Prevenção de quedas e prevenção de danos: ambientes, calçados e hábitos de segurança

Capítulo 14

Tempo estimado de leitura: 10 minutos

+ Exercício

Conceito: prevenir quedas e prevenir danos

Prevenção de quedas é o conjunto de ajustes no ambiente e nos hábitos para reduzir a chance de escorregar, tropeçar ou perder o equilíbrio. Prevenção de danos é reduzir a gravidade caso a queda aconteça (por exemplo, diminuir impactos, evitar sobrecarga e manter o corpo preparado), especialmente em atividades físicas e no dia a dia.

Na prática, pense em três camadas: ambiente (o que ao seu redor pode causar queda), equipamentos (calçados e itens que você usa) e comportamentos (como você se move, carrega peso e treina).

Prevenção de quedas em casa: checklist por áreas

Iluminação (reduz tropeços e erros de pisada)

  • Use luz forte e uniforme em corredores, cozinha, banheiro e escadas.
  • Instale luz noturna (sensor de presença ajuda) entre quarto e banheiro.
  • Evite lâmpadas fracas em abajures: a luz deve permitir ver o piso e obstáculos.
  • Mantenha interruptores acessíveis na entrada dos cômodos; se necessário, use interruptores paralelos (3-way) em corredores/escadas.

Tapetes, fios e objetos no caminho (principais causas de tropeço)

  • Retire tapetes soltos. Se forem indispensáveis, use antiderrapante em toda a base e prefira tapetes de pelo baixo.
  • Prenda fios e extensões junto à parede com canaletas; evite atravessar áreas de passagem.
  • Não deixe objetos no chão (brinquedos, caixas, calçados). Crie um “ponto de descarte” (cesto/caixa) para recolher rapidamente.
  • Evite móveis com quinas em rotas estreitas; mantenha corredores livres.

Banheiro e áreas molhadas (alto risco de escorregão)

  • Use tapete antiderrapante dentro e fora do box.
  • Instale barras de apoio fixadas na parede (não confundir com porta-toalhas).
  • Prefira sabonete líquido e suportes fixos para evitar pegar itens no chão.
  • Se o piso fica molhado com frequência, seque imediatamente e mantenha rodo/pano acessível.

Escadas e desníveis (quedas mais graves)

  • Mantenha corrimão firme em pelo menos um lado; idealmente em ambos.
  • Degraus devem estar livres: nada de caixas, roupas ou objetos “temporários”.
  • Use fita antiderrapante nos degraus se o material for liso.
  • Marque visualmente a borda do degrau com contraste (tinta/faixa discreta) se houver dificuldade de percepção.
  • Evite subir/descer carregando volumes que bloqueiem a visão do degrau.

Quarto e sala (rotas noturnas e distrações)

  • Deixe um caminho direto e livre da cama ao banheiro.
  • Posicione telefone/lanterna ao alcance da cama.
  • Evite mesas baixas e pufes em áreas de passagem.
  • Se houver pets, coloque sino na coleira ou acostume o animal a não ficar no caminho ao caminhar.

Prevenção de quedas na rua e no trabalho

Pisos irregulares, buracos e calçadas

  • Reduza a pressa: a maioria dos tropeços ocorre ao “cortar caminho” ou olhar o celular.
  • Olhe 2–3 metros à frente para antecipar buracos, desníveis e obstáculos.
  • Em locais lotados, mantenha passos mais curtos e estáveis.
  • Se usar bengala/muleta, ajuste a altura com profissional e use ponteira em bom estado.

Pisos molhados (chuva, mercados, entradas de prédios)

  • Diminua a velocidade e aumente a base de apoio (pés um pouco mais afastados).
  • Evite virar o corpo com o pé “colado” no chão; faça curvas com passos curtos.
  • Ao entrar em locais com piso liso, limpe a sola do calçado em capachos.

Transporte público e escadas rolantes

  • Segure no corrimão ao subir/descer do ônibus/metrô.
  • Evite carregar sacolas em ambas as mãos; deixe uma mão livre para apoio.
  • Em escada rolante, mantenha os pés bem posicionados e segure o corrimão; atenção a cadarços soltos.

Calçados: como escolher para reduzir quedas

O calçado influencia diretamente a aderência, a estabilidade do tornozelo e a percepção do piso.

Características recomendadas

  • Sola antiderrapante (borracha com boa aderência) e em bom estado.
  • Salto baixo e base larga; evite salto fino e plataformas altas.
  • Fechamento firme (cadarço, velcro, fivela) para o pé não “sambar” dentro do calçado.
  • Contraforte (parte de trás) mais rígido ajuda a estabilizar o calcanhar.
  • Tamanho correto: folga excessiva aumenta tropeços; apertado altera a marcha.

O que evitar

  • Chinelos soltos e sandálias sem fixação no calcanhar para caminhar longas distâncias.
  • Solas lisas/gastas.
  • Cadarços desamarrados ou muito longos.

Teste rápido antes de usar

  1. Verifique a sola: se estiver lisa no ponto de maior contato, troque.
  2. Calce e caminhe: o calcanhar não deve “subir e descer” dentro do calçado.
  3. Faça uma curva curta: o pé deve permanecer estável, sem torção lateral.

Hábitos de segurança: como se mover e carregar peso

Regras simples que reduzem quedas

  • Uma mão livre: ao caminhar em escadas/rua, evite ocupar as duas mãos com sacolas.
  • Sem pressa em transições: levantar da cama/cadeira e iniciar a marcha é um momento comum de tontura e desequilíbrio.
  • Celular guardado ao caminhar em locais irregulares ou atravessando rua.
  • Organize antes de executar: se vai buscar algo alto, pegue uma escada firme; não improvise com cadeira.

Passo a passo: carregar peso com menor risco

  1. Planeje o trajeto: retire obstáculos, abra portas, acenda luzes.
  2. Divida a carga: duas viagens com menos peso são mais seguras que uma com excesso.
  3. Mantenha o peso perto do corpo, na altura do abdômen/peito, sem bloquear a visão do chão.
  4. Use base estável: pés afastados na largura dos ombros.
  5. Evite torções: para virar, mova os pés (passos curtos) em vez de girar o tronco com o pé fixo.
  6. Se sentir fadiga, pare e apoie a carga em superfície firme antes de continuar.

Prevenção de danos em atividades físicas (treino e esporte)

Grande parte das lesões ocorre por combinação de: aquecimento insuficiente, técnica inadequada, carga acima do preparo e insistência apesar de dor/fadiga.

Aquecimento: preparar articulações e coordenação

Objetivo: elevar temperatura corporal, ativar músculos estabilizadores e “ensaiar” o movimento.

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  • 5–10 minutos de atividade leve (caminhada, bicicleta leve, polichinelos moderados).
  • Mobilidade dinâmica (sem forçar amplitude): círculos de ombro, balanço de pernas, agachamento parcial controlado.
  • Séries de aproximação: antes de carga alta, faça 1–3 séries leves do mesmo exercício.

Fortalecimento e estabilidade (reduz entorses e quedas)

  • Tornozelo e pé: elevação de panturrilha, equilíbrio em um pé, caminhada na ponta do pé/calcanhar (com apoio se necessário).
  • Quadril: ponte, abdução de quadril, agachamento com boa técnica.
  • Core: prancha, dead bug, exercícios anti-rotação com elástico.
  • Escápulas/ombros: remadas, rotações externas leves, controle escapular.

Alongamentos: quando e como usar

  • Antes do treino: prefira alongamento dinâmico e mobilidade (prepara sem “desligar” força).
  • Após o treino: alongamento leve a moderado pode ajudar na sensação de rigidez, sem dor aguda.
  • Evite “forçar no limite” quando estiver frio ou com dor localizada.

Progressão de carga (a regra que mais evita lesões)

  • Aumente uma variável por vez: ou peso, ou volume (séries/repetições), ou intensidade, ou frequência.
  • Como referência prática, evite aumentos bruscos semanais; prefira incrementos pequenos e consistentes.
  • Intercale dias mais leves e mais pesados; respeite sono e recuperação.

Dor e fadiga: sinais para ajustar

  • Dor aguda, pontual, em “fisgada”: pare o exercício e reavalie técnica/carga.
  • Dor que altera o movimento (mancar, compensar, perder controle): interrompa e reduza demanda.
  • Fadiga com perda de coordenação: encerre a sessão ou mude para atividade segura e leve.
  • Regra prática: desconforto muscular leve pode ocorrer; dor articular persistente não deve ser “empurrada”.

Estratégias específicas para idosos

Treino de equilíbrio e força funcional

O objetivo é melhorar reações de proteção, estabilidade e confiança ao andar.

  • Equilíbrio (3–5x/semana): ficar em um pé com apoio próximo, caminhar em linha, levantar e sentar da cadeira com controle.
  • Força (2–3x/semana): agachamento assistido, elevação de panturrilha, remada com elástico, ponte.
  • Ambiente seguro: faça perto de uma parede/apoio firme; use calçado adequado.

Revisão de medicamentos com profissional

Alguns medicamentos podem aumentar risco de queda por sonolência, tontura ou queda de pressão. A orientação é não ajustar por conta própria e solicitar ao médico/farmacêutico uma revisão, especialmente se houver quedas recentes, tonturas ao levantar ou sonolência diurna.

Correção visual e hábitos de visão

  • Atualize óculos regularmente e use a correção adequada para caminhar.
  • Em mudanças de iluminação (rua/ambiente interno), dê alguns segundos para adaptação.
  • Evite caminhar com lentes inadequadas para distância (ex.: óculos de leitura).

Rotina segura ao levantar (reduz tontura e instabilidade)

  1. Sente-se na beira da cama por 30–60 segundos.
  2. Mova tornozelos e pés (flexão/extensão) algumas vezes.
  3. Levante com apoio firme e espere alguns segundos antes de andar.

Kit simples de primeiros socorros para gelo e ataduras (foco em quedas e torções)

A proposta é ter itens básicos para controle inicial de inchaço e suporte com segurança, sem substituir avaliação profissional quando necessário.

Itens recomendados

  • Compressa fria reutilizável (gel) ou bolsa para gelo.
  • Atadura elástica (1–2 rolos) e atadura de crepe (larguras diferentes ajudam).
  • Gaze e esparadrapo/fita para fixação.
  • Bandagem triangular (lenço) para suporte simples de membro superior.
  • Tesoura sem ponta.
  • Luva descartável.
  • Saco plástico (para improvisar bolsa de gelo) e pano fino (barreira para proteger a pele do frio).

Como organizar e manter pronto

  1. Guarde tudo em uma bolsa/caixa identificada, em local seco e de fácil acesso.
  2. Mantenha a compressa de gel no freezer (se houver espaço) e uma alternativa de saco plástico disponível.
  3. Cheque a cada 3–6 meses: integridade das ataduras, validade de itens e reposição do que foi usado.

Passo a passo: preparo seguro de compressa fria

  1. Envolva o gelo/gel em um pano fino (não aplique diretamente na pele).
  2. Posicione sem pressionar excessivamente.
  3. Observe a pele: se ficar muito pálida, dor intensa ou dormência, retire e reavalie.

Passo a passo: aplicação básica de atadura (suporte leve)

  1. Comece com o membro em posição confortável e neutra.
  2. Enrole com tensão leve a moderada, sem “estrangular”.
  3. Deixe dedos expostos quando possível para observar cor e temperatura.
  4. Se houver formigamento, aumento de dor, dedos frios/arroxeados: afrouxe e refaça.

Checklist rápido (imprimir e colar na geladeira)

ÁreaAção práticaFrequência
IluminaçãoLuz noturna e corredores bem iluminadosRevisar mensalmente
Tapetes/fiosRetirar tapetes soltos e prender fios na paredeRevisar semanalmente
BanheiroAntiderrapante + barras de apoioChecar fixação trimestral
EscadasCorrimão firme e degraus livresChecar semanalmente
CalçadosSola aderente e fechamento firmeChecar antes de sair
TreinoAquecimento + progressão gradualEm toda sessão
IdososEquilíbrio/força + revisão de visão/medicaçãoRotina contínua

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao caminhar em um local com piso molhado, qual conduta ajuda a reduzir o risco de escorregar e cair?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Em piso molhado, reduzir a velocidade e aumentar a base de apoio melhora a estabilidade. Para mudar de direção, o mais seguro é fazer curvas com passos curtos, evitando torções com o pé fixo, que aumentam o risco de escorregão.

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