O que é uma fonte de dados no Looker Studio
No Google Looker Studio, uma fonte de dados é a camada que conecta um relatório a uma origem (por exemplo, Google Sheets, BigQuery, GA4, CSV via conector) e define como os dados serão interpretados dentro do relatório. Ela funciona como um “modelo” que descreve quais campos existem, que tipo de dado cada campo tem e como eles podem ser agregados.
Na prática, gráficos, tabelas, filtros e controles do relatório não “leem” diretamente a planilha ou o banco: eles leem a fonte de dados. Por isso, escolhas e erros na fonte de dados impactam diretamente o que você consegue visualizar e filtrar.
Esquema: campos e tipos (e por que isso importa)
O esquema é a lista de campos disponíveis na fonte de dados, com suas propriedades. Os pontos mais importantes para iniciantes são:
- Nome do campo: como ele aparece para quem monta o relatório.
- Tipo de dado: texto, número, data, booleano etc.
- Papel analítico: se o campo será usado como dimensão ou métrica.
- Agregação padrão (para métricas): soma, média, contagem, contagem distinta etc.
Quando o tipo ou o papel está errado, acontecem sintomas comuns: datas não aparecem no seletor de período, valores numéricos não somam, filtros não funcionam como esperado, e gráficos de série temporal ficam indisponíveis.
Dimensões vs métricas
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- Dimensão: descreve “quem/o quê/quando/onde”. Exemplos:
Data,Canal,Cidade,Produto,Status. - Métrica: mede “quanto”. Exemplos:
Receita,Quantidade,Cliques,Tempo médio,Taxa de conversão.
Regra prática: dimensões geralmente são usadas para quebrar (segmentar) os dados; métricas para agregar (somar, contar, calcular).
Tipos de dados mais comuns
| Tipo | Exemplos | Impacto em gráficos e filtros |
|---|---|---|
| Texto | Nome, Categoria, ID | Bom para filtros por lista/pesquisa; não permite operações numéricas. |
| Número | Valor, Quantidade, Score | Permite soma/média; habilita gráficos de barras/linhas com agregação. |
| Data | 2026-01-24, 24/01/2026 (se reconhecido) | Habilita série temporal e controle de intervalo de datas; permite agrupamentos por mês/semana. |
| Booleano | true/false, Sim/Não (se mapeado) | Útil para filtros simples e segmentações; muitas vezes precisa padronização. |
Como o esquema impacta gráficos, filtros e controles
Controles de data e séries temporais
Para usar um controle de intervalo de datas e gráficos de série temporal, você precisa ter um campo do tipo Data. Se a data estiver como texto, o Looker Studio pode:
- não oferecer o campo como “dimensão de data”;
- impedir o uso do controle de período;
- tratar a ordenação como alfabética (ex.: “01/12” antes de “02/01”).
Agregações em métricas
Se um campo numérico estiver como texto, ele pode:
- não permitir Soma;
- ser contado como “quantidade de linhas” em vez de somado;
- quebrar cálculos (ex.: margem, ticket médio).
Filtros e segmentações
Filtros dependem do tipo e da consistência do campo:
- Campos de texto com variações (
SP,São Paulo,Sao Paulo) geram filtros “poluídos”. - Campos numéricos com símbolos (
R$ 1.234,56) podem virar texto e não aceitar filtros por intervalo. - Booleanos inconsistentes (
Sim,sim,TRUE,1) dificultam controles simples.
Passo a passo: revisar e ajustar campos na fonte de dados
Use este checklist sempre que conectar uma nova origem ou perceber comportamento estranho em gráficos/filtros.
1) Abrir a edição da fonte de dados
- No relatório, selecione qualquer gráfico que use a fonte.
- No painel de propriedades, clique no nome da Fonte de dados (ou em Editar).
- Você verá a lista de campos com colunas como Tipo, Papel (dimensão/métrica) e, para métricas, a Agregação.
2) Conferir se dimensões e métricas fazem sentido
- Campos como
Data,Categoria,Campanhadevem ser Dimensão. - Campos como
Receita,Quantidade,Impressõesdevem ser Métrica com agregação adequada (geralmente Soma).
3) Ajustar o tipo de dado quando necessário
Ao clicar em um campo, você consegue alterar o tipo. Exemplos comuns:
- Data como texto: altere para Data (ou Data e hora se houver horário).
- Número como texto: altere para Número (inteiro/decimal conforme o caso).
- Booleano: se a origem não fornece booleano real, considere padronizar na origem (recomendado) ou criar um campo calculado (ver abaixo).
Observação importante: nem sempre o Looker Studio consegue converter corretamente se o formato estiver inconsistente. Se a mudança de tipo “parecer” aplicada, mas os gráficos continuarem errados, o problema pode estar no formato dos valores na origem.
Como identificar campos com problemas (sintomas e diagnósticos)
Problema 1: datas como texto
Sintomas:
- O campo de data não aparece para gráficos de série temporal.
- O controle de período não afeta os gráficos.
- Ordenação estranha (ex.:
10/01antes de2/01).
Diagnóstico rápido:
- Na fonte de dados, verifique se o campo está como Texto em vez de Data.
- Verifique se há múltiplos formatos na mesma coluna (ex.:
2026-01-24e24/01/2026misturados).
Como evitar:
- Padronize a data na origem em um único formato consistente (idealmente ISO
YYYY-MM-DD). - Evite colunas com “data + texto” (ex.:
2026-01-24 (segunda)).
Problema 2: números como string (texto)
Sintomas:
- Não dá para somar; o Looker Studio sugere contagem.
- Gráficos exibem valores “quebrados” ou em branco.
- Filtros por intervalo numérico não aparecem.
Causas comuns:
- Separador decimal e de milhar misturados (ex.:
1,234.56vs1.234,56). - Moeda embutida no valor (ex.:
R$ 120,00). - Espaços e caracteres invisíveis (ex.:
120).
Como evitar:
- Guarde valores monetários como número puro na origem (sem
R$); aplique formatação de moeda no Looker Studio. - Padronize separadores conforme a configuração regional da origem.
Problema 3: campos categóricos inconsistentes
Sintomas: filtros com muitas variações para o mesmo item e gráficos com categorias duplicadas.
Como evitar:
- Padronize capitalização e acentuação na origem.
- Use códigos estáveis (ex.:
SP) e, se necessário, mantenha uma tabela de referência para exibição amigável.
Campo calculado: quando usar para corrigir ou padronizar
Campos calculados ajudam quando você não consegue (ou não quer) alterar a origem imediatamente. Eles também são úteis para criar versões “limpas” de campos problemáticos.
Exemplo: criar um campo de “Sim/Não” a partir de valores variados
Se sua coluna Ativo vem como "Sim", "Não", "S", "N", você pode criar um campo calculado para padronizar:
CASE WHEN LOWER(Ativo) IN ("sim","s","true","1") THEN "Sim" WHEN LOWER(Ativo) IN ("não","nao","n","false","0") THEN "Não" ELSE "Indefinido"ENDDepois, use esse novo campo como dimensão em filtros e gráficos.
Exemplo: garantir que uma métrica seja numérica
Se um valor chega como texto e você precisa forçar conversão, um caminho é criar um campo calculado numérico (a viabilidade depende do conector e do formato):
CAST(Valor AS NUMBER)Se o valor tiver moeda/símbolos, o ideal é limpar na origem. Quando não for possível, você pode tentar remover caracteres antes do CAST, mas isso varia por conector e pode falhar com formatos inconsistentes.
Boas práticas para evitar inconsistências entre relatórios
Padronize nomes e definições
- Use nomes claros e consistentes:
ReceitavsFaturamento(escolha um padrão). - Defina agregação padrão correta:
Quantidadegeralmente Soma;Preçogeralmente Média (depende do contexto). - Evite duplicar campos com o mesmo significado em formatos diferentes.
Valide com uma tabela simples
Antes de montar gráficos complexos, crie uma tabela com:
- uma dimensão principal (ex.:
DataouProduto); - 2–3 métricas (ex.:
Quantidade,Receita); - um filtro básico.
Se a tabela não “fecha” com o esperado, corrija o esquema antes de avançar.
Uma fonte reutilizável vs fontes específicas por relatório
Quando criar uma única fonte reutilizável
Crie uma fonte de dados reutilizável quando:
- você tem a mesma origem e o mesmo significado dos campos em vários relatórios;
- quer manter padronização de tipos, agregações e campos calculados;
- precisa reduzir retrabalho (ajustar tipo de data uma vez e reaproveitar);
- há uma “camada semântica” estável (ex.: métricas oficiais do time).
Benefício: consistência. Um campo calculado como Receita Líquida fica igual em todos os relatórios.
Quando criar fontes específicas por relatório
Prefira fontes específicas quando:
- o relatório exige campos calculados muito particulares (ex.: regras de negócio exclusivas);
- você precisa de visões diferentes da mesma origem (ex.: uma com dados detalhados e outra agregada);
- há necessidades de controle (ex.: limitar campos disponíveis para um público);
- o mesmo campo tem definições diferentes dependendo do relatório (ex.: “conversão” definida de formas distintas).
Benefício: flexibilidade e menor risco de uma mudança global afetar relatórios que não deveriam mudar.
Regra prática de decisão
- Se a pergunta for “isso é um padrão da empresa?” → tenda a reutilizar.
- Se a pergunta for “isso é uma exceção deste painel?” → tenda a criar específica.
Checklist rápido antes de usar uma fonte em gráficos e filtros
- Datas estão como Data (não texto) e em formato consistente.
- Métricas estão como Número e com agregação padrão correta.
- Dimensões categóricas estão padronizadas (sem variações desnecessárias).
- Campos calculados críticos (ex.: margem, receita líquida) estão definidos e testados em uma tabela.
- Decisão tomada: fonte reutilizável (padrão) ou específica (exceção).