Objetivo da configuração para QA no Jira
Para que a gestão de testes funcione no Jira (registrar bugs, evidências, vincular com requisitos e acompanhar status), o ambiente precisa estar preparado com: (1) um projeto adequado ao time, (2) permissões mínimas para o trabalho diário, (3) campos que capturem contexto técnico e reprodutibilidade, e (4) um fluxo simples que permita rastreabilidade entre demanda → teste → defeito.
Entendendo o tipo de projeto: company-managed vs team-managed
Company-managed (gerenciado pela empresa)
Quando é comum: organizações com governança central, padronização de workflows, telas e campos.
Impacto para QA iniciante: você geralmente não configura o projeto; solicita ajustes ao administrador. Em compensação, costuma ter mais recursos de padronização (campos globais, esquemas de telas, permissões detalhadas).
O que observar: tipos de issue disponíveis (Bug, Task, Story, Test), telas de criação/edição (quais campos aparecem) e regras de transição (quais status existem e quem pode mover).
Team-managed (gerenciado pelo time)
Quando é comum: times menores, autonomia para ajustar campos e status sem depender tanto do admin.
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Impacto para QA iniciante: você pode conseguir ajustar campos e algumas configurações diretamente (dependendo do papel no projeto).
O que observar: se você tem acesso às configurações do projeto (Project settings) e se consegue adicionar campos às telas.
Como identificar rapidamente qual é o tipo do projeto
No menu do projeto, procure Project settings. Em muitos ambientes, projetos team-managed exibem configurações mais “simples” e orientadas ao time; company-managed costumam ter seções como Permissions, Screens, Workflows (ou acesso restrito).
Se você não consegue ver configurações ou recebe mensagem de permissão, trate como company-managed do ponto de vista prático: você vai precisar alinhar com o admin.
Permissões essenciais para o fluxo de QA (o mínimo para trabalhar)
Sem essas permissões, o QA fica impedido de registrar evidências, atualizar status e manter rastreabilidade. Valide com alguém do time ou com o admin se você possui:
Criar issues (Create issues): para abrir Bug e/ou registrar itens de teste quando aplicável.
Editar issues (Edit issues): para completar campos, ajustar severidade, atualizar versão/build, etc.
Transicionar issues (Transition issues): para mover status (ex.: To Do → In Progress → Done; ou Bug: Open → In Analysis → Fix in Progress → Ready for Retest → Done).
Comentar (Add comments): para registrar análise, dúvidas, alinhamentos e decisões.
Anexar arquivos (Create attachments): para evidências (prints, vídeos, logs).
Ver issues (Browse projects / View issues): básico para acessar o backlog e os bugs.
Vincular issues (Link issues): para conectar Bug ↔ Story/Task/Requirement e manter rastreabilidade.
Ver/editar watchers (opcional, mas útil): para notificar pessoas-chave (dev, PO, suporte).
Passo a passo: como validar suas permissões na prática (sem acesso de admin)
Teste de criação: tente criar um Bug no projeto. Se o botão de criar não permitir selecionar o projeto ou o tipo de issue, pode ser permissão.
Teste de edição: abra uma issue existente e tente editar um campo (ex.: Environment). Se o lápis/edição não aparecer, falta permissão de edição ou o campo não está na tela.
Teste de transição: tente mover o status. Se o botão de transição não aparecer ou der erro, pode ser permissão ou condição no workflow.
Teste de anexos: tente anexar um print. Se não houver opção de anexar, falta permissão ou está bloqueado por política.
Teste de link: procure por “Link issue” e tente vincular a uma Story. Se não existir, pode ser permissão ou configuração.
Campos recomendados para QA: obrigatórios vs opcionais
Campos bem definidos reduzem retrabalho e aumentam a chance de um bug ser reproduzido e corrigido rapidamente. A ideia é equilibrar: obrigatório o suficiente para garantir contexto, mas não tão pesado que desestimule o registro.
Campos essenciais (recomendado tornar obrigatórios para Bug)
Resumo (Summary): título curto e específico. Ex.:
Checkout falha ao aplicar cupom com frete grátis.Descrição (Description) com estrutura de QA: passos, esperado, obtido.
Ambiente (Environment): onde ocorreu (ex.: Staging, Homolog, Produção). Se possível, padronize como lista.
Versão/Build: número da versão do app/web ou build do pipeline. Ex.:
v2.18.0 (build 4512).Severidade (impacto técnico/negócio) e/ou Prioridade (ordem de atendimento). Se o time usa ambos, defina claramente o uso.
Componente (ou módulo): para direcionar ao time certo. Ex.: Pagamentos, Login, Catálogo.
Campos úteis (opcionais, mas altamente recomendados)
Dispositivo/Browser/OS: especialmente para apps e web. Ex.:
iPhone 13 iOS 17,Chrome 121.Conta/Perfil de usuário: tipo de usuário (admin, cliente, vendedor) ou massa de teste.
Regressão? (checkbox): indica se é bug reintroduzido.
Intermitente? (checkbox): ajuda a priorizar investigação.
Epic/Story vinculada: para rastrear origem.
Labels: tags rápidas (ex.:
payment,ui,api), com cuidado para não virar “bagunça”.
Modelo prático de descrição para Bug (copiar e colar)
Contexto: (o que você estava tentando fazer e por quê)\n\nPré-condições: (login feito? feature flag? dados existentes?)\n\nPassos para reproduzir:\n1) ...\n2) ...\n3) ...\n\nResultado esperado:\n- ...\n\nResultado obtido:\n- ...\n\nEvidências:\n- print/vídeo/log anexado (referenciar)\n\nAmbiente/Build:\n- Ambiente: ...\n- Versão/Build: ...\n- Browser/OS/Dispositivo: ...Mesmo que o Jira tenha campos separados, esse modelo ajuda quando o time ainda não padronizou telas e campos.
Como configurar (ou solicitar) campos e telas para QA
Cenário A: você tem autonomia (mais comum em team-managed)
O objetivo é garantir que, ao criar/editar um Bug, os campos de QA apareçam na tela.
1) Liste os campos necessários: Ambiente, Build/Versão, Componente, Severidade/Prioridade, Passos, Esperado, Obtido.
2) Verifique se já existem campos nativos: alguns projetos já têm
Environment,Component/s,Priority.3) Adicione campos ao tipo de issue Bug: em configurações do projeto, procure por campos/issue types e inclua os campos na tela de criação e edição.
4) Defina obrigatoriedade com parcimônia: se o projeto permitir, torne obrigatórios pelo menos Ambiente + Versão/Build + Severidade/Prioridade + Descrição estruturada.
5) Padronize valores: para Ambiente e Severidade, prefira lista (dropdown) para evitar variações (ex.: “homolog”, “hml”, “stg”).
Cenário B: você não tem acesso de configuração (comum em company-managed)
Nesse caso, seu trabalho é especificar claramente o que precisa para o admin configurar com rapidez e sem idas e vindas.
Solicitação pronta para enviar ao administrador (exemplo)
Assunto: Ajustes no Jira para fluxo de QA (campos e permissões)\n\nProjeto: ABC\nTipo de projeto: (se souber) company-managed\n\nNecessidades de QA:\n1) Permissões para o grupo QA: criar/editar issues, comentar, anexar arquivos, transicionar, linkar issues.\n2) No tipo de issue Bug, incluir na tela de Create/Edit os campos:\n - Environment (lista: Dev, Staging, Homolog, Produção)\n - Build/Versão (texto curto)\n - Component (usar Components do Jira ou campo equivalente)\n - Severidade (lista: Blocker, Critical, Major, Minor, Trivial)\n - (manter) Priority\n3) Se possível, tornar obrigatórios em Bug: Environment, Build/Versão, Severidade (ou Priority), Description.\n4) Habilitar Link issues para rastreabilidade (Bug <-> Story/Task).\n\nMotivo: garantir reprodutibilidade, evidências e rastreabilidade entre demanda e defeitos.Definindo severidade e prioridade (uso prático no dia a dia)
| Campo | Para que serve | Exemplo |
|---|---|---|
| Severidade | Impacto do problema no sistema/usuário | Critical: impede compra; Minor: desalinhamento visual |
| Prioridade | Ordem de atendimento considerando contexto | Highest para incidente em produção; Medium para bug com workaround |
Se o time só usa um dos dois, combine a regra: ou “Severidade = impacto” e “Prioridade = fila”, ou unifique em um único campo para evitar duplicidade.
Campos e rastreabilidade: como garantir que Bug aponte para a origem
Rastreabilidade mínima em QA no Jira costuma depender de vínculos e consistência de preenchimento.
Vincular Bug à Story/Task: ao abrir um bug encontrado durante a validação de uma demanda, use
Link issuee selecione um tipo de link padronizado (ex.: “is caused by”, “relates to”).Usar Epic/Component: ajuda a agrupar e filtrar por módulo.
Versão/Build: permite responder “em qual build apareceu?” e “em qual build foi corrigido?” (se o time também preencher fix version/release quando aplicável).
Evidências anexadas: prints e vídeos reduzem tempo de triagem e suportam auditoria.
Checklist de configuração mínima para o fluxo de testes funcionar
1) Projeto e tipos de issue
Existe um projeto onde QA registra bugs e acompanha demandas.
Tipo de issue Bug disponível (ou equivalente).
Tipos de issue para demanda (Story/Task) disponíveis para vincular.
2) Permissões mínimas para QA
Criar e editar issues.
Comentar.
Anexar arquivos.
Transicionar status.
Linkar issues.
Visualizar o projeto e as issues.
3) Campos mínimos no Bug (na tela de Create/Edit)
Environment (lista padronizada).
Build/Versão (texto).
Componente (Components ou campo equivalente).
Severidade e/ou Prioridade.
Descrição com passos para reproduzir + esperado + obtido (em campo único ou separados).
4) Fluxo mínimo de status (para não travar o trabalho)
Bug pode ser criado em um status inicial (ex.: Open/To Do).
Existe um status que represente correção em andamento (In Progress).
Existe um status para pronto para reteste (Ready for Retest/Ready for QA).
Existe um status final (Done/Closed) e, se usado, um status de rejeição (Won’t Fix/Invalid/Duplicate) com motivo registrado em comentário.
5) Rastreabilidade mínima
QA consegue vincular Bug ↔ Story/Task.
Campos de versão/build permitem identificar onde ocorreu.
Evidências anexadas ficam na própria issue.
Quando você não tem acesso: como alinhar com o administrador do Jira
O que levar para a conversa (para ser objetivo)
Lista de permissões que QA precisa (em termos de ações: criar, editar, anexar, comentar, transicionar, linkar).
Lista de campos e quais devem ser obrigatórios para Bug.
Valores padronizados para listas (Ambiente, Severidade).
Exemplo de issue ideal (um bug bem preenchido) para o admin validar se a tela suporta.
Impacto se não ajustar: bugs sem reprodutibilidade, perda de rastreabilidade, retrabalho na triagem.
Perguntas que destravam rapidamente
“Qual grupo devo usar para QA e quais permissões ele já tem?”
“O campo
Environmentexiste e está na tela de Bug? Se não, podemos adicionar?”“Conseguimos tornar
EnvironmenteBuild/Versãoobrigatórios apenas para Bug?”“O workflow do Bug tem um status de pronto para reteste?”
“O time pode linkar issues? Qual tipo de link vocês preferem padronizar?”
Alternativa temporária quando não dá para configurar agora
Use o modelo de descrição estruturada (Passos/Esperado/Obtido) dentro do campo Description.
Padronize no time um prefixo no Summary para ambiente e build, até o campo existir. Ex.:
[HML][4512] Falha ao....Registre componente e severidade via Labels temporariamente, com uma lista acordada (ex.:
comp-pagamentos,sev-critical).Garanta o vínculo manual no texto (colando a chave da Story) se o link estiver bloqueado, e solicite a permissão de link como prioridade de configuração.