O que é febre e por que acontece
Febre é a elevação da temperatura corporal acima do habitual, geralmente como parte da resposta do organismo a infecções (virais ou bacterianas) e, menos frequentemente, a inflamações, reação a vacinas ou outras condições. Em termos práticos, a febre indica que o corpo “ajustou o termostato” para uma temperatura mais alta, o que pode ajudar a combater microrganismos. Importante: febre não é sinônimo de gravidade por si só; o que mais orienta a urgência é o estado geral da criança e a presença de sinais de alarme.
Em casa, a febre costuma ser considerada quando a temperatura está elevada de acordo com o método de medição. Como os valores variam conforme o local (axila, boca, reto, ouvido, testa), o mais seguro é acompanhar o padrão do seu termômetro e do método escolhido, e focar também em como a criança está se comportando (alimentação, hidratação, respiração, nível de atividade).
Medição correta da temperatura: métodos por idade e boas práticas
Qual termômetro usar
- Digital (axilar, oral ou retal): costuma ser o mais confiável para uso doméstico quando utilizado corretamente.
- Infravermelho timpânico (ouvido): pode ser útil, mas depende muito da técnica e do tamanho do canal auditivo (em bebês pequenos pode falhar).
- Infravermelho de testa/temporal: prático para triagem, porém pode variar com suor, ambiente e distância; se der alto ou se a criança estiver muito diferente do habitual, confirme com um método mais estável (ex.: axilar com digital).
- Evite termômetros de mercúrio (risco de intoxicação e quebra).
Método por faixa etária (orientação prática)
- Recém-nascidos e lactentes pequenos: prefira termômetro digital. A medição axilar é a mais comum em casa. Em alguns contextos, profissionais podem orientar medição retal por ser mais próxima da temperatura central, mas em casa deve ser feita apenas se você recebeu orientação e treinamento adequados.
- Crianças maiores: axilar continua sendo opção segura. A medição oral só é adequada quando a criança consegue manter o termômetro corretamente sob a língua, sem morder e sem falar durante a leitura.
- Ouvido/testa: podem ser usados como triagem em qualquer idade, mas exigem técnica e confirmação se o resultado não fizer sentido com o estado clínico.
Passo a passo: medição axilar com termômetro digital
- Prepare o ambiente: evite medir logo após banho quente, atividade intensa ou quando a criança está muito agasalhada. Aguarde alguns minutos para estabilizar.
- Higienize o termômetro: limpe a ponta com álcool 70% (ou conforme instrução do fabricante) e seque. Lave as mãos.
- Posicione corretamente: coloque a ponta do termômetro no centro da axila, encostada na pele (não sobre a roupa).
- Feche a axila: mantenha o braço da criança junto ao corpo, sem folgas, até o sinal sonoro ou o tempo indicado.
- Leia e registre: anote o valor, o horário e o método (ex.: “axilar”).
- Higienize novamente e guarde.
Passo a passo: medição oral (quando apropriado)
- Certifique-se de que a criança não comeu ou bebeu algo quente/frio nos últimos 10–15 minutos.
- Higienize o termômetro.
- Coloque a ponta sob a língua, peça para fechar a boca e respirar pelo nariz, sem falar.
- Aguarde o sinal e registre como “oral”.
Passo a passo: medição no ouvido (timpânica)
- Use ponteira limpa e adequada ao aparelho.
- Siga a orientação do fabricante para posicionamento. Em geral, é preciso alinhar o sensor com o canal auditivo; posicionamento incorreto é a causa mais comum de erro.
- Evite medir se houver muita cera, dor importante no ouvido ou após banho/piscina (pode alterar a leitura).
- Se o valor estiver alto e a criança parecer bem, ou se estiver baixo e a criança parecer muito doente, confirme com axilar.
Higiene, repetição e registro: como tornar a informação útil
- Não “caçar o número”: medir muitas vezes seguidas aumenta ansiedade e não muda a conduta. Se precisar confirmar, repita após alguns minutos, garantindo técnica correta.
- Registre em um padrão: horário, temperatura, método, e observações (ex.: “após soneca”, “após antitérmico orientado”, “aceitou líquidos”).
- Compare o comparável: acompanhe preferencialmente pelo mesmo método e termômetro ao longo do episódio.
- Cuidados com o termômetro: não compartilhe sem higienizar; não lave aparelhos eletrônicos em água corrente; siga o manual.
Medidas de conforto e hidratação
Objetivo: melhorar bem-estar e prevenir desidratação
Na maioria dos quadros, o foco em casa é manter a criança confortável, hidratada e observada. A febre pode causar mal-estar, dor no corpo e aumento das perdas de líquido (suor e respiração mais rápida), por isso a hidratação é central.
Hidratação: o que oferecer e como
- Bebês em aleitamento materno: ofereça o peito com mais frequência. O leite materno ajuda na hidratação e no conforto.
- Bebês com fórmula: mantenha a oferta habitual; se houver recusa importante, vômitos ou diarreia, procure orientação profissional.
- Crianças maiores: ofereça água em pequenos volumes e com frequência. Podem ajudar: água, sopas leves, frutas ricas em água (ex.: melancia) e, quando indicado por profissional, soluções de reidratação oral.
- Estratégia prática: se a criança não quer beber “um copo”, ofereça pequenos goles a cada 5–10 minutos.
Ambiente e roupas
- Roupas leves: vista a criança com camadas finas. Evite agasalhar demais para “suar a febre”.
- Temperatura do ambiente: mantenha ventilação e conforto térmico, sem frio excessivo.
- Banho morno: pode ajudar no conforto em alguns casos, mas não deve ser usado como “tratamento obrigatório”. Evite água fria, gelo, álcool na pele ou fricções vigorosas, pois podem causar tremores e piorar o desconforto.
Repouso e conforto
- Permita que a criança descanse, mas não é necessário mantê-la imóvel se ela quiser brincar de forma tranquila.
- Observe sinais de dor (dor de ouvido, garganta, cabeça, dor ao urinar) e relate ao profissional de saúde, pois ajudam a direcionar a avaliação.
Antitérmicos: uso responsável e riscos da automedicação
Medicamentos para febre podem reduzir a temperatura e melhorar o bem-estar, mas não tratam a causa. O uso deve ser feito somente conforme orientação profissional (pediatra, serviço de saúde), especialmente em bebês pequenos, crianças com doenças crônicas, uso de outros remédios ou histórico de alergias.
Cuidados importantes (sem prescrever doses)
- Não use medicamentos “por conta” nem repita doses por achar que “não fez efeito” sem orientação.
- Evite alternar antitérmicos sem recomendação explícita: aumenta risco de erro e intoxicação.
- Confira o rótulo: muitos xaropes para gripe/resfriado já contêm antitérmico; combinar produtos pode duplicar o princípio ativo.
- Atenção ao peso e à concentração: erros comuns acontecem por usar seringa/medidor errado ou por confundir mg e mL.
- Não ofereça ácido acetilsalicílico (AAS) para crianças sem orientação médica, devido a riscos conhecidos em algumas infecções virais.
- Procure ajuda imediata se houver suspeita de ingestão acidental, dose repetida por engano, sonolência excessiva, vômitos persistentes ou qualquer reação alérgica.
Sinais de alarme associados à febre (o que observar)
Além do número no termômetro, observe o comportamento e o corpo da criança. Alguns sinais sugerem maior risco e necessidade de avaliação médica.
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Prostração e alteração do estado geral
- Sonolência intensa, difícil de acordar, pouca interação, “mole”, sem interesse por brincar mesmo quando a febre baixa.
- Confusão, irritabilidade extrema ou piora progressiva do estado geral.
Dificuldade respiratória
- Respiração muito rápida, esforço para respirar (costelas “marcando”, batimento de asa do nariz), gemência, pausas respiratórias.
- Lábios ou ponta dos dedos arroxeados.
Manchas na pele e sinais cutâneos preocupantes
- Manchas roxas/petequiais (pontinhos vermelhos/arroxeados) que surgem com febre, especialmente se aumentam rapidamente.
- Erupção extensa acompanhada de mal-estar importante.
Rigidez e sinais neurológicos
- Rigidez de nuca, dor de cabeça intensa incomum, sensibilidade exagerada à luz.
- Convulsão, desmaio ou movimentos anormais. (Mesmo que a criança melhore depois, precisa de avaliação.)
Choro inconsolável e dor intensa
- Choro persistente, agudo, que não melhora com colo e conforto.
- Dor forte localizada (ex.: ouvido, barriga) ou que impede a criança de se movimentar normalmente.
Desidratação
- Boca seca, ausência de lágrimas ao chorar, olhos fundos.
- Diminuição importante de urina (fraldas pouco molhadas ou urina muito escura), recusa persistente de líquidos.
- Fontanela (moleira) afundada em bebês, apatia.
Quando a idade torna a febre mais preocupante
Em bebês pequenos, a febre pode estar associada a infecções que evoluem mais rapidamente e exigem avaliação profissional mesmo quando outros sinais ainda são discretos.
- Recém-nascidos (primeiras semanas de vida): qualquer febre medida de forma confiável deve ser considerada motivo para avaliação médica imediata.
- Lactentes jovens: febre persistente ou associada a recusa alimentar, sonolência, irritabilidade importante ou qualquer sinal de alarme merece avaliação no mesmo dia.
- Crianças com condições especiais: prematuridade, cardiopatias, doenças pulmonares, imunossupressão, uso de quimioterapia/corticoide em altas doses ou doenças crônicas relevantes aumentam a necessidade de orientação médica precoce.
Roteiro prático de observação em casa (para relatar ao profissional)
Se você precisar procurar atendimento ou falar com o pediatra, ter informações organizadas ajuda muito.
| O que observar | Como registrar |
|---|---|
| Temperatura | Valor + horário + método (axilar/oral/ouvido/testa) + termômetro usado |
| Estado geral | Ativo/brinca? Sonolento? Irritado? Responde ao contato? |
| Hidratação | Quanto bebeu/mamou; número de fraldas molhadas/idas ao banheiro |
| Respiração | Normal ou com esforço? Tosse? Chiado? Pausas? |
| Pele | Manchas? Cor pálida/arroxeada? Suor frio? |
| Outros sintomas | Vômitos, diarreia, dor, ardor ao urinar, secreção no ouvido, rigidez |
| Medicamentos | Nome do produto, horário e quantidade administrada (se orientado) |
Situações que indicam procura de avaliação médica
Procure avaliação médica com prioridade se a febre vier acompanhada de qualquer sinal de alarme descrito (prostração, dificuldade respiratória, manchas roxas/pontinhos, rigidez, convulsão, choro inconsolável, sinais de desidratação) ou se a criança for muito pequena (especialmente recém-nascido). Também busque orientação se a febre persistir por vários dias, se houver piora progressiva, ou se você perceber que “algo não está certo” mesmo sem um sinal específico.