Visão geral: o que são as cadeias linfonodais axilares e por que “níveis” importam
As cadeias linfonodais axilares são agrupamentos de linfonodos situados na gordura da axila, organizados em grupos topográficos que recebem linfa do membro superior, parede torácica e mama. Na prática anatômica, descreve-se a axila por grupos (peitorais/anterior, subescapulares/posterior, umerais/laterais, centrais e apicais) e por níveis axilares (I, II e III) definidos pela relação com o músculo peitoral menor. Essa dupla organização ajuda a prever o fluxo linfático e as relações com vasos axilares e plexo braquial, fundamentais para entender vias de drenagem e trajetos de disseminação.
Níveis axilares (referência: peitoral menor)
- Nível I: linfonodos inferolaterais ao peitoral menor (mais “periféricos” na axila).
- Nível II: linfonodos posteriores ao peitoral menor (região central da axila).
- Nível III: linfonodos superomediais ao peitoral menor, próximos ao ápice da axila (transição para a região cervicotorácica).
Em termos de grupos: peitorais, subescapulares e umerais tendem a se situar principalmente no nível I; os centrais correspondem em grande parte ao nível II; e os apicais predominam no nível III.
Mapa anatômico da axila: limites e estruturas de referência
Veia axilar, artéria axilar e bainha axilar
A veia axilar é geralmente a estrutura mais anterior e medial do feixe vásculo-nervoso, recebendo tributárias como a veia cefálica (na região do sulco deltopeitoral). A artéria axilar situa-se mais profundamente e é acompanhada pelos cordões do plexo braquial, organizados em torno dela (lateral, posterior e medial). Os linfonodos axilares distribuem-se na gordura ao redor desses elementos, com relações importantes para dissecação anatômica.
Cordões do plexo braquial (relação com linfonodos)
- Cordão lateral: tipicamente lateral à artéria axilar.
- Cordão posterior: posterior à artéria axilar.
- Cordão medial: medial à artéria axilar, frequentemente em proximidade com a veia axilar.
Os linfonodos apicais e parte dos centrais podem estar próximos a esses cordões e seus ramos, o que explica a necessidade de reconhecer planos anatômicos na exploração do ápice axilar.
Fáscia clavipeitoral e peitoral menor
A fáscia clavipeitoral envolve o músculo subclávio e o peitoral menor, contribuindo para a organização de planos na parede anterior da axila. Ela é atravessada por estruturas como a veia cefálica (ao drenar para a veia axilar), vasos toracoacromiais e nervos peitorais. O peitoral menor é o marco anatômico central para definir os níveis axilares e também um divisor prático entre planos mais superficiais (nível I) e profundos (níveis II–III).
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Serrátil anterior e parede medial da axila
O músculo serrátil anterior recobre a parede torácica lateral e compõe a parede medial da axila. Linfonodos do grupo peitoral/anterior (associados à parede torácica anterior e lateral) e parte da drenagem mamária relacionam-se com essa região, especialmente ao longo dos vasos torácicos laterais.
Grupos linfonodais axilares: localização, relações e territórios de drenagem
1) Grupo peitoral (anterior)
Localização: ao longo da parede anterior da axila, frequentemente próximo aos vasos torácicos laterais, na borda inferior/lateral do peitoral menor e adjacente ao serrátil anterior (na parede torácica lateral).
Relações anatômicas-chave:
- Próximo à fáscia clavipeitoral e ao plano do peitoral menor (marco de níveis).
- Associado ao trajeto de vasos na parede torácica lateral (ex.: vasos torácicos laterais), servindo como “porta de entrada” para linfa da parede torácica e mama para a axila.
Territórios de drenagem:
- Parede torácica anterolateral (incluindo pele e tecido subcutâneo).
- Mama, especialmente por vias que acompanham vasos na parede torácica lateral (rota axilar).
2) Grupo subescapular (posterior)
Localização: ao longo da parede posterior da axila, próximo ao músculo subescapular e estruturas associadas à região posterior (próximo a vasos subescapulares).
Relações anatômicas-chave:
- Em plano posterior ao feixe vásculo-nervoso, com proximidade variável ao cordão posterior do plexo braquial (dependendo do nível e da profundidade).
Territórios de drenagem:
- Parede torácica posterior e região escapular.
- Porções posteriores do ombro e dorso superior (via vasos linfáticos superficiais e profundos que convergem para a axila).
3) Grupo umeral (lateral)
Localização: ao longo da veia axilar (e por vezes descrito como adjacente ao feixe neurovascular do braço), na parede lateral da axila, recebendo linfa do membro superior.
Relações anatômicas-chave:
- Relação íntima com a veia axilar (marco prático para localizar esse grupo).
- Proximidade com a artéria axilar e com os cordões do plexo braquial que a circundam, especialmente em planos mais profundos.
Territórios de drenagem:
- Membro superior (principal via de drenagem axilar do braço).
- Recebe também parte da drenagem superficial que acompanha a veia basílica e drenagens profundas que acompanham artérias do membro superior.
4) Grupo central
Localização: no centro da gordura axilar, frequentemente em torno da base da axila, recebendo e redistribuindo linfa dos grupos periféricos.
Relações anatômicas-chave:
- Situado em plano intermediário, com relações variáveis com a veia axilar e a artéria axilar, servindo como “confluência” antes do ápice.
Territórios de drenagem:
- Recebe e integra a drenagem dos grupos peitoral, subescapular e umeral.
5) Grupo apical
Localização: no ápice da axila, superomedial ao peitoral menor, próximo à transição para a região cervicotorácica, em torno da porção proximal dos vasos axilares.
Relações anatômicas-chave:
- Próximo à veia axilar (porção mais proximal) e à artéria axilar.
- Relação importante com os cordões do plexo braquial e ramos proximais, pela concentração de estruturas no ápice.
- Em continuidade com vias linfáticas que seguem para troncos linfáticos superiores (sem detalhar ductos já abordados em capítulos prévios).
Territórios de drenagem:
- Recebe linfa do grupo central e também pode receber drenagens diretas (por exemplo, de trajetos profundos do membro superior ou da mama, dependendo de variações anatômicas).
Lógica do fluxo linfático entre os grupos (esquema funcional)
Uma forma útil de memorizar a direção predominante do fluxo é pensar em três portas de entrada periféricas (peitoral, subescapular, umeral) que convergem para um hub (central) e então seguem para a saída superior (apical).
Entrada (nível I) Confluência (nível II) Saída (nível III) Peitorais (anterior) ┐ Subescapulares (posterior) ├──> Centrais ───> Apicais Umerais (laterais) ┘Observação anatômica: embora esse seja o padrão mais descrito, existem comunicações e trajetos diretos (por exemplo, drenagens que alcançam apicais sem passar por todos os centrais), o que explica variações em padrões de disseminação.
Drenagem do membro superior: rotas superficiais e profundas até a axila
Rota superficial (marcos venosos como guia)
Na anatomia de superfície, vasos linfáticos superficiais tendem a acompanhar veias superficiais:
- Trajeto medial (frequentemente associado à veia basílica): converge para linfonodos do grupo umeral/lateral na axila.
- Trajeto lateral (frequentemente associado à veia cefálica): pode drenar para linfonodos na região deltopeitoral e/ou alcançar a axila, conectando-se a cadeias axilares (variação anatômica relevante).
Rota profunda
Vasos linfáticos profundos acompanham artérias e veias profundas do membro superior e tendem a convergir para o grupo umeral e, em seguida, para centrais e apicais.
Passo a passo prático: como prever o caminho da linfa do membro superior
- Identifique o compartimento: superficial (subcutâneo) vs profundo (muscular).
- Use um “guia vascular”: superficial acompanha veias basílica/cefálica; profundo acompanha vasos profundos.
- Primeira estação axilar mais provável: grupo umeral (lateral).
- Progressão típica: umerais → centrais → apicais.
Drenagem da parede torácica: anterior/lateral e posterior
Parede torácica anterolateral
Linfa da parede torácica anterior e lateral tende a alcançar o grupo peitoral (anterior), especialmente por trajetos que acompanham vasos na parede torácica lateral. A partir daí, segue para centrais e apicais.
Parede torácica posterior e região escapular
Drenagens da parede torácica posterior e região escapular convergem preferencialmente para o grupo subescapular (posterior), com progressão para centrais e apicais.
Drenagem da mama: rotas para axila e para cadeia mamária interna
Rota axilar (predominante para grande parte da mama)
Uma parcela importante da drenagem linfática mamária segue para a axila, frequentemente alcançando primeiro linfonodos do grupo peitoral (anterior) (nível I). A partir daí, a progressão típica é para centrais (nível II) e apicais (nível III). Essa rota é especialmente relevante para quadrantes laterais, mas há comunicações entre territórios mamários.
Rota para a cadeia mamária interna (parasternal)
Outra via anatômica importante é a drenagem que segue medialmente em direção à cadeia mamária interna (parasternal), acompanhando trajetos próximos aos espaços intercostais anteriores e vasos internos torácicos. Essa via é particularmente relevante para porções mais mediais da mama e explica por que a drenagem mamária não é exclusivamente axilar.
Passo a passo prático: como raciocinar a drenagem linfática da mama
- Localize a região da mama: porção mais lateral tende a favorecer rota axilar; porção mais medial aumenta a probabilidade de rota para cadeia mamária interna.
- Para rota axilar: pense em “entrada” no grupo peitoral (anterior) → centrais → apicais.
- Considere comunicações: existem conexões entre redes superficiais e profundas e entre rotas axilar e parasternal, o que permite trajetos alternativos.
Esquemas de níveis axilares aplicados aos grupos (para orientar estudo e dissecação)
| Nível (peitoral menor) | Grupos mais associados | Relações anatômicas úteis |
|---|---|---|
| I (inferolateral) | Peitorais (anterior), Subescapulares (posterior), Umerais (laterais) | Próximo à parede torácica (serrátil anterior), veia axilar (umerais), planos anteriores próximos à fáscia clavipeitoral |
| II (posterior) | Centrais | Gordura central da axila; confluência entre grupos periféricos; proximidade variável com vasos axilares |
| III (superomedial) | Apicais | Ápice axilar; proximidade com porção proximal da veia/artéria axilar e cordões do plexo braquial |
Implicações anatômicas em linfonodo sentinela e linfadenectomia (foco em vias e relações)
Conceito anatômico de “primeira estação” (sentinela)
Do ponto de vista estritamente anatômico, o linfonodo sentinela é a primeira estação linfonodal que recebe drenagem de uma região específica (por exemplo, um setor da mama). Na axila, essa primeira estação costuma estar em nível I, frequentemente no grupo peitoral (anterior) para drenagem mamária, ou no grupo umeral para drenagem do membro superior.
Relações anatômicas que orientam o cuidado com estruturas nobres
- Veia axilar: referência constante, especialmente para localizar o grupo umeral e para orientar planos no ápice.
- Artéria axilar e cordões do plexo braquial: maior densidade de relações no nível III (apical), aumentando a importância de reconhecer a disposição “em torno” da artéria.
- Peitoral menor: marco para separar níveis; manipulação e retração desse músculo alteram o acesso anatômico aos níveis II–III.
- Fáscia clavipeitoral: plano anterior que organiza a passagem de estruturas e ajuda a entender a transição entre planos superficiais e profundos na parede anterior da axila.
- Serrátil anterior: referência na parede medial; útil para orientar a topografia do grupo peitoral/anterior ao longo da parede torácica lateral.
Passo a passo prático: como montar um “mapa mental” de dissecção por níveis
- Encontre o peitoral menor e use-o como régua: abaixo/lateral = nível I; atrás = nível II; acima/medial = nível III.
- Localize a veia axilar: ao longo dela, pense no grupo umeral (entrada do membro superior).
- Varra a parede torácica lateral junto ao serrátil anterior e vasos torácicos laterais: pense no grupo peitoral (entrada da parede torácica e mama).
- Procure a parede posterior (subescapular): pense no grupo subescapular (entrada posterior).
- Convergência: direcione o raciocínio para centrais (nível II) e depois apicais (nível III), onde a proximidade com plexo braquial e vasos é maior.