a VCS.
  • Tronco broncomediastinal esquerdo: recebe eferentes do lado esquerdo, com relações importantes com o arco aórtico e com vias linfáticas que se aproximam do trajeto do ducto torácico no mediastino superior.

Relações anatômicas essenciais (guia de estudo por “pontos de referência”)

Traqueia

  • Ao lado da traqueia: procure os paratraqueais.
  • Na bifurcação (carina) e logo abaixo: pense em subcarinais e traqueobrônquicos centrais.

Brônquios principais e hilo pulmonar

  • No hilo: hilares (broncopulmonares) junto ao pedículo pulmonar.
  • Ao longo dos brônquios principais: traqueobrônquicos conectando hilo ↔ carina ↔ paratraqueais.

Arco aórtico

  • Anterior/superior ao arco: pré-vasculares (mediastino superior anterior).
  • Próximo ao arco no lado esquerdo: relações com paratraqueais esquerdos e vias eferentes para o tronco broncomediastinal esquerdo.

Veia cava superior (VCS)

  • Ao lado direito da traqueia e próximo à VCS: destaque para paratraqueais direitos e eferentes para o tronco broncomediastinal direito.

Esôfago

  • Ao longo do esôfago no mediastino posterior: paraesofágicos.
  • Próximo à carina: continuidade funcional com subcarinais (plano posterior/adjacente).

Ducto torácico

  • No mediastino posterior: ascende próximo ao esôfago; por isso, eferentes paraesofágicos e vias mediastinais posteriores podem se aproximar dele.
  • No mediastino superior esquerdo: a convergência de eferentes para o tronco broncomediastinal esquerdo ocorre em região de vizinhança com o trajeto superior do ducto torácico.

Passo a passo prático: como localizar e “nomear” os grupos em um esquema/TC mental

  1. Encontre a traqueia e siga-a até a bifurcação: ao longo das laterais estão os paratraqueais.
  2. Identifique a carina: imediatamente abaixo dela, entre os brônquios principais, estão os subcarinais.
  3. Siga os brônquios principais em direção aos hilos: ao redor deles, pense em traqueobrônquicos; no hilo, em hilares.
  4. Vá para a frente dos grandes vasos no mediastino superior: ali ficam os pré-vasculares.
  5. Desça para o mediastino posterior e acompanhe o esôfago: ao longo dele estão os paraesofágicos.
  6. Reconstrua o caminho da linfa: pulmão (superficial/profundo) → hilotraqueobrônquicos/subcarinaisparatraqueaistroncos broncomediastinais.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Considerando o fluxo de drenagem linfática descrito “do pulmão para o mediastino”, qual sequência representa corretamente a progressão típica dos linfonodos até alcançar os troncos broncomediastinais?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

A drenagem pulmonar tende a convergir primeiro para o hilo (hilares), segue para linfonodos traqueobrônquicos e/ou subcarinais, alcança os paratraqueais e então drena para os troncos broncomediastinais.

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