Emergências respiratórias comuns: broncoespasmo, crupe e obstrução parcial

Capítulo 11

Tempo estimado de leitura: 8 minutos

+ Exercício

O que são emergências respiratórias comuns

Emergências respiratórias são situações em que a criança ou o bebê passa a ter dificuldade para respirar, com sinais visíveis de esforço, barulhos anormais ao respirar ou queda de energia. Neste capítulo, o foco é reconhecer padrões observáveis por leigos e agir com segurança enquanto o atendimento não chega, especialmente em três quadros frequentes: broncoespasmo (chiado), crupe (estridor e “tosse de cachorro”) e obstrução parcial das vias aéreas (passagem de ar reduzida, mas ainda presente).

Como reconhecer desconforto respiratório: sinais que você consegue ver e ouvir

Nem sempre a criança diz “estou sem ar”. Por isso, observe o conjunto de sinais abaixo. Quanto mais sinais juntos, maior a preocupação.

Sinais de esforço para respirar

  • Tiragem: “afundamento” da pele entre as costelas, acima do esterno (ossinho do peito) ou na base do pescoço ao inspirar.
  • Batimento de asa do nariz: narinas abrindo e fechando com força a cada respiração (muito comum em bebês).
  • Uso de musculatura do pescoço/ombros: a criança “puxa” o ar levantando ombros ou contraindo o pescoço.
  • Respiração rápida: respirações curtas e frequentes, com dificuldade de completar frases ou de mamar sem parar.
  • Gemência: som baixo de “gemido” ao expirar, como se tentasse manter o ar dentro do pulmão.

Sinais sonoros importantes

  • Chiado (sibilância): som agudo, como “assobio”, geralmente mais perceptível ao soltar o ar (expiração). Sugere broncoespasmo.
  • Estridor: som áspero e “alto”, como um “ronco”/“guincho”, geralmente mais perceptível ao puxar o ar (inspiração). Sugere estreitamento na parte alta da via aérea, como no crupe.

Sinais gerais de gravidade (observáveis)

  • Alteração de cor: lábios/rosto arroxeados ou acinzentados (cianose) ou palidez intensa.
  • Queda do nível de consciência: sonolência incomum, confusão, dificuldade de manter contato visual, “moleza”.
  • Exaustão: a criança parece “cansar de respirar”, reduz o esforço e fica quieta demais (isso pode ser pior, não melhor).

Diferenciando padrões: crupe/estridor x chiado asmático (broncoespasmo)

Uma forma prática de diferenciar é pensar em onde está o problema: no peito (bronquíolos) ou na garganta (laringe/traqueia).

CaracterísticaCrupe (estridor)Broncoespasmo (chiado)
Som principalEstridor (mais na inspiração)Chiado/assobio (mais na expiração)
TosseComum: “tosse de cachorro” (metálica/rouca)Pode ter tosse seca, mas não é típica “de cachorro”
VozRouquidão é frequenteVoz geralmente normal (pode falhar por falta de ar)
Onde parece “apertar”Mais na garganta/pescoçoMais no peito
O que pioraChoro/agitação costuma piorar muito o som e o esforçoEsforço, alérgenos, infecções e frio podem piorar

Dica para leigos: se o barulho é mais ao puxar o ar e vem “de cima” (garganta), pense em estridor/crupe. Se o barulho é mais ao soltar o ar e vem “do peito”, pense em chiado/broncoespasmo.

Broncoespasmo (chiado): como reconhecer e o que fazer com segurança

O que é (conceito simples)

Broncoespasmo é o estreitamento dos “tubinhos” do pulmão (brônquios/bronquíolos), dificultando a saída do ar. A criança pode parecer “presa no peito”, com chiado e respiração rápida. Pode acontecer em crianças com asma, após resfriados, exposição a fumaça/poeira, ou esforço.

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Sinais comuns

  • Chiado audível, principalmente ao expirar.
  • Tosse seca ou persistente.
  • Respiração rápida, com tiragem.
  • Dificuldade para falar frases longas (ou para mamar sem pausas).
  • Agitação por falta de ar (ou, em casos graves, quietude e cansaço).

Passo a passo seguro enquanto aguarda atendimento

  1. Mantenha a criança calma: fale baixo, evite “correr” com ela, reduza estímulos. Ansiedade aumenta a falta de ar.
  2. Posição confortável: deixe sentada ou semi-sentada, com o tronco levemente inclinado para frente (muitas crianças escolhem essa posição sozinhas). Bebês podem ficar no colo, com a cabeça elevada.
  3. Evite esforço: não peça para “respirar fundo” repetidamente; isso pode cansar mais.
  4. Observe continuamente: conte mentalmente se a respiração está acelerando, se a tiragem está aumentando, se a fala/chorar está ficando mais fraco, e acompanhe cor dos lábios e nível de alerta.
  5. Ambiente: mantenha o local arejado e livre de fumaça/cheiros fortes. Afrouxe roupas apertadas no pescoço/peito.

O que evitar

  • Nebulização ou medicação “por conta” (inclusive “sobras” de receitas antigas ou de outra pessoa). Pode atrasar o atendimento correto e causar efeitos adversos.
  • Deitar à força: deitado pode piorar a sensação de falta de ar e aumentar o esforço respiratório.
  • Exposição a fumaça, vapores, perfumes fortes (inclusive “remédios caseiros” com cheiros intensos).

Crupe (estridor): como reconhecer e o que fazer com segurança

O que é (conceito simples)

Crupe é um estreitamento inflamatório na região da laringe/traqueia (parte alta da via aérea), comum em crianças pequenas. O ar passa por um “canal mais estreito”, gerando estridor e, muitas vezes, tosse de cachorro e rouquidão. Choro e agitação costumam piorar bastante.

Sinais comuns

  • Estridor (principalmente ao inspirar), que pode aparecer mais quando a criança chora ou se agita.
  • Tosse “de cachorro” e voz rouca.
  • Tiragem na base do pescoço/entre costelas quando mais intenso.
  • Respiração rápida e desconforto.

Passo a passo seguro enquanto aguarda atendimento

  1. Priorize acalmar: pegue no colo, mantenha contato visual, fale devagar. O objetivo é reduzir choro, porque choro estreita ainda mais a passagem de ar.
  2. Posição de conforto: sentada ou semi-sentada. Deixe a criança escolher a posição em que respira melhor.
  3. Evite manipular a garganta: não tente “olhar fundo” com colher, dedo ou lanterna se isso agitar a criança; agitação pode piorar o estridor.
  4. Observe o padrão do som: estridor apenas quando chora pode ser mais leve; estridor mesmo em repouso sugere maior gravidade.
  5. Monitore cor e consciência: lábios arroxeados, sonolência incomum ou dificuldade progressiva são sinais de urgência.

O que evitar

  • Nebulização/medicação sem prescrição (incluindo “xaropes” e anti-inflamatórios por conta).
  • Deitar à força ou segurar a criança contra a vontade, aumentando pânico.
  • “Receitas” com vapores/cheiros fortes que podem irritar vias aéreas.

Obstrução parcial das vias aéreas: como reconhecer e o que fazer

O que é (conceito simples)

Obstrução parcial acontece quando algo reduz a passagem de ar, mas ainda existe entrada e saída de ar. Pode ocorrer por alimento, pequeno objeto, secreção espessa ou inchaço. O ponto-chave é: há ar passando, então a conduta segura é não piorar a situação e observar sinais de agravamento.

Sinais comuns de obstrução parcial

  • Tosse presente (muitas vezes forte e repetida).
  • Respiração ruidosa, mas com passagem de ar.
  • A criança consegue chorar ou emitir sons, mesmo com dificuldade.
  • Pode haver engasgos intermitentes, ânsia ou salivação aumentada.

Passo a passo seguro enquanto aguarda atendimento

  1. Incentive a tosse espontânea: se a criança está tossindo e respirando, a tosse é o mecanismo mais eficaz para expulsar.
  2. Mantenha calma e posição confortável: sentada/semi-sentada, sem forçar deitar.
  3. Não coloque nada na boca: não “varra” com o dedo e não tente retirar às cegas; isso pode empurrar o objeto para dentro.
  4. Observe progressão: se a tosse enfraquece, o som muda, a respiração fica mais difícil ou a criança fica pálida/arroxeada, trate como urgência.
  5. Se houver piora rápida, acione ajuda imediatamente e prepare-se para seguir orientações de emergência por telefone.

O que evitar

  • Dar água, pão, banana ou “empurrar” o objeto: pode piorar a obstrução.
  • Provocar vômito ou sacudir a criança.
  • Manobras sem indicação quando há tosse eficaz e ar passando.

Checklist de observação contínua (útil para relatar ao atendimento)

  • Respiração: está mais rápida? há pausas? há tiragem?
  • Som: chiado (expiração) ou estridor (inspiração)? aparece em repouso ou só quando chora?
  • Fala/chorar/mamar: consegue falar/chorar forte? consegue mamar sem parar?
  • Cor: lábios/rosto normais, pálidos ou arroxeados?
  • Consciência: alerta, irritado, sonolento, difícil de despertar?
  • Evolução: está melhorando, igual ou piorando ao longo dos minutos?

Critérios de urgência: quando a situação é imediatamente preocupante

Procure ajuda urgente se houver qualquer um dos sinais abaixo (mesmo que o quadro tenha começado “leve”):

  • Cianose: lábios/face arroxeados ou acinzentados.
  • Exaustão: a criança para de lutar, fica muito quieta, com respiração fraca ou irregular.
  • Incapacidade de falar/chorar (ou choro muito fraco), ou não consegue mamar por falta de ar.
  • Piora progressiva do esforço respiratório (tiragem aumentando, batimento de asa do nariz mais intenso, respiração cada vez mais rápida).
  • Estridor em repouso (não apenas quando chora) ou chiado com grande dificuldade para respirar.
  • Alteração do nível de consciência: sonolência incomum, confusão, desmaio.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao suspeitar de obstrução parcial das vias aéreas (há tosse e ainda passa ar), qual é a conduta mais segura enquanto aguarda atendimento?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Na obstrução parcial ainda há passagem de ar, e a tosse é o mecanismo mais eficaz para expulsar. O mais seguro é manter calma e posição confortável e evitar colocar dedos/objetos na boca, pois isso pode empurrar o corpo estranho e piorar.

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