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Roteamento e Autenticação em React: Construindo SPAs Seguras com React Router e JWT

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Checklist de implementação: contratos, responsabilidades e pontos de auditoria

Capítulo 17

Tempo estimado de leitura: 12 minutos

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Este capítulo funciona como um checklist de implementação para alinhar contratos (o que cada parte promete entregar), responsabilidades (quem faz o quê) e pontos de auditoria (o que verificar e como evidenciar) em uma SPA React com roteamento e autenticação baseada em JWT. A ideia é reduzir ambiguidades entre front-end e back-end, evitar “buracos” de segurança por falta de definição e facilitar revisões técnicas, QA e auditorias internas.

Conceito: contratos, responsabilidades e pontos de auditoria

O que são “contratos” neste contexto

Contrato é qualquer acordo verificável entre camadas e times. Em SPAs seguras, contratos aparecem principalmente como: contrato de API (endpoints, payloads, códigos de erro), contrato de autenticação (como obter/renovar sessão, quais claims existem), contrato de autorização (como o back-end decide acesso), contrato de navegação (quais rotas existem e quais exigem autenticação) e contrato de observabilidade (quais eventos e logs existem para rastrear problemas).

Um contrato útil é específico e testável. Exemplo: “Ao receber 401, o front-end deve tentar refresh uma única vez; se falhar, deve limpar sessão e redirecionar para /login com returnUrl”. Isso é um contrato porque define comportamento, limites e resultado esperado.

Responsabilidades: separação clara para evitar brechas

Responsabilidade é a atribuição explícita de quem garante cada propriedade do sistema. Em autenticação e roteamento, uma fonte comum de falhas é assumir que “o outro lado” valida algo. Exemplo: o front-end pode esconder um botão de admin, mas isso não substitui a autorização no back-end. O checklist abaixo reforça responsabilidades típicas: o back-end é a fonte de verdade para autorização; o front-end é responsável por UX, fluxo de navegação, consistência de sessão e por não vazar dados sensíveis em UI/telemetria.

Pontos de auditoria: o que precisa ser verificável

Pontos de auditoria são itens que você consegue inspecionar e provar que estão corretos: testes automatizados, logs, evidências de configuração, revisões de código e validações de runtime. Uma auditoria eficaz não depende de “acreditar” que está certo; depende de evidências repetíveis.

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Checklist de contratos (front-end ↔ back-end)

1) Contrato de endpoints de autenticação

  • Login: definir endpoint, método, payload, resposta e erros. Especificar se a resposta traz access token, refresh token, expiração e dados do usuário.
  • Refresh: definir endpoint e regras de uso (quando chamar, quantas tentativas, se invalida refresh antigo).
  • Logout: definir se é apenas local (front-end) ou se há revogação no servidor (blacklist, rotação, invalidação).

Ponto de auditoria: documentação de API (OpenAPI/Swagger ou equivalente) e testes de contrato (ex.: testes de integração que validem schema e status codes).

2) Contrato de status codes e formato de erro

Padronize como o back-end responde erros para que o front-end trate de forma consistente. Defina um envelope de erro com campos previsíveis (ex.: code, message, details, traceId). Diferencie claramente: 401 (não autenticado), 403 (autenticado sem permissão), 422 (validação), 429 (rate limit), 5xx (erro interno).

{  "error": {    "code": "AUTH_INVALID",    "message": "Credenciais inválidas",    "details": [],    "traceId": "b7f3..."  }}

Ponto de auditoria: testes automatizados garantindo que endpoints retornam o envelope definido e que o front-end não depende de mensagens livres para lógica.

3) Contrato de claims e identidade

  • Definir quais claims existem e seus tipos (ex.: sub como string, roles como array).
  • Definir se roles/permissões são estáticas no token ou se devem ser consultadas em endpoint de perfil.
  • Definir como identificar tenant/organização (multi-tenant) e como isso impacta rotas e chamadas.

Ponto de auditoria: exemplos de tokens (redigidos) em documentação interna e testes que validem presença/ausência de claims obrigatórias.

4) Contrato de expiração, clock skew e renovação

Mesmo sem repetir estratégias já discutidas, aqui o foco é o contrato: qual é a duração do access token, do refresh token, qual tolerância de relógio (clock skew) é aceita e como o servidor se comporta em tokens expirados. Defina também se o refresh retorna um novo refresh token (rotação) e como o front-end deve armazenar/atualizar isso.

Ponto de auditoria: testes de integração simulando expiração e verificando que o servidor responde com códigos corretos e que o front-end segue o fluxo acordado.

5) Contrato de CORS, cookies e headers

  • Definir origens permitidas, headers aceitos e expostos (ex.: Authorization, X-Request-Id).
  • Se usar cookies, definir SameSite, Secure, HttpOnly e domínios.
  • Definir se o back-end exige header de correlação (ex.: X-Request-Id) e se o front-end deve gerar quando ausente.

Ponto de auditoria: configuração do gateway/API e verificação via ferramentas (curl, Postman) e testes E2E.

Checklist de responsabilidades (o que cabe a cada camada)

Responsabilidades do back-end (fonte de verdade)

  • Autenticar: validar credenciais, emitir tokens, validar refresh, aplicar rotação/revogação conforme política.
  • Autorizar: checar permissões em cada endpoint sensível, independentemente do que o front-end mostra.
  • Auditar: registrar eventos de segurança (login, refresh, logout, falhas, bloqueios) com correlação.
  • Proteger dados: nunca retornar dados além do escopo permitido ao usuário.

Responsabilidades do front-end (UX, consistência e redução de risco)

  • Orquestrar navegação: garantir que rotas exigidas não sejam acessíveis via UI sem sessão válida (mesmo que o back-end bloqueie).
  • Gerenciar estado de sessão: manter UI consistente, evitar estados “meio logado”, lidar com transições e erros.
  • Minimizar exposição: não logar tokens, não expor dados sensíveis em mensagens, não persistir além do necessário.
  • Padronizar chamadas: centralizar cliente HTTP, anexar credenciais conforme contrato e tratar erros de forma uniforme.

Responsabilidades compartilhadas (precisam de acordo explícito)

  • Modelo de permissões: nomes de roles/permissões, semântica e evolução (versionamento).
  • Observabilidade: traceId, requestId, convenções de logs e métricas.
  • Políticas de sessão: tempo de expiração, comportamento em inatividade e em múltiplos dispositivos.

Checklist de implementação no front-end (passo a passo prático)

Passo 1: consolidar um “Auth Contract” em código

Crie um módulo único que represente o contrato de autenticação: tipos, funções e mapeamento de erros. A meta é evitar que cada tela “interprete” respostas de um jeito diferente.

// auth.contract.ts (exemplo conceitual)export type AuthErrorCode =  | 'AUTH_INVALID'  | 'AUTH_EXPIRED'  | 'AUTH_FORBIDDEN'  | 'AUTH_RATE_LIMIT'  | 'UNKNOWN';export type AuthResult = {  accessToken: string;  refreshToken?: string;  expiresAt: number;  user: { id: string; email: string; roles: string[]; };};export function mapAuthError(input: any): AuthErrorCode {  const code = input?.error?.code;  if (code === 'AUTH_INVALID') return 'AUTH_INVALID';  if (code === 'AUTH_EXPIRED') return 'AUTH_EXPIRED';  if (code === 'AUTH_FORBIDDEN') return 'AUTH_FORBIDDEN';  if (code === 'AUTH_RATE_LIMIT') return 'AUTH_RATE_LIMIT';  return 'UNKNOWN';}

Ponto de auditoria: revisão de código garantindo que telas consomem apenas esse módulo para interpretar erros e que não há “ifs” espalhados por status code sem padrão.

Passo 2: padronizar o cliente HTTP com interceptores e correlação

Mesmo que a interceptação já exista, aqui o checklist foca em itens auditáveis: garantir que toda requisição tenha um identificador de correlação e que erros sejam normalizados para o restante do app.

  • Gerar requestId quando não existir.
  • Anexar headers exigidos pelo back-end.
  • Normalizar erros em uma estrutura única (ex.: AppError).
// http.error.ts (exemplo conceitual)export type AppError = {  kind: 'Network' | 'Http' | 'Auth' | 'Unknown';  status?: number;  code?: string;  message: string;  traceId?: string;  requestId?: string;};export function normalizeError(e: any): AppError {  const status = e?.response?.status;  const traceId = e?.response?.data?.error?.traceId;  const code = e?.response?.data?.error?.code;  if (!status) return { kind: 'Network', message: 'Falha de rede', traceId, code };  if (status === 401 || status === 403) return { kind: 'Auth', status, code, message: 'Acesso negado', traceId };  return { kind: 'Http', status, code, message: 'Erro na requisição', traceId };}

Ponto de auditoria: busca no código por uso direto de fetch/axios fora do cliente padronizado; deve ser exceção justificada.

Passo 3: definir matriz de rotas × requisitos (documento vivo)

Crie uma matriz simples que liste cada rota e seus requisitos: autenticada? quais permissões? quais dados mínimos devem estar carregados? qual fallback? Isso evita “rotas esquecidas” e facilita QA.

  • Rota
  • Tipo: pública/autenticada
  • Permissões/roles
  • Dependências de dados (ex.: perfil carregado)
  • Comportamento em 401/403

Ponto de auditoria: a matriz deve bater com a configuração real de rotas e com os testes E2E (um teste por linha crítica).

Passo 4: padronizar estados de carregamento e transições de sessão

Checklist de UI para evitar vazamento de conteúdo e “flash” de telas indevidas:

  • Enquanto a sessão está sendo reidratada/verificada, mostrar um estado neutro (skeleton/loader) sem dados sensíveis.
  • Evitar renderizar componentes de área autenticada antes de confirmar estado.
  • Em falha de sessão, limpar caches em memória relacionados ao usuário (queries, stores) antes de redirecionar.

Ponto de auditoria: testes E2E simulando reload com sessão expirada e verificando que não há flash de conteúdo protegido.

Passo 5: mapear eventos de segurança e telemetria (sem dados sensíveis)

Defina quais eventos o front-end registra (para analytics/observabilidade) e quais campos são proibidos. Eventos típicos: login_succeeded, login_failed, token_refresh_failed, access_denied_view, session_expired. Campos proibidos: tokens, senhas, payloads completos de erro com PII.

// security.events.ts (exemplo conceitual)type SecurityEvent = {  name: 'login_succeeded' | 'login_failed' | 'session_expired' | 'access_denied_view';  at: number;  requestId?: string;  traceId?: string;  meta?: { reason?: string; route?: string; status?: number; };};export function trackSecurityEvent(evt: SecurityEvent) {  // enviar para sua ferramenta de logs/telemetria  // garantir redaction de campos sensíveis}

Ponto de auditoria: revisão de logs em ambiente de teste garantindo que não há tokens/PII; checagem automática via lint/regex em pipelines (quando aplicável).

Passo 6: checklist de cache e invalidação (dados do usuário)

Se você usa cache de dados (ex.: React Query, SWR ou cache próprio), defina responsabilidades claras:

  • Ao logout: invalidar queries do usuário, limpar dados em memória e resetar stores.
  • Ao trocar de usuário na mesma máquina: garantir que não há “vazamento” de dados do usuário anterior.
  • Ao receber 403 em um recurso: decidir se isso invalida permissões locais e se deve reconsultar perfil.

Ponto de auditoria: teste manual guiado e teste E2E: login com usuário A, navegar em páginas com dados, logout, login com usuário B e verificar ausência de dados do A.

Passo 7: checklist de versionamento e compatibilidade

Defina como o front-end reage quando o back-end muda contrato:

  • Versionamento de API (path, header ou semântico).
  • Feature flags para mudanças graduais.
  • Fallback para campos ausentes (ex.: roles não presente).

Ponto de auditoria: testes de contrato em CI e validação de schema (ex.: zod/io-ts) para respostas críticas, com tratamento de erro controlado.

Checklist de auditoria técnica (o que revisar no código e no pipeline)

1) Auditoria de código: itens rastreáveis

  • Não existem tokens em logs, console, mensagens de erro ou analytics.
  • Não existem chamadas HTTP fora do cliente padronizado (ou estão justificadas).
  • Rotas protegidas têm requisitos explícitos (mapeados na matriz) e testes cobrindo cenários 401/403.
  • Componentes sensíveis não renderizam dados antes de estado de sessão confirmado.
  • Tratamento de erro é consistente e não depende de strings de mensagem.

2) Auditoria de dependências e build

  • Dependências atualizadas e com política de correção (ex.: alertas de vulnerabilidade tratados).
  • Build reproduzível e com variáveis de ambiente controladas (sem segredos no bundle).
  • Source maps: política definida por ambiente (ex.: restrições em produção) e sem expor segredos.

Ponto de auditoria: relatório de dependências (SCA), verificação de variáveis de ambiente e inspeção do bundle para strings sensíveis.

3) Auditoria de configuração de ambiente

  • URLs de API por ambiente (dev/staging/prod) e validação para evitar apontar produção em builds de teste.
  • Política de CORS e domínios autorizados alinhados com o contrato.
  • Headers de segurança relevantes no servidor que entrega a SPA (ex.: CSP, HSTS quando aplicável), com validação via scanner.

Ponto de auditoria: checklist de deploy com evidências (prints/config export) e varredura automatizada em staging.

Checklist de QA e testes (cenários mínimos)

1) Cenários de autenticação e sessão

  • Login válido e inválido (mensagens e estados corretos).
  • Expiração de sessão durante navegação (UI consistente, sem loops).
  • Refresh falhando (comportamento acordado: limpar sessão e redirecionar).
  • Troca de usuário sem vazamento de dados.

2) Cenários de autorização

  • Usuário sem permissão acessando rota protegida: recebe 403 e vê tela adequada.
  • Usuário com permissão: acesso normal.
  • Permissão removida no servidor durante sessão: front-end reage ao 403 sem manter UI indevida.

3) Cenários de navegação e deep link

  • Acesso direto por URL em rota autenticada sem sessão: redireciona conforme contrato.
  • Retorno ao fluxo após login (returnUrl) respeitando regras de segurança (ex.: bloquear redirecionamento externo).
  • 404 em rotas inexistentes sem vazar detalhes.

Ponto de auditoria: suíte E2E com evidências (relatórios) e casos mapeados à matriz de rotas × requisitos.

Checklist de governança: como manter o contrato vivo

1) Donos (owners) e revisão obrigatória

  • Definir owner do contrato de autenticação (normalmente back-end + segurança) e do cliente HTTP (front-end).
  • PRs que alterem endpoints/claims exigem atualização do documento de contrato e testes.
  • Revisão obrigatória de segurança para mudanças em login/refresh/logout e em rotas sensíveis.

2) Mudanças controladas e comunicação

  • Changelog de API e de claims.
  • Janela de compatibilidade (ex.: manter campo antigo por X versões).
  • Ambiente de staging com dados e permissões representativas para validar cenários reais.

3) Evidências mínimas para auditoria interna

  • Documento de contrato (API + autenticação + erros) com versão.
  • Matriz de rotas × requisitos atualizada.
  • Relatórios de testes (unitários/integrados/E2E) cobrindo 401/403/expiração.
  • Relatório de dependências e verificação de ausência de segredos no bundle.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Qual prática melhor reduz ambiguidades entre front-end e back-end e facilita QA e auditorias em uma SPA React com autenticação JWT?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

A abordagem recomendada combina contratos testáveis (API, autenticação, autorização, rotas e observabilidade), responsabilidades explícitas entre camadas e pontos de auditoria com evidências (testes, logs e revisões), reduzindo brechas por falta de definição.

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