AWS para Iniciantes: DNS com Route 53 para apontar o domínio para o site

Capítulo 7

Tempo estimado de leitura: 9 minutos

+ Exercício

O que é DNS na prática (e por que você precisa dele)

DNS (Domain Name System) é o “catálogo” que traduz nomes fáceis (como www.seudominio.com) para destinos técnicos (como um IP público ou um endpoint de serviço). Quando alguém digita seu domínio no navegador, o computador pergunta ao DNS: “para onde eu devo ir?”. A resposta vem na forma de registros DNS.

Para hospedar um site, o objetivo é simples: criar registros que façam seudominio.com e/ou www.seudominio.com apontarem para o endpoint onde seu site está publicado.

Registros DNS mais usados para sites

  • A: aponta um nome para um endereço IPv4 (ex.: 203.0.113.10).
  • AAAA: aponta um nome para um endereço IPv6 (ex.: 2001:db8::10).
  • CNAME: aponta um nome para outro nome (ex.: www aponta para app.exemplo.net). Útil quando o destino é um hostname e pode mudar de IP.
  • TTL (Time To Live): tempo (em segundos) que resolvers/caches podem guardar a resposta antes de perguntar de novo. TTL influencia a “velocidade” de propagação percebida.

TTL e “propagação”: o que realmente acontece

Quando você altera um registro, a mudança não aparece instantaneamente para todo mundo porque:

  • Resolvers (do provedor, empresa, celular) fazem cache por até o TTL.
  • Seu computador e navegador também podem manter cache.

Exemplo: se o TTL é 300 (5 min), muitos usuários verão a mudança em poucos minutos; se o TTL é 86400 (24h), pode demorar bem mais para “sumir” o valor antigo em caches.

O papel do Amazon Route 53

O Route 53 é o serviço de DNS gerenciado da AWS. Ele permite:

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  • Criar e gerenciar Hosted Zones (zonas DNS) para seu domínio.
  • Criar registros (A/AAAA/CNAME etc.) com controle de TTL.
  • Publicar seus servidores DNS autoritativos (Name Servers) para o registrador do domínio.

Hosted Zone pública é a que você usa para um domínio acessível pela internet. (Hosted Zone privada é para nomes internos em redes privadas; aqui o foco é a pública.)

Passo a passo: criar uma Hosted Zone no Route 53

1) Pré-requisito: ter um domínio

Você precisa ter um domínio registrado (em qualquer registrador). O Route 53 pode ser o registrador, mas não precisa. O ponto importante é: você deve conseguir alterar os Name Servers do domínio no registrador.

2) Criar a Hosted Zone pública

No Console da AWS:

  • Acesse Route 53 > Hosted zones > Create hosted zone.
  • Em Domain name, informe seu domínio raiz, por exemplo: seudominio.com.
  • Em Type, selecione Public hosted zone.
  • Crie a zona.

Ao criar, o Route 53 gera automaticamente:

  • Um registro NS (Name Server) com 4 servidores.
  • Um registro SOA (Start of Authority), com parâmetros da zona.

3) Apontar o domínio para os Name Servers do Route 53

Esse é um passo obrigatório para que o mundo passe a consultar o Route 53 como autoridade do seu domínio:

  • No Route 53, copie os valores do registro NS da hosted zone (ex.: ns-123.awsdns-45.org etc.).
  • No painel do seu registrador, localize as configurações de DNS/Name Servers do domínio.
  • Substitua os Name Servers atuais pelos 4 Name Servers do Route 53.

Observação: a troca de Name Servers pode levar algum tempo para propagar. Durante esse período, algumas consultas ainda podem ir para os servidores antigos.

Passo a passo: criar registros para apontar o domínio para o site

Agora você criará registros na hosted zone para direcionar o tráfego ao endpoint do seu site. As opções comuns de destino são:

  • IP público (ex.: uma instância com IP elástico/público): use registro A (e AAAA se houver IPv6).
  • Hostname de serviço (ex.: um endpoint que já é um nome DNS): use CNAME (ou, em alguns casos, um registro do tipo “alias” do Route 53 quando aplicável).
  • Load Balancer (ELB): normalmente aponta-se para o DNS do balanceador (sem precisar conhecer IPs). Em Route 53, é comum usar “alias” para o endpoint do ELB, mas sem entrar em detalhes de balanceamento.

Cenário A: apontar www para um IP público (registro A)

Use quando você tem um IP fixo (por exemplo, um IP elástico) e quer que www.seudominio.com resolva diretamente para ele.

  • No Route 53 > Hosted zone do domínio > Create record.
  • Record name: www
  • Record type: A
  • Value: o IPv4 público (ex.: 203.0.113.10)
  • TTL: comece com 300 durante ajustes; depois, aumente para algo como 3600 (1h) quando estabilizar.
  • Salvar.

Se você também tiver IPv6, crie um registro AAAA para www com o endereço IPv6.

Cenário B: apontar www para um hostname (registro CNAME)

Use quando o destino é um nome DNS (por exemplo, um endpoint gerenciado que pode mudar de IP).

  • Create record
  • Record name: www
  • Record type: CNAME
  • Value: o hostname de destino (ex.: meu-endpoint.exemplo.net)
  • TTL: 300 ou 3600 conforme necessidade.

Regra importante: em geral, você não usa CNAME no domínio raiz (seudominio.com), porque o raiz precisa de registros como NS e SOA. Para o raiz, costuma-se usar A/AAAA (ou “alias” quando aplicável no Route 53).

Cenário C: apontar o domínio raiz (seudominio.com)

O domínio raiz é o registro “apex” (sem www). Você tem algumas opções comuns:

  • A/AAAA para IP fixo: se seu site está em um IP estável, crie um A com o IP (e AAAA se houver IPv6).
  • Alias para endpoint AWS: quando o destino é um recurso AWS suportado como alvo “alias” (por exemplo, um Load Balancer), o Route 53 permite apontar o apex sem CNAME. No console, isso aparece como opção de Alias ao criar o registro.

Passos (exemplo com A para IP):

  • Create record
  • Record name: deixe em branco (isso representa seudominio.com)
  • Record type: A
  • Value: IP público
  • TTL: 300 inicialmente

Estratégia comum: raiz e www consistentes

Uma prática comum é fazer seudominio.com e www.seudominio.com apontarem para o mesmo destino. Assim, o usuário acessa de qualquer forma. Você pode:

  • Apontar ambos diretamente para o mesmo IP (A/AAAA), ou
  • Apontar www como CNAME para um hostname e manter o raiz com A/alias, dependendo do seu endpoint.

Rotina de validação: checar se o DNS está resolvendo corretamente

Depois de criar/alterar registros, valide com ferramentas de consulta DNS. O objetivo é confirmar:

  • Se o domínio já está usando os Name Servers do Route 53.
  • Se os registros A/AAAA/CNAME retornam o destino esperado.
  • Se o TTL retornado faz sentido com o que você configurou.

Verificar com nslookup

Consultar o A record:

nslookup www.seudominio.com

Saída esperada (exemplo): mostrar o(s) IP(s) retornado(s). Se você configurou CNAME, o nslookup pode mostrar o alias e depois o IP final.

Consultar quais Name Servers estão respondendo (pode variar por sistema):

nslookup -type=NS seudominio.com

Compare os NS retornados com os NS da hosted zone no Route 53. Se estiverem diferentes, o domínio ainda não está delegando para o Route 53 (ou há cache).

Verificar com dig (mais detalhado)

Consultar A record e ver TTL:

dig www.seudominio.com A

Você verá uma seção ANSWER SECTION com o TTL à esquerda e o valor do registro. Exemplo de interpretação:

www.seudominio.com. 300 IN A 203.0.113.10
  • 300 é o TTL (em segundos) que o resolver ainda pode cachear.
  • A é o tipo do registro.
  • 203.0.113.10 é o destino.

Consultar CNAME:

dig www.seudominio.com CNAME

Consultar NS (delegação):

dig seudominio.com NS

Validar em verificadores online

Verificadores online ajudam a ver a resolução a partir de diferentes regiões/ISPs. Use-os para:

  • Confirmar se a delegação de NS já propagou globalmente.
  • Comparar respostas entre locais (útil quando “funciona para você” mas não para outras pessoas).

Ao usar um verificador, procure por:

  • Quais NS estão sendo consultados.
  • Qual resposta A/AAAA/CNAME está retornando.
  • Se há mensagens como NXDOMAIN (não existe) ou SERVFAIL (falha no servidor).

Como interpretar falhas comuns de resolução

NXDOMAIN: domínio/registro não existe

Geralmente indica:

  • Você consultou um nome que não tem registro (ex.: criou www, mas está testando wwww).
  • A hosted zone não corresponde exatamente ao domínio (ex.: criou www.seudominio.com como zona em vez de seudominio.com).
  • O domínio ainda não está delegando para os NS do Route 53 (o DNS autoritativo consultado não tem seus registros).

Checklist rápido:

  • Confirme o nome do registro (sem erros de digitação).
  • Confirme se a hosted zone é do domínio raiz correto.
  • Verifique dig seudominio.com NS e compare com o NS do Route 53.

SERVFAIL: falha ao obter resposta

Pode indicar:

  • Problema temporário no resolver consultado.
  • Delegação quebrada (NS apontando para servidores errados/inexistentes).
  • Configuração inconsistente no registrador (ex.: faltou um dos NS, ou há mistura de NS antigos e novos).

Checklist rápido:

  • No registrador, confirme que os 4 NS do Route 53 estão configurados exatamente.
  • Teste com outro resolver (por exemplo, usando um verificador online ou outra rede).

Resolve para o destino “antigo”

Quase sempre é cache/TTL. Ações úteis:

  • Aguarde o TTL expirar.
  • Teste com dig e observe o TTL retornado.
  • Teste de outra rede/dispositivo para comparar.

Cuidados e boas práticas ao gerenciar DNS no Route 53

Evite mudanças frequentes sem necessidade

Mudar DNS toda hora aumenta a chance de inconsistência e dificulta troubleshooting por causa de cache. Se você sabe que fará uma troca planejada (por exemplo, mudar o IP/endpoint), reduza o TTL com antecedência (por exemplo, para 300) e só depois faça a mudança. Quando estabilizar, aumente o TTL novamente.

Documente seus registros

Mantenha um registro simples (planilha ou documento) com:

  • Nome do registro (ex.: www, apex)
  • Tipo (A/AAAA/CNAME)
  • Valor (IP/hostname)
  • TTL
  • Motivo/serviço associado (ex.: “site principal”, “admin”, “api”)
  • Data e responsável pela alteração

Isso reduz erros e acelera diagnósticos quando algo “para de resolver”.

Mantenha consistência de nomes

  • Padronize subdomínios (ex.: sempre usar www para o site público, evitar criar variações desnecessárias).
  • Evite criar registros duplicados com objetivos parecidos (ex.: site, web, home) sem uma regra clara.
  • Se usar CNAME, confirme que o destino é um hostname correto e estável.

Escolha TTL com intenção

  • Ambiente estável: TTL maior (ex.: 3600 ou mais) reduz consultas e tende a ser mais eficiente.
  • Migrações/ajustes: TTL menor (ex.: 300) facilita mudanças rápidas, mas aumenta consultas.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao preparar uma mudança planejada no destino de um site (como trocar o IP ou endpoint), qual prática ajuda a reduzir o impacto de cache e facilitar a propagação percebida do DNS?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Como resolvers e dispositivos fazem cache por até o TTL, reduzir o TTL antes de uma troca planejada acelera a atualização percebida. Após estabilizar, aumentar o TTL ajuda a diminuir consultas e manter eficiência.

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