O que são “sinais de alerta” na gestação
Sinais de alerta são sintomas que podem indicar risco para você, para o bebê ou para ambos e que precisam de avaliação rápida. Nem sempre significam que algo grave está acontecendo, mas podem ser a primeira pista de situações que exigem tratamento imediato (por exemplo, infecção, trabalho de parto prematuro, problemas de pressão, complicações respiratórias ou sangramentos).
Regra prática: se o sintoma é novo, intenso, piora rapidamente, vem acompanhado de mal-estar importante, ou “parece diferente do habitual”, procure atendimento. É melhor ser avaliada e receber orientação do que esperar em casa.
Lista priorizada de sinais que exigem avaliação urgente
1) Sangramento vaginal
Por que importa: pode estar relacionado a ameaça de aborto no início, problemas na placenta, início de trabalho de parto, lacerações no colo do útero ou outras causas. A quantidade e o contexto mudam a urgência, mas sangramento na gestação deve ser avaliado.
- Procure atendimento imediatamente se o sangramento é intenso (encharca absorvente), vem com tontura/desmaio, dor forte, palidez, batimentos acelerados, ou se há coágulos grandes.
- Procure atendimento no mesmo dia mesmo que seja pequeno, especialmente se for repetido, vermelho vivo, após relação, ou acompanhado de cólicas.
O que observar para relatar: cor (vermelho vivo/marrom), quantidade (número de absorventes), presença de coágulos/tecido, dor associada, idade gestacional, se houve relação sexual ou exame vaginal recente.
2) Perda de líquido pela vagina (suspeita de rompimento da bolsa)
Por que importa: pode ser rompimento de membranas (bolsa), o que aumenta risco de infecção e pode iniciar trabalho de parto, inclusive prematuro. Às vezes parece “xixi que não segura” ou um corrimento muito aquoso.
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- Procure atendimento imediatamente se o líquido é contínuo, em grande quantidade, ou se tem cor esverdeada/amarelada, sangue, mau cheiro, ou se há febre/dor.
- Procure atendimento no mesmo dia se houver dúvida entre urina e líquido amniótico (melhor checar).
O que observar para relatar: horário de início, se foi “jato” ou gotejamento, cor/cheiro, se continua saindo, presença de contrações, temperatura corporal.
3) Dor abdominal/pélvica intensa ou que não melhora
Por que importa: dor forte pode indicar complicações como trabalho de parto prematuro, problemas na placenta, infecção urinária complicada, apendicite, torção de cisto ovariano, entre outras. Dor localizada e progressiva também merece atenção.
- Procure atendimento imediatamente se a dor é forte, súbita, unilateral intensa, vem com sangramento, febre, vômitos persistentes, desmaio, ou rigidez abdominal.
- Procure atendimento no mesmo dia se a dor é moderada e persistente, ou se aparece em ondas regulares (padrão de contrações).
O que observar para relatar: local da dor (direita/esquerda/centro), início (súbito ou gradual), intensidade (0–10), duração, se vai e volta, fatores que pioram/melhoram, sintomas associados.
4) Febre (especialmente ≥ 38°C) e/ou calafrios
Por que importa: febre pode indicar infecção (urinária, respiratória, gastrointestinal, uterina) e algumas infecções na gestação exigem tratamento rápido para reduzir riscos maternos e fetais.
- Procure atendimento imediatamente se febre vem com falta de ar, dor no peito, confusão, desidratação, dor lombar forte, dor ao urinar com mal-estar importante, ou se não baixa.
- Procure atendimento no mesmo dia se a febre é ≥ 38°C, mesmo sem outros sinais, para orientação e investigação.
O que observar para relatar: maior temperatura medida, há quanto tempo, uso de antitérmico e resposta, sintomas (tosse, dor ao urinar, diarreia, dor lombar), contato com pessoas doentes.
5) Diminuição importante dos movimentos do bebê (principalmente na segunda metade da gestação)
Por que importa: redução de movimentos pode ser sinal de que o bebê não está bem (por exemplo, alterações na oxigenação). Nem sempre é grave, mas precisa ser checado com rapidez.
- Procure atendimento imediatamente se você percebeu queda clara do padrão habitual, ou se não sente movimentos quando normalmente sentiria.
Passo prático em casa (se você já sente movimentos regularmente):
- Deite de lado (preferencialmente esquerdo) em um ambiente calmo.
- Concentre-se por 1 hora nos movimentos (chutes, rolamentos, “empurrões”).
- Se continuar muito diferente do habitual ou ausente, vá ao atendimento. Não espere “até amanhã”.
O que observar para relatar: quando foi a última vez que sentiu bem, como é o padrão usual, se houve algum evento (queda, febre, sangramento, perda de líquido), idade gestacional.
6) Falta de ar importante, chiado, dor no peito, lábios arroxeados ou desmaio
Por que importa: pode indicar problemas respiratórios ou cardiovasculares que precisam de avaliação urgente (asma descompensada, pneumonia, embolia pulmonar, anemia grave, entre outros). Na gestação, a reserva respiratória pode ser menor, então pioras devem ser levadas a sério.
- Procure atendimento imediatamente se a falta de ar impede falar frases completas, aparece em repouso, vem com dor no peito, palpitações fortes, tosse com sangue, desmaio, ou saturação baixa (se você tiver oxímetro).
O que observar para relatar: início (súbito ou gradual), gatilhos, dor no peito, tosse, febre, histórico de asma/trombose, inchaço/dor em uma perna.
7) Dor de cabeça forte e persistente, especialmente com alterações visuais
Por que importa: pode estar relacionada a alterações de pressão e condições hipertensivas da gestação, que podem evoluir rapidamente e afetar órgãos maternos e a placenta. Alterações visuais (pontos brilhantes, visão embaçada), dor “diferente do habitual” e sintomas associados aumentam a urgência.
- Procure atendimento imediatamente se a dor é intensa, não melhora, ou vem com visão turva/pontos brilhantes, dor na “boca do estômago”/parte alta do abdome, náuseas importantes, falta de ar, ou pressão elevada medida em casa.
O que observar para relatar: intensidade, duração, se é a “pior dor de cabeça”, alterações visuais, pressão medida (se tiver), uso de analgésico e efeito, inchaço associado.
8) Inchaço súbito (principalmente em rosto e mãos) ou ganho de peso muito rápido em poucos dias
Por que importa: pode ser sinal de retenção de líquido associada a problemas de pressão na gestação. Inchaço leve em pernas pode acontecer, mas inchaço repentino e em áreas como rosto/mãos merece avaliação.
- Procure atendimento imediatamente se o inchaço é súbito e vem com dor de cabeça, alterações visuais, falta de ar, dor na parte alta do abdome, ou pressão alta.
- Procure atendimento no mesmo dia se o inchaço é novo e importante, mesmo sem outros sintomas.
O que observar para relatar: quando começou, onde está (mãos/rosto/pernas), se há dor, falta de ar, pressão medida, ganho de peso recente.
9) Convulsões, desmaio prolongado, confusão mental ou fraqueza súbita
Por que importa: são sinais neurológicos graves. Convulsão na gestação é emergência absoluta, pois pode indicar complicações hipertensivas graves ou outras causas que ameaçam a vida.
- Chame emergência imediatamente e não tente levar sozinha dirigindo.
O que observar para relatar (se alguém estiver com você): duração do episódio, se houve queda/trauma, recuperação após o evento, pressão medida (se disponível), sintomas prévios (dor de cabeça, visão alterada).
Mini-protocolo de ação: o que fazer e o que não fazer
Passo a passo do que fazer
- Pare e avalie a gravidade. Se houver convulsão, falta de ar importante, sangramento intenso, desmaio, dor no peito, confusão mental: acione emergência.
- Se for urgente, não espere “passar”. Vá a uma maternidade/pronto atendimento obstétrico ou ao serviço orientado no seu pré-natal.
- Leve informações essenciais (pode ser em uma nota no celular):
- Idade gestacional e data provável do parto (se souber).
- Seu tipo sanguíneo (se já tiver), alergias, doenças e medicamentos em uso.
- Resumo do sintoma: quando começou, intensidade, quantidade (no caso de sangramento/perda de líquido), sinais associados.
- Resultados/relatórios relevantes que você tiver em mãos (ultrassons, exames, cartão da gestante).
- Se estiver sozinha e não se sentir segura para dirigir, chame alguém de confiança ou transporte de emergência.
- Se houver perda de líquido ou sangramento, use absorvente para observar a quantidade (evite tampões) e leve a informação ao atendimento.
O que não fazer
- Não se automedique (principalmente anti-inflamatórios, antibióticos, chás/fitoterápicos) sem orientação.
- Não faça “teste em casa” arriscado (por exemplo, inserir objetos/absorventes internos para “ver se está vazando”).
- Não minimize sintomas neurológicos (dor de cabeça intensa com visão alterada, desmaio, convulsão): isso é emergência.
- Não espere o dia seguinte quando houver redução importante de movimentos fetais, perda de líquido, sangramento ou falta de ar relevante.
Telefones e contatos (preencha e deixe visível)
| Contato | Telefone/Canal |
|---|---|
| Emergência (ambulância) | 192 (SAMU) |
| Bombeiros (resgate) | 193 |
| Pronto atendimento/maternidade de referência | __________ |
| Obstetra / equipe do pré-natal | __________ |
| Plano/convênio (autorização/urgência) | __________ |
| Pessoa de confiança (para acompanhar) | __________ |
Como relatar o problema de forma objetiva (modelo rápido)
Use este roteiro para ganhar tempo e reduzir ansiedade na triagem:
“Estou grávida de ___ semanas. Meu principal sintoma é ____. Começou há ____. Está (piorando/igual/melhorando). Intensidade 0–10: ____. Há (sangramento/perda de líquido/febre/movimentos diminuídos/falta de ar/visão turva). Tenho (alergias/doenças) e uso (medicamentos).”Exemplo: “Estou grávida de 28 semanas. Notei diminuição importante dos movimentos desde ontem à noite. Deitei de lado por uma hora e senti bem menos do que o normal. Sem sangramento, sem perda de líquido, sem febre. Uso apenas vitaminas e não tenho alergias.”
Orientação emocional: procurar atendimento não é exagero
Na primeira gestação, é comum duvidar do próprio julgamento e pensar que vai “incomodar” o serviço. Na prática, a avaliação rápida existe justamente para diferenciar o que é benigno do que precisa de intervenção. Você não precisa ter certeza do que está acontecendo para buscar ajuda — basta perceber que algo saiu do padrão ou que o sintoma é potencialmente perigoso.
Se no atendimento disserem que está tudo bem, isso não significa que você “perdeu tempo”: significa que você agiu com cuidado e confirmou segurança. Se algo precisar de tratamento, você terá chegado mais cedo, o que costuma melhorar os resultados.