Visão geral: o que são núcleos da base neste capítulo
Neste capítulo, “núcleos da base” será tratado como um conjunto de massas de substância cinzenta profundas do telencéfalo e estruturas relacionadas (núcleo subtalâmico e substância negra) que se organizam em torno de marcos anatômicos constantes: ventrículos laterais, cápsula interna, tálamo e feixes de substância branca adjacentes. O objetivo prático é reconhecer cada núcleo em cortes (axiais, coronais e sagitais), descrevendo limites e relações, e apenas orientar a conectividade anatômica básica (estriatopalidal e palidotalâmica) sem aprofundar fisiologia.
Componentes principais e nomenclatura útil
Estriado (striatum): caudado + putâmen + núcleo accumbens
- Núcleo caudado: acompanha a curvatura do ventrículo lateral, com porções clássicas (cabeça, corpo e cauda).
- Putâmen: massa lateral do estriado, mais “externa” no corte coronal/axial, separada do caudado pela cápsula interna.
- Núcleo accumbens: região de transição/ponte entre cabeça do caudado e putâmen na porção anteroventral, próxima à substância perfurada anterior e ao septo.
Pálido (pallidum): globo pálido
- Globo pálido: situado medial ao putâmen, dividido em segmento externo (GPe) e segmento interno (GPi) por uma lâmina medular (substância branca intrínseca). Em cortes, costuma ter aspecto mais “pálido” por maior conteúdo de fibras mielinizadas.
Estruturas relacionadas (não telencefálicas) que entram no “mapa”
- Núcleo subtalâmico (NST): no diencéfalo, inferior ao tálamo, lateral ao hipotálamo; é um marco importante em cortes profundos.
- Substância negra (SN): no mesencéfalo, dorsal aos pedúnculos cerebrais; aparece em cortes mais caudais (nível do mesencéfalo).
Relações anatômicas essenciais (o “mapa” ao redor)
Cápsula interna como referência central
A cápsula interna é o principal “divisor” anatômico para localizar núcleos da base em cortes:
- Anteriormente (braço anterior): entre cabeça do caudado (medial) e putâmen (lateral).
- Joelho: transição entre braço anterior e posterior; útil para orientar o nível do corte.
- Braço posterior: entre tálamo (medial) e núcleo lentiforme (lateral) (putâmen + globo pálido).
Núcleo lentiforme e cápsulas adjacentes
O núcleo lentiforme é formado por putâmen (lateral) e globo pálido (medial). Lateralmente ao lentiforme, há camadas de substância branca e cinzenta que ajudam no reconhecimento:
- Cápsula externa: fina lâmina de substância branca lateral ao putâmen.
- Claustrum: fina lâmina de substância cinzenta lateral à cápsula externa.
- Cápsula extrema: substância branca lateral ao claustrum, antes do córtex da ínsula.
- Ínsula: córtex profundo que “cobre” esse conjunto; em cortes coronais, a ínsula aparece como córtex lateral ao claustrum/cápsula extrema.
Relação com o tálamo
O tálamo é um marco medial e posterior em muitos cortes. A relação mais útil aqui é: tálamo medial ao braço posterior da cápsula interna e, lateralmente a esse braço posterior, o núcleo lentiforme. Em cortes mais anteriores, o tálamo pode não estar plenamente visível; em cortes mais posteriores, ele domina a região medial.
Diferenciando estriado e pálido (anatomia, não fisiologia)
Critérios visuais e topográficos
- Estriado: inclui caudado e putâmen (e accumbens). Em geral, é o conjunto mais “extenso” e com maior continuidade anteroposterior no telencéfalo profundo. O caudado acompanha o ventrículo lateral; o putâmen é a massa lateral ao braço anterior da cápsula interna.
- Pálido (globo pálido): fica medial ao putâmen e lateral à cápsula interna (em porções do trajeto), com subdivisão em GPe/GPi por lâminas medulares. Em RM, frequentemente parece mais claro que o putâmen (dependendo da sequência), e em cortes anatômicos pode ter tonalidade mais pálida.
Limites práticos no corte coronal
- Putâmen vs globo pálido: o putâmen é a porção lateral do lentiforme; o globo pálido é a porção medial, frequentemente com um contorno mais triangular/medial e com linhas internas (lâminas) sugerindo segmentação.
- Caudado vs tálamo: em níveis mais posteriores, o caudado (corpo) fica mais superior/lateral ao tálamo; o tálamo ocupa grande parte do diencéfalo medial.
Posicionamento do núcleo subtalâmico e da substância negra no “eixo” dos cortes
Núcleo subtalâmico (NST): como achar
O NST aparece em cortes mais inferiores e posteriores do diencéfalo, tipicamente quando o tálamo já está bem definido. Dicas de localização:
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- Inferior ao tálamo (daí “subtalâmico”).
- Lateral ao hipotálamo.
- Medial em relação a estruturas lentiformes mais laterais, mas separado delas por planos de substância branca e pela organização diencefálica.
Substância negra (SN): como situar
A SN é uma estrutura do mesencéfalo e será vista em cortes ainda mais caudais (nível dos pedúnculos cerebrais). Dicas de localização:
- Dorsal aos pedúnculos cerebrais (crus cerebri).
- Ventral ao tegmento do mesencéfalo.
- Em imagens, pode aparecer como uma faixa/área com sinal característico dependendo da técnica (por exemplo, susceptibilidade), mas o reconhecimento anatômico deve partir da posição relativa aos pedúnculos.
Reconhecimento em cortes: roteiro prático (passo a passo)
1) Corte axial (do superior para o inferior)
Passo 1: identifique o ventrículo lateral. A cabeça do caudado costuma formar parte da parede lateral do corno anterior do ventrículo lateral em níveis anteriores.
Passo 2: procure a cápsula interna como faixa de substância branca. No nível dos núcleos da base, ela separa caudado (medial) de putâmen (lateral) no braço anterior; e separa tálamo (medial) de lentiforme (lateral) no braço posterior.
Passo 3: localize o putâmen lateralmente. Ele é a grande massa cinzenta lateral ao braço anterior/posterior da cápsula interna (dependendo do nível).
Passo 4: diferencie globo pálido do putâmen. Dentro do núcleo lentiforme, o globo pálido é a porção mais medial; em muitos cortes, nota-se uma transição de textura/tonalidade e, às vezes, linhas internas (lâminas).
Passo 5: confirme as camadas laterais (quando visíveis). Lateral ao putâmen: cápsula externa (branca), claustrum (cinzenta fina), cápsula extrema (branca) e córtex insular.
Passo 6: em níveis mais inferiores/posteriores, procure o NST e depois a SN. Quando o tálamo estiver bem evidente e o corte descer, busque o NST inferior ao tálamo; descendo mais (mesencéfalo), identifique pedúnculos cerebrais e a SN dorsal a eles.
2) Corte coronal (do anterior para o posterior)
Passo 1: comece anterior. A cabeça do caudado aparece medial, próxima ao ventrículo lateral; o putâmen aparece lateral, separado pela cápsula interna (braço anterior).
Passo 2: identifique o núcleo accumbens no anteroventral. Em cortes anteriores e inferiores, observe a região onde a cabeça do caudado e o putâmen parecem “convergir” ventralmente: essa zona corresponde ao accumbens (transição estriatal).
Passo 3: avance um pouco posterior e diferencie putâmen vs globo pálido. O globo pálido surge como porção medial do lentiforme; o putâmen permanece lateral. A cápsula interna continua medial ao lentiforme.
Passo 4: quando o tálamo aparecer, use-o como âncora medial. O braço posterior da cápsula interna fica entre tálamo (medial) e lentiforme (lateral).
Passo 5: desça/posteriorize para o NST. Inferior ao tálamo, procure o NST como estrutura diencefálica compacta; ele não é parte do lentiforme, mas aparece no “mesmo mapa” profundo.
3) Corte sagital (ênfase em relações anteroposteriores)
Passo 1: localize o ventrículo lateral e siga o caudado. O caudado acompanha o ventrículo: cabeça anterior, corpo superior e cauda que se dirige posteriormente e inferiormente (em direção ao lobo temporal).
Passo 2: identifique a cápsula interna como feixe profundo. Em sagitais mais laterais, a cápsula interna se relaciona com o lentiforme lateralmente e com estruturas mediais (tálamo/caudado) dependendo do nível.
Passo 3: posicione o lentiforme (putâmen + pálido) lateral à cápsula interna. Em sagitais adequados, o lentiforme aparece como massa oval/triangular profunda, anterior ao tálamo em parte do trajeto.
Correlação anatômica mínima com conectividade (orientação de trajetos)
Vias estriatopalidais (orientação)
Como guia anatômico, considere que projeções do estriado (caudado/putâmen/accumbens) seguem para o globo pálido. Em termos de reconhecimento, isso reforça a ideia de continuidade espacial: estriado e pálido estão justapostos no núcleo lentiforme (putâmen lateral, pálido medial), separados internamente por lâminas medulares no pálido.
Vias palidotalâmicas (orientação)
As conexões do globo pálido em direção ao tálamo ajudam a entender por que o tálamo é um marco tão importante em cortes: ele está imediatamente medial ao braço posterior da cápsula interna, região por onde passam feixes de substância branca que conectam esses territórios profundos. Para fins anatômicos, memorize a vizinhança: lentiforme (lateral) — cápsula interna — tálamo (medial).
Tabela de reconhecimento rápido em cortes
| Estrutura | Onde procurar | Relações-chave | Dica de identificação |
|---|---|---|---|
| Cabeça do caudado | Anterior, junto ao corno anterior do ventrículo lateral | Medial ao braço anterior da cápsula interna | “Abraça” o ventrículo lateral anteriormente |
| Putâmen | Lateral à cápsula interna | Medial à cápsula externa; lateral ao globo pálido | Massa cinzenta grande e lateral |
| Globo pálido (GPe/GPi) | Medial ao putâmen | Lateral à cápsula interna (em muitos níveis) | Porção medial do lentiforme, com lâminas internas |
| Núcleo accumbens | Anteroventral | Transição entre cabeça do caudado e putâmen | Região onde caudado e putâmen “se encontram” ventralmente |
| Tálamo | Medial e posterior (diencéfalo) | Medial ao braço posterior da cápsula interna | Grande massa medial quando o corte está mais posterior |
| Núcleo subtalâmico | Inferior ao tálamo | Lateral ao hipotálamo | Surge em níveis mais inferiores do diencéfalo |
| Substância negra | Mesencéfalo | Dorsal aos pedúnculos cerebrais | Faixa/área entre pedúnculos e tegmento |