Artefatos essenciais do PMI: o conjunto mínimo que aumenta controle e reduz retrabalho

Capítulo 15

Tempo estimado de leitura: 12 minutos

+ Exercício

O que são “artefatos essenciais” e por que usar um conjunto mínimo

Artefatos são documentos, registros ou quadros que tornam o trabalho do projeto visível, rastreável e alinhado. A proposta aqui é usar versões enxutas: poucos artefatos, com conteúdo mínimo suficiente para orientar decisões, reduzir retrabalho e facilitar a coordenação. Um bom artefato “paga o próprio custo” quando evita dúvidas recorrentes, desalinhamento e redecisões.

Princípios para manter enxuto (e útil)

  • Um dono por artefato: alguém responsável por manter atualizado (não significa fazer tudo sozinho).
  • Atualização por evento: atualizar quando algo muda (escopo, prazo, custo, decisão), não por ritual.
  • Formato simples: 1 página quando possível; tabelas curtas; links para detalhes.
  • Fonte única da verdade: um local oficial onde todos consultam.
  • Revisão cadenciada: periodicidade curta e objetiva para verificar se ainda reflete a realidade.

Governança simples (para todos os artefatos)

Onde salvar (regra prática)

  • Pasta do projeto com subpastas: 01_Iniciacao, 02_Planejamento, 03_Execucao, 04_Controle, 05_Encerramento.
  • Um “hub” (ex.: página/arquivo índice) com links para cada artefato e sua versão atual.
  • Evite anexos em e-mail: e-mail só aponta o link do artefato.

Como nomear versões (regra prática)

Use um padrão que permita identificar rapidamente o que é, de qual projeto e qual a versão.

[Projeto]_[Artefato]_[YYYY-MM-DD]_v[major].[minor]

Exemplo: ProjetoX_TermoAbertura_2026-01-15_v1.0

  • v1.0: aprovado/baseline.
  • v1.1: ajuste pequeno (texto, clarificação, contato).
  • v2.0: mudança relevante (escopo/prazo/orçamento/abordagem).

Periodicidade de revisão (regra prática)

  • Semanal: cronograma/marcos, log de decisões, log de mudanças (se houver mudanças frequentes).
  • Quinzenal: riscos (ou semanal em projetos críticos).
  • Mensal: orçamento (ou quinzenal se houver gasto intenso).
  • Por evento: requisitos/EAP quando houver mudança aprovada; plano de comunicação quando mudar stakeholder/canal/ritmo.

1) Termo de Abertura (Project Charter) — autorização e alinhamento inicial

Artefato que formaliza o projeto: por que existe, o que pretende entregar, quem patrocina e quais são as restrições principais. Na versão enxuta, ele evita que o projeto comece “no boca a boca”.

Conteúdo mínimo recomendado (1 página)

CampoExemplo de preenchimento
ObjetivoReduzir tempo de atendimento em 20% até Q3
Escopo em 3 bulletsImplantar módulo X; Treinar equipe; Migrar dados Y
Fora do escopoIntegração com sistema Z nesta fase
Entregáveis-chaveAmbiente em produção; Manual rápido; Relatório de migração
Stakeholders-chavePatrocinador, dono do processo, TI, fornecedor
RestriçõesPrazo fixo; orçamento teto; janela de implantação
Riscos iniciaisDependência de dados; indisponibilidade do fornecedor
Critério de sucessoSLA atingido; adoção mínima; estabilidade por 30 dias
AprovaçãoNome/cargo + data

Quando criar

No início, antes de detalhar demais. Idealmente antes de comprometer equipe e compras.

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Quem atualiza

Gerente do projeto (ou líder) mantém; patrocinador aprova mudanças relevantes (v2.0).

Como manter atualizado sem burocracia

  • Atualize apenas se mudar objetivo, escopo macro, restrições ou sucesso.
  • Se houver mudança relevante, registre no log de mudanças e gere nova versão (v2.0).

2) Visão do Projeto — narrativa curta do “o quê” e “por quê”

Complementa o termo de abertura com uma descrição simples e compartilhável do que será entregue e como será usado. Ajuda a alinhar expectativas com áreas não técnicas.

Conteúdo mínimo recomendado (meia página a 1 página)

  • Problema: qual dor será resolvida.
  • Usuários/beneficiários: quem ganha valor.
  • Proposta de valor: o que melhora e como medir.
  • Escopo em linguagem de negócio: o que o usuário verá.
  • Não objetivos: o que não será resolvido agora.

Quando criar

Logo após o termo de abertura, antes de detalhar requisitos. Útil para kick-off.

Quem atualiza

Líder do projeto com apoio do dono do negócio/produto.

Como manter atualizado sem burocracia

  • Revisar quando houver mudança de objetivo, público ou proposta de valor.
  • Evite virar documento longo: se passar de 1 página, transforme detalhes em anexos.

3) Lista de Requisitos — o que precisa ser atendido (sem virar “bíblia”)

Registro objetivo do que deve ser entregue/atendido, com critérios de aceitação. Na versão enxuta, é uma tabela única que dá rastreabilidade e reduz discussões repetidas.

Estrutura mínima (tabela)

IDRequisitoPrioridadeCritério de aceitaçãoDonoStatusObservações
R-01Gerar relatório X por períodoAltaExporta PDF/CSV; tempo < 10sOperaçõesEm validaçãoDepende de dados Y

Quando criar (passo a passo prático)

  1. Coletar requisitos iniciais em workshop curto (60–90 min).
  2. Escrever cada requisito em uma frase testável.
  3. Definir critério de aceitação (como saber que está pronto).
  4. Priorizar (Alta/Média/Baixa ou MoSCoW).
  5. Validar com os donos (assinatura leve: comentário/aprovação no próprio arquivo).

Quem atualiza

Analista/PO/GP atualiza; donos de requisito validam mudanças e aceitação.

Como manter atualizado sem burocracia

  • Qualquer mudança entra primeiro como solicitação no log de mudanças.
  • Após aprovada, atualize a linha do requisito e registre a decisão no log de decisões.
  • Evite duplicar: detalhes técnicos ficam em link (ex.: ticket, especificação curta).

4) EAP (WBS) — decomposição do trabalho para planejar e controlar

A EAP organiza o escopo em entregas e componentes menores. A versão enxuta foca em entregáveis (não em atividades), suficiente para orientar cronograma, responsabilidades e acompanhamento.

Formato mínimo recomendado

  • 2 a 4 níveis no máximo.
  • Pacotes de trabalho com definição curta e “pronto quando”.

Exemplo simples (estrutura)

1. Produto/Entrega A (pronto quando: aprovado pelo dono do processo)  1.1 Requisitos validados  1.2 Configuração realizada  1.3 Testes e aceite  1.4 Treinamento e material 2. Implantação  2.1 Plano de corte  2.2 Execução do corte  2.3 Estabilização

Quando criar (passo a passo prático)

  1. Liste os entregáveis do termo de abertura/visão.
  2. Quebre cada entregável em 3–7 componentes.
  3. Para cada pacote de trabalho, escreva: descrição, critério de pronto, responsável.
  4. Valide com equipe e stakeholders-chave em reunião curta.

Quem atualiza

GP/líder mantém; responsáveis pelos pacotes sugerem ajustes.

Como manter atualizado sem burocracia

  • Atualize apenas quando houver mudança aprovada de escopo.
  • Se a EAP mudar, reflita no cronograma e (se aplicável) no orçamento.

5) Cronograma / Marcos — compromisso de datas em nível adequado

Para um conjunto mínimo, prefira um cronograma de marcos (milestones) e poucas atividades-chave. Ele serve para sincronizar áreas, fornecedores e aprovações.

Conteúdo mínimo recomendado

MarcoDataDonoDependênciasStatus
Requisitos aprovados2026-02-10NegócioWorkshop + validaçãoEm andamento
Go-live2026-03-20TITestes + janelaPlanejado

Quando criar

Após uma EAP inicial (mesmo que rascunho). Ajuste conforme aprendizado.

Quem atualiza

GP/líder atualiza semanalmente; donos dos marcos confirmam previsões.

Como manter atualizado sem burocracia

  • Atualização semanal de 10 minutos: o que mudou, por quê, novo ETA.
  • Se um marco mudar, registre a razão no log de decisões (se foi decisão) ou no log de mudanças (se alterou baseline).

6) Orçamento — visão do custo e do consumo (sem planilha infinita)

Orçamento enxuto é uma visão por categorias e marcos de pagamento, com acompanhamento do planejado vs. realizado. O objetivo é prever desvios cedo.

Conteúdo mínimo recomendado

CategoriaPlanejadoRealizadoA comprometerVariaçãoObservações
Fornecedor50.00020.00030.0000Pagamento por entrega
Horas internasSe não monetizar, acompanhe capacidade

Quando criar

Quando houver compromisso financeiro ou necessidade de aprovação. Idealmente antes de contratar.

Quem atualiza

GP/líder com apoio de financeiro/compras; fornecedor informa marcos de cobrança.

Como manter atualizado sem burocracia

  • Atualize quando houver nota/pedido/medição ou mudança aprovada.
  • Use categorias fixas (3–8 linhas) para evitar detalhamento excessivo.

7) Plano de Comunicação (enxuto) — quem precisa saber o quê, quando e como

Plano de comunicação mínimo é uma matriz simples para garantir cadência e evitar ruído. Ele reduz retrabalho por falta de informação e evita reuniões desnecessárias.

Estrutura mínima (matriz)

PúblicoInformaçãoCanalFrequênciaDonoFormato
PatrocinadorStatus + riscos + decisõesReuniãoQuinzenalGP15 min + 1 slide
TimePrioridades da semanaChatSemanalLíderMensagem fixa

Quando criar

Antes do kick-off ou imediatamente após, quando já se conhece stakeholders e ritmo.

Quem atualiza

GP/líder; stakeholders solicitam ajustes quando mudam necessidades.

Como manter atualizado sem burocracia

  • Revisar quando entrar/sair stakeholder ou quando o projeto mudar de fase.
  • Se um canal não funciona, troque sem “reaprovar o mundo”: registre no log de decisões.

8) Registro de Riscos — lista viva do que pode dar errado (e o que fazer)

Registro de riscos mínimo é uma tabela com probabilidade, impacto e resposta. Ele ajuda a agir antes do problema virar incidente.

Estrutura mínima (tabela)

IDRiscoProb.ImpactoExposiçãoRespostaDonoGatilhoStatus
K-03Dados incompletos na migraçãoMAAltaRodar amostra + plano de limpezaTIErro > 2% na carga testeMitigando

Quando criar

Primeira versão no planejamento inicial; depois, manter durante execução.

Quem atualiza

GP facilita; donos de risco atualizam ações e status.

Como manter atualizado sem burocracia

  • Revisão rápida semanal/quinzenal: top 5 riscos por exposição.
  • Se um risco virar problema, registre a decisão/ação e atualize status.

9) Log de Decisões — memória do projeto (para não decidir duas vezes)

Registro das decisões relevantes: o que foi decidido, por quem, quando e por quê. Evita discussões circulares e ajuda novos membros a entender contexto.

Estrutura mínima (tabela)

IDDataDecisãoMotivoAlternativas consideradasDecisor(es)ImpactoLink
D-122026-02-05Fazer piloto com unidade AReduz risco de adoçãoPiloto vs. big bangPatrocinador + Operações+2 semanas no cronogramaata/reunião

Quando criar

Desde o início. Primeira decisão relevante já entra no log.

Quem atualiza

GP/líder (ou PMO) registra; decisores confirmam se necessário.

Como manter atualizado sem burocracia

  • Registre no mesmo dia da decisão (2–5 minutos).
  • Link para evidência (mensagem, ata, ticket) em vez de texto longo.

10) Log de Mudanças — controle leve do que alterou o combinado

Registro de solicitações de mudança e seu resultado (aprovada/negada/adiada). Na versão enxuta, ele é uma fila transparente para evitar “mudança invisível”.

Estrutura mínima (tabela)

IDDataSolicitanteDescriçãoMotivoImpacto (escopo/prazo/custo)DecisãoResponsávelStatus
C-072026-02-12ComercialAdicionar campo no cadastroObrigação regulatória+1 semana / +5.000AprovadaTIEm execução

Quando criar (passo a passo prático)

  1. Registrar toda solicitação (mesmo pequena) como linha.
  2. Estimar impacto rápido (escopo/prazo/custo/risco).
  3. Decidir com o nível certo (ex.: patrocinador para impacto alto).
  4. Atualizar artefatos afetados (requisitos, EAP, cronograma, orçamento).
  5. Comunicar a decisão no canal do plano de comunicação.

Quem atualiza

GP/líder mantém; equipe contribui com estimativas de impacto; patrocinador decide quando necessário.

Como manter atualizado sem burocracia

  • Use categorias simples de impacto (Baixo/Médio/Alto) quando não houver números.
  • Se a mudança for “micro” e sem impacto, registre e aprove em lote semanal.

11) Lições Aprendidas — aprendizado contínuo, não só no final

Registro curto do que funcionou, do que não funcionou e o que fazer diferente. Mantido ao longo do projeto, evita repetir erros e melhora a execução em tempo real.

Estrutura mínima (tabela)

DataSituaçãoO que aconteceuImpactoLiçãoAção recomendadaDonoStatus
2026-02-18Validação de requisitosFaltou representante do time XRetrabalhoConvocar suplenteAtualizar plano de comunicaçãoGPAplicada

Quando criar

Comece na primeira semana e atualize após eventos relevantes (entrega, incidente, mudança grande).

Quem atualiza

Qualquer membro pode sugerir; GP consolida e garante ação.

Como manter atualizado sem burocracia

  • Reserve 5 minutos no fim de reuniões-chave para capturar 1–2 lições.
  • Exija que cada lição tenha ação (ou descarte).

Mapa rápido: quem cria, quem atualiza e cadência sugerida

ArtefatoCriaçãoAtualizaçãoRevisão sugerida
Termo de AberturaGP + PatrocinadorGP (mudanças relevantes aprovadas)Por evento
Visão do ProjetoGP + NegócioGP/NegócioPor evento
Lista de RequisitosAnalista/PO + DonosAnalista/POSemanal (se houver mudanças)
EAPGP + TimeGPPor evento
Cronograma/MarcosGP + TimeGP + Donos de marcosSemanal
OrçamentoGP + FinanceiroGP/FinanceiroMensal/quinzenal
Plano de ComunicaçãoGPGPMensal/por evento
Registro de RiscosGP + TimeDono do riscoSemanal/quinzenal
Log de DecisõesGPGPSemanal (checagem)
Log de MudançasGPGP + Time (impacto)Semanal
Lições AprendidasTimeGP consolidaQuinzenal + por evento

Como implementar o conjunto mínimo em 1 semana (roteiro prático)

Dia 1: alinhar e criar os “fundacionais”

  1. Rascunhe o termo de abertura (1 página) e valide com patrocinador.
  2. Escreva a visão do projeto (meia página) e compartilhe no kick-off.
  3. Crie a pasta do projeto e o arquivo índice (“hub”).

Dia 2: transformar escopo em lista gerenciável

  1. Workshop curto para lista de requisitos com critérios de aceitação.
  2. Defina prioridades e donos.

Dia 3: decompor e planejar em nível certo

  1. Monte a EAP por entregáveis.
  2. Derive um cronograma de marcos com dependências e donos.

Dia 4: preparar comunicação e controle

  1. Crie o plano de comunicação (matriz).
  2. Abra o log de decisões e o log de mudanças (mesmo vazios).

Dia 5: antecipar riscos e iniciar aprendizado

  1. Faça uma rodada de riscos (top 10) e defina donos e respostas.
  2. Crie lições aprendidas e capture as primeiras 2–3 lições do setup.

Regras simples para evitar burocracia (e manter controle)

  • Se não for usado para decidir ou executar, não é artefato essencial: remova ou simplifique.
  • Uma mudança aprovada atualiza no máximo 4 lugares: requisitos, EAP, cronograma, orçamento (quando aplicável). O log de mudanças aponta quais foram atualizados.
  • Decisão sem registro não existe: se impacta prazo/escopo/custo, entra no log de decisões.
  • Reunião de status olha para 3 telas: marcos, riscos top 5, mudanças/decisões recentes.
  • Links em vez de anexos: cada artefato aponta para evidências (tickets, atas, arquivos) sem copiar conteúdo.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Em um conjunto mínimo de artefatos, qual prática melhor mantém os documentos enxutos e ainda assim úteis para reduzir retrabalho?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

A abordagem enxuta prioriza atualização por evento e fonte única da verdade, evitando burocracia e versões paralelas. Assim, os artefatos só mudam quando algo relevante muda, reduzindo dúvidas e retrabalho.

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