O que “performance” significa no Looker Studio
Performance, no contexto do Google Looker Studio, é a capacidade do relatório abrir, filtrar e interagir com rapidez e estabilidade, mesmo com vários usuários acessando ao mesmo tempo. Em termos práticos, um relatório performático:
- Carrega a primeira visualização rapidamente (tempo até “ver algo útil”).
- Responde a filtros/controles sem travar ou recarregar excessivamente.
- Evita erros intermitentes (timeouts, limites de consulta, falhas de conexão).
O tempo de carregamento costuma ser dominado por três fatores: (1) volume de dados consultado, (2) complexidade das consultas geradas pelos componentes (gráficos/tabelas/controles) e (3) quantidade de componentes simultâneos na página. A otimização consiste em reduzir o trabalho necessário para responder às interações do usuário.
Como diagnosticar lentidão: onde o tempo está sendo gasto
1) Identifique se o problema é “página pesada” ou “consulta pesada”
- Página pesada: muitos componentes na mesma página, vários controles, muitas tabelas e gráficos consultando ao mesmo tempo. Sintoma: a página demora para “montar” mesmo antes de aplicar filtros.
- Consulta pesada: poucos componentes, mas um deles (geralmente tabela grande) demora muito. Sintoma: um gráfico específico fica carregando por muito tempo ou falha, enquanto outros carregam.
2) Faça um teste A/B manual (desligando o que pesa)
Para localizar o “vilão”, duplique a página e simplifique gradualmente:
- Remova temporariamente tabelas grandes (principal suspeito).
- Remova controles que afetam muitos componentes.
- Troque dimensões de alta cardinalidade (ex.: ID, URL completa) por dimensões mais agregadas (ex.: categoria, canal, página agrupada).
Se a página “leve” fica rápida, o problema é composição (muitos elementos). Se continua lenta, o problema é a consulta/fonte de dados.
3) Observe padrões de lentidão por interação
- Lento ao abrir: excesso de componentes e/ou filtros padrão muito amplos (consultando “tudo”).
- Lento ao filtrar: controles disparando muitas consultas simultâneas, ou filtros que aumentam a cardinalidade (ex.: selecionar “Todos” em uma dimensão enorme).
- Lento ao ordenar/paginar tabela: tabelas com muitas linhas e múltiplas métricas calculadas em tempo real.
Reduzindo carga: práticas que mais impactam
Limitar componentes por página
Cada componente pode gerar uma ou mais consultas. Uma página com 15–25 componentes (especialmente tabelas e scorecards com comparações) tende a ficar mais lenta do que páginas segmentadas. Boas práticas:
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- Prefira páginas temáticas (Visão geral, Aquisição, Conteúdo, Conversões) em vez de “tudo em uma página”.
- Use componentes “resumo” na primeira dobra (acima da rolagem) e deixe detalhes em páginas específicas.
- Evite repetir o mesmo gráfico com pequenas variações; use controles para alternar a visão quando possível.
Reduzir granularidade (agregar mais)
Granularidade é o nível de detalhe da dimensão. Quanto mais detalhado, mais linhas e mais trabalho de agregação.
- Troque
Data e horaporDataquando a análise não exige horário. - Troque
URL completaporCaminho da páginaou por um agrupamento (ex.: “seção do site”). - Evite dimensões com alta cardinalidade em tabelas (IDs, parâmetros, termos longos) quando o objetivo é visão gerencial.
Regra prática: se o usuário não toma decisão no nível “linha a linha”, agregue.
Evitar combinações pesadas (dimensões + métricas que explodem o custo)
Algumas combinações aumentam muito o custo da consulta:
- Tabela com dimensão de alta cardinalidade + muitas métricas + ordenação por métrica.
- Várias quebras (drilldown) em sequência com dimensões detalhadas.
- Componentes com comparação de período e múltiplas métricas ao mesmo tempo.
Alternativas:
- Divida uma tabela grande em duas: uma “Top 20” e outra detalhada em página separada.
- Use filtros para restringir o universo antes de mostrar detalhe (ex.: escolher “Canal” e “Período” antes da tabela por URL).
- Troque ordenação por métrica em tabelas enormes por uma ordenação padrão mais simples ou por “Top N”.
Preferir métricas pré-calculadas quando possível
Métricas calculadas em tempo de consulta podem ser convenientes, mas podem custar caro quando aplicadas sobre grandes volumes e em muitos componentes. Quando fizer sentido, prefira:
- Métricas já prontas na fonte (ex.: em uma tabela agregada no banco/warehouse).
- Campos pré-derivados (ex.: categoria, agrupamento de canal, flags) para evitar lógica repetida em vários gráficos.
- Tabelas de resumo por dia/canal/campanha em vez de evento a evento.
Heurística: se a mesma lógica é usada em muitos gráficos e para muitos usuários, vale pré-calcular.
Reaproveitar fontes e padronizar o modelo de dados
Relatórios com múltiplas fontes semelhantes (ex.: várias planilhas/tabelas com o mesmo conteúdo) aumentam a chance de consultas redundantes e inconsistências. Boas práticas:
- Centralize em uma fonte “canônica” por assunto (ex.: uma tabela de fatos e dimensões bem definidas).
- Evite duplicar a mesma fonte com pequenas variações; prefira parâmetros/filtros.
- Quando precisar de variações, mantenha o mesmo esquema (mesmos nomes e tipos) para facilitar manutenção e reduzir erros.
Impacto de controles e tabelas grandes
Controles: por que podem deixar tudo mais lento
Controles (lista suspensa, caixa de pesquisa, intervalo de datas) podem disparar consultas para:
- Carregar os valores possíveis (principalmente em dimensões com muitos valores).
- Recalcular todos os componentes afetados a cada mudança.
Boas práticas para controles:
- Evite controles de dimensões com alta cardinalidade (ex.: “URL completa”) como lista; prefira pesquisa, ou um controle em dimensão agrupada (ex.: “Seção”).
- Reduza o número de controles que afetam “a página inteira” quando não for necessário.
- Prefira poucos controles essenciais e deixe filtros avançados em uma página de detalhe.
Tabelas grandes: o componente que mais costuma pesar
Tabelas são naturalmente mais pesadas porque:
- Pedem muitas linhas (mesmo que a tela mostre poucas, há paginação, ordenação e cálculos).
- Costumam ter várias métricas e dimensões ao mesmo tempo.
- Usuários interagem com ordenação, busca e drilldown, gerando novas consultas.
Boas práticas específicas:
- Limite colunas: mantenha apenas as métricas essenciais na primeira tabela.
- Use “Top N” (ex.: Top 20/50) para visão inicial.
- Crie uma tabela “Detalhe” em outra página, acessada por navegação, para não carregar tudo sempre.
- Evite dimensões de alta cardinalidade como primeira coluna; comece com uma dimensão agregada e permita aprofundar depois.
Definindo padrões de filtros para diminuir volume (sem depender do usuário)
Um dos maiores ganhos de performance vem de evitar que o relatório abra consultando um período enorme ou um universo completo de dados. Defina padrões que já reduzam o volume na abertura.
Padrões recomendados
- Período padrão curto: por exemplo, últimos 7/14/30 dias, conforme o caso de uso.
- Filtro padrão por segmento: se a maioria dos usuários analisa um país, unidade, marca ou canal específico, comece por esse recorte.
- Detalhe sob demanda: páginas de detalhe devem exigir que o usuário selecione um filtro antes de mostrar tabelas muito granulares.
Passo a passo: estratégia “Resumo primeiro, detalhe depois”
Na página inicial, mantenha apenas KPIs e gráficos agregados (por dia/semana, por canal, por categoria).
Defina o período padrão para um intervalo que represente o uso típico (ex.: últimos 30 dias).
Crie uma página de detalhe com tabelas granulares (ex.: por campanha, por URL), mas com um filtro obrigatório (ex.: canal/categoria) e período curto.
Use navegação para levar o usuário ao detalhe quando necessário, em vez de carregar tudo na mesma página.
Roteiro de otimização: medir, simplificar, validar, testar
1) Medir (estabeleça uma linha de base)
- Abra o relatório em janela anônima (reduz interferência de cache e extensões).
- Meça: tempo para carregar a página inicial e tempo para responder a 2–3 filtros comuns.
- Anote quais páginas e quais componentes são mais lentos.
2) Simplificar (aplique mudanças de maior impacto primeiro)
- Reduza componentes por página (principalmente tabelas).
- Troque dimensões detalhadas por agregadas.
- Reduza o período padrão.
- Substitua cálculos repetidos por métricas pré-calculadas quando possível.
3) Validar (garanta que os números não mudaram indevidamente)
Após cada mudança, valide com um conjunto pequeno de checagens:
- Compare 2–3 KPIs antes/depois no mesmo período.
- Verifique se filtros ainda se comportam como esperado.
- Confirme se a agregação não removeu uma necessidade real de detalhe.
4) Testar com diferentes usuários (e condições)
- Teste com um usuário “avançado” (que usa tabelas e drilldown) e um “executivo” (que só vê resumo).
- Teste em rede mais lenta (tethering/wi-fi instável) para identificar páginas frágeis.
- Teste em dispositivos diferentes (notebook menor, monitor grande) para garantir que a primeira dobra permaneça leve.
Lista de verificação para publicar relatórios com desempenho consistente
- Período padrão definido para evitar carregar “tudo”.
- Página inicial com poucos componentes e foco em agregados.
- Tabelas grandes limitadas (Top N, menos colunas) e movidas para páginas de detalhe quando necessário.
- Dimensões de alta cardinalidade evitadas como padrão (especialmente em controles e tabelas iniciais).
- Controles essenciais apenas; controles caros (muitos valores) substituídos por alternativas mais simples.
- Combinações pesadas reduzidas (muitas métricas + dimensão detalhada + ordenação complexa).
- Métricas repetidas e custosas preferencialmente pré-calculadas na fonte quando fizer sentido.
- Fontes reaproveitadas e modelo de dados padronizado para reduzir redundância.
- Teste de carregamento feito em janela anônima e com usuários diferentes.
- Validação de KPIs realizada após otimizações para garantir consistência.