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Finanças Pessoais Antifraude: Como se Proteger de Golpes, Vazamentos e Armadilhas Digitais no Dia a Dia

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Boletos e cobranças: validação de autenticidade e rotinas de checagem

Capítulo 4

Tempo estimado de leitura: 17 minutos

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O que são boletos e por que eles viraram alvo de fraude

Boleto bancário é um documento de cobrança padronizado no Brasil que permite pagar uma conta em bancos, aplicativos e outros canais autorizados. Ele contém dados essenciais para que o pagamento seja direcionado ao beneficiário correto: valor, vencimento, identificadores (como “linha digitável” e código de barras), e informações do recebedor (beneficiário/cedente). Por ser amplamente aceito e relativamente simples de compartilhar (PDF, e-mail, mensagem, impresso), o boleto é um alvo frequente de adulteração e de cobranças indevidas.

Fraudes com boletos costumam explorar dois pontos: (1) a pressa e a rotina automática de pagar contas sem checar detalhes e (2) a facilidade de substituir o código de barras/linha digitável por outro, redirecionando o dinheiro para um fraudador. Além disso, existem cobranças “cinzentas” (não necessariamente um boleto falso, mas uma cobrança indevida, duplicada, com valor errado ou de um serviço não contratado) que também geram prejuízo se não houver rotina de validação.

Principais tipos de golpes e armadilhas envolvendo boletos e cobranças

1) Boleto adulterado (troca do código de barras/linha digitável)

Você recebe um boleto aparentemente legítimo (por e-mail, WhatsApp, site, PDF) e paga. O documento mostra o nome de uma empresa conhecida, mas o código de barras foi substituído. O pagamento vai para outro beneficiário. Em muitos casos, o layout do boleto é copiado com perfeição, e a única diferença está nos números e no beneficiário real que aparece na tela de confirmação do pagamento.

2) Boleto “segunda via” falsa

O fraudador se passa por atendimento da empresa (ou cria um site parecido) e oferece uma “segunda via” para um boleto vencido ou prestes a vencer. A vítima acredita que está regularizando uma pendência real, mas paga um boleto emitido por terceiros.

3) Cobrança indevida com boleto verdadeiro (serviço não contratado)

Nem sempre há adulteração técnica. Às vezes, o boleto é real, emitido por uma empresa existente, mas a cobrança é abusiva: assinatura não solicitada, “taxa” de cadastro, “renovação automática” não autorizada, ou cobrança por um suposto débito inexistente. O risco aqui é pagar por engano por achar que “deve” ou para evitar problemas.

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4) Boleto de “registro/regularização” com tom de urgência

Chegam boletos com linguagem de ameaça: “evite multa”, “último aviso”, “seu CPF será negativado”, “regularize hoje”. Podem vir por correio, e-mail ou mensagem. Muitas vezes, são cobranças de entidades desconhecidas, com valores relativamente baixos para incentivar pagamento impulsivo.

5) Alteração de dados em PDF ou impressão

Em ambientes comprometidos (computador com malware, extensão maliciosa, ou até manipulação manual), o PDF do boleto pode ser alterado antes de você visualizar/imprimir. O documento parece normal, mas o código de barras e a linha digitável foram trocados.

6) Cobrança duplicada e confusão de vencimentos

Um erro comum é pagar duas vezes: pagar o boleto do mês e também uma “segunda via”, ou pagar um boleto antigo achando que é o atual. Isso pode ocorrer quando há muitos boletos parecidos (condomínio, escola, plano de saúde) ou quando o emissor muda o layout.

Elementos do boleto que você precisa saber ler (sem virar especialista)

Linha digitável e código de barras

A linha digitável é a sequência numérica usada para pagamento manual; o código de barras é a representação para leitura automática. Em geral, o que manda é o que o sistema do banco reconhece ao ler o código/linha. Por isso, um boleto pode “parecer” de uma empresa, mas o pagamento ser direcionado a outro recebedor se esses números estiverem adulterados.

Beneficiário/cedente e pagador

O beneficiário (cedente) é quem recebe. O pagador é você. Em pagamentos por app, antes de confirmar, normalmente aparece o nome/razão social do beneficiário. Essa tela de confirmação é um ponto crítico de checagem: se o beneficiário exibido não for exatamente o esperado, pare e valide.

Valor e vencimento

Conferir valor e vencimento evita pagar boleto errado, duplicado ou com juros indevidos. Em boletos vencidos, alguns emissores atualizam automaticamente; outros exigem emissão de novo boleto. Se você recebeu um boleto vencido “atualizado” por um canal não oficial, desconfie.

Banco emissor e tipo de cobrança

O boleto costuma indicar o banco emissor. Isso não garante legitimidade, mas ajuda a identificar inconsistências (por exemplo, você sempre paga um boleto emitido por um banco específico e, de repente, aparece outro sem explicação). O mais importante continua sendo o beneficiário exibido na confirmação do pagamento.

Rotina prática de validação: o checklist antifraude antes de pagar

A seguir, um passo a passo para usar sempre que receber um boleto, seja por e-mail, mensagem, PDF, site ou impresso. A ideia é transformar em rotina de 60–120 segundos antes de confirmar o pagamento.

Passo 1: Identifique a origem do boleto (canal)

  • Canal oficial: boleto obtido dentro do aplicativo/site oficial do fornecedor, área logada, ou enviado por um endereço de e-mail corporativo que você já usa e reconhece (ainda assim, valide).

  • Canal “intermediário”: boleto recebido por e-mail novo, mensagem, link encurtado, anexo de remetente desconhecido, ou “atendimento” que te chamou do nada. Aqui, a exigência de validação deve ser máxima.

Prática recomendada: se o boleto veio por mensagem, não pague a partir do arquivo/link recebido. Em vez disso, entre você mesmo no canal oficial (digitando o endereço no navegador ou usando o app) e gere a segunda via por lá.

Passo 2: Confirme se a cobrança faz sentido

  • Você reconhece a empresa e o serviço?

  • Você esperava essa cobrança neste mês?

  • O valor está dentro do normal (ou há justificativa clara para mudança)?

  • Há risco de ser duplicado (você já pagou algo parecido recentemente)?

Exemplo prático: você recebe um boleto de “renovação anual” de um serviço que não lembra ter contratado. Antes de qualquer pagamento, procure no seu extrato dos últimos 12 meses se houve cobrança recorrente desse fornecedor. Se não houver histórico, trate como suspeito até prova em contrário.

Passo 3: Verifique os dados visíveis no boleto (sem confiar só neles)

  • Nome/razão social do beneficiário (cedente).

  • CNPJ (se aparecer) e endereço/contato.

  • Seu nome como pagador (quando aplicável).

  • Valor e vencimento.

Importante: esses campos podem ser falsificados em PDF. Eles servem para levantar suspeitas, mas não são a validação final.

Passo 4: Valide o beneficiário na tela de confirmação do pagamento

Ao escanear o código de barras ou colar a linha digitável no app do banco, o sistema costuma exibir o beneficiário. Essa é a checagem mais valiosa para evitar boleto adulterado.

  • O nome exibido é exatamente o fornecedor esperado?

  • O CNPJ/CPF exibido (quando mostrado) corresponde ao fornecedor?

  • O valor exibido confere com o boleto e com o que você espera pagar?

Se o app mostrar um beneficiário desconhecido, pessoa física, ou uma empresa que não tem relação com a cobrança, não conclua o pagamento. Mesmo que o boleto “pareça” correto, a divergência na confirmação é sinal forte de adulteração.

Passo 5: Faça uma validação cruzada rápida (quando o valor é alto ou o canal é duvidoso)

Para boletos de valores relevantes (ex.: aluguel, escola, reforma, cirurgia, compra de alto valor), adote uma validação extra. Escolha pelo menos uma das opções abaixo:

  • Gerar novamente o boleto no canal oficial (área logada) e comparar se a linha digitável é igual.

  • Confirmar com o fornecedor usando um contato que você já tinha (telefone do contrato, site oficial, e-mail antigo), não o contato que veio junto com o boleto.

  • Comparar com boletos anteriores: beneficiário, banco emissor, padrão de valores e vencimentos.

Exemplo prático: você recebe um boleto de condomínio por e-mail, mas normalmente pega no portal do condomínio. Em vez de pagar o anexo, entre no portal e baixe o boleto do mês. Se a linha digitável divergir, descarte o anexo e avise a administração.

Passo 6: Registre o pagamento e guarde evidências

Após pagar, salve o comprovante e o boleto (PDF) em uma pasta organizada por ano/mês. Isso ajuda em contestação, reembolso por pagamento em duplicidade e comprovação de quitação.

  • Nomeie arquivos com padrão: “2026-01_Fornecedor_Valor.pdf”.

  • Guarde também e-mails/mensagens de envio quando fizer sentido.

Rotinas de checagem para situações comuns do dia a dia

Boletos recorrentes (condomínio, escola, plano, consórcio)

Boletos recorrentes são os mais perigosos para “piloto automático”. Crie uma rotina fixa:

  • Pague sempre a partir do mesmo canal (preferencialmente área logada/app oficial).

  • Antes de confirmar, confira beneficiário na tela do banco e compare o valor com o mês anterior.

  • Se houver aumento, procure a justificativa (reajuste, taxa extra) antes de pagar.

Exemplo prático: mensalidade escolar costuma ter valor estável. Se vier um boleto 30% maior sem aviso, trate como divergência e valide com a escola por um contato oficial.

Boletos enviados por e-mail

E-mail é um vetor comum para boleto falso e “segunda via” fraudulenta.

  • Desconfie de anexos inesperados e de mensagens com urgência.

  • Evite clicar em links do e-mail para “emitir boleto”. Prefira digitar o site oficial no navegador ou usar o app.

  • Se precisar usar o anexo, faça a validação do beneficiário na confirmação do pagamento e, para valores altos, gere a segunda via no canal oficial para comparar.

Boletos recebidos por WhatsApp/DM

Mensagens são ainda mais arriscadas por causa de perfis falsos e sequestro de contas.

  • Não confie em “mudou a conta, paga por aqui” ou “segue boleto atualizado”.

  • Se for um prestador de serviço, confirme por ligação para um número já conhecido ou por outro canal.

  • Se for empresa, emita você mesmo o boleto no site/app oficial.

Boletos impressos (correios, portaria, caixa de correio)

Boletos físicos podem ser falsificados ou podem ser cobranças indevidas “disfarçadas” de oficial.

  • Cheque se você realmente tem relação com o emissor.

  • Confira beneficiário na tela do banco antes de pagar.

  • Se o boleto vier com “proposta” ou “aviso” que parece documento oficial, procure sinais de que é uma oferta (ex.: termos genéricos, ausência de contrato, linguagem publicitária).

Boletos de compras online e marketplaces

Em compras online, o risco é pagar um boleto que não pertence ao vendedor/plataforma, mas a um terceiro.

  • Gere o boleto apenas dentro do fluxo de pagamento do site/app oficial, em ambiente logado.

  • Evite pagar boletos enviados por chat fora da plataforma.

  • Na confirmação do pagamento, verifique se o beneficiário corresponde ao intermediador esperado (varia conforme o modelo de cobrança).

Exemplo prático: você fecha uma compra e recebe um “boleto com desconto” por mensagem. Mesmo que o preço seja atraente, trate como alto risco. O procedimento seguro é refazer o pagamento dentro do ambiente oficial da compra.

Sinais de alerta (red flags) que justificam parar e validar

  • Beneficiário exibido no app do banco não corresponde ao fornecedor.

  • Pedido de pagamento com urgência fora do padrão (“pague em 30 minutos”).

  • Envio por canal incomum (um fornecedor que sempre manda pelo portal agora manda por WhatsApp).

  • Alteração repentina de banco emissor ou padrão do boleto sem aviso.

  • Desconto grande condicionado a pagamento imediato por boleto.

  • Cobrança de serviço que você não reconhece, com ameaça de negativação.

  • PDF que não permite selecionar texto, com aparência “escaneada” sem necessidade (pode ser tentativa de dificultar checagem).

Procedimento de segurança para “segunda via” e boletos vencidos

Boletos vencidos são um terreno fértil para fraude porque a pessoa está motivada a resolver rápido. Use este passo a passo:

Passo a passo: como obter uma segunda via com segurança

  • 1) Não solicite segunda via por links recebidos em mensagens. Acesse o canal oficial do fornecedor (site digitado por você, app oficial, ou atendimento no número do contrato).

  • 2) Gere a segunda via dentro da área logada, quando possível.

  • 3) Compare o beneficiário exibido na confirmação do pagamento com o fornecedor.

  • 4) Se o valor tiver juros/multa, confira se o cálculo faz sentido (ou se há detalhamento).

  • 5) Guarde o boleto gerado e o comprovante.

Se o fornecedor disser que “só envia por WhatsApp”, trate como risco adicional: confirme por um contato alternativo e valide o beneficiário na confirmação do pagamento. Para valores altos, peça também um e-mail corporativo ou disponibilização no portal.

Como evitar pagamento em duplicidade e organizar cobranças

Fraude e erro operacional se misturam quando não há controle de contas pagas. Um sistema simples reduz muito o risco:

  • Mantenha uma lista mensal de contas recorrentes (condomínio, escola, internet, energia, etc.) com vencimento e valor esperado.

  • Ao pagar, marque como “pago” e anexe o comprovante.

  • Se receber uma cobrança “extra”, verifique se não é repetição do que já foi pago.

Exemplo prático: você paga o boleto do cartão e, dias depois, recebe “segunda via” por e-mail dizendo que está em atraso. Antes de pagar, consulte o extrato do banco e o comprovante. Se já pagou, não repita; se houver divergência, contate o emissor por canal oficial.

O que fazer se você suspeitar antes de pagar

Quando algo não bate, o objetivo é validar sem se expor a links e contatos potencialmente falsos.

  • Não pague “para evitar problema”. Pare e valide.

  • Não use o telefone/e-mail que veio no boleto suspeito. Busque o contato no contrato, no site oficial digitado por você ou em documentos anteriores.

  • Peça confirmação do beneficiário (razão social/CNPJ) e solicite que disponibilizem o boleto no portal/app.

  • Se for cobrança de empresa desconhecida, procure evidências do vínculo: contrato, pedido, histórico de pagamentos, e comunicações anteriores.

O que fazer se você pagou um boleto suspeito ou indevido

Agir rápido aumenta a chance de recuperação, embora não haja garantia. Use um roteiro objetivo:

Passo a passo: após pagamento de boleto possivelmente fraudado

  • 1) Reúna evidências: boleto (PDF/foto), comprovante, e a conversa/e-mail de onde veio.

  • 2) Contate imediatamente seu banco pelos canais oficiais e informe que pode ter havido pagamento de boleto fraudado. Pergunte sobre procedimentos de contestação e possibilidade de bloqueio/recuperação.

  • 3) Avise o fornecedor verdadeiro (se houver) para que ele saiba que circula boleto falso em nome dele e para orientar a forma correta de pagamento.

  • 4) Registre ocorrência e protocolos. Isso ajuda em disputas e em eventuais medidas administrativas.

  • 5) Monitore novas tentativas: quem caiu uma vez pode ser alvo de novas cobranças, “taxas de regularização” e contatos de falsos atendentes.

Passo a passo: após pagamento em duplicidade

  • 1) Confirme no extrato os dois pagamentos (datas, valores, beneficiário).

  • 2) Contate o emissor da cobrança e solicite devolução/compensação, enviando comprovantes.

  • 3) Guarde número de protocolo e prazo informado.

Modelo de rotina semanal/mensal de checagem de cobranças

Uma rotina simples reduz o risco de pagar boleto falso, indevido ou duplicado.

Rotina semanal (10 minutos)

  • Verificar e-mails e mensagens por cobranças inesperadas e separar em “aguardando validação”.

  • Conferir no app do banco pagamentos feitos na semana e arquivar comprovantes.

  • Checar se há contas recorrentes próximas do vencimento e gerar boletos apenas em canais oficiais.

Rotina mensal (20–30 minutos)

  • Listar contas recorrentes e comparar valores com o mês anterior.

  • Revisar cobranças “extras” e confirmar se houve contratação/uso.

  • Organizar pasta de comprovantes do mês e registrar protocolos de atendimentos.

Checklist rápido para colar no bloco de notas

ANTES DE PAGAR UM BOLETO (60–120s) 1) Eu esperava essa cobrança? 2) Peguei o boleto por canal oficial? Se não, consigo gerar no portal/app? 3) Valor e vencimento fazem sentido? 4) Na tela de confirmação do banco, o beneficiário é exatamente quem deveria receber? 5) Para valor alto: valide por um segundo canal (portal/ligação/boletos anteriores). 6) Pague e arquive comprovante + boleto.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao receber um boleto por mensagem de um número desconhecido, qual rotina de validação é mais adequada antes de pagar?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Mensagens sao canal de alto risco. O mais seguro e gerar o boleto no canal oficial e, antes de confirmar, verificar se o beneficiario exibido no app do banco corresponde exatamente ao fornecedor esperado.

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