Áreas externas e entradas: calçadas, garagem, quintal e segurança contra quedas

Capítulo 10

Tempo estimado de leitura: 9 minutos

+ Exercício

Por que áreas externas e entradas concentram quedas

Entradas, calçadas, garagem e quintal reúnem fatores que aumentam o risco de escorregões e tropeços: mudanças de nível, superfícies expostas à chuva e ao limo, sujeira (folhas, areia), objetos fora do lugar (ferramentas, brinquedos) e transições entre pisos (rua–calçada–soleira–garagem). Além disso, são áreas de passagem rápida: a pessoa costuma estar carregando compras, abrindo portões, segurando crianças ou conduzindo pets, o que reduz a atenção ao chão.

Inspeção prática: o que observar em rampas, degraus e calçadas

1) Rampas e acessos inclinados

Objetivo: garantir que a rampa seja previsível, estável e com boa drenagem.

  • Inclinação e continuidade: observe se há trechos “quebrados” (mudança brusca de inclinação) ou pontos que obrigam a pessoa a “dar um passo maior”.
  • Superfície: procure áreas polidas, com limo, tinta descascando ou desgaste que deixe o piso liso quando molhado.
  • Drenagem: após chuva ou lavagem, veja onde a água empoça. Poças em rampa são um alerta imediato.
  • Bordas e desníveis laterais: bordas sem proteção aumentam risco de escorregar para fora do trajeto, especialmente para idosos com marcha instável ou crianças correndo.

2) Degraus externos e soleiras

Objetivo: reduzir tropeços em mudanças de nível na entrada.

  • Altura irregular: degraus com alturas diferentes são um dos principais gatilhos de tropeço. Compare visualmente e, se possível, meça.
  • Quinas quebradas: lascas e buracos “puxam” a ponta do calçado.
  • Acúmulo de areia/folhas: funciona como “rolamento” sob o pé, principalmente em degraus.
  • Transição porta–tapete–piso: verifique se a porta raspa no tapete e se o tapete cria uma borda levantada.

3) Calçadas, pátio e quintal

Objetivo: criar um caminho firme e sem surpresas.

  • Irregularidades: pedras soltas, rachaduras, buracos, rejuntes afundados e raízes levantando o piso.
  • Materiais soltos: pedrinhas decorativas, cascalho e areia em área de passagem aumentam escorregões e torções.
  • Folhas e frutos caídos: além de escorregar, escondem buracos e desníveis.
  • Áreas de irrigação: aspersores que molham o trajeto ou vazamentos que mantêm o piso sempre úmido.

Passo a passo: criar trajetos firmes, contínuos e bem drenados

Passo 1 — Defina o “trajeto principal”

Escolha o caminho mais usado (portão → porta; garagem → porta; porta → lixeira; porta → área de serviço). A segurança começa por onde há maior frequência de passagem.

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Passo 2 — Remova obstáculos e “atalhos perigosos”

  • Retire vasos, enfeites, mangueiras e extensões do trajeto principal.
  • Evite que o caminho obrigue a pessoa a passar por gramado molhado, pedrinhas decorativas ou terra batida.

Passo 3 — Garanta firmeza do piso

  • Corrija soltos e ocos: fixe pedras e placas que “batem” ao pisar.
  • Preencha buracos e rachaduras: pequenas cavidades viram pontos de tropeço e prendem rodas (carrinho, andador, bicicleta infantil).
  • Evite soluções temporárias escorregadias: papelão, tábuas soltas ou tapetes improvisados em área externa.

Passo 4 — Drenagem e controle de água

  • Elimine empoçamentos: ajuste caimento do piso ou instale canaletas/ralos onde a água acumula.
  • Direcione calhas: quedas d’água de telhado sobre a entrada criam “faixa molhada” constante.
  • Rotina pós-chuva: seque áreas críticas (entrada e rampa) quando houver grande circulação (horário de escola, visitas, entregas).

Passo 5 — Apoios em acessos (corrimãos e pontos de apoio)

Em acessos com degraus ou rampa, priorize apoio contínuo no lado mais usado. Um bom apoio permite que a pessoa estabilize o corpo ao abrir portões, carregar sacolas ou conduzir crianças.

  • Onde faz mais diferença: do portão até a porta, e em qualquer trecho com mudança de nível.
  • Continuidade: evite apoios “aos pedaços” que obrigam a soltar a mão no meio do trajeto.
  • Espaço livre: o apoio deve permitir a passagem sem “raspar” ombro e sem estreitar o caminho.

Entrada da casa: tapetes, soleiras e zona de transição

Tapete de entrada seguro

O tapete de entrada deve reter sujeira e água sem criar bordas que levantem ou enruguem.

  • Base estável: prefira tapete que não deslize com o pé úmido.
  • Espessura adequada: muito alto vira degrau; muito leve dobra e forma “ondinhas”.
  • Manutenção: sacuda e lave com frequência; tapete saturado de água vira área escorregadia.

Controle de “piso molhado” na entrada

  • Guarda-chuva e capa: mantenha um local fixo para pingos não se espalharem pelo caminho.
  • Calçados: defina um ponto para trocar/limpar calçados sem bloquear a passagem.
  • Entregas: combine um local de recebimento que não obrigue a pessoa a recuar em degrau molhado ou desviar por área irregular.

Garagem: organização para evitar tropeços e quedas

A garagem costuma acumular itens “de passagem rápida”: ferramentas, caixas, bicicletas, patinetes, baldes e produtos de limpeza. O objetivo é manter o chão livre e previsível.

Passo a passo de organização funcional

Passo 1 — Delimite uma faixa de circulação

  • Marque mentalmente (ou com pintura no chão) uma faixa contínua do carro/portão até a porta da casa.
  • Nada deve ficar estacionado nessa faixa: caixas, sacos de lixo, brinquedos, carrinhos.

Passo 2 — Tire do chão o que puder

  • Painel de ferramentas: pendure ferramentas de uso frequente (vassoura, rodo, pá, enxada).
  • Ganchos e suportes: bicicletas e patinetes em suportes reduzem “guiadores” e pedais no caminho.
  • Prateleiras: caixas sempre acima do nível do chão para não virarem “ilhas” de tropeço.

Passo 3 — Armazenamento seguro de ferramentas e materiais

  • Ferramentas com lâmina/ponta: guarde em local fechado ou alto, fora do alcance de crianças.
  • Cabos longos: enrole e prenda; cabos soltos viram laços no pé.
  • Produtos escorregadios: óleo, graxa e cera devem ficar em bandejas ou caixas para conter vazamentos.

Passo 4 — Piso e sujeira

  • Areia e pedrinhas: varrer com frequência; elas funcionam como “rolamento” sob o calçado.
  • Manchas de óleo: trate rapidamente; óleo + água = escorregão.
  • Ralos e grelhas: mantenha nivelados ao piso para não “pescar” a ponta do calçado.

Quintal: folhas soltas, brinquedos infantis e áreas de brincadeira

Folhas, frutos e galhos no caminho

  • Rotina curta: varrer o trajeto principal (portão–porta–área de serviço) pode ser mais efetivo do que “limpar o quintal todo”.
  • Após vento/chuva: faça uma varredura rápida antes de permitir corrida de crianças ou circulação de idosos.
  • Composteira e lixeira: posicione de modo que não exija passar por terreno irregular ou escorregadio.

Brinquedos infantis: como evitar “armadilhas”

Brinquedos no quintal são previsíveis para a criança que brinca, mas perigosos para quem atravessa carregando algo ou com visão limitada para o chão.

  • Estacionamento fixo: defina um local para guardar bola, patinete, carrinhos e cordas (caixa grande ou baú).
  • Regra do trajeto: o caminho principal deve ficar livre antes do fim do dia (ex.: “o trajeto até a porta precisa estar limpo”).
  • Playground: escorregador, balanço e cama elástica devem ficar fora do trajeto de passagem e com área livre ao redor.
  • Itens pequenos: peças de brinquedo, giz, bolinhas e carrinhos pequenos são campeões de tropeço; recolha em recipiente fechado.

Cuidados com pets: recipientes, brinquedos e circulação

Pets criam riscos típicos: objetos no chão, deslocamento rápido e água derramada.

  • Comedouro e bebedouro fora do trajeto: coloque em um canto fixo, preferencialmente sobre base que contenha respingos.
  • Brinquedos do pet: mantenha um cesto e recolha ao final do dia; ossos e bolinhas são fáceis de pisar.
  • Guia e coleira: guarde penduradas perto da saída para evitar deixar no chão.
  • Portões e barreiras: se o pet costuma correr para a porta, use uma barreira interna para evitar “cruzar na frente” de quem entra.

Iluminação externa: pontos críticos para reduzir quedas

Em áreas externas, a iluminação deve permitir identificar desníveis, poças e objetos no chão antes do passo.

  • Pontos essenciais: portão, caminho até a porta, degraus/soleiras, garagem e acesso ao quintal.
  • Evite ofuscamento: luminária apontada para os olhos cria sombra no chão; prefira luz direcionada ao piso e aos degraus.
  • Automação útil: sensores de presença ajudam quando a pessoa está com as mãos ocupadas, mas precisam ser bem posicionados para acender antes do primeiro degrau.
  • Manutenção: lâmpadas queimadas e luminárias sujas reduzem muito a visibilidade; inclua na rotina de inspeção.

Checklist sazonal de manutenção preventiva (chuvas, verão e inverno)

ÉpocaO que verificarAção prática
Período de chuvasPoças em rampas e entradas; limo em áreas sombreadas; goteiras de calhas sobre o trajetoMapear pontos de empoçamento após uma chuva; limpar limo; ajustar calhas e direcionar água para ralos/canaletas
Período de chuvasTapete de entrada encharcado; piso interno molhando por “arrasto”Trocar por tapete de maior absorção/estabilidade; criar ponto fixo para guarda-chuva e calçados molhados
VerãoFolhas, frutos e galhos após ventos; brinquedos espalhados por uso mais frequente do quintalVarredura rápida diária do trajeto principal; baú/caixa de brinquedos com regra de recolhimento
VerãoIrrigação molhando o caminho; mangueiras no chãoAjustar aspersores para não atingir o trajeto; instalar suporte de mangueira e guardar após uso
InvernoSuperfícies mais úmidas por mais tempo; sombra favorecendo limoAumentar frequência de limpeza em áreas sombreadas; revisar drenagem e escoamento
InvernoUso de calçados mais pesados; entrada com barro/águaReforçar área de transição (local para limpar/trocar calçados); manter caminho principal livre de objetos
Qualquer época (mensal)Ferramentas e caixas na garagem; brinquedos de pet e criança no trajetoRevisar “faixa de circulação” e retirar itens do chão; conferir armazenamento em prateleiras/ganchos
Qualquer época (trimestral)Degraus com quinas quebradas; pedras soltas; rachadurasAgendar reparos; fixar peças soltas; preencher buracos e nivelar transições

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao adaptar a entrada e áreas externas para reduzir quedas, qual ação prioriza um trajeto mais seguro e previsível para idosos e crianças?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

A prevenção começa pelo caminho mais usado: manter o trajeto principal contínuo, sem obstáculos, com piso firme, boa drenagem e iluminação adequada ajuda a evitar tropeços e escorregões, especialmente em áreas de passagem rápida.

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Armazenamento seguro de medicamentos e produtos de limpeza: prevenção de intoxicações

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