O que é “whey” na prática (e por que existem tipos diferentes)
Whey protein é uma proteína extraída do soro do leite e vendida em pó para facilitar o consumo de proteína no dia a dia. A diferença entre concentrado, isolado e hidrolisado não é “qual é melhor”, e sim quanto de proteína vem por dose, quanto sobra de lactose e outros componentes do leite, como você digere e quanto você paga por grama de proteína.
Tipos de whey: comparação direta para decidir sem complicação
| Tipo | Teor de proteína por dose | Lactose | Digestibilidade | Preço (tendência) | Para quem costuma fazer mais sentido |
|---|---|---|---|---|---|
| Concentrado (WPC) | Geralmente menor (mais variação entre marcas) | Mais lactose (ainda pode ser pouco, mas varia) | Boa para a maioria; pode incomodar sensíveis | Mais barato | Quem tolera lactose e quer melhor custo |
| Isolado (WPI) | Geralmente maior (menos “extras”) | Bem baixa (muitas vezes quase zero) | Costuma ser mais leve | Mais caro | Intolerância à lactose, fase de dieta mais “apertada”, quem quer menos carbo/gordura |
| Hidrolisado (WPH) | Alta, mas depende da fórmula | Geralmente baixa (se for isolado/hidrolisado) | Em teoria mais fácil (proteína “pré-quebrada”); nem sempre diferença é perceptível | Mais caro | Quem tem desconforto com outros wheys e quer testar tolerância; alguns casos específicos |
Critérios práticos (o que realmente muda sua escolha)
- Teor de proteína por dose: quanto mais alto, mais “proteína de verdade” e menos espaço para carboidratos/gorduras na mesma porção.
- Lactose: se você tem sintomas com lactose, o isolado costuma ser a escolha mais segura.
- Digestibilidade: se o whey “pesa”, dá gases ou estufa, vale testar: (1) reduzir dose, (2) trocar sabor/adoçante, (3) trocar concentrado por isolado, (4) testar hidrolisado.
- Preço: compare pelo custo por grama de proteína, não pelo preço do pote.
Como ler rótulos de whey: passo a passo (sem cair em marketing)
Passo 1) Comece pela tabela nutricional: proteína por porção e por 100 g
Procure:
- Proteína (g) por porção (ex.: 24 g).
- Tamanho da porção (ex.: 30 g = 1 scoop). Marcas mudam isso para parecer “melhor”.
- Proteína por 100 g (se tiver): facilita comparar produtos com porções diferentes.
Regra prática: quanto mais perto de 80–90 g de proteína por 100 g, mais “puro” tende a ser (varia conforme o tipo e a formulação). Se o número for bem menor, geralmente há mais carboidratos, gorduras, aromatizantes e/ou espessantes ocupando espaço.
Passo 2) Confira carboidratos e gorduras (eles explicam muita coisa)
Carboidratos e gorduras não são “vilões”, mas ajudam a entender o produto:
- Carboidratos mais altos podem indicar mais lactose (especialmente no concentrado) ou adição de maltodextrina/dextrose em alguns blends.
- Gorduras mais altas podem aparecer em concentrados ou fórmulas com adição de ingredientes para textura/sabor.
Se sua meta é controlar calorias com precisão, prefira opções com carboidratos e gorduras mais baixos por dose (muito comum em isolados).
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Passo 3) Leia a lista de ingredientes (ordem importa)
Ingredientes aparecem em ordem decrescente de quantidade. Um whey “mais direto” costuma ter poucos itens.
O que observar:
- Fonte proteica: “proteína do soro do leite concentrada/isolada/hidrolisada”. Se aparecer “blend”, veja quais e em que ordem.
- Açúcares e carboidratos adicionados: procure termos como maltodextrina, dextrose, xarope etc. (nem todo produto tem, mas quando tem, muda o custo-benefício).
- Espessantes e estabilizantes: comuns para textura (ex.: goma xantana, goma guar, carragena). Em geral são seguros, mas algumas pessoas têm desconforto gastrointestinal com certas gomas.
- Emulsificantes: lecitina (soja ou girassol) é comum para dissolver melhor.
Passo 4) Adoçantes: escolha pelo seu intestino e paladar
Whey saborizado quase sempre tem adoçantes. Os mais comuns incluem sucralose, acessulfame-K, estévia e outros. Não existe um “melhor universal”; o ponto prático é:
- Se você sente enjoo, dor de barriga, gases ou gosto muito residual, teste outro adoçante (ou whey sem sabor).
- Se você usa o whey em receitas, o sem sabor costuma ser mais versátil e tem lista de ingredientes menor.
Passo 5) Aminograma: como interpretar sem exageros
Alguns rótulos trazem aminograma (perfil de aminoácidos). Ele pode ser útil para verificar coerência, mas não precisa virar obsessão.
Como usar de forma prática:
- Procure consistência: whey naturalmente tem bons níveis de aminoácidos essenciais e BCAAs. Se o aminograma parecer “bom demais” ou estranho, desconfie e compare com marcas confiáveis.
- Não escolha só por BCAA: o mais importante é proteína total por dose e qualidade geral do produto.
- Desconfie de “amino spiking”: algumas fórmulas podem adicionar aminoácidos livres baratos para inflar o número de “proteína” em testes. Sinais indiretos: proteína por dose não tão alta, lista de ingredientes com aminoácidos livres (ex.: glicina, taurina) em destaque, preço muito baixo para um “isolado”.
Passo 6) Porção real, número de doses e o cálculo que manda: custo por grama de proteína
Para comparar produtos, use este passo a passo:
- Veja quantos gramas de proteína há por porção (ex.: 24 g).
- Veja quantas porções o pote rende (ex.: 30 porções).
- Calcule proteína total no pote: 24 g × 30 = 720 g de proteína.
- Calcule custo por grama de proteína: preço do pote ÷ 720.
Exemplo: pote custa R$ 180, tem 24 g de proteína por dose e 30 doses. Proteína total = 24*30 = 720 g. Custo por g = 180/720 = R$ 0,25 por g de proteína.Esse número permite comparar um concentrado “barato” que entrega pouca proteína por dose versus um isolado “caro” que entrega mais proteína e menos carboidrato/lactose.
Alergia à proteína do leite vs intolerância à lactose (não é a mesma coisa)
Intolerância à lactose
É dificuldade de digerir a lactose (açúcar do leite). Sintomas comuns: gases, distensão abdominal, diarreia, desconforto após consumir lácteos.
O que fazer na escolha:
- Preferir whey isolado (geralmente com lactose bem baixa).
- Testar dose menor e observar resposta.
- Considerar whey sem sabor ou com menos ingredientes se você suspeita de sensibilidade a adoçantes/gomas.
Alergia à proteína do leite (ex.: caseína/soro)
É reação imunológica às proteínas do leite. Pode causar urticária, coceira, inchaço, chiado, sintomas respiratórios ou gastrointestinais importantes. Pode ser grave.
O que fazer na escolha:
- Evitar whey (concentrado, isolado e hidrolisado continuam sendo proteína do leite).
- Buscar orientação profissional para alternativas proteicas adequadas.
Importante: “zero lactose” não significa “sem proteína do leite”.
Checklist de compra (rápido e objetivo)
- 1) Meu objetivo principal: custo? baixa lactose? menor carbo/gordura? melhor digestão?
- 2) Tipo adequado: WPC (custo), WPI (baixa lactose/mais “seco”), WPH (teste de tolerância, custo maior).
- 3) Proteína por dose: quantos gramas reais por porção?
- 4) Porção: a porção é 30 g, 40 g, 50 g? Compare por 100 g e por custo/grama de proteína.
- 5) Carboidratos e gorduras: estão compatíveis com sua dieta e tolerância?
- 6) Ingredientes: poucos e claros? há carboidrato adicionado? muitos espessantes?
- 7) Adoçantes: você tolera bem? se não sabe, prefira sem sabor ou teste embalagens menores.
- 8) Alergia vs intolerância: alergia a leite = evitar whey; intolerância à lactose = preferir isolado.
- 9) Custo por grama de proteína: faça a conta antes de decidir.
Exemplos de escolhas por perfil (para copiar e adaptar)
Perfil 1: “Quero o melhor custo-benefício e tolero leite”
- Escolha típica: whey concentrado (WPC) com boa proteína por dose.
- No rótulo: proteína alta para a porção, carboidratos moderados, lista de ingredientes sem carboidratos adicionados.
- Estratégia: usar em shakes e receitas; se der desconforto, testar reduzir dose ou trocar para isolado.
Perfil 2: “Tenho intolerância à lactose ou fico estufado com whey comum”
- Escolha típica: whey isolado (WPI).
- No rótulo: carboidratos bem baixos por dose; ingredientes mais curtos.
- Estratégia: começar com meia porção por 2–3 dias e aumentar conforme tolerância; se persistir desconforto, avaliar adoçantes/gomas e testar sem sabor.
Perfil 3: “Estou controlando calorias e quero máxima proteína por caloria”
- Escolha típica: isolado (WPI) com baixo carboidrato e baixa gordura.
- No rótulo: alta proteína por porção e por 100 g; poucos ingredientes.
- Estratégia: usar para completar proteína do dia sem “sobrar” calorias de carbo/gordura.
Perfil 4: “Tenho estômago sensível e quero testar a opção mais leve”
- Escolha típica: primeiro um isolado com poucos ingredientes; se necessário, testar hidrolisado (WPH).
- No rótulo: evitar fórmulas com muitos espessantes/adoçantes se você suspeita de sensibilidade.
- Estratégia: testar uma variável por vez (tipo de whey, depois adoçante, depois dose) para identificar o que causa desconforto.
Perfil 5: “Tenho alergia à proteína do leite”
- Escolha típica: não usar whey (independente do tipo).
- Estratégia: buscar alternativas proteicas que não sejam derivadas do leite e checar risco de contaminação cruzada no rótulo.