Tabela Periódica sem Mistério: Reatividade e padrões que ajudam a prever reações

Capítulo 11

Tempo estimado de leitura: 9 minutos

+ Exercício

O que significa “reatividade” (e por que ela não é um número único)

Reatividade é a tendência de uma substância participar de uma reação química em determinadas condições. Na prática, ela responde perguntas como: “Esse elemento reage facilmente com água?”, “Ele oxida no ar?”, “Ele arranca elétrons de outros?” ou “Ele fica ‘inerte’ e quase não reage?”.

Importante: reatividade não é uma propriedade isolada como massa ou ponto de fusão. Ela é um resultado de vários fatores que favorecem (ou dificultam) a transferência/compartilhamento de elétrons e a formação de novas ligações. Por isso, ao olhar a Tabela Periódica, você prevê reatividade combinando tendências já conhecidas, principalmente:

  • Eletronegatividade: quão forte um átomo “puxa” elétrons numa ligação (ajuda a prever quem tende a “ganhar” elétrons).
  • Energia de ionização: quão difícil é tirar um elétron (ajuda a prever quem tende a “perder” elétrons).
  • Afinidade eletrônica: quão favorável é ganhar um elétron (ajuda a prever quem tende a formar ânions).

Como juntar as três ideias para prever reatividade

Uma forma prática de pensar é separar em dois “estilos” de reatividade:

  • Reatividade metálica (tendência a perder elétrons): aumenta quando a energia de ionização é baixa. Metais muito reativos “doam” elétrons com facilidade e formam cátions.
  • Reatividade não metálica (tendência a ganhar elétrons): aumenta quando eletronegatividade e afinidade eletrônica são altas. Ametais muito reativos “puxam” elétrons e formam ânions ou ligações fortemente polares.

Assim, quando você compara dois elementos, pergunte: quem perde elétrons mais facilmente? e quem ganha elétrons mais facilmente?. Quanto maior o “desnível” entre doador e receptor, maior a chance de uma reação rápida e energeticamente favorável (especialmente em reações redox).

Padrões de reatividade que aparecem na Tabela

1) Metais alcalinos: reatividade alta (doadores de elétrons)

Metais alcalinos (como Li, Na, K) são conhecidos por reagirem facilmente porque tendem a perder 1 elétron e formar íons M+. Isso combina com energia de ionização relativamente baixa para remover esse elétron mais externo.

Continue em nosso aplicativo e ...
  • Ouça o áudio com a tela desligada
  • Ganhe Certificado após a conclusão
  • + de 5000 cursos para você explorar!
ou continue lendo abaixo...
Download App

Baixar o aplicativo

O padrão prático: descendo na família, a reatividade aumenta (ex.: K tende a ser mais reativo que Na). Em termos de previsão, eles são bons “fornecedores” de elétrons em reações redox.

2) Halogênios: reatividade alta (aceitadores de elétrons)

Halogênios (F, Cl, Br, I) tendem a ganhar 1 elétron para completar uma configuração estável, formando X-. Em geral, têm eletronegatividade alta e afinidade eletrônica favorável, o que os torna fortes “puxadores” de elétrons.

O padrão prático: subindo na família, a tendência de puxar elétrons costuma ser mais forte (com destaque para F e Cl em muitos contextos). Isso ajuda a entender por que halogênios reagem facilmente com metais (formando sais) e participam de reações de oxidação.

3) Gases nobres: baixa reatividade (alta estabilidade)

Gases nobres (He, Ne, Ar, etc.) costumam ter baixa reatividade porque já estão em uma configuração eletrônica muito estável. Em condições comuns, não “precisam” ganhar ou perder elétrons, então não entram facilmente em reações.

Na leitura prática da tabela: se você precisa de um elemento “pouco reativo” para um ambiente químico, gases nobres são referência (embora existam exceções em condições especiais).

4) Metais de transição: comportamento variável (múltiplos estados de oxidação)

Metais de transição (como Fe, Cu, Ni, Mn) não seguem um único padrão simples de “muito reativo” ou “pouco reativo”. Eles podem apresentar vários estados de oxidação, formar complexos e participar de reações catalíticas. Isso significa que a reatividade depende bastante do meio (presença de água, oxigênio, ácidos, sais), da forma química (metal, íon, óxido) e das condições (temperatura, pH).

Na prática, isso explica por que alguns metais de transição parecem “resistentes” em certas situações, mas reagem intensamente em outras (por exemplo, ferro enferruja no ar úmido, mas pode ficar relativamente estável em ambientes secos e sem eletrólitos).

Situações concretas para enxergar reatividade no dia a dia

Oxidação do ferro: por que o ferro “enferruja”

A ferrugem é um conjunto de óxidos/hidróxidos de ferro formados quando o ferro é oxidado (perde elétrons) na presença de oxigênio e, geralmente, água. A água não é apenas “coadjuvante”: ela facilita a movimentação de íons e elétrons, funcionando como meio para etapas eletroquímicas.

Uma forma útil de visualizar é como uma “pilha” microscópica na superfície do metal:

  • Regiões do ferro atuam como ânodo: o ferro perde elétrons (oxida).
  • Outras regiões atuam como cátodo: o oxigênio recebe elétrons (reduz), especialmente na presença de água.

O resultado é a formação de produtos porosos que não protegem bem o metal, permitindo que a oxidação continue.

Passo a passo prático: como comparar condições que aceleram ou reduzem a corrosão do ferro (conceitual)

Você pode prever (e até testar de forma segura e simples) quais condições aumentam a reatividade do ferro com o ambiente, sem precisar de reagentes perigosos:

  1. Separe pregos de ferro semelhantes e recipientes transparentes.
  2. Crie ambientes diferentes: (a) ar seco (com um dessecante apropriado, se disponível), (b) água limpa, (c) água com sal (eletrólito), (d) água fervida e resfriada com pouco ar acima (menos oxigênio dissolvido).
  3. Observe ao longo de dias a formação de manchas e a velocidade de mudança.
  4. Interprete: presença de água + oxigênio acelera; sal geralmente acelera muito por aumentar a condução iônica e favorecer as etapas eletroquímicas.

Esse passo a passo não serve para “produzir ferrugem por diversão”, mas para treinar a leitura de reatividade: quando o meio facilita transferência de carga, a reação tende a ocorrer mais facilmente.

Corrosão e proteção: como “mexer” na reatividade a seu favor

Se corrosão é reatividade indesejada, proteção é reduzir a chance de transferência de elétrons ou desviar a oxidação para outro material.

  • Barreiras físicas (tinta, verniz, óleo): diminuem contato com água e oxigênio, reduzindo as condições para a reação.
  • Revestimentos metálicos: podem atuar como barreira e/ou como proteção eletroquímica.
  • Proteção catódica (ânodo de sacrifício): conecta-se ao ferro um metal que oxida mais facilmente (mais “reativo” como doador de elétrons). Esse metal se oxida no lugar do ferro, mantendo o ferro como cátodo em muitas condições.

O raciocínio por trás do ânodo de sacrifício é diretamente ligado à reatividade metálica: um metal com maior tendência a perder elétrons “se oferece” para oxidar primeiro.

Metais com água: reatividade metálica e segurança (conceitual)

Alguns metais reagem com água liberando hidrogênio e formando hidróxidos. A intensidade varia muito: metais alcalinos tendem a reagir de forma vigorosa, enquanto outros metais podem reagir lentamente, apenas com vapor, ou quase não reagir em condições comuns.

Segurança: não é uma reação para improvisar. Metais muito reativos podem gerar calor e hidrogênio rapidamente, aumentando risco de incêndio. O ponto didático aqui é a previsão: se um metal tem forte tendência a perder elétrons, a água pode atuar como participante na reação, e o processo pode ser energeticamente favorecido.

Cloro na desinfecção: reatividade controlada para matar microrganismos

O cloro é usado em desinfecção porque sua química em água gera espécies capazes de oxidar componentes essenciais de microrganismos (como proteínas e membranas). Em termos de reatividade, isso significa que o cloro (ou espécies derivadas dele em solução) atua como agente oxidante, “puxando” elétrons de moléculas biológicas e danificando estruturas vitais.

Do ponto de vista de previsão pela tabela, isso conversa com o padrão dos halogênios: tendência a ganhar elétrons e participar de reações redox. Na prática, a desinfecção é um exemplo de reatividade útil, mas que precisa ser dosada e aplicada corretamente para ser segura e eficaz.

Checklist rápido para prever reatividade em exercícios e problemas

1) Identifique o “papel” provável: doador ou receptor de elétrons

  • Se for metal típico: pense em perder elétrons (oxidar).
  • Se for ametal reativo (especialmente halogênio): pense em ganhar elétrons (reduzir).
  • Se for gás nobre: pense em baixa tendência a reagir em condições comuns.

2) Procure pares que “combinam” em redox

Reações comuns envolvem um elemento que perde elétrons e outro que ganha. Quanto mais “fácil” for para um perder (baixa energia de ionização) e para o outro ganhar (alta eletronegatividade/afinidade eletrônica), mais provável a reação ser espontânea e rápida.

3) Considere o meio: água, oxigênio, sais, acidez

Mesmo com a mesma dupla de elementos, o ambiente pode acelerar ou frear a reação. Água e sais frequentemente aumentam reatividade observável por facilitar processos eletroquímicos (como na corrosão). Já ausência de oxigênio/umidade pode reduzir bastante certas reações.

4) Para metais de transição, desconfie de respostas “sempre”

Se o elemento é de transição, verifique se o problema envolve oxigênio, água, ácidos, complexantes ou condições específicas. A reatividade pode mudar porque o metal pode estabilizar diferentes estados de oxidação e compostos.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao comparar um metal alcalino e um halogênio para prever se uma reação redox tende a ocorrer facilmente, qual análise é a mais adequada?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

A reatividade é prevista combinando tendências: metais reativos tendem a perder elétrons (baixa energia de ionização) e halogênios tendem a ganhar elétrons (alta eletronegatividade/afinidade eletrônica). Quanto maior o desnível, maior a chance de reação redox favorável.

Próximo capitúlo

Tabela Periódica sem Mistério: Como prever fórmulas e cargas em compostos iônicos usando a tabela

Arrow Right Icon
Capa do Ebook gratuito Tabela Periódica Sem Mistério: Como Ler, Entender e Usar
73%

Tabela Periódica Sem Mistério: Como Ler, Entender e Usar

Novo curso

15 páginas

Baixe o app para ganhar Certificação grátis e ouvir os cursos em background, mesmo com a tela desligada.