Formas seguras e éticas de iniciar uma colônia
Para começar na apicultura com previsibilidade e menor risco, o ideal é iniciar com um núcleo (pequena colônia em caixa menor, com quadros de cria e alimento) ou um enxame já estabelecido. A escolha do método impacta diretamente a taxa de sucesso, o comportamento das abelhas e a sanidade do apiário.
Opção 1: compra de núcleo (recomendado para iniciantes)
O núcleo normalmente vem com quadros contendo cria em diferentes idades, alimento (mel/pólen) e uma rainha em postura (ou em processo de aceitação). É a forma mais estável de iniciar porque a colônia já tem estrutura interna e tende a crescer mais rápido.
- Vantagens: maior previsibilidade, menor chance de abandono, melhor avaliação de sanidade e presença de cria.
- Cuidados: exigir informações do fornecedor e conferir sinais de vigor e saúde no recebimento.
Opção 2: compra de enxame em caixa padrão
É uma colônia já instalada em caixa de produção. Pode ser interessante quando você quer acelerar a produção ou quando o fornecedor entrega colmeias fortes. Para iniciantes, exige mais atenção no transporte (peso, ventilação) e na adaptação ao novo local.
- Vantagens: colônia forte, resposta rápida ao fluxo de néctar.
- Cuidados: maior estresse no transporte, risco de superaquecimento e maior defensividade se manuseada em horário inadequado.
Opção 3: captura controlada (quando permitida e com responsabilidade)
A captura controlada pode ocorrer quando um enxame se instala em local inadequado e é removido por profissional/serviço autorizado, ou quando há captura planejada com iscas e caixas apropriadas, respeitando regras locais. Para iniciantes, a captura é menos previsível: o enxame pode não permanecer, pode estar sem rainha ou com sanidade desconhecida.
- Vantagens: pode reduzir conflitos em áreas urbanas/rurais e aproveitar enxames que seriam perdidos.
- Cuidados: risco sanitário, necessidade de quarentena/observação, e maior chance de falhas na fixação do enxame.
Como avaliar um fornecedor de núcleos/enxames
Um bom fornecedor reduz riscos de perda, agressividade excessiva e problemas sanitários. Use critérios objetivos antes de comprar.
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Checklist de avaliação
- Origem e rastreabilidade: consegue informar de onde vêm as matrizes/rainhas e há quanto tempo o núcleo foi formado.
- Composição do núcleo: quantos quadros vão no núcleo e quantos são de cria, alimento e cera puxada.
- Rainha: idade aproximada, se é marcada, e se está em postura regular.
- Sinais de vigor: presença de cria aberta e operculada, abelhas cobrindo bem os quadros, entrada de pólen (quando observado no local do fornecedor).
- Sanidade: ausência de odores anormais, cria com padrão uniforme (sem muitas falhas), ausência de sinais evidentes de doenças e pragas.
- Conduta de entrega: orienta transporte, fornece tela/ventilação adequada e recomenda horário seguro.
- Compatibilidade de caixa: quadros e medidas compatíveis com seu sistema para evitar improvisos no dia da instalação.
Dica prática: combine com o fornecedor a entrega do núcleo com pelo menos 1 quadro de alimento e 2–3 quadros com cria (aberta e operculada), além de quadros com cera puxada quando possível. Isso acelera a expansão e reduz estresse por falta de recursos.
Recebimento e transporte do núcleo: passo a passo
O transporte é um dos momentos de maior risco para superaquecimento, sufocamento e estresse. O objetivo é manter ventilação, estabilidade e temperatura adequadas.
Antes de buscar/receber
- Escolha o horário: prefira fim de tarde/início da noite ou bem cedo, quando há menos voo e temperatura mais amena.
- Prepare o local: colmeia definitiva nivelada e pronta (fundo, ninho, tampa), com alimentação de emergência disponível se necessário.
- Tenha materiais de fixação: cinta/catraca, tela de ventilação, calços para evitar deslizamento e pano para sombreamento (sem vedar entradas de ar).
No recebimento do núcleo
- Confirme ventilação: o núcleo deve ter tela/aberturas que permitam circulação de ar. Evite caixas totalmente vedadas.
- Verifique integridade: tampa firme, quadros não soltos, ausência de frestas grandes por onde abelhas escapem durante o transporte.
- Reduza a entrada: se o núcleo tiver alvado, mantenha-o fechado com tela adequada para transporte (não com material que impeça ventilação).
Durante o transporte
- Fixe com cinta: prenda tampa e corpo do núcleo para evitar abertura por vibração.
- Posicione corretamente: mantenha o núcleo nivelado e estável; evite inclinações que façam quadros baterem.
- Ventilação no veículo: transporte em área ventilada. Evite porta-malas fechado e quente. Se for cabine, mantenha janelas parcialmente abertas ou ventilação ativa.
- Evite sol direto: cubra para sombrear, mas sem bloquear as telas de ventilação.
- Paradas curtas: não deixe o núcleo parado em local quente. Superaquecimento pode matar cria e até a rainha.
Sinais de alerta de superaquecimento: abelhas muito agitadas, “barulho” intenso e contínuo, aglomeração nas telas tentando ventilar. Se ocorrer, pare em local sombreado e ventilado, aumente circulação de ar e reduza o tempo até a instalação.
Instalação correta do núcleo na colmeia: passo a passo
O objetivo da instalação é transferir os quadros para a caixa definitiva com o mínimo de perda de abelhas, mantendo a organização do ninho e reduzindo risco de pilhagem.
1) Prepare a colmeia definitiva
- Entrada reduzida: deixe o alvado reduzido (especialmente em colônias pequenas) para facilitar defesa.
- Organize o ninho: deixe espaço para receber os quadros do núcleo no centro do ninho.
- Tenha quadros extras: quadros com cera alveolada ou lâmina (conforme seu sistema) para completar o espaço, evitando “vãos” que geram construção irregular.
2) Escolha o momento e o ambiente
- Horário: fim de tarde é prático porque reduz voo e ajuda a colônia a “assentar” durante a noite.
- Condições: evite vento forte e calor extremo. Trabalhe com movimentos lentos para reduzir defensividade.
3) Transferência dos quadros
Abra o núcleo e a colmeia definitiva. Transfira os quadros na mesma ordem em que estavam no núcleo, mantendo o bloco de cria no centro.
- Ordem típica: alimento – cria – cria – cria – alimento (varia conforme o núcleo).
- Evite inverter quadros: mantenha a orientação (frente/trás) para não desorganizar a cria e o trânsito interno.
- Espaçamento correto: encoste os quadros para manter o espaçamento padrão e evitar pontes de cera.
4) Garanta que a rainha foi transferida
Se você viu a rainha em um quadro, transfira esse quadro com cuidado e evite sacudir. Se não viu, trabalhe com calma e confira se não ficou abelha aglomerada no núcleo vazio.
- Boa prática: após colocar os quadros, posicione o núcleo vazio (ou a caixa de transporte) próximo à entrada da colmeia definitiva por alguns minutos para que abelhas remanescentes entrem caminhando.
5) Fechamento e estabilização
- Feche bem: tampa alinhada para evitar frestas.
- Reduza perturbação: após a instalação, evite reabrir no mesmo dia.
- Alimentação de apoio (se necessário): se houver escassez de florada ou o núcleo veio com pouco alimento, use alimentação de emergência conforme orientação técnica do seu manejo, evitando derramamentos que provoquem pilhagem.
Roteiro de primeira inspeção (48–72 horas após instalação)
A primeira inspeção deve ser curta e objetiva. A meta é confirmar que a colônia está organizada, com rainha funcional, recursos e condições sanitárias mínimas.
O que verificar (ordem sugerida)
- 1) Comportamento geral: abelhas calmas no ninho, sem correria excessiva. Defesa exagerada pode indicar estresse, falta de alimento ou pilhagem.
- 2) Presença de rainha (direta ou indireta): se não localizar a rainha, procure ovos e larvas jovens (sinal de postura recente).
- 3) Padrão de cria: cria operculada relativamente uniforme e cria aberta presente. Muitas falhas podem sugerir problema de rainha, frio recente, ou estresse.
- 4) Alimento: quadros com mel/néctar e pólen. Núcleo sem reserva pode entrar em colapso rapidamente.
- 5) Espaço: abelhas cobrindo bem os quadros? Há necessidade de adicionar quadro com cera puxada/lâmina ao lado do ninho (sem “abrir demais” o ninho)?
- 6) Sanidade visível: ausência de cheiro forte anormal, ausência de cria derretida/escurecida, ausência de excesso de abelhas deformadas ou mortas na entrada.
Ações corretivas iniciais (se encontrar problemas)
| Situação observada | Possível causa | Ação inicial segura |
|---|---|---|
| Pouco alimento ou quadros muito leves | Escassez de florada, núcleo fraco, estresse do transporte | Fornecer alimentação de apoio sem derramar; manter alvado reduzido; evitar inspeções longas |
| Sem ovos/larvas jovens após 3–5 dias | Rainha perdida, falha de postura, rejeição | Reinspecionar com calma; contatar fornecedor; considerar introdução de rainha/novo núcleo conforme orientação |
| Abelhas muito agressivas e correria na entrada | Pilhagem, falta de alimento, manejo em horário quente | Reduzir alvado; evitar abrir a colmeia; eliminar fontes de cheiro doce ao redor; trabalhar em horários amenos |
| Construção irregular (pontes de cera) | Quadros mal espaçados, vãos internos | Reorganizar espaçamento; alinhar quadros; corrigir antes que endureça |
| Muitas abelhas mortas na entrada logo após transporte | Superaquecimento/sufocamento, vibração excessiva | Reforçar ventilação em próximos transportes; manter colmeia sombreada e tranquila; monitorar postura e cria |
Manejo nos primeiros 30 dias
Nos primeiros 30 dias, o foco é estabilizar a colônia, garantir crescimento do ninho e evitar perdas por pilhagem e estresse. O excesso de inspeções é uma causa comum de atraso no desenvolvimento.
Frequência de visitas e duração
- Semana 1: 1 inspeção curta (além da primeira inspeção), priorizando rainha/cria/alimento.
- Semanas 2–4: inspeções a cada 7–10 dias, ajustando conforme clima e disponibilidade de florada.
- Regra prática: se está tudo bem (postura presente, alimento suficiente, crescimento), mantenha inspeções curtas e espaçadas.
Expansão do ninho (quando e como adicionar quadros)
Adicionar espaço cedo demais pode esfriar o ninho e atrasar a cria; tarde demais pode travar postura e estimular enxameação. Use sinais objetivos.
- Quando expandir: quando as abelhas estiverem cobrindo bem a maioria dos quadros do ninho e houver entrada de néctar/pólen, ou quando a rainha estiver ocupando intensamente os quadros de cria.
- Como expandir: adicione 1 quadro por vez, preferencialmente com cera puxada. Coloque o novo quadro ao lado do bloco de cria (não no meio do bloco), para estimular construção sem “quebrar” a área aquecida.
- Evite abrir demais: em colônias pequenas, mantenha o ninho compacto e bem defendido.
Redução de alvado e prevenção de pilhagem
Pilhagem ocorre quando abelhas de outras colônias tentam roubar alimento de uma colônia mais fraca. Núcleos recém-instalados são alvos comuns.
- Mantenha alvado reduzido: especialmente nas 2 primeiras semanas ou sempre que a colônia estiver fraca.
- Evite derramamentos: qualquer cheiro de alimento exposto atrai pilhagem. Trabalhe limpo e rápido.
- Inspeções em horário adequado: prefira horários com boa atividade de campo e clima ameno; evite abrir colmeias ao entardecer se houver risco de pilhagem na região.
- Sinais de pilhagem: brigas na entrada, abelhas correndo e voando em zigue-zague, cera/fragmentos na frente da colmeia, aumento súbito de agitação.
- Resposta imediata: reduzir ainda mais o alvado, interromper alimentação exposta, evitar abrir a colmeia, e manter o entorno sem resíduos doces.
Roteiro rápido de inspeção semanal (primeiro mês)
1) Observar entrada (2–3 min): tráfego, entrada de pólen, sinais de briga/pilhagem. 2) Abrir e checar alimento: há reserva suficiente? 3) Checar cria: ovos/larvas e padrão de cria operculada. 4) Checar espaço: abelhas cobrem os quadros? precisa adicionar 1 quadro? 5) Fechar e anotar: data, pontos observados, ação tomada.