Fases da Mitose: prófase, prometáfase, metáfase, anáfase e telófase

Capítulo 5

Tempo estimado de leitura: 8 minutos

+ Exercício

Como reconhecer as fases da mitose ao microscópio

Para identificar cada fase da mitose em lâminas coradas (por exemplo, com corantes que evidenciam DNA), foque em critérios observáveis: (1) grau de condensação dos cromossomos, (2) integridade do envelope nuclear, (3) posição dos cromossomos no eixo central da célula, (4) separação das cromátides-irmãs e (5) presença de dois núcleos em formação. Em paralelo, observe a organização do fuso mitótico (quando visível por marcação de microtúbulos) e a posição dos polos celulares.

Prófase: cromossomos ficam visíveis e o fuso começa a se organizar

O que acontece: a cromatina se condensa progressivamente até formar cromossomos bem definidos, cada um composto por duas cromátides-irmãs unidas pelo centrômero. O fuso mitótico começa a se montar a partir dos centros organizadores de microtúbulos (polos), que se afastam.

Critérios observáveis ao microscópio:

  • Condensação cromossômica: aparece como “bastões”/estruturas espessas no núcleo.
  • Envelope nuclear: ainda presente (núcleo delimitado).
  • Alinhamento: ainda não há placa metafásica.

Dica prática de identificação: se você vê cromossomos já bem visíveis, mas ainda dentro de um núcleo com contorno relativamente nítido, a célula tende a estar em prófase.

Prometáfase: ruptura do envelope nuclear e captura dos cromossomos pelo fuso

O que acontece: o envelope nuclear se fragmenta, permitindo que microtúbulos do fuso alcancem os cromossomos. Forma-se o cinetócoro (complexo proteico no centrômero), que funciona como “ponto de engate” para microtúbulos. Os cromossomos passam a apresentar movimentos de “vai e vem” enquanto são capturados e orientados.

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Critérios observáveis ao microscópio:

  • Ruptura do envelope nuclear: o contorno nuclear deixa de ser contínuo; cromossomos parecem “soltos” no citoplasma.
  • Condensação: cromossomos bem condensados e individualizados.
  • Posicionamento: cromossomos dispersos, sem alinhamento central completo.

Passo a passo prático (como diferenciar prófase vs. prometáfase):

  1. Procure o contorno do núcleo: se está íntegro, favorece prófase; se está ausente/fragmentado, favorece prometáfase.
  2. Veja a distribuição dos cromossomos: em prometáfase, eles costumam estar mais espalhados e com orientações variadas.

Metáfase: alinhamento na placa metafásica sob tensão equilibrada

O que acontece: todos os cromossomos ficam alinhados no plano equatorial da célula (placa metafásica). Cada cromossomo está ligado a microtúbulos vindos de polos opostos (ligação biorientada), gerando tensão no centrômero/cinetócoro. Essa tensão é um sinal mecânico de que as cromátides-irmãs estão prontas para serem separadas de forma correta.

Critérios observáveis ao microscópio:

  • Placa metafásica: cromossomos alinhados em uma “linha” central (em 2D) ou “disco” (em 3D).
  • Envelope nuclear: ausente.
  • Condensação: máxima, cromossomos muito nítidos.

Dica prática de identificação: metáfase é a fase mais “fotogênica”: cromossomos bem condensados formando uma faixa central bem definida.

Anáfase: separação das cromátides-irmãs e migração aos polos

O que acontece: as cromátides-irmãs se separam no centrômero e passam a ser consideradas cromossomos independentes. Elas migram para polos opostos por ação coordenada do fuso mitótico. A célula alonga, e os cromossomos assumem frequentemente formato em “V” (dependendo de onde o centrômero está) enquanto são puxados.

Critérios observáveis ao microscópio:

  • Separação evidente: duas massas cromossômicas se afastando.
  • Placa metafásica desaparece: não há mais alinhamento central.
  • Movimento aos polos: cromossomos concentrando-se em direções opostas.

Passo a passo prático (o que procurar para confirmar anáfase):

  1. Encontre uma célula com dois “grupos” de cromossomos.
  2. Verifique se há um espaço central aumentando entre os grupos.
  3. Procure cromossomos com aspecto de “puxados” (muitas vezes em V/J), sugerindo tracionamento.

Telófase: reconstituição nuclear e início da descondensação

O que acontece: os cromossomos chegam aos polos e começam a descondensar. O envelope nuclear se reconstitui ao redor de cada conjunto cromossômico, formando dois núcleos. O fuso mitótico é desmontado. (A citocinese costuma ocorrer em paralelo, mas aqui o foco é a mitose.)

Critérios observáveis ao microscópio:

  • Dois conjuntos cromossômicos em polos opostos, agora mais “difusos” pela descondensação.
  • Reaparecimento do envelope nuclear: dois núcleos em formação.
  • Redução da nitidez dos cromossomos: voltam a parecer cromatina.

Dica prática de identificação: se você vê dois núcleos se formando na mesma célula (ou uma célula com “dois núcleos”), com cromossomos menos compactos, é forte indicativo de telófase.

Mecânica da segregação cromossômica: como o fuso “puxa” e separa

A segregação cromossômica é o processo mecânico que garante que cada polo receba uma cópia de cada cromossomo. Ela depende da interação entre microtúbulos do fuso e cinetócoros nos centrômeros.

1) Captura e biorientação no cinetócoro

Na prometáfase, microtúbulos exploram o espaço celular e se ligam aos cinetócoros. O objetivo é que cada cromossomo fique com:

  • um cinetócoro ligado a microtúbulos de um polo,
  • o cinetócoro da cromátide-irmã ligado a microtúbulos do polo oposto.

Essa configuração cria tensão no centrômero, estabilizando a ligação correta e favorecendo o alinhamento na metáfase.

2) Separação no centrômero: o “ponto de liberação” das cromátides-irmãs

As cromátides-irmãs são mantidas unidas por complexos de coesão. Na transição metáfase → anáfase, ocorre a liberação dessa coesão no centrômero, permitindo que as cromátides se separem. A partir desse instante, cada cromátide passa a ser um cromossomo independente que será direcionado a um polo.

3) Movimento aos polos: tracionamento por microtúbulos

O deslocamento dos cromossomos na anáfase envolve principalmente:

  • Encurtamento de microtúbulos ligados ao cinetócoro: como se o microtúbulo “recolhesse”, aproximando o cromossomo do polo.
  • Tracionamento coordenado: forças no cinetócoro e no fuso contribuem para o movimento direcional.
  • Separação espacial dos polos: o afastamento dos polos ajuda a aumentar a distância entre os conjuntos cromossômicos.

Como isso aparece em lâmina: a consequência visível é a migração de cromossomos para lados opostos e o aumento do espaço central durante a anáfase.

Sequência visual sugerida (fase → evento → evidência)

FaseEvento principalEvidência observável ao microscópio
PrófaseCondensação cromossômica e início do fusoCromossomos começam a ficar visíveis; núcleo ainda delimitado
PrometáfaseRuptura do envelope nuclear e captura por microtúbulosContorno nuclear ausente/fragmentado; cromossomos dispersos e bem condensados
MetáfaseAlinhamento na placa metafásica sob biorientaçãoFaixa/linha central de cromossomos altamente condensados
AnáfaseSeparação de cromátides-irmãs no centrômero e migração aos polosDois grupos cromossômicos se afastando; espaço central aumentando
TelófaseChegada aos polos, reconstituição nuclear e descondensaçãoDois núcleos em formação; cromossomos menos nítidos (voltando a cromatina)

Erros típicos de compreensão (e como corrigir)

1) Confundir cromossomos homólogos com cromátides-irmãs

Erro: achar que as estruturas que se separam na anáfase da mitose são cromossomos homólogos.

Correção: na mitose, quem se separa são cromátides-irmãs (duas cópias do mesmo cromossomo, unidas no centrômero). Homólogos são o par materno/paterno de um mesmo tipo de cromossomo e não são o “alvo” de separação na mitose.

2) Achar que o envelope nuclear some na prófase em qualquer célula

Erro: marcar prófase como prometáfase porque “o núcleo já não parece tão claro”.

Correção: use um critério mais robusto: em prometáfase há perda do contorno nuclear contínuo e cromossomos aparentam estar no citoplasma. Em prófase, o núcleo ainda é reconhecível, mesmo que a cromatina esteja se condensando.

3) Confundir metáfase com anáfase inicial

Erro: interpretar uma metáfase “ligeiramente desalinhada” como anáfase.

Correção: anáfase exige separação física em dois grupos que se afastam, com espaço central aumentando. Se ainda há um agrupamento central predominante, é mais provável metáfase (ou prometáfase tardia).

4) Pensar que cada cromossomo na metáfase é uma única cromátide

Erro: considerar que o cromossomo “em X” é apenas um cromossomo simples sem duplicação.

Correção: na metáfase, cada cromossomo está composto por duas cromátides-irmãs unidas no centrômero; a separação dessas cromátides é o marco da anáfase.

5) Achar que o movimento aos polos é “empurrão” aleatório

Erro: imaginar que os cromossomos se deslocam por difusão.

Correção: o movimento é direcionado por forças do fuso: ligação ao cinetócoro, tracionamento por microtúbulos e separação espacial dos polos. A evidência indireta é a migração organizada em dois grupos opostos.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao observar uma célula em divisão, você vê cromossomos bem condensados e individualizados, mas sem uma “linha” central formada; além disso, o contorno do núcleo não é contínuo, e os cromossomos parecem dispersos no citoplasma. Qual fase da mitose essa imagem indica mais provavelmente?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Na prometáfase, o envelope nuclear se fragmenta, os cromossomos ficam bem condensados e aparecem dispersos, ainda sem alinhamento completo na placa metafásica.

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Citocinese e Finalização da Divisão Celular: separação do citoplasma após a mitose

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