Mitos populares (e o que a evidência realmente indica)
Mito 1: “Creatina faz mal para os rins em pessoas saudáveis”
Conceito: a creatina pode aumentar a creatinina no exame de sangue, e isso é frequentemente confundido com “piora do rim”. Creatinina é um marcador indireto e pode subir sem significar lesão renal.
O que considerar: em pessoas saudáveis, usando doses usuais, a creatina é amplamente estudada e não é associada a dano renal. O cuidado maior é para quem já tem doença renal, usa medicações nefrotóxicas ou tem orientação médica específica.
Passo a passo prático (se você tem dúvida):
- Se você é saudável e quer tranquilidade: faça exames de base (creatinina, ureia, eGFR) antes de iniciar e repita após algumas semanas/meses.
- Se você já tem diagnóstico renal, histórico familiar forte ou usa remédios que exigem monitoramento: não “decida sozinho”; alinhe com médico/nutricionista.
- Hidrate-se normalmente; não é necessário “hiperhidratar”, mas desidratação crônica atrapalha qualquer estratégia.
Mito 2: “Whey é anabolizante”
Conceito: whey é um alimento em pó (proteína do soro do leite). Anabolizantes são hormônios/derivados com efeitos farmacológicos e riscos específicos. São categorias totalmente diferentes.
O que considerar: whey facilita atingir a meta de proteína do dia, mas não “cria músculo sozinho” nem tem efeito hormonal anabolizante. O ganho de massa depende de treino, ingestão total de proteína e calorias, sono e consistência.
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Passo a passo prático (para checar se faz sentido para você):
- Some a proteína que você já come (carnes, ovos, laticínios, leguminosas).
- Se você não atinge sua meta com comida por rotina/praticidade, o whey pode ser uma ferramenta.
- Se você já bate a meta facilmente, whey é opcional (não obrigatório).
Mito 3: “Cafeína emagrece sozinha”
Conceito: cafeína pode aumentar disposição e reduzir percepção de esforço, o que ajuda algumas pessoas a treinar melhor e manter atividade. Ela também pode reduzir apetite em alguns casos, de forma variável.
O que considerar: sem déficit calórico e hábitos consistentes, não há “emagrecimento automático”. Além disso, tolerância pode reduzir o efeito ao longo do tempo, e o uso inadequado pode piorar sono e aumentar fome/compulsão no dia seguinte.
Passo a passo prático (para usar sem se enganar):
- Defina um objetivo comportamental: “usar para treinar melhor” ou “evitar queda de energia no trabalho”, não “para emagrecer”.
- Monitore sono por 7 dias: se piorar, o custo pode superar o benefício.
- Evite “compensar” cansaço crônico com mais cafeína; ajuste rotina e sono primeiro.
Mito 4: “Suplemento substitui refeição sempre”
Conceito: suplementos são ferramentas para complementar. Refeições completas entregam fibras, micronutrientes e saciedade de forma mais robusta.
O que considerar: em situações pontuais (correria, pós-treino sem acesso a comida, viagem), um shake pode ser útil. Mas “sempre” trocar refeições tende a piorar qualidade da dieta e saciedade.
Passo a passo prático (regra simples):
- Use suplemento como “ponte” quando não dá para comer bem.
- Quando possível, priorize refeição com proteína + carboidrato + fibras (ex.: iogurte + fruta + aveia; ou almoço normal).
- Se você troca muitas refeições por shake, revise logística: compras, marmitas, lanches planejados.
Mito 5: “Mais dose = mais resultado”
Conceito: muitos suplementos têm uma faixa de dose efetiva. Acima disso, o ganho extra é pequeno ou inexistente, e os efeitos colaterais aumentam.
O que considerar: com creatina, “exagerar” não acelera resultados de forma proporcional; com cafeína, doses altas aumentam risco de ansiedade, taquicardia e insônia; com whey, excesso de proteína pode atrapalhar o déficit calórico (por calorias extras) e causar desconforto gastrointestinal em alguns.
Passo a passo prático (controle de dose):
- Escolha uma dose-alvo e mantenha por 2–4 semanas antes de ajustar.
- Se o objetivo é performance, ajuste pelo desempenho e tolerância, não pela “sensação de estímulo”.
- Se o objetivo é emagrecimento, ajuste pelo total de calorias e saciedade, não por “quanto suplemento cabe”.
Erros práticos que atrapalham mais do que qualquer mito
1) Inconsistência (usar “quando lembra”)
O erro: tomar alguns dias e parar, ou mudar toda semana por ansiedade de resultado.
Como corrigir (passo a passo):
- Vincule a um hábito fixo: após escovar os dentes, junto do café da manhã, ou ao preparar a garrafa de água.
- Deixe o suplemento visível e acessível (sem depender de “motivação”).
- Use um lembrete por 14 dias; depois tende a virar automático.
2) Dose errada (por “achismo” ou influência)
O erro: copiar dose de amigo, influencer ou rótulo genérico sem considerar tolerância e objetivo.
Como corrigir (passo a passo):
- Defina objetivo principal: performance, praticidade alimentar, foco.
- Comece pelo mínimo efetivo e aumente apenas se necessário.
- Registre efeitos por 7 dias (sono, intestino, ansiedade, treino).
3) Ignorar rótulos (e cair em “misturas” desnecessárias)
O erro: não olhar ingredientes, porção real, adoçantes, cafeína total, sódio, carboidratos e “blends proprietários”.
Como corrigir (checklist rápido):
- Whey: ver proteína por porção, carboidratos, gorduras e lista de ingredientes (quanto mais simples, melhor para comparar).
- Cafeína: checar mg por dose e porções por embalagem; cuidado com “dose dupla” (scoop cheio + cápsula + café).
- Pré-treinos: identificar estimulantes além da cafeína (ex.: sinefrina, ioimbina) e evitar combinações se você é sensível.
4) Usar pré-treino tarde (e pagar com o sono)
O erro: tomar estimulante no fim do dia e achar que “não afeta”, mas dormir pior e render menos nos dias seguintes.
Como corrigir (passo a passo):
- Defina um “horário limite” pessoal: se seu sono piora, antecipe o uso ou reduza dose.
- Se treina à noite, considere alternativas sem estimulantes (ou dose bem menor) e foque em aquecimento e música/rotina.
- Monitore: se você demora mais para dormir ou acorda cansado, ajuste primeiro a cafeína, não aumente.
5) Compensar dieta ruim com suplemento
O erro: usar whey, creatina e cafeína como “seguro” para falta de proteína, excesso de ultraprocessados, pouca fibra e pouca água.
Como corrigir (passo a passo):
- Escolha 1 melhoria alimentar base por semana (ex.: incluir fruta + iogurte, ou salada no almoço).
- Garanta uma fonte de proteína em 2–3 refeições do dia antes de “empilhar” suplementos.
- Use suplemento como ferramenta de logística, não como substituto de hábitos.
Guia de decisões (evidência + segurança) para não errar
| Situação | Decisão mais segura | Por quê |
|---|---|---|
| Você é saudável, treina força e quer melhorar desempenho ao longo do tempo | Priorize consistência e use suplementos como apoio, não como “atalho” | Resultados vêm do conjunto: treino + dieta + sono; suplementos refinam |
| Você tem histórico renal, usa medicações relevantes ou tem exames alterados | Não inicie por conta própria; alinhe com profissional e monitore exames | Risco/benefício muda com comorbidades e contexto clínico |
| Você não consegue bater proteína com comida por rotina | Use whey como opção prática em dias corridos | Ajuda a fechar a meta sem complicar a logística |
| Você quer “mais energia” mas dorme mal | Ajuste sono e rotina antes de aumentar cafeína | Cafeína pode mascarar fadiga e piorar o problema |
| Você sente ansiedade, palpitação ou refluxo com estimulantes | Reduza dose, mude horário ou evite; não combine fontes | Tolerância individual varia; segurança vem primeiro |
| Você está estagnado e pensa em dobrar doses | Revise treino, calorias, proteína total e sono antes de mexer em suplemento | O gargalo geralmente não é a dose do suplemento |
Checklist final de decisão (use como roteiro)
1) Qual é meu objetivo principal (performance, praticidade, foco)? 2) O que está falhando hoje: treino, dieta, sono ou consistência? 3) Tenho alguma condição de saúde/medicação que muda o risco? 4) Sei exatamente o que estou tomando (rótulo, dose, mg de cafeína total)? 5) Vou testar por 2–4 semanas, monitorar efeitos e só então ajustar?