Meiose I: pareamento de homólogos, crossing-over e separação dos cromossomos

Capítulo 8

Tempo estimado de leitura: 6 minutos

+ Exercício

O que torna a Meiose I diferente

Na Meiose I ocorre a separação dos cromossomos homólogos (um de origem materna e outro de origem paterna). Por isso, ela é chamada de divisão reducional: ao final, cada célula-filha recebe apenas um cromossomo de cada par homólogo (ainda com duas cromátides).

Dois eventos explicam por que a Meiose I gera diversidade genética: crossing-over (troca física de segmentos) e assortimento independente (orientação aleatória dos pares na metáfase I).

Prófase I: sinapse, complexo sinaptonêmico e quiasmas

A prófase I é a fase mais longa e rica em eventos. O objetivo central é parear homólogos e permitir recombinação entre cromátides não-irmãs.

Passo a passo prático dos eventos-chave

  • 1) Reconhecimento e aproximação dos homólogos: cromossomos homólogos se aproximam no núcleo e começam a se alinhar gene a gene (mesmos loci, possivelmente alelos diferentes).
  • 2) Sinapse (pareamento completo): o alinhamento se torna estável e contínuo ao longo do comprimento dos cromossomos, formando um bivalente (também chamado de tétrade, pois há 4 cromátides no conjunto: 2 de cada homólogo).
  • 3) Formação do complexo sinaptonêmico: uma estrutura proteica “tipo zíper” se organiza entre os homólogos, mantendo-os firmemente pareados e alinhados. Isso cria o ambiente físico para a recombinação ocorrer com precisão.
  • 4) Crossing-over: ocorre a troca de segmentos entre cromátides não-irmãs (uma cromátide do homólogo materno com uma cromátide do homólogo paterno). O resultado são cromátides recombinantes, com combinações novas de alelos.
  • 5) Quiasmas: após o crossing-over, os pontos de troca ficam visíveis como quiasmas (regiões onde os homólogos permanecem conectados). Eles são essenciais para manter os homólogos unidos até a anáfase I, ajudando a garantir a segregação correta.

Crossing-over: o que é e por que aumenta a variabilidade

Crossing-over é a troca recíproca de segmentos de DNA entre cromátides não-irmãs de cromossomos homólogos. Isso cria cromossomos “mosaico”, combinando alelos que antes estavam em cromossomos diferentes.

Exemplo prático (sem números complexos): imagine um cromossomo materno com alelos A e B em dois loci (AB) e o homólogo paterno com a e b (ab). Sem crossing-over, os gametas tenderiam a carregar AB ou ab. Com crossing-over entre esses loci, podem surgir cromátides com Ab e aB, aumentando o número de combinações possíveis.

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Antes do crossing-over (homólogos pareados):  Materno:  A --- B      Paterno:  a --- b
Após crossing-over (entre cromátides não-irmãs):
Cromátides possíveis:  A --- B   |   a --- b   |   A --- b   |   a --- B

Importante: o crossing-over não “embaralha” cromátides-irmãs entre si; ele envolve cromátides de homólogos diferentes.

Metáfase I: bivalentes alinhados no equador

Na metáfase I, os bivalentes (pares de homólogos conectados por quiasmas) se alinham na placa metafásica. Cada homólogo do par se conecta a fibras do fuso voltadas para polos opostos.

O que observar na metáfase I

  • O alinhamento é de pares (bivalentes), não de cromossomos individuais.
  • As cromátides-irmãs de cada homólogo permanecem juntas (a coesão entre irmãs ainda não é desfeita nesta etapa).

Anáfase I: separação dos homólogos

Na anáfase I ocorre o evento definidor da Meiose I: os cromossomos homólogos se separam e migram para polos opostos. As cromátides-irmãs permanecem unidas (ainda formando um cromossomo com duas cromátides).

O que exatamente “se separa” aqui

  • Separam-se: cromossomos homólogos (materno vs paterno).
  • Não se separam ainda: cromátides-irmãs.

Telófase I: formação de dois núcleos haploides (com cromossomos duplicados)

Na telófase I, os cromossomos chegam aos polos. Dependendo do organismo e do tipo celular, pode haver reorganização parcial do envelope nuclear. Em seguida, ocorre a divisão do citoplasma, formando duas células.

Ponto crucial: ao final da Meiose I, cada célula é haploide (tem um cromossomo de cada par), mas cada cromossomo ainda está duplicado (duas cromátides-irmãs).

Diagramas: Meiose I vs Mitose (o que se separa)

Use os diagramas abaixo como “regra de bolso”: na Meiose I separam-se homólogos; na mitose separam-se cromátides-irmãs.

Diagrama 1 — Meiose I (separação de homólogos)

Antes (bivalente na metáfase I):
  Homólogo materno:   X
  Homólogo paterno:   X
  (X = cromossomo com duas cromátides)

Anáfase I (o que se separa):
  Polo esquerdo  <---  X        X  --->  Polo direito
                 (homólogo)   (homólogo)

Resultado após telófase I:
  Célula 1: X     Célula 2: X
  (cada X ainda tem duas cromátides)

Diagrama 2 — Mitose (separação de cromátides-irmãs)

Antes (metáfase mitótica):
  Cromossomo duplicado:  X

Anáfase (o que se separa):
  Polo esquerdo  <---  | |      | |  --->  Polo direito
                 (cromátides-irmãs se separam)

Resultado:
  Cada célula recebe cromossomos de uma cromátide (agora cromossomos individuais)

Assortimento independente: orientação aleatória dos pares na metáfase I

Além do crossing-over, a Meiose I aumenta a variabilidade por assortimento independente: cada bivalente pode se orientar de duas formas na metáfase I (homólogo materno para um polo ou para o outro), e essa orientação é independente da orientação dos outros pares.

Exemplo numérico simples

Se uma célula tem n pares de homólogos, o número de combinações possíveis apenas por assortimento independente é:

2^n

n (pares de homólogos)Combinações possíveis (2^n)Interpretação
122 maneiras de orientar um par
244 combinações de distribuição dos homólogos
388 combinações possíveis
41616 combinações possíveis

Como visualizar com 2 pares (n = 2): chame os homólogos maternos de M1 e M2, e os paternos de P1 e P2. Na metáfase I, os pares (1 e 2) podem se orientar independentemente, gerando 4 possibilidades de quais homólogos irão juntos para um mesmo polo: M1+M2, M1+P2, P1+M2, P1+P2. Depois, a Meiose II separará as cromátides-irmãs, mas a “mistura” de origem materna/paterna já foi definida aqui.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Qual afirmação descreve corretamente o que acontece na anáfase I da Meiose I e por que essa etapa é considerada reducional?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Na anáfase I separam-se os cromossomos homólogos, enquanto as cromátides-irmãs permanecem juntas. Isso reduz a ploidia, pois cada célula passa a receber apenas um cromossomo de cada par (ainda duplicado).

Próximo capitúlo

Meiose II: separação das cromátides-irmãs e formação de células haploides

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