O que está acontecendo no corpo no início da gestação
Nas primeiras semanas, o corpo passa por ajustes rápidos para sustentar o desenvolvimento do embrião e preparar a placenta. Os principais “motores” dessas mudanças são os hormônios (especialmente progesterona e hCG), o aumento do volume de sangue e alterações no funcionamento do sistema digestivo e urinário. Por isso, é comum sentir sintomas mesmo antes da barriga aparecer.
Um ponto importante: a intensidade varia muito. Algumas pessoas quase não sentem nada; outras têm sintomas marcantes. A presença (ou ausência) de sintomas, por si só, não mede “qualidade” da gestação.
Sintomas comuns e por que acontecem
Náuseas e enjoos (com ou sem vômitos)
Costumam surgir entre a 5ª e a 8ª semana e podem piorar com jejum prolongado, cheiros fortes, calor e cansaço. Estão associados a alterações hormonais e a uma maior sensibilidade do estômago.
- Como se manifesta: enjoo matinal (ou em qualquer horário), aversão a certos alimentos, sensação de estômago “virado”.
- O que costuma ser esperado: náuseas que permitem manter alguma alimentação e hidratação.
Sonolência e cansaço
A progesterona tem efeito sedativo e o corpo aumenta o gasto energético para formar placenta e adaptar a circulação. É comum sentir necessidade de dormir mais e ter queda de energia, especialmente no fim do dia.
- Como se manifesta: sono fora de hora, fadiga ao subir escadas, necessidade de pausas.
- O que costuma ser esperado: melhora gradual ao longo do segundo trimestre, embora cada pessoa tenha um ritmo.
Sensibilidade mamária e mudanças nas mamas
As mamas se preparam para a amamentação: podem ficar doloridas, mais cheias, com aréolas mais escuras e veias mais aparentes. O sutiã pode apertar mais cedo do que o esperado.
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- Como se manifesta: dor ao toque, sensação de peso, formigamento.
- O que costuma ser esperado: desconforto que oscila ao longo do dia.
Alterações urinárias (urinar mais vezes)
No início, o aumento do fluxo sanguíneo nos rins e a ação hormonal fazem a bexiga “encher” mais rápido. Mesmo sem útero grande, já pode haver aumento da frequência urinária.
- Como se manifesta: vontade de urinar com mais frequência, inclusive à noite.
- O que costuma ser esperado: urinar mais sem dor, sem ardência e sem febre.
Constipação (intestino preso)
A progesterona relaxa a musculatura lisa e deixa o intestino mais lento. Se houver náusea, a pessoa pode comer menos fibras e beber menos água, o que piora a constipação.
- Como se manifesta: evacuações menos frequentes, fezes ressecadas, sensação de evacuação incompleta.
- O que costuma ser esperado: melhora com ajustes de rotina e alimentação, mas pode persistir.
Salivação aumentada (sialorreia)
Algumas gestantes produzem mais saliva, às vezes junto com náuseas. Pode ser incômodo e dar sensação de “boca cheia”.
- Como se manifesta: necessidade de cuspir, desconforto ao falar, piora com certos cheiros/sabores.
- O que costuma ser esperado: oscilações; tende a melhorar com o tempo.
Azia e refluxo
O relaxamento do esfíncter entre esôfago e estômago favorece refluxo. Mesmo no início, pode aparecer, especialmente após refeições maiores ou ao deitar logo depois de comer.
- Como se manifesta: queimação no peito/garganta, gosto ácido, arroto frequente.
- O que costuma ser esperado: melhora com mudanças de hábitos e, se necessário, orientação profissional.
Variações de apetite e aversões/desejos
Alterações de paladar e olfato podem causar aversões (principalmente a gordura, café, alguns temperos) ou desejos. Também pode haver períodos de pouco apetite por causa da náusea.
- Como se manifesta: fome em horários incomuns, “nojo” de alimentos antes tolerados, preferência por comidas mais simples.
- O que costuma ser esperado: variações; o foco é manter ingestão possível e hidratação.
Como diferenciar sintomas esperados de sinais de alerta
Em geral, sintomas “normais” são aqueles que, embora desconfortáveis, permitem manter hidratação, algum nível de alimentação e não vêm acompanhados de sinais sistêmicos importantes (como febre, desmaio, dor intensa ou sangramento significativo).
Situações que costumam exigir avaliação
- Vômitos persistentes que impedem líquidos/alimentos por muitas horas, com sinais de desidratação (urina muito escura, tontura, boca seca).
- Dor abdominal forte, localizada, que não melhora, especialmente se associada a mal-estar importante.
- Sangramento vaginal moderado a intenso, ou com dor, ou com tontura.
- Febre (especialmente se acompanhada de dor ao urinar, dor lombar ou mal-estar importante).
- Ardência ao urinar, urgência intensa, urina com cheiro muito forte ou sangue (pode indicar infecção urinária).
- Constipação com dor intensa, distensão importante, incapacidade de eliminar gases, ou presença de sangue nas fezes.
- Azia/refluxo com dor forte no peito, falta de ar, vômitos com sangue ou fezes muito escuras (procure atendimento).
Se você estiver em dúvida entre “normal” e “não normal”, vale conversar com o(a) profissional. Na gestação, é melhor checar cedo do que esperar piorar.
Autocuidado prático: o que fazer no dia a dia
Passo a passo para organizar a rotina quando há náuseas
- Identifique gatilhos por 2 dias: anote horários, cheiros, alimentos e situações (jejum, calor, carro, estresse). Isso ajuda a ajustar o ambiente.
- Evite jejum prolongado: faça pequenas refeições a cada 2–3 horas, mesmo que sejam porções mínimas.
- Comece o dia com algo seco e simples: por exemplo, bolacha água e sal, torrada ou pão. Aguarde alguns minutos antes de levantar.
- Priorize líquidos em pequenos goles: água, água com limão, água de coco ou chá suave (se liberado pelo(a) profissional). Se líquidos piorarem o enjoo, tente gelados ou em forma de picolé caseiro.
- Separe sólidos e líquidos: algumas pessoas toleram melhor beber fora das refeições (ex.: 30–60 minutos antes/depois).
- Escolha alimentos “neutros”: arroz, batata, macarrão simples, frutas menos ácidas, iogurte, sopas leves. Ajuste conforme tolerância.
- Ventile o ambiente: cozinhar pode piorar. Se possível, peça ajuda, use exaustor, mantenha janelas abertas e prefira alimentos frios (cheiro menor).
- Reavalie diariamente: se houver piora progressiva ou incapacidade de hidratar, não insista em “aguentar”.
Hidratação: como manter quando o estômago está sensível
- Meta prática: em vez de “beber muito de uma vez”, use a estratégia de goles frequentes ao longo do dia.
- Sinais de que está funcionando: urina mais clara e em volume adequado, menos tontura, boca menos seca.
- Se água pura enjoa: alterne com água gelada, água com rodelas de frutas, água de coco ou bebidas isotônicas conforme orientação profissional (especialmente se houver vômitos).
Repouso e energia: como lidar com a sonolência
- Micro-pausas: 10–20 minutos de descanso podem ser mais viáveis do que “dormir horas”.
- Priorize sono noturno: tente horário regular; reduza telas antes de dormir.
- Distribua tarefas: se possível, concentre atividades que exigem mais energia no período do dia em que você se sente melhor.
Constipação: medidas seguras e progressivas
- Aumente água aos poucos (mudanças bruscas podem dar desconforto).
- Inclua fibras diariamente: frutas com casca (quando toleradas), aveia, legumes, feijões, sementes (ex.: chia) em pequenas quantidades.
- Movimento leve: caminhada curta pode estimular o intestino (se não houver contraindicação).
- Crie um horário: tente ir ao banheiro após refeições, sem pressa e sem “forçar”.
- Evite laxantes por conta própria: alguns não são recomendados na gestação; converse com o(a) profissional se não houver melhora.
Azia e refluxo: ajustes simples que costumam ajudar
- Refeições menores e mais frequentes (evite “pratão”).
- Não deite logo após comer: aguarde 2–3 horas quando possível.
- Eleve a cabeceira (travesseiros extras ou elevação do colchão) se a azia piorar à noite.
- Observe gatilhos: frituras, café, chocolate, alimentos muito ácidos ou picantes podem piorar (varia por pessoa).
Salivação aumentada: estratégias de alívio
- Pequenos goles de água e enxágue bucal frequente.
- Mascar chiclete sem açúcar ou chupar gelo/picolé caseiro pode ajudar algumas pessoas.
- Escovar os dentes com mais frequência e usar enxaguante suave (se tolerado) para reduzir gosto ruim que piora náusea.
Medicamentos: quando conversar com o(a) profissional
Se os sintomas estão atrapalhando alimentação, hidratação, sono ou trabalho, vale conversar cedo. O objetivo é evitar que o desconforto evolua para desidratação, perda de peso importante ou esgotamento.
- Náuseas/vômitos: procure orientação se não consegue manter líquidos, se há perda de peso, ou se os vômitos são frequentes ao longo do dia.
- Azia: se medidas comportamentais não ajudam, o(a) profissional pode avaliar opções seguras para gestação.
- Constipação: se persistir apesar de água/fibras/movimento, pergunte sobre alternativas apropriadas.
- Dor ao urinar: não se automedique; infecção urinária precisa de avaliação e tratamento específico.
Leve para a consulta uma lista do que você já tentou (alimentos, horários, gatilhos) e a frequência dos sintomas. Isso acelera decisões e evita tentativas aleatórias.
Quadro de referência: sintoma, o que pode ajudar, quando procurar atendimento
| Sintoma | O que pode ajudar | Quando procurar atendimento |
|---|---|---|
| Náuseas/enjoos | Alimentação fracionada; evitar jejum; alimentos secos ao acordar; ventilação; líquidos em goles; separar líquidos e sólidos | Não consegue manter líquidos; vômitos repetidos; sinais de desidratação (tontura, urina escura, boca seca); perda de peso |
| Vômitos | Goles pequenos; bebidas geladas; repouso; evitar gatilhos; reintrodução gradual de alimentos leves | Vômitos persistentes por muitas horas; sangue no vômito; fraqueza intensa; desmaio |
| Sonolência/cansaço | Micro-pausas; dormir mais cedo; reduzir excesso de tarefas; lanches leves para manter energia | Falta de ar importante; palpitações fortes; desmaios; cansaço incapacitante que piora rapidamente |
| Sensibilidade mamária | Sutiã de sustentação confortável; compressa morna/fria conforme alívio; evitar atrito | Vermelhidão intensa, calor local, febre, secreção purulenta ou dor muito forte localizada |
| Urinar mais vezes | Hidratar ao longo do dia; reduzir líquidos perto da hora de dormir (sem restringir demais); esvaziar bem a bexiga | Ardência/dor ao urinar; febre; dor lombar; urina com sangue; urgência intensa com mal-estar |
| Constipação | Mais água; fibras gradualmente; caminhada leve; rotina para evacuar; não “forçar” | Dor abdominal intensa; distensão importante; vômitos; incapacidade de eliminar gases; sangue nas fezes |
| Salivação aumentada | Goles de água; gelo/picolé; chiclete sem açúcar; higiene oral frequente | Se associada a vômitos intensos e incapacidade de hidratar; sinais de desidratação |
| Azia/refluxo | Refeições menores; evitar deitar após comer; elevar cabeceira; identificar gatilhos | Dor forte no peito; falta de ar; vômitos com sangue; fezes muito escuras; perda de peso por não conseguir comer |
| Variações de apetite/aversões | Flexibilidade alimentar; priorizar o que tolera; pequenas porções; opções “neutras”; foco em hidratação | Incapacidade de se alimentar por dias; perda de peso; sinais de desidratação; fraqueza intensa |