O que é a Avaliação Psicológica em concursos da PM
A Avaliação Psicológica (também chamada de exame psicotécnico, conforme o edital) é uma etapa do concurso que busca verificar se o candidato apresenta condições psicológicas compatíveis com as exigências do serviço policial-militar. Ela não mede “inteligência” de forma isolada, nem serve para “pegar” o candidato; o objetivo é identificar padrões de funcionamento psicológico, competências e possíveis fatores de risco para atividades que envolvem pressão, tomada de decisão rápida, disciplina, porte de arma, contato com conflito e exposição a situações críticas.
Em geral, a avaliação combina instrumentos padronizados (testes psicológicos) e procedimentos complementares (entrevista, dinâmicas, inventários, questionários, observação). O resultado costuma ser expresso como “apto” ou “inapto”, com base em critérios definidos no edital e em normas técnicas da Psicologia.
Competências e traços mais avaliados (perfil esperado)
Os nomes variam entre bancas e estados, mas frequentemente a avaliação procura evidências de competências e traços como:
Controle emocional e tolerância ao estresse: manter estabilidade diante de pressão, frustração e imprevisibilidade.
Autocontrole e impulsividade: capacidade de inibir respostas precipitadas e agir com prudência.
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Atenção e concentração: sustentar foco, alternar atenção quando necessário e reduzir erros por distração.
Tomada de decisão e julgamento: avaliar riscos, escolher alternativas adequadas e responder com responsabilidade.
Disciplina, responsabilidade e confiabilidade: seguir normas, cumprir rotinas e manter consistência de conduta.
Sociabilidade e trabalho em equipe: comunicação funcional, cooperação e respeito a hierarquia e pares.
Assertividade e postura: firmeza com respeito, sem agressividade descontrolada.
Resiliência: recuperar-se de eventos difíceis e manter desempenho.
Integridade e valores: coerência entre discurso e prática, baixa propensão a condutas antissociais.
Além disso, podem ser observados indicadores de risco, como instabilidade emocional acentuada, agressividade mal modulada, baixa tolerância a regras, tendência a mentir de forma recorrente, dependência de substâncias, ou dificuldades graves de relacionamento.
Como a etapa costuma funcionar na prática
Formatos mais comuns
Aplicação coletiva de testes: em sala, com tempo controlado, instruções padronizadas e folhas de resposta.
Entrevista individual: conversa estruturada ou semiestruturada para checar histórico, rotina, motivação, manejo de conflitos e coerência das informações.
Dinâmica/atividade em grupo (quando prevista): observação de comunicação, liderança, cooperação, respeito e tomada de decisão.
Tipos de instrumentos que podem aparecer
Testes de atenção: tarefas de cancelamento, alternância e velocidade com precisão.
Raciocínio/aptidões específicas: dependendo do edital, podem ser aplicados instrumentos de aptidão cognitiva (sempre dentro das normas técnicas).
Inventários de personalidade: questionários com itens sobre preferências, reações e hábitos, com escalas de consistência.
Técnicas expressivas (quando previstas): atividades gráficas ou de produção que ajudam a compor hipóteses, sempre interpretadas em conjunto com outros dados.
Importante: não existe “gabarito” de personalidade. O que pesa é o conjunto de evidências, a consistência das respostas e a compatibilidade com o perfil exigido.
Estratégias de preparação (sem tentar “burlar” o teste)
Preparar-se não significa decorar respostas ou fingir um perfil. A preparação eficaz é reduzir variáveis que atrapalham o desempenho (ansiedade, sono ruim, desorganização) e aumentar autoconhecimento e coerência.
1) Entenda o que o edital cobra
Leia a parte do edital sobre avaliação psicológica e anote: objetivos, critérios, possibilidade de entrevista, documentos exigidos, regras de recurso e se há perfil profissiográfico descrito. Se houver lista de características desejáveis/indesejáveis, transforme isso em um checklist de autoconhecimento.
2) Faça um diagnóstico do seu funcionamento sob pressão
Mapeie como você reage em situações típicas do serviço: ser contrariado, receber ordem, lidar com injustiça percebida, trabalhar cansado, enfrentar conflito verbal. Use perguntas objetivas:
Quando fico irritado, eu elevo o tom? interrompo? ironizo?
Eu ajo no impulso e me arrependo depois?
Eu consigo manter foco em tarefas repetitivas?
Como lido com críticas e correções?
Se identificar padrões problemáticos (por exemplo, explosões de raiva, ansiedade incapacitante, uso de álcool para “regular” emoções), busque acompanhamento profissional. Isso não é “treino para passar”, é cuidado real com desempenho e saúde.
3) Treine comportamento de prova: atenção, ritmo e precisão
Em testes de atenção, o erro mais comum é acelerar e perder precisão. O treino adequado é aprender a manter ritmo constante e checar marcações.
Exercício prático (10 a 15 minutos): escolha uma tarefa repetitiva e cronometrada (por exemplo, localizar e marcar um padrão em uma página de símbolos ou letras). O objetivo é manter constância, não “disparar” no início e cair no final. Ao terminar, revise rapidamente se pulou linhas, se marcou fora do padrão e se manteve sequência.
O que observar: queda de desempenho após 5 minutos, pressa ao final, perda de linha, marcações duplicadas. Ajuste ritmo e postura.
4) Prepare-se para a entrevista: coerência e objetividade
A entrevista costuma avaliar consistência entre histórico, motivação e comportamento. Respostas longas, defensivas ou contraditórias tendem a piorar a impressão. Treine falar com clareza, sem exageros.
Tópicos frequentes e como estruturar:
Motivação: explique por que a PM e por que você se encaixa (disciplina, serviço, rotina operacional), sem romantizar violência ou “poder”.
Histórico de trabalho/estudo: destaque responsabilidade, pontualidade, convivência com regras e hierarquia.
Conflitos: descreva um conflito real e como resolveu (fatos → ação → resultado → aprendizado).
Autocrítica: cite um ponto a desenvolver e o que faz para melhorar (ex.: “ansiedade antes de provas; organizo sono, treino respiração e faço simulações”).
Exemplo de resposta objetiva (conflito):
Fato: No trabalho, um colega atrasava entregas e isso recaía no time. Ação: Conversei em particular, alinhei prazos e propus dividir etapas com checkpoints. Resultado: Reduzimos retrabalho e os atrasos diminuíram. Aprendizado: Prefiro resolver com comunicação direta e registro de combinados.5) Controle de ansiedade no dia (protocolos simples)
Ansiedade moderada é normal; o problema é quando ela altera atenção e impulsividade. Use um protocolo curto e repetível.
Passo a passo (5 minutos antes de iniciar):
Respiração cadenciada: inspire pelo nariz por 4 segundos, segure 2, expire por 6. Repita 6 ciclos.
Aterramento: identifique 5 coisas que vê, 4 que sente (contato do pé no chão, cadeira), 3 que ouve, 2 cheiros, 1 sensação interna. Isso reduz “ruminação”.
Auto-instrução curta: “Ritmo constante, precisão primeiro, uma linha por vez.”
6) Cuidados práticos para não perder desempenho
Sono: priorize 7–9 horas na noite anterior; evite virar a noite “revisando”.
Estimulantes: não aumente cafeína de última hora se você não está habituado; pode elevar tremor e ansiedade.
Alimentação: refeição leve e conhecida; evite jejum prolongado.
Chegada: antecedência para reduzir estresse e evitar ativação emocional desnecessária.
Postura em sala: siga instruções, não discuta regras, não tente “negociar” tempo; isso pode ser observado como baixa tolerância a normas.
Erros que mais reprovam (e como evitar)
Tentar “forçar” um personagem
Inventários de personalidade frequentemente têm escalas de consistência e itens repetidos com variações. Responder como “perfeito” em tudo pode gerar perfil artificial. Estratégia correta: responda com honestidade e equilíbrio, sem extremos irreais.
Incoerência entre questionários e entrevista
Se o candidato se descreve como calmo e paciente, mas relata brigas frequentes, punições disciplinares ou reações explosivas, a discrepância pesa. Estratégia correta: reconheça dificuldades reais e mostre como lida com elas.
Impulsividade na execução dos testes
Marcar rápido demais, pular linhas, não conferir instruções e errar por pressa. Estratégia correta: leia instruções, faça as primeiras linhas em ritmo moderado e estabilize.
Postura inadequada com avaliadores e equipe
Ironia, hostilidade, desrespeito, tentativas de intimidação ou “bancar autoridade” são sinais negativos. Estratégia correta: comunicação objetiva, respeitosa e colaborativa.
Passo a passo de preparação nas 2 semanas anteriores
Checklist diário (10 a 20 minutos)
1) Autopercepção: registre em 3 linhas como foi seu controle emocional no dia (gatilhos, reação, ajuste).
2) Treino de atenção: 10 minutos de tarefa cronometrada com foco em precisão.
3) Rotina de sono: horário fixo para deitar e acordar (consistência vale mais que “compensar” no fim de semana).
4) Conduta: evite discussões desnecessárias e situações de risco (brigas, direção agressiva, consumo excessivo de álcool).
Simulação de entrevista (2 a 3 vezes)
Treine com alguém de confiança ou sozinho gravando áudio. Responda em 60 a 90 segundos por pergunta. Refaça até ficar claro e coerente.
Perguntas para treino:
Por que você quer ser policial militar?
O que você entende por disciplina e hierarquia na prática?
Conte uma situação em que você errou e como corrigiu.
Como você reage quando recebe uma ordem com a qual discorda?
Como lida com pressão e cansaço?
No dia da avaliação: roteiro operacional
1) Documentos e logística: confira local, horário, documento, caneta e regras.
2) Chegada antecipada: reduza pressa e ativação emocional.
3) Leitura de instruções: antes de iniciar qualquer teste, confirme o que deve marcar e como corrigir erros.
4) Ritmo constante: priorize precisão; evite “arrancada” inicial.
5) Entrevista: responda com fatos, sem dramatização; se não souber, diga que não lembra com exatidão em vez de inventar.
6) Pós-etapa: mantenha conduta adequada até sair do local; observações podem ocorrer em toda a permanência.