O que é arquitetura da informação (AI) no contexto de apps
Arquitetura da informação é a forma como você organiza conteúdo, funcionalidades e caminhos de navegação para que a pessoa encontre o que precisa com o mínimo de esforço. Em apps, AI aparece como: estrutura de menus e abas, agrupamento de telas, nomes de seções, ordem de passos e regras de acesso (ex.: precisa estar logado para ver “Meus pedidos”).
Um bom sinal de AI bem feita é quando você consegue responder rapidamente: quais são as principais tarefas do app, onde cada tarefa começa e quais telas são necessárias para completar a tarefa sem “voltar e tentar outra coisa”.
Definição de metas de tela (screen goals)
Cada tela precisa ter uma meta clara, mensurável e única (ou, no máximo, uma meta principal e uma secundária). Metas vagas geram telas “colcha de retalhos”.
Como definir a meta de uma tela
- Nomeie a tela pelo que ela entrega (ex.: “Lista de tarefas”, “Detalhe do item”, “Editar item”).
- Escreva a frase de sucesso: “O usuário sai desta tela tendo…”.
- Defina a ação primária (CTA principal) e até 2 ações secundárias.
- Liste as informações mínimas para tomar a decisão e executar a ação.
Exemplos de metas bem definidas
- Login: “Entrar na conta com e-mail e senha (ou recuperar acesso)”. Ação primária: “Entrar”. Secundárias: “Esqueci a senha”, “Criar conta”.
- Lista: “Encontrar um item e acessar seu detalhe”. Ação primária: “Abrir item”. Secundárias: “Buscar/filtrar”, “Criar novo”.
- Detalhe: “Entender o item e decidir o próximo passo”. Ação primária: “Editar” ou “Executar ação do item”. Secundárias: “Excluir”, “Compartilhar”.
Agrupamento por tarefas (task-based grouping)
Organize o app por tarefas reais, não por estrutura interna do sistema. Em vez de agrupar por tabelas/entidades (“Usuários”, “Pedidos”, “Produtos”), agrupe por intenção (“Comprar”, “Acompanhar pedido”, “Gerenciar catálogo”).
Passo a passo para agrupar funcionalidades
- Liste tarefas principais (top 3–7) que geram valor.
- Liste subtarefas necessárias para completar cada tarefa.
- Identifique dependências (ex.: “Precisa estar logado”).
- Crie grupos que possam virar seções/abas do app.
- Valide o agrupamento perguntando: “Se eu quero X, eu tocaria aqui?”
Exemplo de agrupamento para um app de itens (tarefas pessoais)
| Tarefa | Subtarefas | Telas típicas |
|---|---|---|
| Gerenciar itens | Ver lista, buscar, filtrar | Lista |
| Consultar item | Ver detalhes, histórico | Detalhe |
| Manter item | Criar, editar, excluir | Criação/Edição, confirmação |
| Acessar conta | Login, recuperar senha, sair | Login, Recuperação |
Rotulação clara: nomes que guiam decisões
Rótulos (labels) são os nomes de menus, botões, campos e títulos. Eles precisam ser específicos, consistentes e orientados à ação. Rotulação ruim cria dúvida e aumenta erros.
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Checklist de rotulação
- Use verbos para ações: “Salvar”, “Criar item”, “Enviar”.
- Use substantivos para seções: “Itens”, “Conta”, “Pedidos”.
- Evite termos internos: “Sincronizar entidade” vira “Atualizar”.
- Seja consistente: se é “Item” na lista, não vire “Registro” no detalhe.
- Prefira clareza a brevidade: “Criar item” é melhor que “Novo” quando há ambiguidade.
Exemplos de melhorias de rótulos
- “Confirmar” → “Salvar alterações” (explica o que será confirmado)
- “Enviar” → “Enviar código” / “Enviar mensagem” (especifica o objeto)
- “Gerenciar” → “Editar” (ação mais direta)
Hierarquia de navegação: mapa do app em camadas
Hierarquia de navegação é como as telas se relacionam: o que é topo (seções principais), o que é segundo nível (listas e categorias) e o que é detalhe/ação (telas profundas). Uma hierarquia simples reduz caminhos longos e evita “becos sem saída”.
Modelo prático de hierarquia (3 níveis)
- Nível 1 (seções): áreas principais do app (ex.: “Itens”, “Conta”).
- Nível 2 (coleções): listas, filtros, resultados (ex.: “Lista de itens”).
- Nível 3 (objeto/ação): detalhe e edição (ex.: “Detalhe do item”, “Editar item”).
Regras simples para manter a hierarquia saudável
- Evite mais de 3–4 toques para completar a tarefa principal.
- Não duplique caminhos sem necessidade (mesma tela acessível por vários lugares confunde).
- Garanta retorno: toda tela profunda precisa de um caminho claro de volta (voltar para lista, cancelar edição).
- Defina estados de acesso: o que muda quando está logado vs. deslogado.
Mapeamento de jornadas: happy path e caminhos alternativos
Jornada é a sequência de passos que a pessoa percorre para concluir uma tarefa. O happy path é o caminho ideal sem erros. Os caminhos alternativos cobrem exceções: validações, falhas de rede, permissões, item inexistente, sessão expirada.
Como mapear uma jornada (passo a passo)
- Escolha uma tarefa (ex.: “Criar um item”).
- Descreva o happy path em 5–10 passos, com telas e ações.
- Liste pontos de decisão (ex.: “Credenciais válidas?”).
- Para cada decisão, crie alternativas (erro, cancelamento, tentativa novamente).
- Defina feedback (mensagem, estado vazio, loading, erro recuperável).
Exemplo de jornada: login (happy path)
- Tela Login → usuário preenche e-mail e senha
- Toque em “Entrar”
- App mostra carregamento
- Autenticação OK → navega para “Lista”
Exemplos de caminhos alternativos no login
- Senha incorreta: mostrar erro próximo ao campo + permitir tentar novamente (sem limpar e-mail).
- Campo vazio: validação local antes de enviar.
- Sem internet: mensagem com ação “Tentar novamente”.
- Esqueci a senha: fluxo para recuperação e retorno ao login.
- Sessão expirada ao abrir o app: redirecionar para login e, após sucesso, voltar para a tela pretendida (quando fizer sentido).
Como criar um diagrama de fluxo (nós e transições) em texto
Um diagrama de fluxo pode ser descrito como uma lista de nós (telas/estados) e transições (ações/condições que levam de um nó a outro). Isso ajuda a implementar navegação e a prever casos de erro.
Formato recomendado
NÓ: Nome da tela/estado (objetivo) [pré-condições] {saídas possíveis} TRANSIÇÃO: evento/ação/condição → próximo nóExemplo completo (recurso comum: autenticação + CRUD simples)
Conjunto mínimo de telas para um recurso típico:
- Login
- Lista (itens)
- Detalhe (item)
- Criação/Edição (formulário)
Nós:
- N1: Splash/Inicial (decidir rota inicial) {ir para Login, ir para Lista}
- N2: Login (entrar) {sucesso, erro, recuperar senha}
- N3: Lista de Itens (encontrar e acessar item; criar novo) {abrir detalhe, criar}
- N4: Detalhe do Item (entender item; editar/excluir) {editar, voltar, excluir}
- N5: Formulário Criar/Editar (preencher e salvar) {salvar, erro validação, cancelar}
- N6: Confirmação/Feedback (opcional: toast/snackbar/modal) {voltar para Lista ou Detalhe}
- N7: Erro de Rede (estado) {tentar novamente, voltar}
Transições:
N1 → N2: sem sessão válidaN1 → N3: sessão válidaN2 → N3: tocar “Entrar” + autenticação OKN2 → N2: autenticação falhou (mostrar erro)N2 → N7: falha de rede ao autenticarN3 → N4: tocar em um item da listaN3 → N5: tocar “Criar item”N4 → N5: tocar “Editar”N4 → N3: voltarN4 → N3: excluir item + confirmar + sucessoN5 → N4: salvar edição com sucesso (voltar ao detalhe atualizado)N5 → N3: salvar criação com sucesso (voltar à lista com novo item visível)N5 → N5: erro de validação (destacar campos e manter dados)N5 → N7: falha de rede ao salvarN7 → (nó anterior): “Tentar novamente”
Dicas para transformar o fluxo em implementação
- Nomeie rotas com o mesmo padrão dos nós (ex.:
/login,/items,/items/:id,/items/new,/items/:id/edit). - Defina parâmetros (ex.:
idno detalhe/edição). - Padronize retornos: após criar, voltar para lista; após editar, voltar para detalhe.
- Estados vazios na lista (sem itens) devem apontar para a ação “Criar item”.
Passo a passo: desenhando o conjunto mínimo de telas do recurso
1) Login
- Meta: autenticar e levar à lista.
- Componentes mínimos: campos e-mail/senha, botão “Entrar”, link “Esqueci a senha”.
- Regras: validação local (formato de e-mail, senha não vazia), loading ao enviar, erro claro ao falhar.
2) Lista
- Meta: permitir encontrar e abrir um item; iniciar criação.
- Componentes mínimos: lista com título e informação-chave, busca (se necessário), botão “Criar item”, estados: carregando, vazio, erro.
- Regras: tocar no item abre detalhe; estado vazio deve ter CTA “Criar item”.
3) Detalhe
- Meta: apresentar informações do item e permitir ação principal (editar/excluir).
- Componentes mínimos: título, atributos relevantes, botão “Editar”, ação “Excluir” (com confirmação).
- Regras: se item não existir (404), mostrar mensagem e voltar para lista.
4) Criação/Edição (Formulário)
- Meta: criar ou atualizar item com segurança.
- Componentes mínimos: campos essenciais, botão “Salvar”, ação “Cancelar”.
- Regras: validação por campo, manter dados ao erro, diferenciar modo criar vs. editar (título e valores preenchidos).
Exercício guiado: do requisito ao fluxo em 20 minutos
Requisito: “Usuário precisa criar e gerenciar itens pessoais (ex.: tarefas).”
- Liste tarefas: entrar, ver itens, abrir item, criar, editar, excluir.
- Defina metas de tela para Login/Lista/Detalhe/Formulário.
- Escreva rótulos (seções e ações) e revise consistência (“Item” em todo lugar).
- Desenhe hierarquia: Conta/Login → Itens (Lista) → Detalhe → Editar.
- Mapeie happy path de “Criar item”: Lista → Criar → Salvar → Lista.
- Adicione alternativas: erro validação, falha de rede, cancelar.
- Escreva o diagrama em nós/transições como no modelo acima.