Boas práticas para manter a saúde financeira do negócio no dia a dia

Capítulo 13

Tempo estimado de leitura: 10 minutos

+ Exercício

Hábitos que sustentam a saúde financeira no dia a dia

Saúde financeira do negócio não depende de “um grande acerto” e sim de padrões repetíveis: guardar caixa, vender com regras claras, controlar gastos recorrentes, comprar com orçamento, negociar bem, revisar despesas com frequência e decidir investimentos e dívidas com critérios. A ideia é reduzir improvisos e criar um jeito padrão de operar, onde o dinheiro “trabalha com você” e não contra você.

Reserva de caixa: o colchão que evita decisões ruins

O que é e por que importa

Reserva de caixa é um valor separado para proteger a empresa de atrasos de recebimento, sazonalidade, imprevistos (manutenção, impostos, devoluções) e oportunidades (comprar com desconto, fechar um bom fornecedor). Sem reserva, qualquer oscilação vira urgência e a empresa tende a recorrer a crédito caro ou atrasar compromissos.

Como implementar (passo a passo)

  • Defina a meta de reserva: comece com um alvo simples (ex.: 1 mês de gastos fixos) e evolua para 2–3 meses conforme o negócio estabiliza.
  • Crie uma regra de aporte: separe um percentual fixo do que entra (ex.: 3% a 10% dos recebimentos) ou um valor mínimo mensal.
  • Separe em conta/caixinha específica: para não misturar com o caixa operacional do dia a dia.
  • Defina quando pode usar: apenas para eventos definidos (queda de receita, atraso relevante, emergência operacional) e com plano de reposição.

Exemplo prático: gastos fixos mensais de R$ 30.000. Meta inicial: R$ 30.000. Regra: aportar 5% dos recebimentos. Se a empresa recebe R$ 80.000/mês, aporta R$ 4.000/mês e atinge a meta em ~8 meses (sem contar rendimentos).

Política de crédito e cobrança: vender bem é receber bem

O que é

Política de crédito e cobrança é um conjunto de regras para definir: para quem vender a prazo, em quais condições, quais limites, como cobrar e o que fazer em caso de atraso. O objetivo é reduzir inadimplência e evitar que o caixa dependa de “boa vontade” do cliente.

Como criar uma política simples (passo a passo)

  • Defina critérios mínimos para vender a prazo: tempo de relacionamento, histórico de pagamento, cadastro completo, validação básica (documentos, dados de contato).
  • Crie níveis de limite: cliente novo (limite menor), cliente recorrente (limite maior), cliente com atraso recente (somente à vista).
  • Padronize prazos: evite muitos formatos. Ex.: 7/14/28 dias ou 30 dias fixo.
  • Defina gatilhos de cobrança: lembrete antes do vencimento, cobrança no dia, escalonamento após X dias.
  • Defina consequências: suspensão de novas vendas a prazo após X dias de atraso, renegociação com entrada mínima, multa/juros conforme contrato.

Roteiro de cobrança (modelo)

MomentoAçãoObjetivo
D-3 (3 dias antes)Mensagem curta confirmando vencimento e forma de pagamentoEvitar “esqueci”
D0 (dia do vencimento)Reenvio do boleto/link e confirmação de recebimentoFacilitar pagamento
D+3Contato direto (WhatsApp/telefone) perguntando previsãoObter compromisso
D+7Formalização: e-mail com resumo + proposta de regularizaçãoRegistrar e negociar
D+15Bloqueio de crédito + plano com entradaReduzir risco e recuperar

Boa prática: cobrança é processo, não improviso. Use textos padronizados e registre cada contato (data, canal, retorno, combinado).

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Controle de gastos recorrentes: o “vazamento” silencioso

O que são gastos recorrentes

São despesas que se repetem (assinaturas, softwares, telefonia, internet, manutenção, serviços terceirizados, taxas, mensalidades). Por serem automáticas, costumam crescer sem percepção e corroer margem.

Como controlar (passo a passo)

  • Liste todos os recorrentes: nome do fornecedor, valor, data de cobrança, forma de pagamento, responsável interno, contrato e vencimento.
  • Classifique em 3 níveis: essencial (para operar), importante (melhora produtividade), opcional (conforto).
  • Crie regra de revisão: todo mês revisar os 10 maiores; a cada trimestre revisar todos.
  • Defina teto por categoria: por exemplo, “softwares” não pode passar de X% das despesas administrativas.
  • Elimine duplicidades: duas ferramentas com a mesma função, planos acima do necessário, licenças ociosas.

Exemplo prático: a empresa paga 12 assinaturas. Ao revisar, encontra 3 licenças sem uso (R$ 150 cada) e troca um plano de telefonia (economia de R$ 400). Economia mensal: R$ 850. Em 12 meses: R$ 10.200.

Compras com orçamento: gastar com intenção, não por impulso

Conceito

Comprar com orçamento significa que toda compra passa por uma regra: existe um limite planejado, um motivo claro e uma comparação mínima de alternativas. Isso reduz compras emergenciais caras e melhora previsibilidade.

Política prática de compras (passo a passo)

  • Defina limites de aprovação: até R$ X (responsável da área), até R$ Y (financeiro), acima de R$ Y (diretoria/sócios).
  • Exija justificativa curta: “para quê”, “impacto esperado”, “o que acontece se não comprar”.
  • Faça cotação mínima: 2 cotações para compras médias e 3 para compras grandes (ajuste ao seu porte).
  • Padronize fornecedores: lista de preferenciais com condições negociadas.
  • Registre o pedido: data, item, valor, fornecedor, prazo, condição de pagamento, centro de custo.

Checklist rápido de compra:

  • Está dentro do orçamento do mês?
  • É essencial agora ou pode esperar?
  • Existe alternativa mais barata com mesma qualidade?
  • Qual o impacto no caixa do mês (à vista vs parcelado)?
  • Quem aprova?

Negociação com fornecedores: ganhar fôlego sem perder qualidade

O que negociar (além do preço)

  • Prazos: mais dias para pagar pode aliviar o caixa.
  • Condições: desconto à vista, parcelamento sem juros, bonificação por volume.
  • Entrega e nível de serviço: reduzir urgências e custos extras.
  • Contrato: reajustes, multas, fidelidade, SLA.

Roteiro de negociação (passo a passo)

  • Prepare dados: volume comprado, recorrência, histórico de pagamento, comparação com mercado.
  • Defina objetivo e limite: ex.: “quero +15 dias de prazo” ou “redução de 8%”.
  • Ofereça contrapartida: compra recorrente, contrato de 6–12 meses, pagamento pontual, aumento de volume.
  • Formalize: registre por e-mail/contrato para evitar “acordo de boca”.

Exemplo prático: fornecedor A custa R$ 20.000/mês com pagamento em 15 dias. Negociação: manter preço, aumentar prazo para 30 dias em troca de contrato de 12 meses. Resultado: mais fôlego no mês sem elevar custo.

Revisão mensal de despesas: um rito para cortar gordura e corrigir rota

Conceito

Revisão mensal é uma reunião curta e objetiva para comparar o que foi gasto versus o que era esperado, identificar desvios e decidir ações. Não é “caça às bruxas”; é gestão.

Como fazer em 45–60 minutos (passo a passo)

  • Separe as despesas em blocos: operacionais, administrativas, comerciais, pessoas.
  • Compare mês atual vs mês anterior e vs média dos últimos 3 meses.
  • Liste top 10 despesas e variações relevantes (ex.: aumentou mais de 10% ou mais de R$ 500, ajuste ao porte).
  • Classifique cada variação: pontual (não se repete) ou recorrente (vai continuar).
  • Defina ações com dono e prazo: renegociar, cancelar, trocar fornecedor, ajustar processo, aprovar exceção.

Modelo de registro de ação:

Despesa: Internet (Fornecedor X) | Variação: +R$ 220/mês | Tipo: recorrente | Ação: cotar 2 alternativas e renegociar | Responsável: Ana | Prazo: 10/02

Avaliação de investimentos: decidir com critérios simples

O que é “investimento” no dia a dia

Investimento aqui é qualquer gasto que promete retorno futuro: equipamento, reforma, marketing, contratação, software, treinamento, expansão. A boa prática é evitar decisões por empolgação e comparar retorno esperado com risco e impacto no caixa.

Filtro rápido de decisão (passo a passo)

  • Defina o objetivo: aumentar receita, reduzir custo, reduzir risco, aumentar capacidade.
  • Estime custo total: compra + instalação + manutenção + tempo da equipe + impostos/taxas.
  • Estime benefício mensal: receita adicional provável ou economia provável.
  • Calcule payback simples: payback = custo total / benefício mensal.
  • Teste cenário conservador: e se o benefício for 50% do esperado?
  • Cheque impacto no caixa: à vista vs parcelado; se compromete a reserva?

Exemplo prático: software custa R$ 6.000/ano e promete economizar 10 horas/mês. Se 10 horas equivalem a R$ 800/mês de custo interno, benefício mensal ~R$ 800. Payback: 6.000 / 800 = 7,5 meses. No cenário conservador (5 horas): payback 15 meses.

Endividamento consciente: usar dívida como ferramenta, não como muleta

Conceito

Dívida saudável é aquela que a empresa consegue pagar com folga e que tem motivo claro (crescimento, capital de giro planejado, investimento com retorno). Dívida ruim é a que cobre desorganização recorrente, tem custo alto e vira bola de neve.

Regras práticas antes de assumir uma dívida

  • Defina o motivo: “para quê exatamente” e qual resultado esperado.
  • Compare custo efetivo: juros, taxas, seguros, tarifas, multas.
  • Simule parcelas no pior mês: considere sazonalidade e atrasos.
  • Evite concentrar vencimentos: distribua datas para não “estourar” um único período.
  • Tenha plano de saída: como quitar/renegociar se o cenário piorar.

Checklist de alerta: se a parcela depende de “vender mais” sem plano comercial claro, ou se você precisa de nova dívida para pagar a anterior, pare e reestruture.

Painel simples de acompanhamento mensal (dashboard)

Objetivo do painel

Um painel mensal serve para enxergar rapidamente: se a empresa está gerando caixa, se os gastos estão sob controle, se a cobrança está funcionando e se há espaço para investir ou necessidade de corrigir rota. Ele deve caber em 1 página e ser atualizado em até 30–60 minutos.

Como montar (passo a passo)

  • Escolha a ferramenta: planilha é suficiente.
  • Defina período: mês fechado (ex.: janeiro) e acumulado do ano.
  • Crie 4 blocos: Resultado, Caixa, Cobrança, Eficiência de gastos.
  • Padronize metas: para cada indicador, defina um “alvo” e um “limite de atenção”.
  • Atualize sempre no mesmo dia: ex.: até o 5º dia útil do mês seguinte.

Modelo de painel (exemplo de estrutura)

BlocoIndicadorComo medir (simples)Meta/Alerta
ResultadoReceita do mêsTotal vendido no mêsMeta mensal
ResultadoLucro operacional (R$)Receita - despesas operacionaisMeta e tendência
CaixaSaldo de caixa finalSaldo no último dia do mês> 0 e crescente
CaixaReserva de caixa (R$)Valor separado para reservaMeta: 1–3 meses de fixos
CobrançaInadimplência (R$)Total vencido e não pagoAlerta acima de X
Cobrança% em atrasoVencido / total a receberAlerta acima de Y%
GastosDespesas recorrentes (R$)Soma das assinaturas/contratosTeto por categoria
GastosTop 5 despesasMaiores valores do mêsRevisar todo mês

Campos mínimos para preencher todo mês

  • Resumo numérico: receita, despesas, resultado, saldo de caixa, reserva.
  • Lista de alertas: 3 principais problemas do mês (ex.: inadimplência subiu, despesa X aumentou, fornecedor reajustou).
  • Plano de ação: 3 ações com responsável e prazo.

Rito de tomada de decisão baseado em números

Reunião mensal (roteiro de 30–60 minutos)

  • 1) Abrir o painel e validar se os números estão completos.
  • 2) Checar 5 perguntas:
    • O caixa aumentou ou diminuiu? Por quê?
    • A reserva avançou conforme a regra?
    • O que mais pressionou gastos?
    • Como está a inadimplência e o que será feito?
    • Existe decisão de investimento/dívida a tomar este mês?
  • 3) Decidir ações (no máximo 3–5) e registrar responsáveis e prazos.
  • 4) Definir travas do próximo mês: teto de compras, cortes, renegociações, foco de cobrança.

Matriz rápida para decisões (usar no painel)

DecisãoImpacto no caixaRetorno esperadoRiscoRegra
Compra/InvestimentoBaixo/Médio/AltoPayback (meses)Baixo/Médio/AltoAprovar se payback < X e não compromete reserva
Conceder prazo ao clienteMédioMargem da vendaInadimplênciaAprovar se dentro do limite e sem atrasos anteriores
Assumir dívidaAltoUso do recursoCusto e capacidade de pagamentoAprovar se parcela cabe no pior mês e há plano de saída

Disciplina que mantém o sistema funcionando

  • Uma regra por escrito para cada tema: reserva, compras, crédito/cobrança, renegociação.
  • Um responsável por atualizar o painel e cobrar prazos.
  • Um dia fixo no mês para revisão e decisões.
  • Registro de decisões: o que foi decidido, por quê, e qual número será acompanhado no mês seguinte.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao implementar uma reserva de caixa, qual prática ajuda a evitar que o dinheiro seja usado no dia a dia e garante uso apenas em situações previstas?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

A boa prática é separar a reserva do caixa operacional e estabelecer critérios de uso (apenas eventos definidos), incluindo um plano de reposição, para evitar decisões por urgência e improviso.

Próximo capitúlo

Modelo de fechamento mensal em finanças empresariais: relatório e plano de ação

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