Padrões de navegação e estrutura de telas em UI/UX para apps

Capítulo 9

Tempo estimado de leitura: 9 minutos

+ Exercício

O que são padrões de navegação e por que eles importam

Padrões de navegação são formas recorrentes de organizar telas e transições em apps para que o usuário entenda rapidamente “onde estou”, “para onde posso ir” e “como volto”. Em mobile, bons padrões reduzem esforço cognitivo, evitam caminhos longos e diminuem erros como voltar para a tela errada, perder o que estava preenchendo ou “sumir” em telas sem saída.

Na prática, você escolhe um padrão (ou combina alguns) para resolver dois problemas: estrutura (como o app se organiza em seções) e movimento (como o usuário navega entre listas, detalhes, formulários e ações).

Padrões principais e critérios de escolha

1) Navegação por pilha (Stack navigation)

É o padrão mais comum para transições do tipo “lista → detalhe → ação”. Cada nova tela é empilhada sobre a anterior. O botão voltar retorna para a tela imediatamente anterior.

  • Use quando: há hierarquia clara (explorar algo, abrir detalhes, executar uma ação).
  • Vantagens: comportamento previsível; fácil de entender; ótimo para fluxos lineares.
  • Cuidados: evitar empilhar telas redundantes (ex.: filtros em múltiplas etapas sem necessidade); garantir preservação de estado ao voltar.

2) Tab bar / Bottom navigation (abas inferiores)

Organiza o app em 3–5 seções principais sempre acessíveis. Cada aba costuma ter sua própria pilha interna (ex.: “Início” abre detalhes sem sair da aba).

  • Use quando: o app tem poucas áreas principais usadas com frequência (ex.: Início, Buscar, Pedidos, Perfil).
  • Vantagens: acesso rápido; reduz profundidade de navegação; reforça a estrutura.
  • Cuidados: não exceder 5 itens; manter rótulos curtos; evitar esconder funções primárias em menus secundários.

3) Drawer (menu lateral)

Menu que desliza da lateral e lista destinos. Funciona bem para apps com muitas seções, especialmente quando nem todas são usadas o tempo todo.

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  • Use quando: há muitas áreas (mais de 5) e parte delas é secundária; ou quando há categorias administrativas/configurações extensas.
  • Vantagens: comporta muitos destinos; bom para itens utilitários (configurações, ajuda).
  • Cuidados: itens importantes podem ficar “escondidos”; exige gesto/toque extra; pode competir com o botão voltar (especialmente no topo).

4) Search-first (navegação centrada em busca)

O app prioriza a busca como ponto de entrada para encontrar conteúdo (produtos, contatos, documentos). Em vez de navegar por categorias, o usuário digita e filtra.

  • Use quando: o catálogo é grande e o usuário geralmente sabe o que procura; ou quando nomes/IDs são conhecidos.
  • Vantagens: reduz passos; escala bem com muitos itens.
  • Cuidados: oferecer sugestões, histórico e filtros; não depender só de busca se o usuário também explora por descoberta.

5) Deep links (links profundos)

Permitem abrir uma tela específica do app a partir de fora (notificação, e-mail, web) ou de um ponto interno sem passar por todas as etapas intermediárias.

  • Use quando: há compartilhamento, notificações, campanhas, ou atalhos para conteúdo específico (ex.: abrir “Pedido #123”).
  • Vantagens: reduz atrito; melhora retorno ao app; cria atalhos para ações frequentes.
  • Cuidados: tratar usuário deslogado (redirecionar para login e depois voltar ao destino); garantir fallback se o conteúdo não existir mais.

Como escolher o padrão certo (checklist prático)

Passo a passo

  1. Liste as 3–5 tarefas mais frequentes (o que o usuário faz toda semana/dia).
  2. Agrupe tarefas em seções (destinos principais) e identifique o que é secundário (configurações, termos, suporte).
  3. Meça profundidade: quantos toques até a tarefa principal? Mire em 1–2 toques para chegar nas áreas principais.
  4. Escolha a estrutura:
    • Seções principais claras e poucas → bottom navigation.
    • Muitas seções e parte delas é rara → drawer (e mantenha o essencial visível em algum lugar).
    • Conteúdo enorme e objetivo → search-first (com filtros).
  5. Defina o movimento dentro de cada seção: quase sempre será stack para “lista → detalhe → ação”.
  6. Planeje deep links para entradas externas (notificações, compartilhamento) e para atalhos internos (ex.: “ver detalhes do item”).

Estrutura recomendada: “seções” + “pilhas”

Um arranjo comum e robusto é: bottom navigation (ou drawer) para trocar de seção + stack dentro de cada seção para navegar entre lista/detalhe/formulário.

CamadaObjetivoExemplo
Seções (tabs/drawer)Mudar de área principalInício, Buscar, Favoritos, Perfil
Pilha (stack)Aprofundar no conteúdoLista → Detalhe → Checkout
Modais (quando necessário)Ações rápidas sem “mudar de lugar”Selecionar filtro, confirmar exclusão

Consistência: rótulos, ícones e títulos de tela

Rótulos (labels)

  • Use o mesmo termo para a mesma coisa em todo o app. Se é “Carrinho”, não alternar com “Sacola”.
  • Rótulos de tabs devem ser curtos (1 palavra quando possível) e descrever destino, não ação (ex.: “Pedidos”, não “Ver pedidos”).
  • Evite ambiguidade: “Mais” pode virar um depósito de itens; prefira nomes específicos.

Ícones

  • Ícone + texto em navegação principal reduz erros (especialmente em tabs).
  • Não reutilize o mesmo ícone para significados diferentes.
  • Teste legibilidade em tamanhos pequenos: ícones muito detalhados viram ruído.

Títulos de tela

  • O título deve refletir o destino atual (ex.: “Detalhes do pedido”, “Editar endereço”).
  • Evite títulos genéricos como “Página” ou “Informações”.
  • Em listas, o título é a coleção (ex.: “Pedidos”). Em detalhes, pode ser o item (ex.: “Pedido #123”).

Botão voltar: comportamento correto e previsível

O botão voltar (gesto/sistema) deve respeitar a expectativa: voltar um passo na pilha. Problemas comuns incluem voltar para uma tela “aleatória”, sair do app cedo demais ou perder dados.

Regras práticas

  • Em stack: voltar retorna à tela anterior preservando estado (scroll, filtros, campos).
  • Em tabs: voltar não deve trocar de aba automaticamente. Em geral, volta dentro da pilha da aba atual; se estiver na raiz da aba, então sai do app (ou volta para o sistema), dependendo da plataforma.
  • Ao abrir via deep link: defina um “caminho de retorno” coerente. Se o usuário entrou direto no detalhe, o voltar pode ir para uma lista relevante (ou fechar e retornar ao contexto externo), mas evite criar loops.
  • Em modais: voltar fecha o modal (equivalente a “Cancelar”), a menos que haja risco de perda de dados — nesse caso, confirme.

Preservação de estado (o que manter ao voltar)

  • Listas: posição de scroll, ordenação, filtros aplicados, termo de busca.
  • Formulários: campos preenchidos, validações já exibidas, anexos selecionados.
  • Detalhes: aba interna selecionada (se houver), seção expandida/colapsada.

Quando o estado não é preservado, o usuário precisa refazer passos e perde confiança no app.

Fluxos típicos e como desenhá-los sem confusão

Fluxo 1: Explorar → Detalhe → Ação (padrão “lista-detalhe”)

Exemplo: Usuário navega por uma lista de itens, abre um item e executa uma ação (comprar, salvar, compartilhar, agendar).

Lista (Explorar) → Detalhe do item → Ação (ex.: Comprar) → Confirmação/Resultado

Boas práticas:

  • Lista: itens com área de toque clara; filtros acessíveis; estado preservado ao voltar.
  • Detalhe: CTA principal evidente (ex.: “Comprar”); ações secundárias agrupadas (ex.: menu de opções).
  • Ação: passos mínimos; validação clara; após concluir, levar para um estado estável (ex.: “Pedido confirmado” com próximos passos).

Fluxo 2: Buscar → Refinar → Detalhe

Busca → Resultados → (Filtros/Ordenação) → Detalhe
  • Deixe filtros acessíveis sem “enterrar” em várias telas.
  • Ao voltar do detalhe, mantenha termo e filtros para o usuário continuar explorando.

Fluxo 3: Notificação (deep link) → Detalhe → Próxima ação

Notificação → Detalhe específico → Ação (ex.: Responder/Confirmar) → Retorno coerente
  • Se exigir login, faça: Login → voltar automaticamente ao destino do deep link.
  • Se o conteúdo não existir, mostre uma tela de erro com saída clara (ex.: “Voltar para pedidos”).

Reduzindo caminhos e evitando navegação confusa

Heurísticas práticas para cortar passos

  • Promova ações frequentes para o primeiro nível (tab, botão visível, atalho no topo).
  • Evite “telas corredor”: telas que só têm um botão “Continuar” sem decisão real. Se não há escolha, integre ao passo anterior.
  • Prefira edição no contexto quando seguro (ex.: editar quantidade no carrinho sem abrir outra tela).
  • Use padrões de retorno consistentes após ações: se o usuário concluiu uma ação no detalhe, ele deve entender se voltou ao detalhe, à lista, ou foi para um recibo.

Armadilhas comuns (e como corrigir)

  • Duplicar destinos (mesma tela acessível por caminhos diferentes com nomes diferentes): padronize rótulos e centralize o destino.
  • Drawer + tabs competindo: se usar ambos, defina claramente: tabs para principais, drawer para secundários. Não repita os mesmos itens nos dois.
  • Voltar que “teleporta”: não use voltar para “forçar” o usuário a um fluxo; use mensagens e CTAs para orientar.
  • Perda de estado ao alternar tabs: mantenha a pilha e o estado de cada aba, para o usuário retomar de onde parou.

Checklist de implementação (para revisar seu app)

  • Há no máximo 3–5 destinos principais visíveis (se usar bottom navigation)?
  • Os rótulos são consistentes e descrevem destinos?
  • Os ícones são únicos e acompanhados de texto nas áreas críticas?
  • Os títulos mudam corretamente entre lista/detalhe/edição?
  • O voltar sempre retorna um passo lógico e preserva estado?
  • Deep links levam ao destino certo mesmo com usuário deslogado?
  • Fluxos principais chegam ao objetivo em poucos toques e sem telas redundantes?

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao usar abas inferiores (bottom navigation) com uma pilha (stack) dentro de cada aba, qual deve ser o comportamento esperado do botão voltar?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Em apps com tabs, o voltar deve atuar primeiro na pilha da aba atual, preservando o contexto. Trocar de aba automaticamente ou limpar estado tende a causar confusão e perda de progresso.

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Estados de tela no app: carregando, vazio, erro e sucesso

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