Forma geral da função quadrática e o papel dos coeficientes
A função quadrática (ou função do 2º grau) é escrita como f(x)=ax²+bx+c, com a≠0. O gráfico é uma parábola. Nesta forma, cada coeficiente tem uma leitura prática:
- a: controla a concavidade e “o quão aberta/fechada” é a parábola (módulo de
a). - b: influencia a posição horizontal do ponto mais alto/baixo (vértice) e a inclinação local.
- c: é o valor de
f(0), isto é, o intercepto em y (onde o gráfico corta o eixo y).
Concavidade: como o sinal de a muda o formato
A concavidade é determinada pelo sinal de a:
- Se
a > 0, a parábola é côncava para cima (formato “U”): o vértice é um mínimo. - Se
a < 0, a parábola é côncava para baixo (formato “∩”): o vértice é um máximo.
Além disso, quanto maior |a|, mais “fechada” é a parábola; quanto menor |a|, mais “aberta”.
Zeros (raízes): onde a parábola cruza o eixo x
Os zeros (ou raízes) são os valores de x que tornam f(x)=0. No gráfico, são os pontos onde a parábola intercepta o eixo x. Podem existir:
- duas raízes reais (corta o eixo x em dois pontos);
- uma raiz real dupla (toca o eixo x no vértice);
- nenhuma raiz real (não cruza o eixo x).
Encontrando zeros por fatoração (quando possível)
Quando a expressão pode ser fatorada, a forma fatorada facilita achar as raízes. A ideia é reescrever:
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ax²+bx+c = a(x-r1)(x-r2)
Então, f(x)=0 implica (x-r1)(x-r2)=0, logo x=r1 ou x=r2.
Passo a passo: fatoração e zeros
- Coloque a função igual a zero:
ax²+bx+c=0. - Tente fatorar (fator comum, produtos notáveis, trinômio do 2º grau).
- Use o produto nulo: cada fator igual a zero gera uma raiz.
- Cheque rapidamente substituindo as raízes em
f(x)para confirmar que dá zero.
Exemplo 1 (fatoração direta): f(x)=x²-5x+6
Fatorando: x²-5x+6=(x-2)(x-3). Zeros: x=2 e x=3. No gráfico, a parábola cruza o eixo x em (2,0) e (3,0).
Exemplo 2 (com coeficiente a diferente de 1): f(x)=2x²-8x+6
Fatore 2: 2(x²-4x+3)=2(x-1)(x-3). Zeros: x=1 e x=3.
Zeros por análise gráfica (quando não dá para fatorar facilmente)
Nem sempre a fatoração é simples. Em situações práticas, é comum estimar as raízes pelo gráfico:
- Identifique onde a curva cruza o eixo x.
- Leia os valores aproximados de
xnesses pontos. - Se a curva apenas “encosta” no eixo x, há uma raiz dupla.
- Se não cruza, não há raízes reais (o gráfico fica todo acima ou todo abaixo do eixo x).
Dica de leitura: se a>0 e o vértice está acima do eixo x, a parábola não terá raízes reais; se o vértice está abaixo, terá duas. Para a<0, o raciocínio inverte (vértice abaixo tende a não ter raízes).
Vértice: ponto de máximo ou mínimo e seu significado
O vértice é o ponto “mais baixo” (mínimo) ou “mais alto” (máximo) da parábola. Ele é central para interpretação: em muitos problemas, o vértice representa o melhor ou pior resultado possível (altura máxima, custo mínimo, lucro máximo, etc.).
Coordenadas do vértice
A abscissa do vértice é:
x_v = -b/(2a)
Depois, calcule a ordenada substituindo na função:
y_v = f(x_v)
Passo a passo: encontrando o vértice
- Identifique
aebemf(x)=ax²+bx+c. - Calcule
x_v=-b/(2a). - Substitua em
f(x)para obtery_v. - Interprete: se
a>0,y_vé o valor mínimo; sea<0,y_vé o valor máximo.
Exemplo 3 (mínimo): f(x)=x²-6x+5
a=1, b=-6. Então x_v=-(-6)/(2·1)=3. y_v=f(3)=9-18+5=-4. Vértice: (3,-4). Como a>0, o valor mínimo da função é -4, atingido em x=3.
Exemplo 4 (máximo): f(x)=-2x²+8x+1
a=-2, b=8. x_v=-8/(2·-2)=2. y_v=f(2)=-8+16+1=9. Vértice: (2,9). Como a<0, o valor máximo é 9.
Eixo de simetria
A parábola é simétrica em relação à reta vertical x=x_v. Isso ajuda a construir o gráfico: pontos à esquerda e à direita do vértice, à mesma distância horizontal, têm o mesmo valor de y.
Construção do gráfico com pontos notáveis
Para desenhar uma parábola de forma eficiente, use pontos que “ancoram” o formato: intercepto em y, raízes (se existirem) e vértice. Esses elementos geralmente bastam para um esboço confiável.
Roteiro prático de construção
- Determine a concavidade pelo sinal de
a. - Marque o intercepto em y: ponto
(0,c). - Encontre e marque o vértice com
x_v=-b/(2a)ey_v=f(x_v). - Encontre as raízes (por fatoração quando possível; caso contrário, estime pelo gráfico/valores) e marque
(r1,0),(r2,0)se existirem. - Use simetria: se você tiver um ponto de um lado do eixo
x=x_v, reflita para o outro lado. - Desenhe a curva suave passando pelos pontos, respeitando a concavidade.
Exemplo completo de esboço com pontos notáveis
Considere f(x)=x²-4x-5.
- Concavidade:
a=1>0, côncava para cima. - Intercepto em y:
c=-5→ ponto(0,-5). - Vértice:
x_v=-(-4)/(2·1)=2;y_v=f(2)=4-8-5=-9→(2,-9). - Raízes: fatorando
x²-4x-5=(x-5)(x+1)→x=5ex=-1→ pontos(5,0)e(-1,0).
Com esses pontos, o esboço fica bem definido: a curva desce até o mínimo em (2,-9) e sobe, cruzando o eixo x em -1 e 5.
Interpretação prática: trajetórias e áreas simplificadas
Trajetória (altura) modelada por parábola
Em modelos simplificados, a altura de um objeto ao longo do tempo pode ser aproximada por uma função quadrática com a<0 (concavidade para baixo). O vértice representa a altura máxima e o instante em que ela ocorre.
Exemplo 5 (altura máxima): h(t)=-5t²+20t+1, com t em segundos e h em metros.
a=-5<0→ existe um máximo.t_v=-b/(2a)=-20/(2·-5)=2s.h(2)=-5·4+40+1=21m → altura máxima de 21 m.
As raízes (quando existirem) indicam instantes em que a altura é zero (por exemplo, quando toca o chão), mas em contextos reais pode haver restrições (tempo não negativo, altura não negativa).
Área “sob a curva” como leitura aproximada
Em algumas situações, a área sob o gráfico em um intervalo pode representar uma quantidade acumulada (por exemplo, uma medida total ao longo do tempo). Sem técnicas formais de cálculo, é possível fazer uma aproximação por formas simples:
- Divida o intervalo em partes iguais.
- Leia valores de
f(x)em pontos (por exemplo, início, meio e fim). - Aproxime por retângulos ou trapézios usando essas alturas.
Exemplo 6 (aproximação por trapézios): Suponha f(x)=-(x-2)²+4 e queremos aproximar a área de x=0 a x=4. Leia: f(0)=0, f(2)=4, f(4)=0. Dividindo em dois trapézios de base 2:
Área ≈ (2/2)·(f(0)+f(2)) + (2/2)·(f(2)+f(4)) = 1·(0+4) + 1·(4+0) = 8Essa leitura é útil para comparar cenários e interpretar gráficos, mesmo sem buscar exatidão.
Exercícios (foco em leitura do gráfico, máximos/mínimos e pontos notáveis)
1) Concavidade e vértice
- a) Para
f(x)=3x²-12x+7, determine a concavidade e calcule o vértice. - b) Para
g(x)=-x²+4x-1, determine a concavidade e interprete o significado do vértice como máximo/mínimo.
2) Zeros por fatoração (quando possível)
- a) Encontre as raízes de
f(x)=x²+x-6e indique os pontos de intercepto com o eixo x. - b) Encontre as raízes de
f(x)=2x²+2x-12e simplifique o máximo possível antes de fatorar.
3) Construção de gráfico por pontos notáveis
- a) Para
f(x)=x²-2x-3, liste: intercepto em y, raízes (se existirem) e vértice. Em seguida, esboce o gráfico. - b) Para
f(x)=-2x²+8x, faça o mesmo e indique claramente o ponto de máximo.
4) Interpretação de trajetória
- Uma bola tem altura dada por
h(t)=-4t²+16t. Determine: (i) o instante de altura máxima, (ii) a altura máxima, (iii) em quais instantes a altura é zero (interprete no contexto).
5) Leitura de máximos/mínimos e intervalos relevantes
- Considere
f(x)=(x-1)²-9. Sem expandir, identifique o vértice e diga se é máximo ou mínimo. Depois, determine em quais valores dexa função é negativa (use as raízes e a concavidade).
6) Área aproximada sob uma parábola (interpretação)
- Para
f(x)=-(x-3)²+9, aproxime a área sob o gráfico dex=0ax=6usando dois trapézios (pontos emx=0,3e6). Mostre as leituras e o cálculo.