Timing na nutrição esportiva: o que comer antes do treino para ter energia

Capítulo 3

Tempo estimado de leitura: 7 minutos

+ Exercício

O que significa “timing” no pré-treino

Timing é a organização do que você come de acordo com a proximidade do treino para chegar com energia disponível, sem desconforto gastrointestinal. Na prática, quanto mais perto do treino, mais simples e fácil de digerir deve ser a refeição. A combinação de carboidrato + proteína costuma funcionar bem para sustentar o esforço e reduzir a fome durante o treino, mas a quantidade e o tipo de alimento variam conforme tolerância digestiva, intensidade do treino e objetivo.

Regra prática de digestão

  • 3–4 horas antes: dá para fazer uma refeição “normal” (mais completa), porque há tempo para digestão.
  • 1–2 horas antes: refeição menor e com menos gordura e fibras para evitar estufamento.
  • Até 30 minutos antes: algo rápido, com carboidrato de fácil digestão; proteína só se for leve e bem tolerada.

Como escolher carboidrato + proteína conforme tolerância digestiva

Se você tem estômago “sensível”

  • Prefira carboidratos mais simples e com pouca fibra (banana madura, pão branco, tapioca, arroz, batata bem cozida).
  • Use proteína em pequenas porções e de digestão mais fácil (iogurte, leite sem lactose, whey, queijo branco em pouca quantidade, claras).
  • Evite perto do treino: frituras, molhos gordurosos, muita castanha/pasta de amendoim, feijão/lentilha em grande volume, vegetais crus em excesso, alimentos muito apimentados.

Se você tolera bem e treina pesado

  • Você pode usar porções maiores de carboidrato e incluir proteína moderada, especialmente nas janelas de 1–2h e 3–4h.
  • Fibras e gorduras podem aparecer mais na refeição de 3–4h, mas ainda vale evitar exageros se o treino for intenso (tiros, corrida forte, perna pesada).

Se o treino é leve/moderado

  • Você pode precisar de menos carboidrato, principalmente se treinou alimentado ao longo do dia.
  • Um lanche pequeno pode ser suficiente, ou até treinar sem comer (dependendo do objetivo e da resposta do seu corpo).

Janelas de tempo: o que comer antes do treino

3–4 horas antes do treino (refeição base)

Use esta janela quando você consegue planejar. É a melhor para fazer uma refeição mais completa sem correr risco de desconforto.

  • Prato simples: arroz + frango/ovos + legumes cozidos (porção de legumes ajustada à sua tolerância).
  • Alternativa acessível: macarrão com molho simples + carne moída magra.
  • Opção “caseira rápida”: batata/mandioca cozida + atum + salada pequena (se tolerar).
  • Opção café da manhã (se o treino é no fim da manhã): pão + ovos mexidos + fruta.

Ajuste fino: se você costuma sentir peso no estômago, reduza gordura (menos queijo, menos óleo) e diminua fibras (menos salada crua, mais legumes cozidos).

1–2 horas antes do treino (lanche reforçado)

É a janela mais comum. O foco é energia com digestão tranquila.

  • Combinação clássica: banana + iogurte (ou iogurte sem lactose) + um pouco de mel (opcional).
  • Tapioca com queijo branco e/ou peito de peru + fruta.
  • Pão com queijo branco + suco ou fruta.
  • Vitamina (leite ou bebida sem lactose) + banana + aveia em pouca quantidade (se tolerar).
  • Arroz (porção pequena) + ovos mexidos (pouca gordura) para quem prefere salgado.

Se você tem sensibilidade gastrointestinal: reduza aveia, granola e sementes nessa janela; prefira fruta madura e carboidratos mais “lisos”.

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Até 30 minutos antes do treino (pré-treino rápido)

Use quando não deu tempo. Aqui, menos é mais: porção pequena e fácil de digerir.

  • 1 banana madura (ou meia, se você enjoa fácil).
  • 1 fatia de pão com geleia/mel.
  • Suco (200–300 ml) ou água de coco, se você tolera bem líquidos.
  • Whey com água (porção pequena) se você sabe que não pesa no estômago.

Evite nessa janela: grandes volumes, muita proteína sólida, alimentos muito fibrosos e gordurosos.

Matriz prática: como decidir seu pré-treino

CritérioSe a resposta for “alta/forte”Se a resposta for “baixa/leve”
Intensidade do treinoPriorize carboidrato (principalmente 1–2h antes). Ex.: pão/tapioca + fruta; arroz + ovos.Porção menor pode bastar. Ex.: fruta; iogurte; ou até nada se você se sente bem.
Sensibilidade gastrointestinalEscolha alimentos de baixa fibra e baixa gordura; porções menores. Ex.: banana, pão branco, tapioca, iogurte sem lactose.Você pode incluir mais variedade e um pouco mais de fibra/gordura (especialmente 3–4h antes).
ObjetivoDesempenho: não economize demais no carboidrato; evite treinar “no vazio” em treinos-chave.Emagrecimento: mantenha porções controladas; use carboidrato conforme necessidade do treino, sem exageros.
Disponibilidade de tempoSe você tem 3–4h: refeição completa. Se tem 1–2h: lanche reforçado. Se tem 30 min: carboidrato rápido.Se não tem tempo, simplifique: 1 fruta ou pão com geleia; ajuste no pós-treino depois.

Como usar a matriz em 3 passos

  1. Defina a janela: quanto tempo falta para treinar (30 min, 1–2h, 3–4h).
  2. Classifique o treino: leve/moderado ou intenso (pernas pesadas, HIIT, corrida forte, longão).
  3. Escolha a versão “confortável”: se você tem estômago sensível, use as opções mais simples; se tolera bem, aumente a porção e a proteína.

Listas de opções simples e acessíveis (com variações)

Opções até 30 min (rápidas)

  • Banana madura + água
  • Pão branco + geleia
  • Suco de uva integral diluído (pequena porção) + água
  • Whey com água (pequena porção) + 1 fruta (se tolerar)

Opções 1–2h (equilíbrio entre energia e saciedade)

  • Tapioca + queijo branco + fruta
  • Iogurte (ou sem lactose) + banana + mel
  • Pão + ovos mexidos (pouco óleo) + fruta
  • Vitamina: leite/bebida sem lactose + banana (aveia só se você tolerar bem)
  • Arroz (porção pequena) + frango desfiado

Opções 3–4h (refeição base)

  • Arroz + feijão (porção ajustada) + frango + legumes cozidos
  • Macarrão + carne moída magra + legumes
  • Batata/mandioca + peixe/atum + salada pequena
  • Cuscuz + ovos + fruta (se for uma refeição mais cedo)

Quem treina em jejum: variações e quando pode atrapalhar

Quando o jejum tende a atrapalhar a performance

  • Treinos intensos (tiros, HIIT, musculação pesada, treino de pernas muito volumoso).
  • Treinos longos (corrida/ciclismo com duração maior, especialmente se você já acorda com muita fome).
  • Quando você percebe sinais claros: queda de rendimento, tontura, tremor, irritabilidade, dificuldade de manter carga/ritmo.

Quando pode ser tolerável

  • Treinos leves a moderados e mais curtos, em pessoas que já se adaptaram e se sentem bem.
  • Quando o objetivo é aderência: se comer antes te dá enjoo e você treina melhor com o estômago vazio, pode ser uma estratégia prática.

Estratégias “meio-termo” para quem diz que treina em jejum

Se você quer manter a sensação de leveza, mas reduzir risco de queda de performance:

  • Mini pré-treino (10–20 min antes): 1 banana ou 1 fatia de pão com geleia.
  • Pré-treino líquido: suco diluído ou bebida com carboidrato em pequena quantidade (mais fácil de descer).
  • Se o problema é o estômago: teste reduzir a porção e escolher carboidratos mais simples, em vez de cortar totalmente.

Checklist rápido de ajuste (sem adivinhação)

  • Se você sente fome no meio do treino: aumente um pouco o carboidrato na janela de 1–2h.
  • Se você sente estufamento/refluxo: reduza gordura e fibras; troque por opções mais simples e diminua o volume.
  • Se a energia cai no treino intenso: evite jejum nesses dias e use carboidrato fácil (banana, pão, tapioca) antes.
  • Se você quer emagrecer sem perder desempenho: mantenha o pré-treino enxuto, mas não “zerado” em treinos-chave; ajuste a porção ao tipo de treino.

Registro prático (2 minutos)

Após o treino, anote rapidamente:

Janela (30 min / 1–2h / 3–4h):  Escolha do pré-treino:  Como foi a energia (0–10):  Como foi o estômago (0–10):  Ajuste para a próxima vez:

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Qual estratégia é mais adequada para escolher o que comer quanto mais perto estiver do treino, visando energia sem desconforto gastrointestinal?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

O pré-treino deve ser ajustado pela proximidade do treino: perto do horário, a refeição precisa ser menor e mais fácil de digerir para reduzir risco de estufamento. Carboidrato ajuda na energia, e proteína pode entrar em porção leve se houver boa tolerância.

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Nutrição esportiva no pós-treino: recuperação muscular e reposição de energia

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