Visão geral das cadeias inguinais e femorais
As cadeias linfonodais inguinais e femorais organizam a drenagem linfática do membro inferior, do períneo e de parte da parede abdominal inferior. Clinicamente, são as cadeias mais frequentemente palpadas no exame físico por receberem linfa de grandes territórios cutâneos e de tecidos superficiais. Para entender a drenagem, é útil separar: linfonodos inguinais superficiais (grupo horizontal e vertical) e linfonodos inguinais profundos (ao longo da veia femoral), incluindo o linfonodo de Cloquet (ou de Rosenmüller), que marca a transição para a pelve.
Linfonodos inguinais superficiais
Localização e relações anatômicas
Os linfonodos inguinais superficiais situam-se no tecido subcutâneo, imediatamente abaixo da pele, superficiais à fáscia lata. Em geral, acompanham o trajeto da veia safena magna na sua porção terminal e distribuem-se em dois agrupamentos principais:
- Grupo horizontal (superior): forma uma cadeia paralela ao ligamento inguinal, logo inferior a ele, estendendo-se da região próxima à espinha ilíaca ântero-superior em direção ao tubérculo púbico.
- Grupo vertical (inferior): dispõe-se ao longo da porção terminal da veia safena magna, próximo ao hiato safeno, em direção inferior na face ântero-medial da coxa.
Marco prático: o grupo horizontal costuma ser palpável logo abaixo do ligamento inguinal; o grupo vertical, ao longo da safena magna, na transição entre virilha e coxa medial.
Territórios típicos de drenagem (superficiais)
Como regra, os inguinais superficiais recebem linfa de pele e tecidos superficiais de grandes áreas abaixo do umbigo e do membro inferior, além de estruturas superficiais do períneo e genitais externos. A seguir, os territórios são organizados por grupo para facilitar a correlação clínica.
| Grupo | Territórios de drenagem mais típicos | Observações e exceções anatômicas relevantes |
|---|---|---|
| Inguinais superficiais – horizontal |
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| Inguinais superficiais – vertical |
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Linfonodos inguinais profundos (femorais profundos)
Localização e relações anatômicas
Os linfonodos inguinais profundos situam-se profundos à fáscia lata, no interior do triângulo femoral, acompanhando a veia femoral (medial ou ântero-medial a ela, conforme o nível). São menos numerosos que os superficiais e recebem linfa de estruturas profundas do membro inferior e de vias eferentes dos superficiais.
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Linfonodo de Cloquet (Rosenmüller): é o linfonodo inguinal profundo mais superior, localizado no canal femoral, próximo ao anel femoral, imediatamente inferior ao ligamento inguinal. Funciona como “sentinela” na transição entre drenagem da coxa/virilha e os linfonodos da pelve.
O que costuma drenar para os inguinais profundos
- Estruturas profundas do membro inferior (porções profundas acompanhando vasos femorais).
- Glande do pênis e glande do clitóris (frequentemente), além de parte da uretra distal (variações).
- Eferentes dos inguinais superficiais (grande parte do fluxo superficial converge para os profundos antes de seguir para a pelve).
Trajetos eferentes: como a linfa chega aos linfonodos ilíacos externos
De modo geral, a drenagem segue uma progressão: território periférico → inguinais superficiais e/ou profundos → ilíacos externos. Os eferentes dos inguinais profundos acompanham os vasos femorais através da transição sob o ligamento inguinal, conectando-se aos linfonodos ilíacos externos ao longo dos vasos ilíacos externos na pelve.
| Origem (território) | Primeiro(s) linfonodo(s) mais prováveis | Trajeto típico até ilíacos externos | Marcos anatômicos úteis |
|---|---|---|---|
| Pele da parede abdominal inferior (abaixo do umbigo) | Inguinais superficiais (horizontal) | Superficiais → profundos (femorais) → ilíacos externos | Palpar logo abaixo do ligamento inguinal, próximo ao tubérculo púbico e ao trajeto da safena magna |
| Pele do períneo e genitais externos (escroto, pele do pênis; vulva/lábios) | Inguinais superficiais (horizontal) | Superficiais → profundos → ilíacos externos (com possíveis conexões para ilíacos internos conforme região) | Grupo horizontal: faixa subcutânea paralela ao ligamento inguinal |
| Glande do pênis / glande do clitóris | Inguinais profundos (incluindo Cloquet em alguns casos) | Profundos → ilíacos externos (e possíveis vias para ilíacos internos) | Profundos: profundos à fáscia lata, junto à veia femoral; Cloquet no canal femoral |
| Pele e subcutâneo da maior parte do membro inferior (especialmente medial) | Inguinais superficiais (vertical) | Superficiais → profundos → ilíacos externos | Grupo vertical: ao longo da safena magna na coxa ântero-medial |
| Margem lateral do pé e face póstero-lateral da perna | Poplíteos (frequente) → inguinais profundos/superficiais | Poplíteos → profundos → ilíacos externos | Suspeitar via poplítea quando lesão é lateral no pé/perna; inguinais podem estar secundariamente aumentados |
| Canal anal abaixo da linha pectínea (perianal) | Inguinais superficiais (horizontal) | Superficiais → profundos → ilíacos externos | Importante diferenciar de drenagem acima da linha pectínea (tende a seguir para cadeias pélvicas) |
Inspeção e palpação: passo a passo prático com marcos anatômicos
1) Preparação e posicionamento
- Posicionar o paciente em decúbito dorsal, com quadris levemente abduzidos e relaxados.
- Explicar que a palpação pode ser desconfortável; manter a musculatura relaxada reduz falsos negativos.
2) Identificar o ligamento inguinal (referência para o grupo horizontal)
- Localizar a espinha ilíaca ântero-superior e o tubérculo púbico; o ligamento inguinal estende-se entre esses pontos.
- Palpar logo inferior ao ligamento inguinal, varrendo transversalmente: essa faixa corresponde ao território do grupo horizontal.
3) Palpar o grupo vertical ao longo da veia safena magna
- Partir da região do hiato safeno (junção safeno-femoral, na virilha) e descer alguns centímetros na face ântero-medial da coxa.
- Palpar em “linha” acompanhando o trajeto esperado da veia safena magna, buscando nódulos móveis no subcutâneo (superficiais à fáscia lata).
4) Avaliar suspeita de acometimento profundo (inguinais profundos)
- Os linfonodos profundos são menos acessíveis; a avaliação é indireta e baseada em dor profunda, aumento importante de volume na região femoral e correlação com territórios de drenagem (ex.: glande).
- Quando possível, palpar profundamente no triângulo femoral, próximo ao pulso femoral, lembrando que os profundos acompanham a veia femoral (mais medial ao feixe arterial palpável).
5) Correlacionar achados com o território de drenagem
- Aumento no grupo horizontal: pensar em lesões/infecções de parede abdominal inferior, períneo, genitais externos, região glútea inferior e região perianal abaixo da linha pectínea.
- Aumento no grupo vertical: pensar em lesões cutâneas do membro inferior (especialmente medial/anterior).
- Suspeita de via poplítea: lesões na margem lateral do pé e perna póstero-lateral podem primeiro envolver poplíteos e só depois inguinais.
Mapeamento rápido por regiões (para uso em casos clínicos)
| Região/estrutura | Linfonodos mais prováveis inicialmente | Ponto de atenção |
|---|---|---|
| Pele da coxa/perna (maior parte, sobretudo medial) | Inguinais superficiais (vertical) | Feridas crônicas e celulites podem causar linfonodomegalia dolorosa |
| Pele lateral do pé | Poplíteos → inguinais | Inguinais podem estar normais no início |
| Parede abdominal inferior | Inguinais superficiais (horizontal) | Diferenciar de drenagem acima do umbigo (não é o foco aqui) |
| Períneo superficial e pele perianal abaixo da linha pectínea | Inguinais superficiais (horizontal) | Importante na avaliação de fissuras/abscessos perianais superficiais |
| Escroto e pele do pênis; vulva/lábios | Inguinais superficiais (horizontal) | Não confundir com testículo/ovário (drenagem para para-aórticos) |
| Glande do pênis / glande do clitóris | Inguinais profundos | Pode envolver Cloquet e seguir para ilíacos externos |