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Analista do Seguro Social - Serviço Social: Preparação para o Concurso do INSS

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Atribuições do Analista do Seguro Social – Serviço Social no INSS

Capítulo 1

Tempo estimado de leitura: 12 minutos

+ Exercício

Competências, responsabilidades e limites de atuação

O Analista do Seguro Social – Serviço Social no INSS atua na proteção social do usuário, contribuindo para o acesso qualificado aos direitos previdenciários e assistenciais, por meio de ações técnicas do Serviço Social no âmbito institucional. Na prática, isso envolve acolher demandas, orientar, realizar avaliação social quando prevista, acompanhar situações complexas e articular recursos da rede socioassistencial e de outras políticas públicas, sempre conforme normativas internas e legislação aplicável.

Competências centrais no cotidiano do INSS

  • Acolhimento e escuta qualificada: receber o usuário, compreender a demanda e identificar necessidades imediatas e riscos sociais relacionados ao acesso a direitos.

  • Orientação social e previdenciária em linguagem acessível: explicar fluxos, documentos, canais e etapas, reduzindo barreiras de acesso e prevenindo indeferimentos por falhas evitáveis.

  • Avaliação social: produzir análise técnica sobre condições sociais e funcionais do requerente e de seu contexto, quando o processo administrativo exigir esse subsídio.

  • Acompanhamento social: monitorar casos que demandam continuidade (ex.: vulnerabilidade, violação de direitos, dificuldades de acesso a serviços), dentro das possibilidades e atribuições institucionais.

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  • Articulação com a rede: acionar e dialogar com serviços do SUAS, SUS, educação, trabalho, justiça e organizações da sociedade civil, para encaminhamentos e construção de respostas intersetoriais.

  • Produção técnica e comunicação institucional: registrar atendimentos, elaborar relatórios/pareceres quando cabível e comunicar achados relevantes às áreas internas, respeitando sigilo e finalidade.

Responsabilidades institucionais

  • Garantir atendimento ético e respeitoso, com foco em dignidade, não discriminação e acessibilidade.

  • Assegurar qualidade do registro: informações completas, objetivas, verificáveis e alinhadas ao processo administrativo.

  • Atuar com base em evidências documentais e observações técnicas, evitando juízos morais ou conclusões sem suporte.

  • Preservar sigilo profissional, compartilhando informações apenas no estrito interesse do processo e conforme regras internas.

  • Contribuir para a resolutividade: orientar corretamente, reduzir retrabalho e encaminhar adequadamente para rede e áreas internas.

Limites de atuação (o que não cabe ao Serviço Social no INSS)

  • Não decidir concessão/indeferimento: a decisão administrativa segue competências específicas e critérios legais; o Serviço Social subsidia quando previsto, mas não substitui a autoridade decisória.

  • Não realizar perícia médica: avaliação médica é atribuição própria; a avaliação social não é “laudo médico” e não deve extrapolar para diagnósticos clínicos.

  • Não prometer resultados: orientar com transparência sobre prazos, etapas e possibilidades, sem garantir concessão.

  • Não atuar como representante do usuário no sentido de advocacia administrativa; a atuação é técnica e institucional, voltada ao acesso e à qualificação do processo.

  • Não expor dados sensíveis: informações pessoais devem ser tratadas com finalidade, necessidade e proporcionalidade.

Principais processos de trabalho do Serviço Social no INSS

1) Acolhimento

O acolhimento é a porta de entrada do atendimento social: envolve recepção, escuta e identificação do que o usuário precisa naquele momento, incluindo barreiras de acesso (documentação, letramento digital, mobilidade, comunicação, violência, ausência de rede familiar).

Passo a passo prático do acolhimento

  • 1. Identificar a demanda principal: “Qual é o objetivo do atendimento hoje?” (ex.: requerimento, recurso, cumprimento de exigência, orientação).

  • 2. Mapear urgências e vulnerabilidades: risco social, falta de renda, situação de rua, violência, ausência de cuidador, barreiras de acessibilidade.

  • 3. Verificar o estágio do processo: se há requerimento aberto, exigência pendente, agendamento, prazo de recurso.

  • 4. Definir a resposta imediata: orientação, encaminhamento interno, encaminhamento à rede, agendamento de avaliação social (quando aplicável).

  • 5. Registrar o atendimento: síntese objetiva do que foi relatado, do que foi orientado e do encaminhamento realizado.

2) Orientação

A orientação é uma intervenção técnica que traduz regras e procedimentos em linguagem compreensível, com foco em autonomia do usuário e redução de erros no processo. Inclui explicar documentos, prazos, canais de atendimento, formas de comprovação e como cumprir exigências.

Boas práticas na orientação

  • Checar compreensão: pedir ao usuário para repetir com suas palavras os próximos passos.

  • Organizar por prioridade: o que é urgente (prazo) e o que pode ser feito depois.

  • Indicar alternativas: quando há barreiras (ex.: dificuldade de acesso digital), orientar sobre canais e apoios possíveis.

  • Evitar jargões: substituir termos técnicos por explicações diretas.

3) Avaliação social

A avaliação social é um produto técnico do Serviço Social que analisa, de forma fundamentada, o contexto social do requerente e os impactos das condições de vida no acesso a direitos e na funcionalidade cotidiana, quando o processo administrativo demandar esse subsídio. Ela se baseia em entrevista, observações técnicas e documentos apresentados, com foco em elementos socialmente relevantes para o caso.

Estrutura prática de uma avaliação social (roteiro de coleta)

  • Identificação e composição familiar: quem reside, vínculos, responsabilidades de cuidado.

  • Renda e despesas: fontes, instabilidade, gastos relevantes (medicação, transporte, aluguel).

  • Condições de moradia e território: acesso a serviços, transporte, barreiras ambientais.

  • Rede de apoio: familiares, vizinhos, serviços públicos, organizações.

  • Rotina e funcionalidade: atividades diárias, necessidade de apoio de terceiros, barreiras para autonomia.

  • Acesso a políticas públicas: saúde, assistência, educação, reabilitação, benefícios e serviços.

  • Riscos e violações de direitos: negligência, violência, abandono, exploração, quando relatados ou identificados.

Cuidados técnicos na avaliação social

  • Objetividade: descrever fatos e evidências, distinguindo relato do usuário, observação profissional e documentação.

  • Finalidade: coletar apenas o necessário para responder ao que o processo exige.

  • Imparcialidade: evitar linguagem estigmatizante e julgamentos morais.

  • Rastreabilidade: indicar fontes (documentos, entrevista, visita quando prevista, contatos institucionais).

4) Acompanhamento social

O acompanhamento ocorre quando a complexidade do caso exige continuidade para garantir acesso a direitos e reduzir riscos sociais. No INSS, ele costuma se concentrar em orientar etapas subsequentes, monitorar cumprimento de exigências, apoiar a articulação com rede e registrar evolução do caso, respeitando a capacidade institucional e os fluxos estabelecidos.

Passo a passo prático do acompanhamento

  • 1. Definir objetivo do acompanhamento: por exemplo, “garantir que o usuário cumpra exigência documental e acesse serviço de referência”.

  • 2. Estabelecer plano de ações: tarefas do usuário, do INSS (orientações/encaminhamentos) e da rede.

  • 3. Fixar prazos e pontos de checagem: datas de retorno, prazos processuais e contatos institucionais.

  • 4. Registrar cada interação: o que avançou, pendências e próximos passos.

  • 5. Encaminhar quando extrapolar competência: situações de proteção social continuada devem ser referenciadas na rede (ex.: CRAS/CREAS, saúde mental, proteção à mulher).

5) Articulação com a rede

A articulação com a rede é a capacidade de conectar o usuário a serviços e políticas públicas para responder a necessidades que o INSS não supre diretamente (acolhimento institucional, benefícios eventuais, acompanhamento familiar, reabilitação, tratamento, proteção contra violência). Essa articulação deve ser feita com comunicação institucional adequada e registro do encaminhamento.

Passo a passo prático para encaminhamento à rede

  • 1. Identificar o serviço adequado: exemplo: CRAS (proteção básica), CREAS (violação de direitos), UBS/CAPS (saúde), Defensoria (orientação jurídica).

  • 2. Explicar ao usuário o motivo e o que levar: documentos, comprovantes, relato do que será solicitado.

  • 3. Formalizar o encaminhamento: quando aplicável, por registro institucional, documento/declaração ou contato com o serviço.

  • 4. Registrar o encaminhamento: data, serviço, motivo, orientações dadas e retorno esperado.

  • 5. Monitorar retorno quando necessário: especialmente em casos de alta vulnerabilidade.

Produtos técnicos esperados

Os produtos técnicos são entregas do trabalho profissional que subsidiam o processo administrativo e qualificam o atendimento. Eles devem ser claros, objetivos, fundamentados e compatíveis com a finalidade institucional.

Principais entregas e características

  • Registro de atendimento: síntese do acolhimento/orientação, demanda, encaminhamentos, prazos e orientações fornecidas.

  • Relatório social: descrição e análise do contexto social, com informações relevantes, fontes e encaminhamentos sugeridos, quando previsto.

  • Parecer social: manifestação técnica conclusiva sobre questão específica demandada pelo processo, com fundamentação e limites explícitos.

  • Plano de acompanhamento: objetivos, ações, responsabilidades e prazos, quando houver continuidade.

  • Encaminhamentos formais: registros e comunicações para rede e/ou áreas internas.

Modelo de estrutura para registro objetivo (exemplo)

Demanda: usuário busca orientação sobre exigência pendente e relata ausência de renda e dificuldade de locomoção. Fonte: entrevista presencial. Ação realizada: orientado sobre documentos necessários, prazo e canal para envio; realizado encaminhamento ao CRAS do território para avaliação de benefícios eventuais e acompanhamento. Observações técnicas: usuário apresenta barreiras de acessibilidade e rede de apoio limitada. Próximos passos: retorno em X dias para checagem do cumprimento da exigência.

Interfaces com outras áreas do INSS

O Serviço Social atua de forma integrada com outras áreas para garantir coerência institucional, evitar retrabalho e assegurar que o usuário receba orientação consistente. A interface não significa sobreposição de competências, mas cooperação com troca de informações pertinentes e encaminhamentos internos.

Interações típicas

  • Atendimento/triagem e gestão de requerimentos: alinhamento sobre fluxos, exigências, prazos e necessidade de orientação qualificada ao usuário.

  • Perícia/avaliações técnicas: quando houver avaliação social prevista, manter coerência de informações e respeitar competências (social x médica), evitando interpretações clínicas.

  • Reabilitação profissional e ações correlatas: orientar o usuário sobre fluxos e articular com serviços externos quando necessário.

  • Ouvidoria e comunicação institucional: qualificar respostas e registros quando a demanda envolver reclamações, conflitos ou necessidade de esclarecimento formal.

  • Gestão e chefias: sinalizar gargalos recorrentes (ex.: barreiras de acessibilidade, falhas de comunicação ao usuário) e propor ajustes de fluxo.

Situações típicas de atendimento (com conduta esperada)

Situação 1: Usuário com baixa escolaridade e dificuldade digital para cumprir exigência

Contexto: o usuário recebeu exigência para anexar documentos, mas não consegue usar meios digitais e teme perder o prazo.

  • Conduta: acolher, verificar prazo, listar documentos em linguagem simples, orientar alternativas de envio e organizar um “checklist” de providências.

  • Encaminhamentos: se necessário, acionar rede local para apoio (ex.: CRAS/serviços comunitários) sem transferir indevidamente responsabilidade do INSS.

  • Registro: prazo informado, documentos orientados, canal sugerido, barreira identificada e encaminhamento realizado.

Situação 2: Pessoa com deficiência com barreiras de acessibilidade e ausência de cuidador

Contexto: o usuário relata dificuldade para deslocamento, dependência para atividades diárias e falta de apoio familiar.

  • Conduta: escuta qualificada, identificar barreiras ambientais e de apoio, orientar sobre fluxos institucionais e, quando previsto, realizar avaliação social com foco em funcionalidade e contexto.

  • Articulação: encaminhar para serviços de saúde/reabilitação e assistência social do território, conforme necessidade.

  • Registro: descrever limitações funcionais relatadas, rede de apoio, condições de moradia e encaminhamentos, distinguindo relato e observação.

Situação 3: Conflito no atendimento e comunicação institucional

Contexto: usuário chega irritado por indeferimento e exige “reverter na hora”.

  • Conduta: manter postura calma, explicar limites de atuação, orientar sobre vias adequadas (recurso, revisão, novo requerimento quando cabível), checar prazos e documentos.

  • Comunicação: usar linguagem institucional, evitar promessas, registrar orientações e, se houver ameaça/risco, seguir protocolos internos de segurança.

  • Registro: demanda, orientações, prazos, encaminhamentos e eventuais intercorrências relevantes, sem adjetivações.

Situação 4: Indícios de violação de direitos (violência, negligência, exploração)

Contexto: durante a entrevista, surgem relatos de violência doméstica ou exploração financeira.

  • Conduta: acolher sem julgamento, avaliar risco imediato, orientar sobre serviços de proteção e canais adequados, respeitando sigilo e protocolos.

  • Articulação: encaminhar para CREAS/serviços especializados e, quando houver risco iminente, orientar busca de proteção emergencial conforme rede local.

  • Registro: registrar de forma técnica e cuidadosa, com foco no necessário para encaminhamento e proteção, evitando exposição excessiva de detalhes sensíveis.

Registros, comunicação e postura profissional

O que é exigido em termos de registros

  • Clareza e objetividade: registrar o essencial para compreensão do caso e do encaminhamento.

  • Separação entre fato, relato e análise: indicar quando algo foi dito pelo usuário, quando foi observado e qual é a interpretação técnica.

  • Coerência com o processo: registrar informações pertinentes ao objetivo do atendimento e ao procedimento em curso.

  • Rastreabilidade: datas, documentos apresentados, contatos realizados, serviços acionados e prazos informados.

  • Proteção de dados: evitar inserir dados sensíveis desnecessários; usar apenas o indispensável para a finalidade.

Comunicação institucional (como se comunicar dentro e fora do INSS)

  • Com o usuário: linguagem simples, orientação por etapas, confirmação de entendimento, transparência sobre limites e prazos.

  • Com a rede: encaminhamentos objetivos, com identificação do motivo e do que se espera do serviço, respeitando sigilo e compartilhando apenas o necessário.

  • Com outras áreas internas: comunicação focada em fluxos e necessidades do processo (ex.: necessidade de avaliação social, barreiras de acesso, pendências documentais), evitando opiniões pessoais.

Postura profissional esperada

  • Ética e respeito: acolher sem discriminação e sem culpabilização do usuário.

  • Neutralidade técnica: atuar com base em critérios e evidências, sem “tomar partido” no sentido de extrapolar a função institucional.

  • Foco na resolutividade: orientar para próximos passos concretos, com prazos e responsabilidades claras.

  • Gestão de tempo e prioridade: equilibrar escuta qualificada com objetividade, especialmente em unidades com alta demanda.

  • Trabalho em equipe: reconhecer interfaces, encaminhar corretamente e manter alinhamento com fluxos internos.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Em um atendimento no INSS, qual conduta está de acordo com os limites de atuação do Serviço Social ao lidar com um usuário que exige “reverter na hora” um indeferimento?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

A atuação do Serviço Social é técnica e institucional: orienta, checa fluxos/prazos/documentos, encaminha quando necessário e registra com objetividade. Não cabe decidir concessão/indeferimento nem prometer resultados.

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