Primeiro trimestre na primeira gestação: desenvolvimento do bebê e cuidados essenciais

Capítulo 6

Tempo estimado de leitura: 11 minutos

+ Exercício

O que é o primeiro trimestre e por que ele é tão importante

O primeiro trimestre vai, aproximadamente, da semana 1 à 13 da gestação (contadas a partir do primeiro dia da última menstruação). É a fase em que ocorre a organogênese: formação inicial dos principais órgãos e estruturas do bebê. Por isso, é um período especialmente sensível a fatores como álcool, tabaco, algumas medicações, infecções e deficiências nutricionais. Para a gestante, é comum haver oscilações de energia, náuseas, maior sensibilidade a cheiros, alterações intestinais e necessidade de ajustes na rotina.

Semana a semana (aproximado): desenvolvimento do bebê e mudanças maternas

Semanas 1–2: preparação do corpo e ovulação

Bebê: ainda não há embrião implantado; o corpo se prepara para uma possível gestação.

Mãe: geralmente sem sinais específicos. Se você já está tentando engravidar, este é um bom momento para hábitos protetores e suplementação pré-concepcional quando indicada.

Semana 3: fecundação e início das divisões celulares

Bebê: ocorre a fecundação e as primeiras divisões celulares. O material genético é definido.

Mãe: normalmente sem sintomas claros. Evitar álcool e automedicação é especialmente prudente, pois muitas pessoas ainda não sabem que estão grávidas.

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Semana 4: implantação e início da placenta

Bebê: o embrião se implanta no útero; começa a formação inicial da placenta e do saco gestacional.

Mãe: pode haver atraso menstrual, cólicas leves e pequeno sangramento de implantação (geralmente discreto e curto). Sangramento intenso, dor forte ou tontura importante merecem avaliação.

Semana 5: tubo neural e início do coração

Bebê: começa a formação do tubo neural (base do cérebro e da medula) e estruturas cardíacas iniciais.

Mãe: náuseas, cansaço e sensibilidade mamária podem aumentar. Cheiros e certos alimentos podem desencadear enjoo.

Semana 6: batimentos cardíacos e brotos de membros

Bebê: batimentos cardíacos podem ser detectáveis em exame de imagem; surgem brotos que darão origem a braços e pernas.

Mãe: azia, salivação aumentada, constipação e sonolência são frequentes. Hidratação e fracionamento das refeições ajudam.

Semana 7: desenvolvimento do cérebro e face

Bebê: crescimento acelerado do cérebro; início de traços faciais e estruturas oculares.

Mãe: variações de apetite e aversões alimentares podem ser marcantes. É comum “não suportar” certos cheiros (café, frituras, perfumes).

Semana 8: órgãos em formação e movimentos iniciais

Bebê: órgãos principais estão em formação; podem ocorrer movimentos embrionários iniciais (ainda não percebidos pela mãe).

Mãe: pode haver sensação de estufamento e gases. Roupas mais confortáveis e refeições menores tendem a aliviar.

Semana 9: transição gradual para fase fetal

Bebê: estruturas se refinam; dedos começam a se diferenciar.

Mãe: náuseas podem persistir, mas algumas pessoas começam a notar leve melhora. Se vômitos forem frequentes a ponto de impedir alimentação/hidratação, é importante buscar orientação.

Semana 10: ossos e dentes em formação

Bebê: inicia mineralização óssea e formação de brotos dentários; placenta assume papel maior na produção hormonal.

Mãe: em algumas gestantes, os enjoos começam a reduzir. Pode haver cefaleia por alterações hormonais, sono irregular ou baixa ingestão de água.

Semana 11: crescimento e amadurecimento

Bebê: crescimento contínuo; órgãos seguem amadurecendo.

Mãe: pode notar mais disposição. Persistência de constipação é comum; fibras e água são aliados.

Semana 12: reflexos e movimentos mais coordenados

Bebê: movimentos ficam mais coordenados; reflexos começam a aparecer.

Mãe: muitas gestantes relatam redução de náuseas e melhora do apetite. Ainda assim, o sono pode seguir fragmentado.

Semana 13: fechamento do primeiro trimestre

Bebê: fase fetal se consolida; estruturas principais já estão formadas e passam por crescimento e refinamento.

Mãe: tendência a maior estabilidade de sintomas. É um bom momento para revisar rotina de alimentação, atividade física e sono para o restante da gestação.

Cuidados essenciais no primeiro trimestre (com passo a passo)

1) Suplementação: o que costuma ser indicado e como organizar

A suplementação deve ser individualizada pelo profissional que acompanha sua gestação, mas alguns itens são muito comuns no primeiro trimestre.

  • Ácido fólico (folato): amplamente recomendado para reduzir risco de defeitos do tubo neural, especialmente no início.
  • Ferro: pode ser indicado conforme exames e risco de anemia; algumas gestantes iniciam mais tarde, outras já no primeiro trimestre.
  • Iodo: pode ser recomendado em alguns contextos (dependendo da dieta e orientação local).
  • Vitamina D, B12, ômega-3: podem ser considerados conforme alimentação, exames e condições clínicas.

Passo a passo prático para não esquecer e reduzir efeitos colaterais:

  1. Confirme a prescrição: use apenas o que foi orientado para você (dose e horário).
  2. Crie um “horário âncora”: associe o suplemento a um hábito fixo (ex.: após escovar os dentes à noite).
  3. Se houver enjoo: pergunte se pode tomar com pequena refeição; algumas fórmulas irritam menos o estômago quando não estão em jejum.
  4. Se houver constipação (com ferro): aumente água e fibras; converse sobre ajuste de dose/formulação se necessário.
  5. Evite interações comuns: cálcio/leite, café e chá podem atrapalhar a absorção de ferro; deixe um intervalo se essa for a orientação do seu profissional.
  6. Use lembrete: alarme no celular ou organizador semanal.

2) Vacinas: como pensar com segurança

Vacinas protegem a gestante e o bebê, mas o esquema depende do seu histórico, do calendário local e da avaliação do profissional. Em geral, algumas vacinas são recomendadas na gestação e outras são evitadas (especialmente as de vírus vivo atenuado).

Passo a passo prático:

  1. Separe seu cartão de vacinação (ou registre o que lembra ter tomado).
  2. Leve às consultas para checagem de pendências.
  3. Pergunte explicitamente quais vacinas são indicadas no seu caso e em qual semana.
  4. Após vacinar: observe reações locais (dor, vermelhidão) e febre; siga orientações para antitérmico apenas se indicado.

3) Atividade física segura: o que fazer e como começar

Para a maioria das gestantes sem contraindicações, manter-se ativa é benéfico: melhora disposição, sono, humor, circulação e pode ajudar em dores e constipação. O tipo e intensidade devem respeitar seu condicionamento e sintomas (como náuseas e cansaço).

Opções geralmente bem toleradas: caminhada, bicicleta ergométrica, natação/hidroginástica, pilates e musculação leve com orientação.

Passo a passo prático (iniciantes):

  1. Confirme liberação com seu profissional, especialmente se houver sangramento, dor importante, histórico de perdas, anemia importante ou outras condições.
  2. Comece pequeno: 10–15 minutos, 3x/semana, aumentando gradualmente.
  3. Use o “teste da fala”: você deve conseguir conversar durante o exercício; se não consegue, reduza a intensidade.
  4. Hidrate-se e alimente-se com algo leve antes, se isso reduzir enjoo.
  5. Evite riscos: esportes com impacto/queda, mergulho, atividades com superaquecimento e treinos extenuantes sem acompanhamento.
  6. Interrompa e procure orientação se houver sangramento, dor forte, falta de ar intensa, tontura persistente, dor no peito ou contrações.

4) Sono e fadiga: estratégias para o dia a dia

No primeiro trimestre, a progesterona pode aumentar sonolência e reduzir energia. Além disso, náuseas, refluxo e ansiedade podem fragmentar o sono.

Passo a passo prático:

  1. Defina horário regular para dormir e acordar (mesmo nos fins de semana, quando possível).
  2. Faça um “desligamento” 60 minutos antes: luz baixa, banho morno, leitura leve.
  3. Se houver refluxo: evite deitar logo após comer; eleve levemente a cabeceira.
  4. Sonecas curtas (20–30 min) podem ajudar sem atrapalhar o sono noturno.
  5. Se acordar com fome/enjoo: deixe um lanche simples ao lado da cama (ex.: bolacha água e sal) e água.

5) Saúde bucal: prevenção de gengivite e cáries

Alterações hormonais podem aumentar sangramento gengival e inflamação. Vômitos frequentes também expõem os dentes ao ácido, elevando risco de desgaste e cárie.

Passo a passo prático:

  1. Escove 2–3x/dia com creme dental fluoretado e escova macia.
  2. Use fio dental diariamente (gengiva pode sangrar no início, mas tende a melhorar com regularidade).
  3. Após vômito: enxágue a boca com água (ou água com um pouco de bicarbonato, se orientado) e espere cerca de 30 minutos para escovar, evitando desgaste do esmalte.
  4. Agende avaliação odontológica e informe a gestação; limpezas e tratamentos necessários costumam ser possíveis com cuidados.

6) Relações sexuais: quando costuma ser seguro e quando evitar

Em gestações sem complicações e sem contraindicações médicas, relações sexuais geralmente são seguras no primeiro trimestre. É comum haver variação de libido por náuseas, cansaço e sensibilidade mamária.

Cuidados práticos:

  • Conforto: priorize posições que não pressionem o abdômen e respeitem o bem-estar.
  • Lubrificação: se houver ressecamento, lubrificante à base de água pode ajudar.
  • Procure orientação antes de manter relações se houver sangramento, dor pélvica importante, perda de líquido, placenta prévia diagnosticada, ameaça de aborto, incompetência cervical ou recomendação específica de abstinência.

Hábitos protetores para o primeiro trimestre (checklist)

  • Álcool: evitar (não há dose comprovadamente segura na gestação).
  • Tabaco e vape: evitar; buscar apoio para cessação se necessário.
  • Cafeína: manter dentro do limite orientado pelo seu profissional (considere café, chás, refrigerantes e chocolate).
  • Alimentação segura: higienizar frutas/verduras; evitar carnes/ovos crus ou malpassados; cuidado com leite e queijos não pasteurizados; atenção a alimentos de procedência duvidosa.
  • Hidratação diária: especialmente se houver vômitos.
  • Controle de náuseas: refeições pequenas e frequentes; alimentos secos ao acordar; evitar jejum prolongado; conversar sobre medicação segura se necessário.
  • Proteção solar (melasma pode piorar na gestação).
  • Evitar automedicação: inclusive fitoterápicos e “chás” com promessa de aliviar sintomas.
  • Reduzir exposição a toxinas: solventes, tintas fortes, pesticidas; use luvas/ventilação e peça ajuda quando possível.
  • Segurança alimentar e de infecções: lavar mãos; cuidado ao manusear fezes de gatos (toxoplasmose); usar luvas ao jardinagem.

Mitos e verdades (explicações objetivas)

“Enjoo é sinal de que a gravidez está indo bem.”

Mito (parcial): náuseas são comuns por alterações hormonais, mas ausência de enjoo não significa problema. O que importa é a avaliação clínica e o acompanhamento adequado.

“Não posso fazer exercício no primeiro trimestre.”

Mito: na maioria das gestações sem contraindicações, atividade física moderada é segura e benéfica. Ajuste intensidade e escolha atividades de baixo risco.

“Se sangrar um pouco, é sempre normal.”

Mito: pequenos sangramentos podem ocorrer, mas qualquer sangramento deve ser comunicado ao profissional, especialmente se vier com dor, tontura ou aumento do fluxo.

“Grávida não pode ir ao dentista.”

Mito: cuidados odontológicos são importantes na gestação. Informe que está grávida para adequar procedimentos e medicações.

“Relação sexual causa aborto.”

Mito (na gestação sem complicações): em geral, sexo não causa aborto. Porém, pode haver contraindicações específicas; siga a orientação do seu profissional.

“Preciso ‘comer por dois’ desde o começo.”

Mito: no primeiro trimestre, a necessidade calórica extra costuma ser pequena. O foco é qualidade nutricional, fracionamento das refeições e manejo de sintomas.

“Chás naturais são sempre seguros.”

Mito: “natural” não significa seguro. Alguns chás/ervas podem ter efeitos uterotônicos ou interagir com medicamentos. Use apenas o que for liberado pelo seu profissional.

Sinais de alerta no primeiro trimestre (para buscar avaliação)

  • Sangramento vaginal moderado/intenso ou com coágulos
  • Dor abdominal/pélvica forte, unilateral ou progressiva
  • Desmaio, tontura importante, palidez intensa
  • Febre persistente
  • Vômitos incoercíveis (incapacidade de manter líquidos), sinais de desidratação
  • Corrimento com mau cheiro e dor
Sintoma comumO que pode ajudarQuando pedir ajuda
NáuseasRefeições pequenas, gengibre/alimentos secos (se liberado), evitar jejumVômitos frequentes, perda de peso, desidratação
ConstipaçãoÁgua, fibras, caminhada leveDor intensa, sangue nas fezes, muitos dias sem evacuar
Azia/refluxoPorções menores, evitar deitar após comer, elevar cabeceiraQueimação intensa persistente, vômitos com sangue
CansaçoSonecas curtas, rotina de sono, alimentação regularFalta de ar importante, palpitações, fraqueza extrema

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Por que o primeiro trimestre é considerado um período especialmente sensível na gestação?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

O primeiro trimestre envolve a organogênese, etapa de formação inicial de órgãos e estruturas. Por isso, é um período mais sensível a exposições e condições como álcool, tabaco, certas medicações, infecções e deficiências nutricionais.

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