Este capítulo é um checklist final, orientado à implementação e validação, para reduzir o risco de regressões de performance e de experiência antes de publicar. A ideia é tratar performance como um “critério de aceite” do release: você confirma que o que foi otimizado continua otimizado, que não surgiram novos gargalos e que a medição está coerente com o que será visto em produção.
O que este checklist cobre (e o que ele não cobre)
O foco aqui é a etapa final: validar que as mudanças estão corretas, que o build está “limpo”, que a entrega em produção preserva as otimizações e que há mecanismos mínimos para detectar regressões logo após o deploy. Não é um capítulo de diagnóstico nem de técnicas de otimização específicas; é um roteiro de verificação e validação.
Pré-requisitos: defina o “escopo de publicação”
Antes de rodar qualquer validação, deixe explícito o que será publicado e em quais páginas/fluxos a performance é crítica. Sem isso, você corre o risco de validar a página errada ou um cenário que não representa o uso real.
Checklist de escopo
Liste as páginas-alvo do release (ex.: home, categoria, produto, checkout, login, busca).
Defina dispositivos e condições mínimas: pelo menos 1 cenário mobile e 1 desktop, e uma condição de rede “realista” para o público (ex.: 4G/3G rápido).
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Defina navegadores suportados (ex.: Chrome/Edge, Safari iOS, Firefox) e valide ao menos os mais relevantes.
Defina se o release altera HTML, CSS, JS, fontes, imagens, rotas, SSR/CSR, ou integrações com terceiros.
Checklist de build e entrega: garanta que o que você testou é o que vai ao ar
Muitas regressões acontecem porque o ambiente de teste não corresponde ao build de produção, ou porque a configuração de cache/CDN muda o comportamento. O objetivo aqui é garantir equivalência.
1) Verifique o modo de build
Confirme que o build é de produção (minificação, tree-shaking, dead code elimination, sourcemaps conforme política).
Garanta que flags de debug e logs verbosos não estão habilitados.
Confirme que o bundle analyzer (se usado) não alterou o build final (algumas ferramentas injetam dependências).
2) Verifique integridade e versionamento de assets
Assets com hash no nome (ex.:
app.8f3c1.js) para evitar cache “envenenado”.Evite publicar arquivos com o mesmo nome e conteúdo diferente sem invalidar cache.
Confirme que o HTML referencia os assets corretos (sem apontar para versões antigas).
3) Verifique headers essenciais de entrega
Antes de publicar, valide rapidamente os headers do HTML e dos assets principais. Um erro aqui pode anular otimizações feitas no código.
Cache-Control: HTML geralmente com cache curto/validação; assets versionados com cache longo.
Content-Type correto para JS/CSS/fontes/imagens.
Content-Encoding (gzip/br) ativo para texto (HTML/CSS/JS/SVG).
CORS para fontes e assets cross-origin quando aplicável.
4) Verifique CDN e compressão de imagens
Confirme que a CDN não está removendo headers importantes (ex.:
Vary) ou reescrevendo cache de forma agressiva.Se há otimização automática de imagens na borda, valide que não está degradando qualidade ou gerando formatos incompatíveis.
Checklist de “sanidade” no navegador: validações rápidas e certeiras
São verificações que você consegue fazer em minutos e que capturam problemas comuns antes do teste aprofundado.
1) Hard reload e navegação real
Teste com cache vazio (hard reload) e também com cache “normal” (segunda visita). A experiência real mistura ambos.
Navegue pelos fluxos críticos como um usuário: clique, volte, filtre, abra modal, finalize ações. Muitos problemas de responsividade aparecem só em interação.
2) Verifique erros no Console
Erros de JS podem causar re-renderizações, loops e handlers quebrados que pioram responsividade.
Erros de CORS e de carregamento de fontes/imagens podem causar fallback inesperado e instabilidade visual.
3) Verifique a aba Network (sem aprofundar em waterfall)
Aqui você não está “diagnosticando”; está procurando sinais de alerta.
Requisições 404/500 em assets críticos.
Redirecionamentos desnecessários (301/302) antes do HTML ou de assets importantes.
Arquivos duplicados (mesma biblioteca carregada duas vezes por rotas diferentes).
Third-parties carregando mais do que o esperado (novos scripts, tags duplicadas).
Checklist de validação de Core Web Vitals no release
O objetivo é confirmar que o release cumpre as metas definidas e que não houve regressão em páginas críticas. Faça isso com consistência: mesma rota, mesmo dispositivo, mesma condição de rede/CPU que você usa como referência interna.
1) Rode auditorias repetidas e compare com baseline
Execute múltiplas rodadas (ex.: 3 a 5) por página crítica e use mediana para reduzir ruído.
Compare com o baseline do último release estável. Se não houver baseline, crie um agora e trate como referência para o próximo ciclo.
Se houver variação grande entre rodadas, isso é um sinal: pode haver instabilidade de rede, scripts condicionais, ou comportamento não determinístico.
2) Valide cenários de primeira visita e navegação interna
Primeira visita: foco em carregamento inicial e recursos críticos.
Navegação interna (SPA/MPA): foco em responsividade ao interagir e em carregamentos sob demanda.
3) Valide “pontos de risco” típicos
Componentes acima da dobra: banners, carrosséis, hero, cabeçalho fixo.
Listas longas: páginas de categoria/busca com muitos itens.
Checkout e formulários: máscaras, validações, integrações antifraude.
Login e páginas com CAPTCHA/anti-bot: scripts externos podem impactar responsividade.
Checklist de regressões comuns (o que costuma quebrar perto do deploy)
1) Third-parties duplicados ou fora de controle
É comum um release adicionar uma nova tag e manter a antiga, ou carregar o mesmo provedor em duas rotas. Antes de publicar:
Liste todos os scripts de terceiros carregados nas páginas críticas.
Confirme que cada provedor aparece uma única vez (quando aplicável).
Confirme que a estratégia de carregamento está correta (ex.: não transformar algo antes assíncrono em bloqueante).
2) CSS/JS “cresceu” sem perceber
Mesmo sem entrar em técnicas, a checagem final deve detectar aumentos grandes de payload.
Compare o tamanho total transferido e o tamanho descomprimido de JS/CSS com o release anterior.
Se houve aumento relevante, identifique qual bundle cresceu e por quê (nova dependência, locale, polyfill, componente pesado).
3) Mudanças de roteamento e prefetch agressivo
Verifique se a aplicação não está fazendo prefetch de rotas demais, consumindo banda e competindo com recursos críticos.
Confirme que o prefetch é condicional (ex.: apenas em links visíveis/hover/idle) quando aplicável.
4) Fontes e fallbacks mudaram
Confirme que as fontes carregam sem erros e que o fallback não altera layout de forma perceptível.
Verifique se não houve inclusão acidental de famílias/pesos extras.
5) Imagens “escaparam” do padrão
Confirme que imagens novas respeitam dimensões esperadas e não estão sendo enviadas em tamanho maior do que o necessário.
Verifique se não há imagens críticas sem prioridade adequada (ex.: hero carregando tarde).
Passo a passo prático: roteiro de validação antes de aprovar o deploy
A seguir, um roteiro operacional que você pode aplicar em PR/release candidate. Ajuste os passos conforme seu processo, mas mantenha a ordem para reduzir retrabalho.
Passo 1 — Congele o candidato a release
Garanta que você está testando um commit/tag específico.
Evite “testar enquanto muda”: isso invalida comparações e torna resultados inconfiáveis.
Passo 2 — Gere e publique em um ambiente o mais próximo possível de produção
Use a mesma configuração de CDN, compressão e headers (ou o mais próximo possível).
Garanta que variáveis de ambiente e chaves de terceiros estão equivalentes (muitos scripts mudam comportamento por ambiente).
Passo 3 — Rode um smoke test de performance (15–30 min)
Abra as páginas críticas em janela anônima.
Faça hard reload e navegação interna.
Verifique Console (erros), Network (404/500/redirects) e se a UI está estável.
Passo 4 — Execute auditorias repetidas e registre resultados
Para cada página crítica, rode 3–5 vezes e registre mediana e dispersão.
Registre também o tamanho transferido total e o total de JS/CSS.
Passo 5 — Compare com baseline e aplique “critérios de bloqueio”
Defina critérios objetivos para bloquear o release. Exemplos práticos:
Se qualquer página crítica regredir acima de X% na métrica principal do fluxo, bloquear.
Se o total de JS aumentar acima de um limite (ex.: +15%) sem justificativa, bloquear.
Se houver novos erros no Console ou falhas de carregamento de assets críticos, bloquear.
Passo 6 — Valide em pelo menos um dispositivo real (quando possível)
Emuladores ajudam, mas um teste rápido em dispositivo real captura problemas de responsividade e jank que passam despercebidos.
Teste um Android intermediário e/ou um iPhone com Safari, dependendo do seu público.
Repita o fluxo crítico (ex.: buscar produto → abrir PDP → adicionar ao carrinho → iniciar checkout).
Passo 7 — Faça uma checagem final de observabilidade pós-deploy
Antes de publicar, garanta que você conseguirá detectar regressões rapidamente após o deploy.
Confirme que eventos de performance (RUM ou logs internos) estão habilitados no build de produção.
Confirme que há identificação de versão (ex.: commit SHA) nos eventos para correlacionar regressões com releases.
Defina alertas mínimos: aumento de erros JS, aumento de tempo de resposta, queda de taxa de conversão (se aplicável).
Checklist de validação por tipo de aplicação
Aplicações SPA
Verifique transições de rota: carregamentos sob demanda não devem travar a UI.
Confirme que a navegação interna não acumula listeners e não aumenta memória progressivamente.
Valide que o estado não dispara re-renderizações em cascata após interações comuns.
Aplicações MPA/SSR
Verifique se o HTML inicial contém o conteúdo esperado (sem depender de JS para “aparecer”).
Confirme que o cache do HTML não está servindo conteúdo incorreto por usuário/segmento.
Valide que o TTFB não regrediu por mudanças no backend, templates ou middleware.
Checklist de segurança e privacidade que impacta performance
Algumas medidas de segurança alteram carregamento e podem introduzir bloqueios ou falhas silenciosas.
CSP: confirme que a política não bloqueia scripts/estilos necessários (o que pode causar re-render e fallback).
Subresource Integrity (SRI): se usado, confirme que os hashes batem com os arquivos publicados.
Consentimento/cookies: valide que a lógica de consentimento não carrega third-parties antes da hora nem duplica tags após aceitar.
Modelo de checklist copiável (para PR/release)
Use o bloco abaixo como template em um PR ou ticket de release. Ajuste os itens conforme seu contexto.
- [ ] Escopo definido: páginas/fluxos críticos listados e validados (mobile/desktop, navegadores-alvo) - [ ] Build de produção gerado (minificado, sem flags de debug) - [ ] Assets versionados com hash; HTML aponta para assets corretos - [ ] Headers verificados: Cache-Control, Content-Type, Content-Encoding, CORS (fontes) - [ ] CDN/edge não está alterando comportamento esperado (cache, compressão, rewrites) - [ ] Smoke test: hard reload + navegação interna (sem erros no Console) - [ ] Network: sem 404/500 de assets críticos; sem redirects desnecessários; sem duplicação de third-parties - [ ] Auditorias repetidas (3–5): resultados registrados (mediana) por página crítica - [ ] Comparação com baseline: sem regressões acima do limite definido - [ ] Payload: JS/CSS total dentro do orçamento; sem crescimento inesperado - [ ] Teste em dispositivo real (quando possível) em fluxo crítico - [ ] Observabilidade pronta: versão do release nos eventos; alertas mínimos configuradosComo lidar com falhas encontradas no checklist (sem travar o release)
Nem toda falha tem o mesmo peso. Para evitar discussões subjetivas na reta final, classifique o achado e aplique uma ação padrão.
Classificação sugerida
Bloqueador: quebra funcional, erro de asset crítico, regressão grande em páginas críticas, duplicação de tags que afeta interação.
Alto: aumento relevante de payload, regressão moderada em fluxo importante, instabilidade entre rodadas.
Médio/Baixo: ajustes finos, pequenas variações, oportunidades de melhoria sem impacto imediato.
Ação padrão
Bloqueador: corrigir antes de publicar ou reverter a mudança específica.
Alto: avaliar hotfix vs. publicar com mitigação (ex.: desativar feature flag) e abrir tarefa com SLA curto.
Médio/Baixo: registrar no backlog com evidência (página, condição, números) e linkar ao release.