Nutrição esportiva por horário: estratégias para treinar de manhã, à tarde ou à noite

Capítulo 7

Tempo estimado de leitura: 8 minutos

+ Exercício

O que muda quando você organiza a nutrição pelo horário do treino

Treinar em horários diferentes muda principalmente: (1) o tempo disponível para comer, (2) a proximidade com outras refeições (café da manhã, almoço, jantar) e (3) o impacto no conforto gastrointestinal e no sono. A estratégia prática é ajustar o “tamanho” e a digestibilidade da refeição ao tempo até o treino e ao que vem depois, sem cair no erro de “pular proteína” para manter déficit calórico.

Use esta lógica simples para decidir o que comer:

  • Quanto menos tempo até o treino, mais a refeição deve ser pequena e com baixa gordura e baixa fibra (digestão mais rápida).
  • Quanto mais perto do sono, mais a refeição deve ser leve e com proteínas e carboidratos fáceis de digerir, evitando exageros.
  • Déficit calórico funciona melhor quando você distribui proteína ao longo do dia e usa “trocas inteligentes” (reduzir calorias de gordura e extras, não da proteína).

Checklist rápido para evitar desconforto gástrico (serve para todos os horários)

  • Evite grande volume de comida, frituras, molhos gordurosos, muita fibra (saladas enormes, farelo, leguminosas em excesso) e alimentos muito condimentados nas 2–3 horas antes do treino.
  • Prefira carboidratos mais simples e proteínas magras: pão/tapioca/arroz/batata/banana/iogurte, ovos, frango, atum, whey, queijos magros (se tolerados).
  • Se você tem estômago sensível, teste reduzir lactose (iogurte sem lactose, whey isolado) e reduzir adoçantes/polióis.
  • Padronize o que funciona: repita 2–3 opções “seguras” nos dias de treino para diminuir surpresas.

Cenário 1: Treino cedo (sem fome e com pouco tempo)

De manhã cedo, o objetivo é não treinar “pesado” no estômago e, ao mesmo tempo, não deixar a proteína do dia para depois. Aqui, a refeição pré-treino pode ser mínima (ou até inexistente, se você realmente não tolera), mas é útil ter um plano de café da manhã pós-treino bem estruturado.

Passo a passo prático (treino em 15–45 minutos)

  • 1) Ao acordar: escolha 1 opção rápida (ou nada, se enjoa fácil).
  • 2) Treine: mantenha a rotina simples e observe sinais de queda de energia.
  • 3) Pós-treino (café da manhã): faça uma refeição com proteína + carboidrato e controle de calorias (déficit) ajustando gorduras e “extras”.

Modelos de refeição (2–3 opções rápidas)

Opção A (ultrarrápida, baixa fibra):

  • 1 banana + 1 dose de whey (com água) ou iogurte proteico sem lactose
  • Se precisar de mais energia: 1 colher de mel ou 2–3 bolachas de arroz

Opção B (sólida e leve):

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  • 1 tapioca pequena (ou 1 fatia de pão) + 2 claras e 1 ovo inteiro
  • Evite recheios gordurosos (requeijão em excesso, bacon, queijos muito gordos)

Opção C (sem fome, “só para não ir zerado”):

  • Café/chá (se tolera) + 1 fruta pequena ou 1 iogurte pequeno
  • Se café dá azia: prefira chá ou apenas água e deixe para comer no pós

Como manter déficit calórico sem pular proteína (manhã)

  • Regra prática: mantenha uma “âncora” de proteína no café da manhã pós-treino (ex.: ovos, iogurte proteico, whey, frango desfiado em sanduíche).
  • Corte calorias onde dói menos: reduza manteiga, queijos gordos, granola em excesso, “café com açúcar”, sucos e porções grandes de oleaginosas.
  • Se o apetite aumenta muito depois, planeje um lanche proteico no meio da manhã (ex.: iogurte proteico, queijo cottage, atum) para não “estourar” no almoço.

Cenário 2: Treino no almoço (refeição anterior e retorno ao trabalho)

No treino do meio do dia, o desafio é equilibrar energia sem sonolência e voltar ao trabalho sem desconforto. Aqui, a refeição pré-treino costuma ser o café da manhã ou um lanche no meio da manhã, e o pós-treino vira um almoço estratégico (rápido, prático e “limpo”).

Passo a passo prático (treino entre 11h e 14h)

  • 1) 2–4 horas antes (café da manhã): faça uma refeição completa, mas sem exagero de gordura e fibra.
  • 2) 30–90 min antes (se necessário): use um lanche pequeno para “completar” energia.
  • 3) Pós-treino (almoço): priorize proteína magra + carboidrato simples/moderado + legumes em porção tolerável.
  • 4) Volta ao trabalho: evite sobremesas pesadas e bebidas açucaradas para não dar queda de energia.

Modelos de refeição (2–3 opções rápidas)

Opção A (pré-treino no meio da manhã, 45–60 min antes):

  • 1 iogurte proteico + 1 fruta (banana/maçã)
  • Se precisar: 1 fatia de pão ou 2 bolachas de arroz

Opção B (almoço pós-treino “marmita simples”):

  • Frango/peixe/patinho moído (porção magra) + arroz ou batata + legumes cozidos
  • Use 1 fio de azeite (medido) em vez de molhos cremosos

Opção C (almoço rápido de montagem):

  • Sanduíche: pão + atum/frango desfiado + queijo magro + tomate
  • 1 fruta de sobremesa (evite doces grandes para não “derrubar”)

Como evitar desconforto e sonolência no retorno ao trabalho

  • Controle o volume: prato muito grande + muita gordura costuma dar “peso” e sono.
  • Fibra na medida: salada é ótima, mas uma bacia enorme logo após o treino pode estufar; prefira porções moderadas e legumes cozidos se você for sensível.
  • Gordura com parcimônia: azeite, castanhas e queijos são saudáveis, mas fáceis de exagerar e aumentam calorias e lentidão digestiva.

Déficit calórico sem perder proteína (almoço)

  • Monte o prato por “camadas”: primeiro proteína, depois carboidrato, depois vegetais. Se precisar reduzir calorias, reduza o carboidrato e/ou a gordura adicionada, não a proteína.
  • Estratégia de praticidade: tenha 2 proteínas prontas na geladeira (frango desfiado e patinho moído, por exemplo). Isso evita “almoços improvisados” pobres em proteína.

Cenário 3: Treino à noite (jantar e sono)

À noite, a nutrição precisa cumprir dois objetivos ao mesmo tempo: dar suporte ao treino e preservar o sono. O erro comum é chegar com muita fome, comer um jantar enorme e pesado e depois ter refluxo, estufamento ou dificuldade para dormir.

Passo a passo prático (treino entre 18h e 22h)

  • 1) Tarde bem alimentada: faça um lanche com proteína no meio/final da tarde para não chegar “faminto”.
  • 2) Pré-treino (60–120 min antes): escolha algo leve, com carboidrato fácil e proteína magra.
  • 3) Jantar pós-treino: refeição moderada, com digestão fácil.
  • 4) Ajuste para o sono: evite excesso de gordura, picância e grandes volumes; finalize com algo simples se ainda estiver com fome.

Modelos de refeição (2–3 opções rápidas)

Opção A (lanche pré-treino no fim da tarde):

  • 1 sanduíche simples: pão + peito de peru/frango + queijo magro
  • Ou 1 iogurte proteico + 1 banana

Opção B (jantar pós-treino leve):

  • Arroz + ovos mexidos ou frango grelhado + legumes cozidos
  • Se quiser algo mais “confortável”: purê de batata + peixe

Opção C (pós-treino muito tarde, pouco apetite):

  • Shake: whey com água/leite sem lactose + 1 fruta
  • Se precisar mastigar: 1 iogurte + 1 fatia de pão

Orientações para manter a qualidade do sono

  • Evite refeições muito pesadas nas 2 horas antes de deitar: grandes porções, frituras, fast food, molhos cremosos e muita gordura tendem a piorar refluxo e atrasar a digestão.
  • Ajuste a cafeína: se você treina à noite, teste limitar cafeína a até 6–8 horas antes de dormir. Se ainda precisar de “energia”, priorize rotina (luz, aquecimento, música) e um lanche leve em vez de mais estimulantes.
  • Escolha carboidratos e proteínas de fácil digestão: arroz, batata, pão, tapioca, banana; proteínas magras como ovos, frango, peixe, iogurte sem lactose, whey isolado (se tolerado).
  • Se você tem refluxo: reduza alimentos ácidos/picantes à noite (molho de tomate, pimenta), evite deitar logo após comer e mantenha o jantar menor.

Déficit calórico sem “jantar zero proteína”

  • Regra prática: mesmo em déficit, mantenha uma porção de proteína no jantar (ou no shake pós-treino). Se precisar cortar calorias, corte sobremesa, bebidas calóricas e gordura adicionada.
  • Estratégia anti-ataque à geladeira: planeje um “pós-treino padrão” de baixa fricção (ex.: arroz + ovos; iogurte proteico + fruta). Decidir antes reduz exageros.

Tabela de decisões rápidas por horário

Horário do treinoPrioridadePré-treino (ideia)Pós-treino (ideia)Evite
CedoLeveza + praticidadeFruta + whey / iogurteCafé da manhã com proteínaMuita gordura e fibra logo cedo
AlmoçoEnergia sem sonolênciaIogurte + fruta / lanche pequenoAlmoço simples (proteína + carbo)Prato enorme, frituras, sobremesa pesada
NoiteTreinar bem e dormir bemSanduíche magro / iogurte + bananaJantar leve ou shakeCafeína tarde, jantar muito gorduroso

Mini-roteiros prontos (para copiar e adaptar)

Roteiro 1: Treino cedo, sem fome

Ao acordar: banana + água (ou nada, se enjoar) Treino Café da manhã: ovos + pão/tapioca + fruta

Roteiro 2: Treino no almoço, volta ao trabalho

Manhã: café da manhã completo Meio da manhã: iogurte proteico + fruta Treino Almoço: frango + arroz + legumes (azeite medido)

Roteiro 3: Treino à noite, foco no sono

Tarde: lanche com proteína Pré-treino: sanduíche simples Treino Jantar: arroz + ovos (porção moderada) Sem cafeína tarde

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao organizar a alimentação de acordo com o horário do treino, qual é a estratégia mais adequada quando falta pouco tempo até começar a treinar?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Quanto menos tempo falta para o treino, maior a prioridade para conforto gastrointestinal: uma refeição pequena, com pouca gordura e pouca fibra, tende a digerir mais rápido e reduzir risco de estufamento e desconforto.

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