O que significa “bater proteína gastando menos”
Quando o orçamento aperta, o erro mais comum é comparar alimentos pelo preço por quilo do alimento. Isso engana, porque cada alimento tem uma densidade de proteína diferente (quantos gramas de proteína existem em 100 g do alimento). O jeito mais justo é comparar pelo custo por 100 g de proteína (ou custo por 1 g de proteína).
Exemplo rápido: 1 kg de feijão pode ser mais barato que 1 kg de frango, mas o frango tem muito mais proteína por 100 g. Então, dependendo do preço, o frango pode sair mais barato por grama de proteína.
Como comparar preço por 100 g de proteína (passo a passo)
Passo 1 — Pegue o preço do alimento
Anote o preço que você realmente paga: promoção, atacarejo, marca, etc. Use o preço por embalagem (ex.: 1 kg, 500 g, 1 lata).
Passo 2 — Descubra a proteína por 100 g (ou por porção)
Use o rótulo (quando existir) ou uma tabela nutricional confiável. Para alimentos crus vs. cozidos, compare sempre no mesmo estado (ex.: todos crus, ou todos cozidos). Se você só tem o rótulo “por porção”, transforme em “por 100 g” quando possível.
Passo 3 — Calcule quantos gramas de proteína existem na embalagem
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Proteína total (g) = (peso do pacote em g) × (proteína em g por 100 g) ÷ 100Passo 4 — Calcule o custo por 100 g de proteína
Fórmula:
Custo por 100 g de proteína = preço do pacote ÷ (proteína total do pacote em g) × 100Exemplo 1 — Peito de frango
Suponha: pacote de 1.000 g por R$ 18,00. Proteína: 23 g por 100 g (valor típico cru).
Proteína total = 1000 × 23 ÷ 100 = 230 g de proteína no pacoteCusto por 100 g de proteína = 18 ÷ 230 × 100 ≈ R$ 7,83Exemplo 2 — Feijão (grão seco)
Suponha: 1.000 g por R$ 8,00. Proteína: 21 g por 100 g (grão seco, valor típico).
Proteína total = 1000 × 21 ÷ 100 = 210 gCusto por 100 g de proteína = 8 ÷ 210 × 100 ≈ R$ 3,81Observação importante: feijão traz junto carboidratos e fibras e, no prato, costuma ser combinado com cereal (arroz, macarrão, pão) para melhorar o perfil de aminoácidos. Já o frango é mais “proteína concentrada”. Compare com o objetivo do prato: às vezes você quer proteína mais “pura”, às vezes quer uma refeição completa e barata.
Campeões de custo (e como usar sem enjoar)
Os preços variam por região e época, mas estes itens costumam ter bom custo por grama de proteína e boa saciedade quando bem montados.
Ovos
- Por que são econômicos: alta versatilidade; funcionam em café da manhã, almoço e jantar.
- Como aumentar saciedade sem aumentar muito o custo: omelete com legumes + uma fonte de carboidrato simples (arroz, pão, batata) e salada.
- Uso prático: mexido com cebola e tomate; omelete de forno para render 2–3 refeições.
Frango (principalmente coxa/sobrecoxa)
- Por que é econômico: cortes com osso e pele costumam ser mais baratos que peito e ainda rendem caldo.
- Estratégia: comprar bandejas grandes em promoção e porcionar.
- Uso prático: desfiar para recheios (panqueca, sanduíche, arroz “de forno”).
Sardinha (lata ou fresca)
- Por que é econômica: costuma ter boa proteína por real e é prática.
- Como usar: com arroz e feijão; em macarrão com molho de tomate; patê com iogurte/limão.
Leite e iogurte
- Por que são econômicos: ajudam a “fechar” proteína do dia com baixo esforço; bons para lanches.
- Dica de custo: iogurte natural em embalagem maior geralmente sai mais barato por grama de proteína do que potinhos.
- Uso prático: iogurte com aveia e banana; vitamina com leite + fruta + aveia.
Feijões (feijão, lentilha, grão-de-bico)
- Por que são econômicos: baixo custo por proteína e alto rendimento após cozimento.
- Como melhorar o “poder proteico” do prato: combinar com cereal (arroz, milho, trigo) e, quando possível, adicionar um “reforço” (ovo, iogurte, PTS).
- Uso prático: feijão com arroz; lentilha com macarrão; grão-de-bico em salada reforçada.
PTS (proteína texturizada de soja)
- Por que é campeã: costuma ter excelente custo por grama de proteína, longa validade e preparo rápido.
- Como deixar mais saborosa: hidratar, espremer e temperar bem (alho, cebola, páprica, cominho, shoyu).
- Uso prático: “carne moída” de PTS para molho, recheios e refogados.
Tabela prática: como pensar em “custo por proteína” no mercado
| Categoria | O que costuma baratear | O que costuma encarecer |
|---|---|---|
| Ovos | Bandeja grande; marcas simples | Ovos “gourmet”/caipira premium |
| Frango | Coxa/sobrecoxa; comprar em volume | Peito em cubos/temperado; porções pequenas |
| Peixes | Sardinha (lata/fresca) | Filés nobres e porções prontas |
| Laticínios | Leite; iogurte natural grande | Iogurtes proteicos prontos; potinhos individuais |
| Leguminosas | Comprar seco; cozinhar em lote | Versões prontas/temperadas |
| Soja | PTS a granel/embalagem maior | Produtos ultraprocessados “tipo carne” |
Estratégias de compra para reduzir custo por grama de proteína
1) Compre proteína “base” e repita com temperos diferentes
Escolha 1–2 bases da semana (ex.: frango + ovos, ou PTS + feijão) e varie o sabor com temperos e formatos (desfiado, moído, assado, ensopado). Repetir a base reduz desperdício e compras por impulso.
2) Use promoção com regra: só vale se você conseguir porcionar
- Promoção é boa quando você consegue congelar em porções (ex.: 300–500 g) e usar em até 1–2 meses.
- Se não porcionar, a promoção vira desperdício (e desperdício é “custo escondido”).
3) Compare marcas pelo rótulo e pelo rendimento
Dois produtos com o mesmo preço podem ter proteínas diferentes (ex.: iogurte com mais ou menos proteína por 100 g). Para laticínios, compare também o peso total e não só o preço do potinho.
4) Prefira cortes com melhor custo e use técnicas para ficar macio
- Frango: coxa/sobrecoxa assada e depois desfiada rende muito.
- Carne bovina (quando entrar no orçamento): cortes mais baratos ficam melhores em panela de pressão e viram recheio (rende mais refeições).
5) Atacarejo e compras grandes: faça conta do freezer
Atacarejo funciona quando você tem: (1) espaço para armazenar, (2) potes/sacos para porcionar, (3) um plano simples de refeições. Sem isso, você compra mais do que usa.
Substituições equivalentes (para manter proteína e saciedade)
Use estas trocas quando o preço de uma proteína “disparar” na semana. A ideia é manter a refeição com boa proteína e boa saciedade, sem depender de um único alimento.
Trocas práticas
- Carne moída → PTS bem temperada (molho bolonhesa, recheio) ou ovo + feijão (prato feito).
- Peito de frango → coxa/sobrecoxa (assada e desfiada) ou sardinha (com arroz/feijão).
- Atum → sardinha (geralmente mais barata e funciona em receitas parecidas).
- Iogurte caro → iogurte natural grande (e você adiciona fruta/aveia em casa).
- Refeição sem carne → feijão/lentilha + cereal (arroz, macarrão, pão) e, se possível, um reforço (ovo ou iogurte) para elevar a proteína total.
Cardápios econômicos (exemplos práticos)
Os exemplos abaixo priorizam alimentos baratos e fáceis de achar. Ajuste quantidades conforme sua meta diária (que você já estimou em outro capítulo) e conforme fome.
Cardápio econômico onívoro (1 dia)
- Café da manhã: omelete de 2–3 ovos com tomate e cebola + 1 fruta.
- Almoço: arroz + feijão + frango (coxa/sobrecoxa assada e desfiada) + salada (repolho e cenoura costumam ser baratos).
- Lanche: iogurte natural (porção do pote grande) + aveia.
- Jantar: macarrão com molho de tomate + sardinha (misturar a sardinha no molho) + legumes refogados.
Cardápio econômico vegetariano (1 dia)
- Café da manhã: vitamina de leite + banana + aveia (ou iogurte natural batido com fruta).
- Almoço: arroz + feijão + legumes (abobrinha, cenoura, repolho) + “carne moída” de PTS refogada.
- Lanche: iogurte natural + fruta (ou leite + pão com pasta de grão-de-bico).
- Jantar: lentilha ensopada + arroz (ou macarrão) + salada; se quiser reforçar, adicione PTS no ensopado.
Receitas simples para render mais e desperdiçar menos
1) Frango assado que vira 3 preparos
Objetivo: comprar um corte barato e transformar em várias refeições.
- Como fazer: asse coxa/sobrecoxa com sal, alho, limão e páprica. Separe em: (1) porções para prato feito, (2) parte desfiada para recheios, (3) ossos/pele para caldo.
- Rendimento: o desfiado “multiplica” porque entra em sanduíche, panqueca, arroz de forno e sopa.
2) Caldo de ossos do frango (para “esticar” refeições)
Objetivo: transformar sobras em base de sopa/arroz, reduzindo desperdício.
- Como fazer: ferva ossos e aparas com cebola, alho e cenoura por 30–60 min. Coe e use para cozinhar arroz, fazer sopa de legumes ou feijão mais encorpado.
3) PTS “sem gosto de soja” (passo a passo)
- Hidrate a PTS em água quente por 10 min.
- Escorra e esprema bem (isso muda o resultado).
- Refogue cebola e alho, adicione a PTS, páprica/cominho/pimenta e um toque de shoyu ou molho de tomate.
- Use como base de molho, recheio ou misture no feijão para aumentar proteína do prato.
4) Feijão/lentilha em lote (e congelamento inteligente)
- Cozinhe 1 kg e congele em potes de 1–2 conchas (porções).
- Congele parte mais “calduda” para virar sopa e parte mais “seca” para acompanhar arroz.
- Tempere porções diferentes (alho e louro em uma; cominho e páprica em outra) para não enjoar.
Dicas rápidas de economia que parecem pequenas, mas somam
- Planeje 2 proteínas principais por semana e 1 “coringa” barato (ovos ou PTS) para cobrir imprevistos.
- Use legumes baratos para volume e saciedade (repolho, cenoura, abobrinha, chuchu): aumentam o prato sem aumentar muito o custo.
- Evite comprar “pronto” quando o objetivo é proteína barata: cubos temperados, hambúrgueres prontos e potinhos individuais quase sempre pioram o custo por proteína.
- Faça porções antes de guardar: o que está porcionado é o que você realmente usa.