O que significa “proteger o dispositivo” no dia a dia
Proteger o dispositivo (celular, tablet ou computador) é reduzir as chances de alguém acessar seus dados ou de um programa malicioso causar danos, mesmo quando você não está olhando. Na prática, isso envolve três pilares que se complementam: manter o sistema e os aplicativos atualizados, impedir acesso físico ou casual com bloqueios e criptografia, e garantir que seus arquivos possam ser recuperados com backups. Esses pilares são importantes porque muitos incidentes começam com algo simples: um aparelho perdido, um sistema desatualizado com falhas conhecidas, ou um defeito que apaga fotos e documentos sem aviso.
Este capítulo foca em medidas no próprio dispositivo (configurações e rotinas). Ele não depende de você “ser especialista”: a ideia é criar um padrão de proteção que funcione automaticamente, com o mínimo de esforço contínuo.
Atualizações: por que são essenciais e o que atualizar
O que uma atualização corrige
Atualizações não servem apenas para “novidades”. A parte mais importante é a correção de falhas de segurança. Falhas são erros no sistema ou em aplicativos que podem permitir que um invasor execute ações indevidas: ler dados, instalar algo sem permissão, travar o aparelho para pedir resgate, ou contornar proteções. Quando uma falha vira pública, criminosos passam a explorá-la em larga escala, principalmente em versões antigas.
Por isso, atualizar cedo reduz a janela de risco: o período entre a falha ser conhecida e o seu dispositivo receber a correção.
O que deve ser atualizado
- Sistema operacional (Android, iOS, Windows, macOS, Linux): é a camada mais crítica.
- Aplicativos: navegadores, mensageiros, leitores de PDF, apps de banco, apps de trabalho e qualquer app que lide com arquivos.
- Navegador e componentes web: muitos ataques exploram páginas e scripts maliciosos; navegador atualizado reduz esse risco.
- Firmware e drivers (mais comum em computadores): atualizações de placa de vídeo, Wi-Fi, Bluetooth e BIOS/UEFI podem corrigir vulnerabilidades.
Atualização automática: quando usar e como configurar
Para a maioria das pessoas, a melhor escolha é ativar atualizações automáticas. Isso diminui a chance de esquecer e evita ficar meses exposto. Em alguns casos, você pode preferir controlar (por exemplo, em computador de trabalho com softwares sensíveis), mas ainda assim deve manter uma rotina de checagem.
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Baixar o aplicativo
Passo a passo: ativar atualizações no celular (Android)
- Atualização do sistema: abra Configurações > procure por Atualização de software ou Sistema > Atualização do sistema. Ative Baixar automaticamente (se existir) e verifique se há atualização.
- Atualização de apps: abra a loja de aplicativos > Gerenciar apps > Atualizar tudo. Em Configurações da loja, ative Atualizar apps automaticamente (preferencialmente em Wi-Fi, se você quiser economizar dados móveis).
- Reinícios: algumas correções só entram em vigor após reiniciar. Se o aparelho pede reinício, faça assim que possível.
Passo a passo: ativar atualizações no celular (iPhone/iPad)
- Atualização do iOS/iPadOS: Ajustes > Geral > Atualização de Software > Atualizações Automáticas > ative Baixar Atualizações do iOS e Instalar Atualizações do iOS.
- Atualização de apps: Ajustes > App Store > ative Atualizações de Apps.
Passo a passo: atualizações no computador (Windows)
- Abra Configurações > Windows Update.
- Clique em Verificar atualizações.
- Ative opções como Receber atualizações para outros produtos (quando disponível) e mantenha o agendamento de reinício.
- Em Opções avançadas, verifique se as atualizações estão sendo instaladas automaticamente.
Passo a passo: atualizações no computador (macOS)
- Abra Ajustes do Sistema > Geral > Atualização de Software.
- Ative Atualizações automáticas e marque opções de baixar e instalar atualizações do sistema e de apps.
Boas práticas para atualizar com segurança
- Prefira redes confiáveis para baixar atualizações grandes (por estabilidade e para evitar interrupções).
- Evite “atualizadores” de terceiros que prometem acelerar o processo; use os mecanismos oficiais do sistema e das lojas.
- Não adie atualizações críticas: se o sistema indicar atualização de segurança, trate como prioridade.
- Desconfie de pop-ups em sites dizendo “seu aparelho está desatualizado, clique aqui”. Atualização legítima é feita nas configurações do sistema ou na loja oficial.
Bloqueios e controle de acesso: impedir uso indevido quando o aparelho cai em mãos erradas
Bloqueio de tela: o mínimo obrigatório
O bloqueio de tela é a barreira mais importante contra acesso físico. Sem ele, qualquer pessoa com o aparelho consegue abrir fotos, e-mails, conversas, apps e até redefinir algumas configurações. Com ele, você ganha tempo para agir: localizar, bloquear remotamente ou apagar dados (quando esse recurso estiver configurado).
O ideal é usar um método forte e prático: PIN longo, senha, ou biometria combinada com PIN/senha. Biometria é conveniente, mas o PIN/senha continua sendo a “chave mestra” para reinícios, mudanças de segurança e situações em que a biometria falha.
Qual bloqueio escolher: PIN, senha, padrão e biometria
- PIN: escolha um PIN com 6 dígitos ou mais. Evite datas, sequências (123456) e repetições (000000).
- Senha alfanumérica: mais forte, porém menos prática para desbloqueio frequente. Boa para tablets e computadores.
- Padrão (desenho): tende a ser mais fraco porque deixa marcas na tela e é fácil de observar. Se usar, crie um padrão longo e não óbvio.
- Biometria (digital/rosto): ótima para conveniência, mas sempre com PIN/senha forte como backup.
Passo a passo: configurar bloqueio forte no Android
- Abra Configurações > Segurança ou Segurança e privacidade.
- Entre em Bloqueio de tela e selecione PIN (6+ dígitos) ou Senha.
- Ative Bloqueio automático com tempo curto (por exemplo, 30 segundos a 1 minuto).
- Ative Bloquear imediatamente com o botão liga/desliga (quando existir), para que o aparelho trave assim que a tela apagar.
- Se usar biometria, cadastre e confirme que o PIN continua exigido após reiniciar.
Passo a passo: configurar bloqueio forte no iPhone/iPad
- Abra Ajustes > Face ID/Touch ID e Código.
- Ative Código e escolha Código Alfanumérico Personalizado ou Código Numérico Personalizado (prefira 6+ dígitos).
- Em Exigir Código, selecione um tempo curto (idealmente Imediatamente).
- Revise o que pode ser acessado com a tela bloqueada (por exemplo, respostas rápidas, central de controle), e desative o que você não precisa.
Bloqueio em computadores: conta, senha e bloqueio automático
No computador, o risco comum é alguém usar a máquina “por alguns minutos” e acessar arquivos, e-mails, histórico do navegador e documentos de trabalho. O bloqueio automático reduz esse risco quando você se afasta.
Passo a passo: bloquear automaticamente no Windows
- Crie/garanta uma senha forte na conta do usuário.
- Ative bloqueio ao retomar: Configurações > Contas > Opções de entrada > em Exigir entrada, selecione Sempre.
- Ajuste tempo de suspensão/tela: Configurações > Sistema > Energia e bateria > defina a tela para desligar em poucos minutos.
- Atalho útil: Windows + L para bloquear imediatamente.
Passo a passo: bloquear automaticamente no macOS
- Ative senha de login e, se possível, Touch ID.
- Em Ajustes do Sistema > Tela de Bloqueio, configure para exigir senha imediatamente após iniciar o protetor de tela ou desligar a tela.
- Atalho útil: Control + Command + Q para bloquear.
Criptografia: proteger dados mesmo se o armazenamento for removido
Criptografia embaralha os dados do armazenamento e só permite leitura após autenticação. Isso é crucial em caso de perda/roubo: mesmo que alguém tente acessar o chip de memória ou o disco, os arquivos ficam ilegíveis sem a chave.
- Celulares: em geral, dispositivos modernos já usam criptografia por padrão quando há bloqueio de tela configurado. O ponto-chave é: sem bloqueio forte, a criptografia perde valor prático.
- Computadores: vale ativar criptografia de disco (quando disponível). Em Windows, isso pode aparecer como criptografia do dispositivo ou recurso equivalente; em macOS, como criptografia do disco.
Passo a passo: verificar/ativar criptografia no computador
- Windows: em Configurações > Privacidade e segurança ou Sistema, procure por Criptografia do dispositivo. Se existir, ative. Em edições que suportam criptografia avançada, procure por configurações de criptografia de unidade. Guarde a chave de recuperação em local seguro.
- macOS: em Ajustes do Sistema > Privacidade e Segurança, procure por criptografia do disco e ative. Guarde a chave de recuperação conforme instruções do sistema.
Bloqueios adicionais que valem a pena
- Bloqueio de SIM (PIN do chip): impede que alguém use seu número em outro aparelho para receber ligações e mensagens. Ative um PIN do SIM e guarde-o com cuidado.
- Bloqueio de apps sensíveis: alguns aparelhos permitem exigir biometria/PIN para abrir apps específicos (banco, galeria, gerenciador de arquivos). Use se disponível.
- Notificações na tela bloqueada: ocultar conteúdo de notificações reduz vazamento de dados quando o aparelho está sobre a mesa.
Backups: a proteção contra perda, defeito, roubo e erros
O que é backup (e o que não é)
Backup é uma cópia separada dos seus dados, mantida de forma que você consiga restaurar caso o original seja perdido, corrompido ou apagado. “Separada” é a palavra-chave: se a cópia fica no mesmo dispositivo, não é backup de verdade contra roubo, perda ou falha física.
Também é importante diferenciar backup de sincronização. Sincronização mantém dados iguais em vários lugares. Se você apagar algo e a sincronização estiver ativa, a exclusão pode se propagar. Um bom plano de backup considera versões anteriores (histórico) ou uma cópia que não seja imediatamente sobrescrita.
O que deve entrar no backup
- Fotos e vídeos (geralmente o item mais valioso e volumoso).
- Documentos: PDFs, contratos, comprovantes, arquivos de trabalho.
- Contatos e calendário.
- Conversas (quando o app permite exportar ou fazer backup).
- Configurações importantes: lista de apps, preferências e dados de autenticação onde for possível.
Estratégia simples e robusta: regra 3-2-1 (adaptada)
Uma forma prática de pensar em backup é manter: 3 cópias (o original + 2 cópias), em 2 tipos de mídia (por exemplo, nuvem e HD externo), com 1 cópia fora do dispositivo principal (por exemplo, na nuvem ou em um disco guardado em outro local). Você não precisa começar perfeito; pode evoluir em etapas.
Passo a passo: backup no celular (Android)
- Abra Configurações > procure por Backup (às vezes em Sistema).
- Ative Backup do dispositivo e confirme a conta usada para armazenar o backup.
- Verifique itens incluídos: apps, histórico de chamadas (quando disponível), configurações, contatos e fotos (fotos podem ter configuração separada no app de galeria/fotos).
- Defina rotina: deixe o aparelho carregar e conectado ao Wi-Fi em horários previsíveis para o backup ocorrer automaticamente.
Passo a passo: backup no iPhone/iPad
- Abra Ajustes > toque no seu nome (conta) > iCloud > Backup do iCloud.
- Ative Backup do iCloud e toque em Fazer Backup Agora para a primeira execução.
- Verifique o armazenamento disponível e quais apps estão incluídos no backup do iCloud.
- Mantenha a rotina: aparelho no carregador e em Wi-Fi para backups automáticos.
Backup no computador: arquivos e sistema
No computador, pense em duas camadas: backup de arquivos (pastas importantes) e, quando fizer sentido, uma imagem do sistema (uma cópia mais completa que facilita recuperação após falhas graves). Para a maioria das pessoas, começar com backup de arquivos já traz grande benefício.
Passo a passo: backup de arquivos no Windows
- Identifique pastas críticas: Documentos, Área de Trabalho, Imagens, Downloads (se você guarda arquivos ali), e pastas de projetos.
- Use um HD/SSD externo: conecte e crie uma pasta “Backup”.
- Copie as pastas críticas para o disco externo. Para facilitar, mantenha sempre a mesma estrutura de pastas.
- Agende uma rotina: semanal (uso pessoal) ou diária (uso de trabalho).
- Se o sistema oferecer ferramenta de histórico de arquivos/backup, ative e aponte para o disco externo.
Passo a passo: backup de arquivos no macOS
- Conecte um HD/SSD externo dedicado a backup.
- Ative a ferramenta de backup do sistema e selecione o disco externo como destino.
- Deixe o disco conectado em horários regulares para backups automáticos.
Backups de fotos e documentos: evitando armadilhas comuns
- Verifique se está realmente fazendo backup: abra o app/serviço de backup e confirme a data do último backup e a quantidade de itens.
- Teste restauração: escolha um arquivo pouco importante, apague do dispositivo e recupere do backup para confirmar que funciona.
- Evite depender de um único lugar: se possível, combine nuvem + disco externo.
- Cuidado com “limpeza automática”: alguns apps removem do aparelho após enviar para a nuvem. Isso pode ser bom para espaço, mas aumenta dependência da nuvem; confirme se você consegue baixar novamente.
Backup de conversas e dados de aplicativos
Alguns aplicativos permitem backup interno (por exemplo, exportação de conversas ou backup criptografado). Quando existir, ative e revise a frequência. Se o app oferecer opção de backup com criptografia ponta a ponta, prefira, e guarde a chave/senha de recuperação em local seguro. Sem essa chave, você pode perder acesso ao backup.
Rotina prática: checklist mensal de proteção do dispositivo
Uma rotina curta evita que a segurança dependa de memória. Reserve 10 a 15 minutos por mês para checar:
- Atualizações: sistema e apps estão em dia? Há atualização pendente exigindo reinício?
- Bloqueio: tempo de bloqueio automático está curto? PIN/senha continua forte e não foi compartilhado?
- Criptografia: continua ativa (especialmente após reinstalações)?
- Backup: data do último backup é recente? Há espaço suficiente? Você consegue localizar um arquivo antigo no backup?
- Disco externo (se usar): está funcionando e foi usado recentemente?
Exemplos práticos de cenários e como essas medidas ajudam
Cenário 1: celular perdido no transporte
Com bloqueio forte e tempo de bloqueio curto, quem encontrar o aparelho terá dificuldade para acessar dados. Com criptografia ativa (normalmente atrelada ao bloqueio), os arquivos ficam protegidos. Com backup recente, você não perde fotos, contatos e documentos importantes ao trocar de aparelho.
Cenário 2: computador esquecido destravado no trabalho/casa
Bloqueio automático e exigência de senha ao retomar impedem que outra pessoa acesse e-mails, arquivos e histórico. Se o disco estiver criptografado, mesmo que o computador seja levado, o conteúdo do armazenamento fica protegido.
Cenário 3: falha após atualização ou travamento do sistema
Atualizações são necessárias, mas podem ocasionalmente causar instabilidade. Ter backup (especialmente de arquivos) permite restaurar rapidamente o que importa. Por isso, uma prática útil é garantir que o backup esteja recente antes de grandes atualizações do sistema, principalmente em computadores.
Guia rápido: configurações recomendadas (resumo operacional)
- Atualizações: automáticas ativadas para sistema e apps; reiniciar quando solicitado.
- Bloqueio de tela: PIN de 6+ dígitos ou senha; bloqueio imediato ou em até 1 minuto; biometria como conveniência, não como única proteção.
- Notificações: ocultar conteúdo sensível na tela bloqueada.
- Criptografia: garantir que está ativa (principalmente em notebooks).
- Backup: automático na nuvem + cópia periódica em disco externo (quando possível); testar restauração ocasionalmente.
Procedimento de emergência: se você suspeitar que o dispositivo foi comprometido
Este procedimento foca no dispositivo em si (sem entrar em detalhes de golpes por mensagens ou e-mails). Se você notar sinais como aquecimento anormal constante, consumo de bateria muito acima do normal, apps desconhecidos, permissões estranhas ou travamentos frequentes, faça uma resposta em camadas:
- 1) Desconecte: desligue Wi-Fi e dados móveis temporariamente para reduzir comunicação com serviços suspeitos.
- 2) Atualize: verifique atualizações do sistema e dos apps (muitas correções removem vetores de exploração conhecidos).
- 3) Revise apps instalados: remova o que você não reconhece ou não usa, especialmente se foi instalado recentemente.
- 4) Faça backup do essencial: priorize fotos e documentos, evitando copiar executáveis desconhecidos no computador.
- 5) Restauração: se o problema persistir, considere restaurar o dispositivo para padrão de fábrica e reinstalar apenas o necessário, recuperando dados do backup.
Ao restaurar, o objetivo é voltar a um estado limpo. Por isso, é importante ter backups organizados e saber exatamente o que recuperar.