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Governança de Segurança da Informação na Prática (ISO 27001/27002 sem burocracia)

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19 páginas

Exemplos de artefatos prontos para uso: políticas, padrões, procedimentos e registros

Capítulo 18

Tempo estimado de leitura: 13 minutos

+ Exercício

Neste capítulo, o foco é fornecer exemplos de artefatos “prontos para uso” (templates) que você pode adaptar rapidamente ao seu contexto. Artefatos são documentos e registros que tornam a governança de segurança executável: deixam claro o que é esperado, como fazer, quem aprova e como evidenciar. A ideia não é criar papelada, e sim reduzir ambiguidade, acelerar decisões e padronizar evidências para auditorias e para o próprio time operar com consistência.

O que são artefatos prontos para uso (e por que eles funcionam)

Artefatos prontos para uso são modelos de documentos e registros com estrutura mínima, linguagem objetiva e campos essenciais já definidos. Eles funcionam porque evitam que cada área “invente” seu próprio formato, e porque diminuem o tempo entre decidir e executar. Em vez de começar do zero, você parte de um template e só ajusta: escopo, exceções, responsáveis, prazos e evidências.

Na prática, esses artefatos se dividem em quatro famílias:

  • Políticas: regras de alto nível (o que deve ser verdadeiro e obrigatório).
  • Padrões: especificações técnicas ou organizacionais (como algo deve ser configurado/feito de forma consistente).
  • Procedimentos: passo a passo operacional (como executar uma atividade recorrente).
  • Registros: evidências de que algo foi feito (logs, formulários, atas, checklists preenchidos).

Um bom conjunto de artefatos prontos para uso tem três características: (1) é curto o suficiente para ser lido, (2) é específico o suficiente para ser aplicado, (3) é rastreável o suficiente para gerar evidência.

Como escolher o nível certo de detalhe (sem burocracia)

Antes de copiar e colar templates, defina o “nível de detalhe” adequado. Uma regra prática é: política cabe em 1–3 páginas, padrão cabe em 1–5 páginas, procedimento cabe em 1–3 páginas e registros devem ser preenchíveis em poucos minutos. Se um procedimento exige 40 minutos para preencher um formulário, ele vai ser ignorado ou preenchido “pro forma”.

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Use também o critério de criticidade: quanto maior o impacto de falha (ex.: dados sensíveis, sistemas críticos, obrigações legais), mais você detalha e exige evidência. Para atividades de baixo risco, prefira checklists simples e registros automáticos.

Passo a passo para adaptar um template e colocar em produção

1) Defina o objetivo operacional do artefato

Escreva uma frase: “Este artefato existe para garantir que…”. Exemplo: “garantir que solicitações de exceção sejam avaliadas com critérios consistentes e evidenciadas”. Se você não consegue escrever essa frase, o artefato provavelmente está genérico demais.

2) Defina escopo e público-alvo

Liste quem precisa usar e quem precisa apenas conhecer. Exemplo: “Usuários finais: conhecer; TI: aplicar; Segurança: aprovar exceções; Auditoria: consultar”. Isso evita que o documento vire um manual para todo mundo.

3) Escolha o tipo correto (política, padrão, procedimento ou registro)

Se o conteúdo é “o que é obrigatório”, é política. Se é “como configurar”, é padrão. Se é “como executar”, é procedimento. Se é “prova de execução”, é registro. Misturar tudo em um documento só aumenta o tamanho e reduz a adesão.

4) Preencha o mínimo obrigatório de governança

Independentemente do tipo, inclua: dono do documento, aprovador, data de vigência, versão, periodicidade de revisão e como tratar exceções. Isso dá rastreabilidade sem virar burocracia.

5) Defina evidências e onde elas ficam

Para cada regra importante, defina qual evidência comprova. Exemplo: “exceções aprovadas” → registro em formulário; “treinamento realizado” → lista de presença/relatório; “configuração aplicada” → export de configuração ou captura de tela padronizada. Sem isso, a operação fica subjetiva.

6) Pilote com um time pequeno e ajuste

Escolha uma área e rode por 2–4 semanas. Meça: tempo para executar, dúvidas recorrentes, campos ignorados, retrabalho. Ajuste o template antes de escalar.

Templates de políticas (modelos prontos)

A seguir, exemplos de políticas em formato enxuto. Use como base e adapte termos, escopo e responsabilidades.

Template 1: Política de Exceções de Segurança

1. Objetivo: estabelecer como solicitar, avaliar, aprovar e revisar exceções a requisitos de segurança. 2. Escopo: aplica-se a sistemas, serviços e processos sob gestão da organização. 3. Princípios: (a) exceção é temporária; (b) deve haver justificativa de negócio; (c) deve haver controles compensatórios quando aplicável. 4. Regras: 4.1 Toda exceção deve ser registrada em formulário padrão. 4.2 Exceções devem ter data de expiração e plano de remediação. 4.3 Exceções de alto impacto exigem aprovação de nível executivo definido. 5. Revisão: exceções ativas devem ser revisadas no mínimo trimestralmente. 6. Não conformidade: exceções sem registro são tratadas como descumprimento de requisito. 7. Anexos: Formulário de Exceção e Checklist de Avaliação.

Exemplo prático: um time precisa liberar um serviço sem um controle obrigatório por 30 dias. Em vez de “liberar por e-mail”, abre-se uma exceção com prazo, justificativa, risco aceito e controle compensatório (ex.: monitoramento reforçado). O registro vira evidência e evita que a exceção vire permanente.

Template 2: Política de Retenção e Descarte de Informações (enxuta)

1. Objetivo: definir regras mínimas de retenção e descarte seguro de informações e registros. 2. Escopo: documentos digitais e físicos, incluindo backups e registros operacionais. 3. Regras: 3.1 Cada tipo de registro deve ter prazo de retenção definido em tabela. 3.2 Descarte deve ser irrecuperável (método definido por tipo de mídia). 3.3 Suspensão de descarte: quando houver investigação, auditoria ou obrigação legal. 4. Responsabilidades: Donos de processo definem prazos; TI executa descarte técnico; Segurança valida métodos. 5. Evidências: logs de descarte, certificados de destruição, relatórios de execução.

Exemplo prático: ao encerrar um contrato, o time precisa descartar dados do fornecedor. A política define que o descarte deve gerar evidência (log/relatório) e que existe “hold” quando há disputa contratual.

Templates de padrões (modelos prontos)

Padrões são onde você coloca “o jeito certo” de configurar e operar, com parâmetros objetivos. Um padrão bom é verificável: alguém consegue olhar e dizer “está conforme” ou “não está”.

Template 3: Padrão de Nomenclatura e Rotulagem de Ativos

1. Objetivo: padronizar nomes e rótulos para facilitar inventário, suporte e auditoria. 2. Escopo: servidores, estações, aplicações, bancos de dados, contas técnicas e ambientes. 3. Regras: 3.1 Formato de hostname: <tipo>-<ambiente>-<sigla-sistema>-<sequencial> (ex.: srv-prd-fin-001). 3.2 Tags obrigatórias (cloud/CMDB): owner, sistema, ambiente, criticidade, centro_custo, contato_oncall. 3.3 Contas técnicas: prefixo svc_ e vínculo com ticket de criação. 4. Conformidade: ativos sem tags mínimas são considerados não conformes e entram em fila de correção.

Exemplo prático: durante um incidente, o time identifica rapidamente o dono do ativo pelo tag owner e o ambiente pelo padrão do nome, reduzindo tempo de resposta.

Template 4: Padrão de Reuniões e Atas de Decisão de Segurança (leve e auditável)

1. Objetivo: registrar decisões relevantes de segurança de forma rastreável. 2. Escopo: comitês, CAB, fóruns de arquitetura, reuniões de exceção. 3. Campos obrigatórios da ata: data, participantes, pauta, decisão, justificativa, riscos considerados, ações, responsáveis, prazos. 4. Regras: 4.1 Decisões devem apontar o artefato impactado (política/padrão/procedimento). 4.2 Ações devem ter dono e data. 4.3 Atas devem ser armazenadas em repositório definido e com controle de acesso.

Exemplo prático: uma decisão de aceitar um risco por 60 dias fica registrada com justificativa e plano de ação, evitando “memória informal” e discussões repetidas.

Templates de procedimentos (modelos prontos com passo a passo)

Procedimentos devem ser executáveis por alguém que não participou da criação. Evite texto abstrato e prefira passos numerados, critérios de entrada/saída e evidências geradas.

Template 5: Procedimento de Solicitação e Aprovação de Exceção (passo a passo)

1. Quando usar: sempre que um requisito de segurança não puder ser atendido no prazo. 2. Entradas: requisito afetado, justificativa, prazo, sistema/ativo, dono, impacto. 3. Passos: 3.1 Solicitante preenche Formulário de Exceção (campos obrigatórios). 3.2 Segurança valida completude e classifica impacto (baixo/médio/alto). 3.3 Dono do sistema confirma necessidade e plano de remediação. 3.4 Aprovadores decidem: aprovar, aprovar com condições, rejeitar. 3.5 Segurança registra decisão, condições e data de expiração. 3.6 Se aprovado, implementar controles compensatórios e anexar evidências. 3.7 Revisão periódica até encerramento (renovar exige nova justificativa). 4. Saídas: exceção registrada, decisão documentada, evidências anexadas. 5. SLA sugerido: baixo 3 dias úteis; médio 5; alto 10 (ajustável).

Dica prática: inclua um campo “o que acontece se nada for feito” para forçar clareza de impacto e evitar exceções por conveniência.

Template 6: Procedimento de Revisão de Documentos de Segurança (controle de versão simples)

1. Objetivo: garantir que políticas/padrões/procedimentos estejam atualizados e aprovados. 2. Periodicidade: anual (ou quando houver mudança relevante). 3. Passos: 3.1 Dono do documento revisa conteúdo e marca alterações. 3.2 Segurança avalia aderência a requisitos internos e externos aplicáveis. 3.3 Partes interessadas revisam (TI, Jurídico, Compliance, Operações) conforme matriz. 3.4 Aprovador final aprova versão. 3.5 Publicar em repositório oficial e comunicar mudanças. 3.6 Arquivar versão anterior com histórico (não apagar). 4. Evidências: registro de revisão, comentários, aprovação, link da versão publicada.

Exemplo prático: ao mudar um processo interno, o procedimento é revisado e a evidência é o registro de aprovação + link da nova versão. Isso reduz “documento morto” e evita que times usem instruções antigas.

Templates de registros (evidências prontas e rápidas de preencher)

Registros são onde a auditoria “encosta” e onde a operação prova consistência. O segredo é ter campos suficientes para rastrear decisão e execução, mas não tantos que ninguém preencha.

Template 7: Formulário de Exceção de Segurança (registro)

Identificação: ID, data, solicitante, área, contato. Contexto: sistema/ativo, ambiente, requisito afetado (referência), descrição do desvio. Justificativa de negócio: por que é necessário agora. Impacto e risco: impacto (baixo/médio/alto), dados envolvidos, exposição, dependências. Controles compensatórios: quais, quando entram, quem executa. Prazo: data de expiração, plano de remediação, marcos. Aprovações: dono do sistema, segurança, aprovador executivo (quando aplicável). Evidências anexas: links/arquivos. Status: aberto/aprovado/rejeitado/encerrado. Revisões: datas e comentários.

Template 8: Checklist de Publicação de Documento (registro)

Documento: nome, versão, dono, aprovador, data de vigência. Itens: ( ) revisão ortográfica mínima ( ) links funcionam ( ) responsabilidades claras ( ) exceções descritas ( ) evidências definidas ( ) repositório correto ( ) comunicado enviado. Evidência do comunicado: link/e-mail/ID. Assinatura: responsável pela publicação, data.

Template 9: Registro de Treinamento Direcionado (quando houver necessidade específica)

Treinamento: tema, público-alvo, objetivo operacional. Sessão: data, instrutor, duração, formato. Participantes: nome, área, presença (sim/não). Avaliação: quiz simples (pontuação) ou confirmação de entendimento. Evidências: material apresentado, lista de presença, link de gravação (se aplicável). Ações: dúvidas abertas e responsáveis.

Exemplo prático: ao lançar um novo procedimento, você registra uma sessão curta com os times impactados e guarda a evidência. Isso reduz erros de execução e facilita auditoria de conscientização direcionada.

Pacotes de artefatos por cenário (para copiar e aplicar)

Em vez de distribuir templates soltos, você pode montar “pacotes” por cenário. Isso acelera adoção porque o time recebe o conjunto completo: regra + como fazer + como evidenciar.

Pacote A: Gestão de exceções (mínimo viável)

  • Política de Exceções (Template 1)
  • Procedimento de Solicitação e Aprovação (Template 5)
  • Formulário de Exceção (Template 7)
  • Padrão de Ata de Decisão (Template 4)

Como aplicar em 7 dias: dia 1 definir aprovadores e SLA; dia 2 publicar templates; dia 3 rodar piloto com 2 exceções reais; dia 4 ajustar campos; dia 5 comunicar; dia 6–7 começar a exigir registro para novas exceções.

Pacote B: Governança de documentos (para evitar “documento morto”)

  • Procedimento de Revisão de Documentos (Template 6)
  • Checklist de Publicação (Template 8)
  • Padrão de Ata de Decisão (Template 4) para mudanças relevantes

Como aplicar em 10 dias: mapear documentos existentes; nomear donos; definir calendário de revisão; publicar checklist; iniciar revisão dos 5 documentos mais usados.

Pacote C: Rastreabilidade de decisões e ações

  • Padrão de Atas (Template 4)
  • Registro de ações (pode ser uma tabela simples com: ação, dono, prazo, status, evidência)

Exemplo de registro de ações (tabela simples em planilha ou sistema de tickets): ação “atualizar padrão X”, dono “Fulano”, prazo “dd/mm”, evidência “link da versão”, status “em andamento”.

Critérios de qualidade para validar seus artefatos

Use estes critérios como checklist rápido antes de publicar qualquer template:

  • Clareza: alguém de fora do time entende o que fazer em 5 minutos?
  • Verificabilidade: dá para auditar com evidência objetiva?
  • Executabilidade: o procedimento tem entradas, passos e saídas?
  • Responsável definido: existe dono do documento e aprovador?
  • Exceções previstas: existe caminho formal para desvio controlado?
  • Baixo atrito: o registro leva poucos minutos para preencher?
  • Reuso: o template serve para 80% dos casos sem customização pesada?

Estrutura recomendada de repositório (para achar rápido e evidenciar)

Mesmo sem ferramentas complexas, a organização do repositório faz diferença. Uma estrutura simples e auditável pode ser:

  • 01_Politicas (PDF/HTML somente leitura)
  • 02_Padroes (documentos técnicos e checklists)
  • 03_Procedimentos (passo a passo operacional)
  • 04_Registros (pastas por ano/mês ou por processo)
  • 05_Modelos_Templates (originais para cópia)

Inclua uma convenção de nomes: TIPO_TEMA_VERSAO_DATA (ex.: PROCED_Excecao_v1.2_2026-01-10). Isso reduz confusão e facilita auditoria.

Exemplo completo: do template ao uso real (fluxo com evidências)

Para visualizar como os artefatos se conectam, veja um fluxo típico de exceção:

  • Gatilho: time identifica que não conseguirá cumprir um requisito no prazo.
  • Registro: preenche Formulário de Exceção (Template 7) com justificativa, prazo e plano.
  • Procedimento: segue o passo a passo de aprovação (Template 5), incluindo classificação de impacto.
  • Decisão: se necessário, registra em Ata (Template 4) a decisão e condições.
  • Evidências: anexa evidências de controles compensatórios e, ao final, evidência de remediação.

Esse encadeamento evita dois problemas comuns: (1) exceções “eternas” sem prazo, (2) decisões sem rastreabilidade que dependem de memória ou e-mails soltos.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao adaptar um template para colocar um artefato em produção sem criar burocracia, qual conjunto de informações mínimas de governança deve constar independentemente do tipo de artefato?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Correto. Esses campos garantem rastreabilidade e governança (quem responde, quem aprova, quando vale, como evolui e como lidar com desvios) sem transformar o artefato em papelada.

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