Whey Protein: tipos, rótulos e como escolher o produto certo

Capítulo 6

Tempo estimado de leitura: 8 minutos

+ Exercício

O que é “whey” na prática (e por que existem tipos diferentes)

Whey protein é uma proteína extraída do soro do leite e vendida em pó para facilitar o consumo de proteína no dia a dia. A diferença entre concentrado, isolado e hidrolisado não é “qual é melhor”, e sim quanto de proteína vem por dose, quanto sobra de lactose e outros componentes do leite, como você digere e quanto você paga por grama de proteína.

Tipos de whey: comparação direta para decidir sem complicação

TipoTeor de proteína por doseLactoseDigestibilidadePreço (tendência)Para quem costuma fazer mais sentido
Concentrado (WPC)Geralmente menor (mais variação entre marcas)Mais lactose (ainda pode ser pouco, mas varia)Boa para a maioria; pode incomodar sensíveisMais baratoQuem tolera lactose e quer melhor custo
Isolado (WPI)Geralmente maior (menos “extras”)Bem baixa (muitas vezes quase zero)Costuma ser mais leveMais caroIntolerância à lactose, fase de dieta mais “apertada”, quem quer menos carbo/gordura
Hidrolisado (WPH)Alta, mas depende da fórmulaGeralmente baixa (se for isolado/hidrolisado)Em teoria mais fácil (proteína “pré-quebrada”); nem sempre diferença é perceptívelMais caroQuem tem desconforto com outros wheys e quer testar tolerância; alguns casos específicos

Critérios práticos (o que realmente muda sua escolha)

  • Teor de proteína por dose: quanto mais alto, mais “proteína de verdade” e menos espaço para carboidratos/gorduras na mesma porção.
  • Lactose: se você tem sintomas com lactose, o isolado costuma ser a escolha mais segura.
  • Digestibilidade: se o whey “pesa”, dá gases ou estufa, vale testar: (1) reduzir dose, (2) trocar sabor/adoçante, (3) trocar concentrado por isolado, (4) testar hidrolisado.
  • Preço: compare pelo custo por grama de proteína, não pelo preço do pote.

Como ler rótulos de whey: passo a passo (sem cair em marketing)

Passo 1) Comece pela tabela nutricional: proteína por porção e por 100 g

Procure:

  • Proteína (g) por porção (ex.: 24 g).
  • Tamanho da porção (ex.: 30 g = 1 scoop). Marcas mudam isso para parecer “melhor”.
  • Proteína por 100 g (se tiver): facilita comparar produtos com porções diferentes.

Regra prática: quanto mais perto de 80–90 g de proteína por 100 g, mais “puro” tende a ser (varia conforme o tipo e a formulação). Se o número for bem menor, geralmente há mais carboidratos, gorduras, aromatizantes e/ou espessantes ocupando espaço.

Passo 2) Confira carboidratos e gorduras (eles explicam muita coisa)

Carboidratos e gorduras não são “vilões”, mas ajudam a entender o produto:

  • Carboidratos mais altos podem indicar mais lactose (especialmente no concentrado) ou adição de maltodextrina/dextrose em alguns blends.
  • Gorduras mais altas podem aparecer em concentrados ou fórmulas com adição de ingredientes para textura/sabor.

Se sua meta é controlar calorias com precisão, prefira opções com carboidratos e gorduras mais baixos por dose (muito comum em isolados).

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Passo 3) Leia a lista de ingredientes (ordem importa)

Ingredientes aparecem em ordem decrescente de quantidade. Um whey “mais direto” costuma ter poucos itens.

O que observar:

  • Fonte proteica: “proteína do soro do leite concentrada/isolada/hidrolisada”. Se aparecer “blend”, veja quais e em que ordem.
  • Açúcares e carboidratos adicionados: procure termos como maltodextrina, dextrose, xarope etc. (nem todo produto tem, mas quando tem, muda o custo-benefício).
  • Espessantes e estabilizantes: comuns para textura (ex.: goma xantana, goma guar, carragena). Em geral são seguros, mas algumas pessoas têm desconforto gastrointestinal com certas gomas.
  • Emulsificantes: lecitina (soja ou girassol) é comum para dissolver melhor.

Passo 4) Adoçantes: escolha pelo seu intestino e paladar

Whey saborizado quase sempre tem adoçantes. Os mais comuns incluem sucralose, acessulfame-K, estévia e outros. Não existe um “melhor universal”; o ponto prático é:

  • Se você sente enjoo, dor de barriga, gases ou gosto muito residual, teste outro adoçante (ou whey sem sabor).
  • Se você usa o whey em receitas, o sem sabor costuma ser mais versátil e tem lista de ingredientes menor.

Passo 5) Aminograma: como interpretar sem exageros

Alguns rótulos trazem aminograma (perfil de aminoácidos). Ele pode ser útil para verificar coerência, mas não precisa virar obsessão.

Como usar de forma prática:

  • Procure consistência: whey naturalmente tem bons níveis de aminoácidos essenciais e BCAAs. Se o aminograma parecer “bom demais” ou estranho, desconfie e compare com marcas confiáveis.
  • Não escolha só por BCAA: o mais importante é proteína total por dose e qualidade geral do produto.
  • Desconfie de “amino spiking”: algumas fórmulas podem adicionar aminoácidos livres baratos para inflar o número de “proteína” em testes. Sinais indiretos: proteína por dose não tão alta, lista de ingredientes com aminoácidos livres (ex.: glicina, taurina) em destaque, preço muito baixo para um “isolado”.

Passo 6) Porção real, número de doses e o cálculo que manda: custo por grama de proteína

Para comparar produtos, use este passo a passo:

  1. Veja quantos gramas de proteína há por porção (ex.: 24 g).
  2. Veja quantas porções o pote rende (ex.: 30 porções).
  3. Calcule proteína total no pote: 24 g × 30 = 720 g de proteína.
  4. Calcule custo por grama de proteína: preço do pote ÷ 720.
Exemplo: pote custa R$ 180, tem 24 g de proteína por dose e 30 doses. Proteína total = 24*30 = 720 g. Custo por g = 180/720 = R$ 0,25 por g de proteína.

Esse número permite comparar um concentrado “barato” que entrega pouca proteína por dose versus um isolado “caro” que entrega mais proteína e menos carboidrato/lactose.

Alergia à proteína do leite vs intolerância à lactose (não é a mesma coisa)

Intolerância à lactose

É dificuldade de digerir a lactose (açúcar do leite). Sintomas comuns: gases, distensão abdominal, diarreia, desconforto após consumir lácteos.

O que fazer na escolha:

  • Preferir whey isolado (geralmente com lactose bem baixa).
  • Testar dose menor e observar resposta.
  • Considerar whey sem sabor ou com menos ingredientes se você suspeita de sensibilidade a adoçantes/gomas.

Alergia à proteína do leite (ex.: caseína/soro)

É reação imunológica às proteínas do leite. Pode causar urticária, coceira, inchaço, chiado, sintomas respiratórios ou gastrointestinais importantes. Pode ser grave.

O que fazer na escolha:

  • Evitar whey (concentrado, isolado e hidrolisado continuam sendo proteína do leite).
  • Buscar orientação profissional para alternativas proteicas adequadas.

Importante: “zero lactose” não significa “sem proteína do leite”.

Checklist de compra (rápido e objetivo)

  • 1) Meu objetivo principal: custo? baixa lactose? menor carbo/gordura? melhor digestão?
  • 2) Tipo adequado: WPC (custo), WPI (baixa lactose/mais “seco”), WPH (teste de tolerância, custo maior).
  • 3) Proteína por dose: quantos gramas reais por porção?
  • 4) Porção: a porção é 30 g, 40 g, 50 g? Compare por 100 g e por custo/grama de proteína.
  • 5) Carboidratos e gorduras: estão compatíveis com sua dieta e tolerância?
  • 6) Ingredientes: poucos e claros? há carboidrato adicionado? muitos espessantes?
  • 7) Adoçantes: você tolera bem? se não sabe, prefira sem sabor ou teste embalagens menores.
  • 8) Alergia vs intolerância: alergia a leite = evitar whey; intolerância à lactose = preferir isolado.
  • 9) Custo por grama de proteína: faça a conta antes de decidir.

Exemplos de escolhas por perfil (para copiar e adaptar)

Perfil 1: “Quero o melhor custo-benefício e tolero leite”

  • Escolha típica: whey concentrado (WPC) com boa proteína por dose.
  • No rótulo: proteína alta para a porção, carboidratos moderados, lista de ingredientes sem carboidratos adicionados.
  • Estratégia: usar em shakes e receitas; se der desconforto, testar reduzir dose ou trocar para isolado.

Perfil 2: “Tenho intolerância à lactose ou fico estufado com whey comum”

  • Escolha típica: whey isolado (WPI).
  • No rótulo: carboidratos bem baixos por dose; ingredientes mais curtos.
  • Estratégia: começar com meia porção por 2–3 dias e aumentar conforme tolerância; se persistir desconforto, avaliar adoçantes/gomas e testar sem sabor.

Perfil 3: “Estou controlando calorias e quero máxima proteína por caloria”

  • Escolha típica: isolado (WPI) com baixo carboidrato e baixa gordura.
  • No rótulo: alta proteína por porção e por 100 g; poucos ingredientes.
  • Estratégia: usar para completar proteína do dia sem “sobrar” calorias de carbo/gordura.

Perfil 4: “Tenho estômago sensível e quero testar a opção mais leve”

  • Escolha típica: primeiro um isolado com poucos ingredientes; se necessário, testar hidrolisado (WPH).
  • No rótulo: evitar fórmulas com muitos espessantes/adoçantes se você suspeita de sensibilidade.
  • Estratégia: testar uma variável por vez (tipo de whey, depois adoçante, depois dose) para identificar o que causa desconforto.

Perfil 5: “Tenho alergia à proteína do leite”

  • Escolha típica: não usar whey (independente do tipo).
  • Estratégia: buscar alternativas proteicas que não sejam derivadas do leite e checar risco de contaminação cruzada no rótulo.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao comparar dois wheys com tamanhos de porção diferentes, qual estratégia permite decidir de forma mais justa qual tem melhor custo-benefício em proteína?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Porções variam entre marcas. Para comparar de forma justa, calcule a proteína total do pote (proteína por dose × nº de doses) e depois o custo por grama de proteína (preço ÷ proteína total).

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Whey Protein: como usar em receitas e rotinas sem atrapalhar a dieta

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