O que são “canais de entrada” e por que eles importam
Canais de entrada são os meios formais pelos quais a prefeitura recebe solicitações e manifestações do cidadão, registra essas informações, encaminha para as áreas responsáveis e devolve uma resposta. Na prática, eles organizam o “primeiro contato” e garantem rastreabilidade: quem pediu, o que pediu, quando pediu, para onde foi encaminhado e qual foi o desfecho.
Os três pilares mais comuns são: protocolo (porta de entrada para requerimentos e solicitações), ouvidoria (canal de manifestações e controle social) e transparência/LAI (acesso a informações públicas e acompanhamento).
Tipos de demanda: serviço x manifestação
1) Demanda de serviço (pedido operacional)
É quando o cidadão solicita uma ação concreta da prefeitura no território ou em um equipamento público. Exemplos: tapa-buraco, troca de lâmpada, recolhimento de entulho, poda de árvore, limpeza de bueiro, manutenção em escola.
- Resultado esperado: execução do serviço (ou justificativa técnica/legal de não execução).
- Área típica de tratamento: setor operacional (obras, zeladoria, meio ambiente, iluminação, trânsito etc.).
- Informações essenciais: endereço completo, ponto de referência, fotos, descrição objetiva, urgência e risco.
2) Manifestação (avaliação, reclamação, denúncia, sugestão)
É quando o cidadão se manifesta sobre atendimento, conduta, qualidade, irregularidade ou propõe melhorias. Exemplos: reclamação de mau atendimento em unidade, denúncia de possível irregularidade, elogio a equipe, sugestão de mudança de rota de ônibus.
- Resultado esperado: resposta formal, apuração quando cabível e providências administrativas.
- Área típica de tratamento: ouvidoria e, conforme o caso, corregedoria, controle interno, secretaria responsável, comissão de sindicância.
- Informações essenciais: fatos, datas, local, envolvidos (se houver), evidências, e se deseja sigilo.
Como evitar erro de canal
Um erro comum é registrar como “reclamação” algo que é “serviço” (ou vice-versa). Isso atrasa o fluxo porque a triagem precisa reclassificar e reenviar. Uma regra prática: se o pedido é “faça algo no local”, é demanda de serviço; se o pedido é “avaliar/explicar/apurar algo”, é manifestação.
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Protocolo: presencial e digital
O que é protocolo
Protocolo é o registro formal de um pedido do cidadão (ou de um documento) que gera um número e cria rastreabilidade. Pode existir como balcão presencial (atendimento ao público) e como portal/app/WhatsApp institucional (quando regulamentado) com integração ao sistema de gestão de demandas.
O que costuma entrar via protocolo
- Requerimentos (ex.: solicitação de poda, alvará, certidões, segunda via, autorização, inclusão em cadastro).
- Solicitações de serviço (quando a prefeitura usa protocolo como canal de zeladoria).
- Entrega de documentos para instruir um pedido (anexos, formulários, declarações).
Passo a passo prático do protocolo (presencial ou digital)
- Identificação do solicitante: nome, CPF/CNPJ quando necessário, contato (telefone/e-mail) e, se aplicável, endereço do solicitante.
- Registro do objeto: descrição clara do pedido, local exato, anexos (fotos, documentos), e categoria (serviço, requerimento, informação).
- Geração do número de protocolo: comprovante para o cidadão com data/hora e canal.
- Triagem: conferência de dados mínimos e classificação (tipo, prioridade, área responsável).
- Encaminhamento: envio ao setor competente com prazo interno e responsável designado.
- Tratamento: análise técnica/administrativa, diligências, vistorias, autorizações e execução quando aplicável.
- Resposta ao cidadão: conclusão, indeferimento fundamentado, pedido de complementação ou previsão de execução.
- Baixa/encerramento: registro do desfecho, data, evidências (foto do serviço, relatório de vistoria) e classificação final.
Boas práticas de registro (para reduzir retrabalho)
- Endereço padronizado (logradouro, número, bairro, CEP) e ponto de referência.
- Descrição objetiva: “poda de galhos encostando na rede elétrica” é melhor do que “árvore perigosa”.
- Fotos com data e ângulo que mostre contexto (calçada, fiação, placa da rua).
- Critério de urgência: risco imediato (queda iminente, bloqueio de via, risco elétrico) deve ser marcado e justificado.
Ouvidoria: manifestações e tratamento com imparcialidade
O que é ouvidoria
Ouvidoria é o canal institucional para receber reclamações, denúncias, elogios, sugestões e solicitações (dependendo do desenho local), garantindo registro, encaminhamento, acompanhamento e resposta. A ouvidoria atua como ponte entre cidadão e administração e como indutora de melhoria do atendimento.
Tipos de manifestação e como são tratados
- Reclamação: aponta insatisfação com serviço/atendimento; exige resposta e, quando cabível, correção do processo.
- Denúncia: relata possível irregularidade; pode demandar apuração, preservação de sigilo e encaminhamento a instâncias de controle.
- Sugestão: proposta de melhoria; deve ser analisada e respondida com viabilidade e encaminhamento.
- Elogio: reconhecimento; deve ser registrado e encaminhado à unidade para reforço de boas práticas.
- Solicitação: quando a ouvidoria também recebe pedidos de serviço; idealmente deve ser convertida em demanda operacional e encaminhada ao setor executor.
Passo a passo prático na ouvidoria
- Recebimento (telefone, formulário, presencial, e-mail, sistema).
- Registro e classificação (tipo de manifestação, tema, unidade envolvida, local, prioridade).
- Análise de admissibilidade: checar se há elementos mínimos (fatos, datas, local). Se faltar, solicitar complementação.
- Encaminhamento à unidade competente para resposta técnica/administrativa, com prazo.
- Acompanhamento: cobrança de retorno, reencaminhamento se houver erro de unidade, escalonamento quando necessário.
- Resposta ao cidadão: clara, objetiva, com providências adotadas ou justificativa.
- Encerramento: registro do desfecho e categorização para relatórios (tendências, reincidências).
Sigilo e proteção do manifestante
Em denúncias e situações sensíveis, a ouvidoria pode registrar com reserva de identidade e limitar o compartilhamento de dados pessoais ao estritamente necessário. Isso aumenta a confiança no canal e reduz risco de retaliação.
Transparência e pedidos de informação (LAI)
Transparência ativa x passiva
- Ativa: informações que a prefeitura publica espontaneamente (despesas, contratos, estrutura, relatórios, dados de obras).
- Passiva: informações fornecidas sob demanda do cidadão por meio de pedido de acesso à informação.
Quando o cidadão deve usar pedido de informação
Use quando a necessidade é obter dados, documentos ou esclarecimentos que já existem na administração (ex.: cópia de contrato, relatório de fiscalização, critérios de fila de espera, quantitativo de servidores por unidade). Não é o canal ideal para pedir execução de serviço (ex.: “façam tapa-buraco”), pois isso é demanda operacional.
Passo a passo prático do pedido de informação
- Formulação do pedido: descreva exatamente qual informação/documento deseja e, se possível, período e unidade.
- Registro: gera número de acompanhamento.
- Triagem: verificar se é informação pública, se já está publicada (transparência ativa) e qual área detém a informação.
- Busca e consolidação: a área responsável localiza documentos e prepara resposta.
- Resposta: entrega do conteúdo, indicação de onde está publicado, ou justificativa legal quando houver restrição.
Tempos de resposta: como pensar prazos na rotina
Os prazos variam conforme norma local e tipo de demanda, mas a gestão eficiente costuma separar três camadas de tempo:
- Tempo de registro: idealmente imediato (no atendimento) ou em até 1 dia útil para canais que recebem fora do horário.
- Tempo de triagem e encaminhamento: normalmente 1 a 3 dias úteis, dependendo do volume e da qualidade das informações recebidas.
- Tempo de solução: depende do tipo (serviço simples x serviço com vistoria, autorização, equipe e agenda).
Para manifestações e pedidos de informação, é comum trabalhar com prazo de resposta (responder ao cidadão) mesmo quando a solução final depende de execução futura. Nesse caso, a resposta deve informar: providências adotadas, status, previsão e como acompanhar.
Como as áreas internas registram e encaminham (visão operacional)
Para funcionar, o fluxo interno precisa de registros mínimos padronizados. Em geral, cada encaminhamento gera uma “tarefa” para uma unidade, com responsável e prazo. Um modelo simples de campos que ajudam a evitar perda de informação:
| Campo | Exemplo | Por que importa |
|---|---|---|
| Número do protocolo | 2026-000123 | Rastreabilidade e auditoria |
| Categoria | Serviço > Arborização > Poda | Direciona para a equipe certa |
| Local | Rua X, nº 100, Bairro Y | Evita deslocamento errado |
| Descrição | Galhos encostando na fiação | Define risco e prioridade |
| Anexos | 3 fotos | Ajuda triagem e vistoria |
| Prioridade | Alta (risco elétrico) | Organiza fila de atendimento |
| Encaminhamento | Meio Ambiente / Iluminação | Integra áreas quando necessário |
| Prazo interno | 5 dias úteis para vistoria | Permite cobrança e gestão |
| Status | Em vistoria / Autorizado / Executado | Comunicação com o cidadão |
Exemplo completo: pedido de poda de árvore (do registro ao retorno)
Cenário
Um cidadão solicita poda de uma árvore em via pública porque galhos estão avançando sobre a calçada e encostando na fiação, com risco para pedestres e interrupção de energia.
1) Registro do pedido
- Canal: protocolo digital (portal/app) ou presencial.
- Dados coletados: nome e contato do solicitante; endereço completo; descrição do risco; fotos mostrando a árvore e a fiação; ponto de referência (ex.: “em frente ao nº 100, ao lado do mercado”).
- Saída para o cidadão: número de protocolo e orientação de acompanhamento.
2) Triagem e classificação
- Classificação: Demanda de serviço > Arborização urbana > Poda.
- Checagem de completude: se faltar endereço/fotos, o atendente solicita complementação antes de encaminhar.
- Prioridade: marcada como alta se houver risco (fiação, queda iminente, bloqueio de passagem).
3) Encaminhamento para a área responsável
O protocolo é encaminhado para a equipe responsável por arborização (ou setor de meio ambiente/zeladoria). Se houver interação com rede elétrica, pode haver encaminhamento paralelo para a área que coordena interface com concessionária ou para equipe de iluminação pública, conforme regra local.
- Prazo interno típico: vistoria em até X dias úteis (definido pela prefeitura).
- Registro interno: criação de ordem de serviço vinculada ao protocolo.
4) Vistoria técnica no local
Um técnico realiza vistoria para definir o tipo de intervenção:
- Confirmação: árvore em área pública? há risco real? qual espécie e porte?
- Tipo de ação: poda de limpeza, poda de levantamento de copa, poda de adequação, ou necessidade de supressão (quando permitido).
- Condições de segurança: necessidade de isolamento de área, sinalização, equipe especializada, e eventual apoio externo.
Registro da vistoria deve incluir data, fotos, recomendação técnica e, quando aplicável, indicação de necessidade de autorização formal.
5) Autorização e programação do serviço
Com base na vistoria, a área emite autorização/ordem de serviço e agenda a execução:
- Se for poda simples: programação direta na rota da equipe.
- Se envolver fiação: coordenação de data/horário com medidas de segurança e, se necessário, interface com concessionária.
- Se houver impedimento: por exemplo, árvore em área privada (dentro do lote) ou pedido incompatível com normas ambientais; nesse caso, o protocolo deve registrar o motivo e orientar o cidadão sobre o procedimento correto.
6) Execução
A equipe executa a poda conforme orientação técnica, com registro mínimo:
- Data e equipe (para controle e prestação de contas).
- Serviço realizado (tipo de poda, quantidade aproximada, observações).
- Destinação dos resíduos (recolhimento e transporte, quando aplicável).
- Evidências: fotos do antes/depois anexadas ao protocolo.
7) Retorno ao cidadão e encerramento
Após a execução (ou após decisão de não executar), o cidadão recebe resposta pelo canal disponível:
- Se executado: informar data da execução, descrição do que foi feito e, se pertinente, orientações (ex.: manter calçada desobstruída durante o serviço).
- Se não executado: justificar de forma objetiva (ex.: “árvore localizada dentro do imóvel; responsabilidade do proprietário”) e orientar próximos passos.
- Encerramento: status final no sistema (executado/indeferido/encaminhado), anexos e observações para histórico.
Checklist rápido para atendimento: o que perguntar em cada canal
Para demanda de serviço (ex.: poda, tapa-buraco)
- Qual é o endereço completo e ponto de referência?
- O que exatamente precisa ser feito?
- Há risco imediato (queda, choque, acidente)?
- Há fotos ou vídeo?
- O local é área pública ou dentro de imóvel?
- Qual o melhor contato para retorno?
Para manifestação (reclamação/denúncia)
- O que aconteceu (fatos) e quando?
- Onde ocorreu e qual unidade/serviço envolvido?
- Há nomes, documentos, protocolos anteriores ou evidências?
- Deseja sigilo de identidade?
- Qual retorno espera (explicação, apuração, providência)?
Para pedido de informação
- Qual documento/dado específico você quer?
- Qual período e qual área/assunto?
- Você aceita receber por e-mail/arquivo digital?
- Você já consultou o portal de transparência (para evitar duplicidade)?