Proteínas na Prática: Orçamento limitado — como bater proteína gastando menos

Capítulo 10

Tempo estimado de leitura: 9 minutos

+ Exercício

O que significa “bater proteína gastando menos”

Quando o orçamento aperta, o erro mais comum é comparar alimentos pelo preço por quilo do alimento. Isso engana, porque cada alimento tem uma densidade de proteína diferente (quantos gramas de proteína existem em 100 g do alimento). O jeito mais justo é comparar pelo custo por 100 g de proteína (ou custo por 1 g de proteína).

Exemplo rápido: 1 kg de feijão pode ser mais barato que 1 kg de frango, mas o frango tem muito mais proteína por 100 g. Então, dependendo do preço, o frango pode sair mais barato por grama de proteína.

Como comparar preço por 100 g de proteína (passo a passo)

Passo 1 — Pegue o preço do alimento

Anote o preço que você realmente paga: promoção, atacarejo, marca, etc. Use o preço por embalagem (ex.: 1 kg, 500 g, 1 lata).

Passo 2 — Descubra a proteína por 100 g (ou por porção)

Use o rótulo (quando existir) ou uma tabela nutricional confiável. Para alimentos crus vs. cozidos, compare sempre no mesmo estado (ex.: todos crus, ou todos cozidos). Se você só tem o rótulo “por porção”, transforme em “por 100 g” quando possível.

Passo 3 — Calcule quantos gramas de proteína existem na embalagem

Fórmula prática:

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Proteína total (g) = (peso do pacote em g) × (proteína em g por 100 g) ÷ 100

Passo 4 — Calcule o custo por 100 g de proteína

Fórmula:

Custo por 100 g de proteína = preço do pacote ÷ (proteína total do pacote em g) × 100

Exemplo 1 — Peito de frango

Suponha: pacote de 1.000 g por R$ 18,00. Proteína: 23 g por 100 g (valor típico cru).

Proteína total = 1000 × 23 ÷ 100 = 230 g de proteína no pacote
Custo por 100 g de proteína = 18 ÷ 230 × 100 ≈ R$ 7,83

Exemplo 2 — Feijão (grão seco)

Suponha: 1.000 g por R$ 8,00. Proteína: 21 g por 100 g (grão seco, valor típico).

Proteína total = 1000 × 21 ÷ 100 = 210 g
Custo por 100 g de proteína = 8 ÷ 210 × 100 ≈ R$ 3,81

Observação importante: feijão traz junto carboidratos e fibras e, no prato, costuma ser combinado com cereal (arroz, macarrão, pão) para melhorar o perfil de aminoácidos. Já o frango é mais “proteína concentrada”. Compare com o objetivo do prato: às vezes você quer proteína mais “pura”, às vezes quer uma refeição completa e barata.

Campeões de custo (e como usar sem enjoar)

Os preços variam por região e época, mas estes itens costumam ter bom custo por grama de proteína e boa saciedade quando bem montados.

Ovos

  • Por que são econômicos: alta versatilidade; funcionam em café da manhã, almoço e jantar.
  • Como aumentar saciedade sem aumentar muito o custo: omelete com legumes + uma fonte de carboidrato simples (arroz, pão, batata) e salada.
  • Uso prático: mexido com cebola e tomate; omelete de forno para render 2–3 refeições.

Frango (principalmente coxa/sobrecoxa)

  • Por que é econômico: cortes com osso e pele costumam ser mais baratos que peito e ainda rendem caldo.
  • Estratégia: comprar bandejas grandes em promoção e porcionar.
  • Uso prático: desfiar para recheios (panqueca, sanduíche, arroz “de forno”).

Sardinha (lata ou fresca)

  • Por que é econômica: costuma ter boa proteína por real e é prática.
  • Como usar: com arroz e feijão; em macarrão com molho de tomate; patê com iogurte/limão.

Leite e iogurte

  • Por que são econômicos: ajudam a “fechar” proteína do dia com baixo esforço; bons para lanches.
  • Dica de custo: iogurte natural em embalagem maior geralmente sai mais barato por grama de proteína do que potinhos.
  • Uso prático: iogurte com aveia e banana; vitamina com leite + fruta + aveia.

Feijões (feijão, lentilha, grão-de-bico)

  • Por que são econômicos: baixo custo por proteína e alto rendimento após cozimento.
  • Como melhorar o “poder proteico” do prato: combinar com cereal (arroz, milho, trigo) e, quando possível, adicionar um “reforço” (ovo, iogurte, PTS).
  • Uso prático: feijão com arroz; lentilha com macarrão; grão-de-bico em salada reforçada.

PTS (proteína texturizada de soja)

  • Por que é campeã: costuma ter excelente custo por grama de proteína, longa validade e preparo rápido.
  • Como deixar mais saborosa: hidratar, espremer e temperar bem (alho, cebola, páprica, cominho, shoyu).
  • Uso prático: “carne moída” de PTS para molho, recheios e refogados.

Tabela prática: como pensar em “custo por proteína” no mercado

CategoriaO que costuma baratearO que costuma encarecer
OvosBandeja grande; marcas simplesOvos “gourmet”/caipira premium
FrangoCoxa/sobrecoxa; comprar em volumePeito em cubos/temperado; porções pequenas
PeixesSardinha (lata/fresca)Filés nobres e porções prontas
LaticíniosLeite; iogurte natural grandeIogurtes proteicos prontos; potinhos individuais
LeguminosasComprar seco; cozinhar em loteVersões prontas/temperadas
SojaPTS a granel/embalagem maiorProdutos ultraprocessados “tipo carne”

Estratégias de compra para reduzir custo por grama de proteína

1) Compre proteína “base” e repita com temperos diferentes

Escolha 1–2 bases da semana (ex.: frango + ovos, ou PTS + feijão) e varie o sabor com temperos e formatos (desfiado, moído, assado, ensopado). Repetir a base reduz desperdício e compras por impulso.

2) Use promoção com regra: só vale se você conseguir porcionar

  • Promoção é boa quando você consegue congelar em porções (ex.: 300–500 g) e usar em até 1–2 meses.
  • Se não porcionar, a promoção vira desperdício (e desperdício é “custo escondido”).

3) Compare marcas pelo rótulo e pelo rendimento

Dois produtos com o mesmo preço podem ter proteínas diferentes (ex.: iogurte com mais ou menos proteína por 100 g). Para laticínios, compare também o peso total e não só o preço do potinho.

4) Prefira cortes com melhor custo e use técnicas para ficar macio

  • Frango: coxa/sobrecoxa assada e depois desfiada rende muito.
  • Carne bovina (quando entrar no orçamento): cortes mais baratos ficam melhores em panela de pressão e viram recheio (rende mais refeições).

5) Atacarejo e compras grandes: faça conta do freezer

Atacarejo funciona quando você tem: (1) espaço para armazenar, (2) potes/sacos para porcionar, (3) um plano simples de refeições. Sem isso, você compra mais do que usa.

Substituições equivalentes (para manter proteína e saciedade)

Use estas trocas quando o preço de uma proteína “disparar” na semana. A ideia é manter a refeição com boa proteína e boa saciedade, sem depender de um único alimento.

Trocas práticas

  • Carne moídaPTS bem temperada (molho bolonhesa, recheio) ou ovo + feijão (prato feito).
  • Peito de frangocoxa/sobrecoxa (assada e desfiada) ou sardinha (com arroz/feijão).
  • Atumsardinha (geralmente mais barata e funciona em receitas parecidas).
  • Iogurte caroiogurte natural grande (e você adiciona fruta/aveia em casa).
  • Refeição sem carnefeijão/lentilha + cereal (arroz, macarrão, pão) e, se possível, um reforço (ovo ou iogurte) para elevar a proteína total.

Cardápios econômicos (exemplos práticos)

Os exemplos abaixo priorizam alimentos baratos e fáceis de achar. Ajuste quantidades conforme sua meta diária (que você já estimou em outro capítulo) e conforme fome.

Cardápio econômico onívoro (1 dia)

  • Café da manhã: omelete de 2–3 ovos com tomate e cebola + 1 fruta.
  • Almoço: arroz + feijão + frango (coxa/sobrecoxa assada e desfiada) + salada (repolho e cenoura costumam ser baratos).
  • Lanche: iogurte natural (porção do pote grande) + aveia.
  • Jantar: macarrão com molho de tomate + sardinha (misturar a sardinha no molho) + legumes refogados.

Cardápio econômico vegetariano (1 dia)

  • Café da manhã: vitamina de leite + banana + aveia (ou iogurte natural batido com fruta).
  • Almoço: arroz + feijão + legumes (abobrinha, cenoura, repolho) + “carne moída” de PTS refogada.
  • Lanche: iogurte natural + fruta (ou leite + pão com pasta de grão-de-bico).
  • Jantar: lentilha ensopada + arroz (ou macarrão) + salada; se quiser reforçar, adicione PTS no ensopado.

Receitas simples para render mais e desperdiçar menos

1) Frango assado que vira 3 preparos

Objetivo: comprar um corte barato e transformar em várias refeições.

  • Como fazer: asse coxa/sobrecoxa com sal, alho, limão e páprica. Separe em: (1) porções para prato feito, (2) parte desfiada para recheios, (3) ossos/pele para caldo.
  • Rendimento: o desfiado “multiplica” porque entra em sanduíche, panqueca, arroz de forno e sopa.

2) Caldo de ossos do frango (para “esticar” refeições)

Objetivo: transformar sobras em base de sopa/arroz, reduzindo desperdício.

  • Como fazer: ferva ossos e aparas com cebola, alho e cenoura por 30–60 min. Coe e use para cozinhar arroz, fazer sopa de legumes ou feijão mais encorpado.

3) PTS “sem gosto de soja” (passo a passo)

  • Hidrate a PTS em água quente por 10 min.
  • Escorra e esprema bem (isso muda o resultado).
  • Refogue cebola e alho, adicione a PTS, páprica/cominho/pimenta e um toque de shoyu ou molho de tomate.
  • Use como base de molho, recheio ou misture no feijão para aumentar proteína do prato.

4) Feijão/lentilha em lote (e congelamento inteligente)

  • Cozinhe 1 kg e congele em potes de 1–2 conchas (porções).
  • Congele parte mais “calduda” para virar sopa e parte mais “seca” para acompanhar arroz.
  • Tempere porções diferentes (alho e louro em uma; cominho e páprica em outra) para não enjoar.

Dicas rápidas de economia que parecem pequenas, mas somam

  • Planeje 2 proteínas principais por semana e 1 “coringa” barato (ovos ou PTS) para cobrir imprevistos.
  • Use legumes baratos para volume e saciedade (repolho, cenoura, abobrinha, chuchu): aumentam o prato sem aumentar muito o custo.
  • Evite comprar “pronto” quando o objetivo é proteína barata: cubos temperados, hambúrgueres prontos e potinhos individuais quase sempre pioram o custo por proteína.
  • Faça porções antes de guardar: o que está porcionado é o que você realmente usa.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao tentar “bater proteína gastando menos”, qual é a forma mais justa de comparar dois alimentos com diferentes densidades de proteína?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

O preço por quilo pode enganar porque cada alimento tem densidade de proteína diferente. A comparação mais justa é pelo custo por 100 g (ou 1 g) de proteína, usando a proteína total da embalagem no cálculo.

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